Archive for ‘Messi’

07/03/2012

Orgasmo cósmico

A melhor atuação – pelo menos pela parte da minha memória afetiva – que já vi de um único jogador num jogo de futebol foi a de Lionel Messi, pelas quartas-de-final da Champions League da temporada 2009/10; sim, a mesma temporada em que o todo poderoso sucumbiu para a Internazionale. Mas vale a lembrança para o deleite de quem se recorda puramente do momento mágico que vivemos naquele dia.

Um por, magistralmente, o Barcelona ser o Barcelona. Dois por vermos Messi. E claro que as constelações Ini e Xavi surgem posteriormente – na ocasião, todavia, o marcador do tento que deu à Espanha a primeira conquista mundial estava lesionado.

Foi fantástico observar Messi fazer todos os gols daquela goleada estarrecedora sobre o ‘melhor’ Arsenal de Wenger, ao menos no que diz respeito às últimas temporadas do francês no comando do esquadrão londrino. E também a maneira como foi constituída a goleada, constando de Nicklas Bendtner como abridor de placar no Camp Nou.

O primeiro de Messi foi após uma rebatida na entrada da área do Arsenal, proveniente de Silvestre – o lateral/zagueiro francês -, empatando com um chute certeiro no ângulo. O segundo de Lionel – bem como o do Barça – foi após uma jogada estilística, com entradas periféricas na área adversária, até o passe de ‘Pedrito’ para o 10 do maior do mundo chutar e fazer com a perna direita. E os outros dois foram pintura.

A primeira obra foi por cobertura, após passe de cabeça do malinês Keita. A segunda foi algo mais. Pois, Messi costurou até adentrar a área do Arsenal e, mesmo permitindo o rebote de Almunia no primeiro chute, não podia se culpar o arqueiro pela atuação assustadora do argentino, que guardou o quarto tento. Um monstro. Um gênio. Impiedoso.

Uma atuação digna para ressaltar o nível de um orgasmo cósmico por parte do argentino, aquele nível que, raramente, jogadores raríssimos são permitidos de explorar, e conhecê-lo. Repetir é algo mais complicado. Não impossível, porém.

Uma atuação que se transformou na minha predileta. Apesar de sempre reparar os jogos de Messi como um fenômeno quase inalcançável no esporte, aquele foi de nível muito, muito alto. Quatro tentos em uma disputa de quartas com o Arsenal pela Champions League pode te fazer pensar no nível utópico que Leo atingiu. Quase inalcançável.

O orgasmo de gala desta quarta-feira só faz-nos pensar ainda mais sobre esses fenômenos, invariavelmente, dados como raros. Tal qual, analogamente, o Barcelona como um esquadrão alcançou um nível cósmico diante o maior rival, em novembro de 2010 – os 5 a 0 do Camp Nou. Porque Messi superou a minha preferida atuação dele – a mais afetiva que tenho, ao menos. Genialmente, o argentino alcançou o seu 228º gol com a camisa do Barça, pronto para se tornar, mais do que oficialmente, o maior da história do maior do mundo.

Sim, Messi fez 5 gols contra o Leverkusen, no mesmo estádio em que fizera os 4 diante o Arsenal, naquela atuação cósmica. Mas hoje ele superou-se. Provando que pode explorar mais de uma vez um nível absurdo.

E incrível acreditar que, em jogos comuns, ele atinge esse nível com frequência.

Messi - explorando níveis cósmicos dentro do futebol

Por: Felipe Saturnino

Anúncios
01/03/2012

Dique

Logo após sua terceira conquista do prêmio de melhor do mundo – e a terceira consecutiva – no FIFA Ballon D’or (fusão do prêmio FIFA com a revista France Football) referente ao ano passado, Lionel Messi disse o que pretendia explorar mais no caminho da sua carreira para dar a outros outra vista da mesma: o sucesso na seleção argentina.
As críticas em relação ao argentino jogando na representação de seu país sempre foram um tanto injustas em alguns pontos – apesar de em momentos, pouquíssimos, é verdade, fazerem sentidos.

Nunca se pôde mensurar o nível de Messi como o ‘padrão-Barcelona’ na Argentina por, na equipe catalã, ter-se um esquadrão histórico que se desenhou em circunstâncias específicas, também históricas, o que só torna o fato ainda menos constante e comum. Até para um gênio como Messi.

A atuação mais desapontante do argentino que me recordo em tempos recentes foi aquela diante a Colômbia, pela segunda rodada da Copa América do último ano. Naquele jogo, até direito a uma falta no outro lado da arquibancada Leo teve. A frustração de não jogar bem com consistência na seleção argentina, porém, não foi o fator que derrubou-os nas quartas-de-final, contra o Uruguai – naquela ocasião, Messi fez ótima participação em campo.

O que simplesmente sempre pareceu-me um pouco muito injusto foram as críticas para cima de ‘La Pulga’.

Mas como recorri à declaração de Leo no início do texto, ficava claro que o objetivo dele era ter um cuidado mais especial com os seus passos na esquadra argentina.

E no fundo, sabemos que ‘Messias’ – pois ‘Dios’ é o outro canhoto dono da dez na conquista de 86 -, de um jeito ou de outro, nunca faz um jogo ‘ruim’. Confundimo-nos, enganamo-nos pelo que – agora sim – ‘Deus’ faz no Barcelona, com tão incrível sutileza, elegância, facilidade e normalidade. Por esta razão ‘crucificamos’ o dez com tanta facilidade, sem nos dar conta que estamos na presença de divindades quando se trata do melhor time do mundo. E de ‘divindade’ – ainda mor que outras – quando tratamos de seleção argentina.

No fundo, contudo, sabíamos que Messi, já como dissera no começo do ano em Zurique, tentaria desgarrar com a seleção, tentaria fazer algo mais ‘marcante’ com a seleção. Como se soubéssemos que, em um momento randômico, um gênio viria com uma ‘pequena solução’ para um problema que quase todos indicam ser ‘quase insolúvel’.

Em Berna, na Suíça, tivemos o predito. O dique de Messi se abriu. Melhor, aliás, o dique se abriu para Messi. Pelo menos na seleção. Ainda que seja um jogo ‘pequeno’, e o problema, consistentemente, grande, respostas progridem. E o dique se arrebentou pela primeira vez na direção de hoje. Para Messi, hat-trick, com a camisa argentina, nunca antes ocorrera. Sim, o dique se abriu. Respostas progridem. E Messi é o melhor do mundo. E gênios precisam dar respostas. Não que seja necessário.

Mas se é o que querem, sim.

Messi - com o dique aberto e partindo para as respostas

Por: Felipe Saturnino

10/01/2012

Limite

Comparar épocas é um trabalho difícil. Árduo. Quase impossível de ser feito com eficiência e coerência. Além de tudo, você tem que ser muito cuidadoso para não cair no perigo de cometer um homicídio à devida época do esporte em questão.

É um trabalho difícil porque é carente de qualquer parâmetro para um estabelecimento de uma equação, que seja fria e que julgue sem pensar em nada. Por isso, o fator de equivalência deve ser ligado a uma época comum, com o menor número de distinções que existirem.

O fato de Lionel Messi ter ganho a sua terceira Bola de Ouro, e, ainda, a terceira consecutiva – o que torna o feito ainda mais exuberante -, pode-nos fazer traçar parâmetros entre lendas do futebol, ou, no mínimo, nos faz pensar nisso com mais seriedade a cada dia que passa. O problema é cometer uma ‘violação’ nas regras sagradas de colocação de um jogador na frente de outro na história do jogo.

Já foi falado há um tempo que, na sua idade, Messi é o maior ‘papão’ de títulos em comparação a outros lendários futebolistas. O número frio é comparável, mas ainda assim não é exato.

E não é por causa da Copa do Mundo, que Messi ainda não ganhou. Que vá ao lixo esta questão – assim como seleções que nunca venceram uma, como a Holanda-74 e o Brasil-82, e ainda assim são lembradas como vencedoras de tal. Todos os outros feitos do blaugrana são transcendentes.

Se um mínimo traço de comparação, de equivalência, não pode ocorrer por um cuidado mor com as maiores figuras do futebol, podemos pensar até onde Messi pode chegar com o nível de quase perfeição de seu futebol. Podemos pensar no seu limite.

Aparentemente, o argentino não tem um.

Pensar em ser o maior jogador do Barcelona, o seu maior artilheiro, o maior artilheiro da Champions League em sua história e em competições europeias também, e, possivelmente, vencer mais duas ou três vezes o Ballon D’or da FIFA não está muito longe. É algo real.

Como o gênio do momento no esporte disse, o objetivo de evolução na carreira, no momento, é ganhar coisas com a Argentina.

E pouco importa se ele não fazê-lo, não acham?

Afinal, podemos nos deliciar com o ilimitado arsenal de habilidade, técnica, agilidade e sutileza do argentino que parece também não ter limite para arrecadar prêmios e mais prêmios. A discussão para seu lugar na história se torna mais conveniente se for feita ao final de sua carreira. Por ora, vamos apreciá-la.

Messi - sem limites

Por: Felipe Saturnino