Archive for ‘Não categorizado’

15/12/2012

A mudança de Tite

O jogo de domingo possui um favorito óbvio, mas exponencialmente menos óbvio que o do ano anterior, e somente alguma coisa menos óbvio que o Liverpool de 7 anos atrás, do confronto contra o São Paulo, acontecido também em Yokohama. O Chelsea, por mais que entre como o cachorrão do jogo, merece incerteza e descrença maiores do que esses dois outros times que foram citados aqui, o outro sendo o melhor do mundo, o Barcelona.

E não é que isso é verdade?

O Chelsea chega diferente se comparado ao meio do ano. Aquele passou por um processo de reformulação, com Di Matteo dando um princípio, e agora Benítez continuando. O lema é a renovação. E por esta, há um preço que tem de ser pago, irremediavelmente. O Chelsea, pois, é mais leve, atraente e ofensivo que o time histórico campeão da Champions League. Mas é potencialmente desconfiável, e joga de uma forma que oferece mais riscos dentro de uma partida. De fato, com Di Matteo, no começo do ano, os Blues ganharam jogos de maneiras fantásticas, porém postando-se sempre de forma conservadora, sem arriscar muito. Para o momento, era do que o Chelsea precisava. Deu certo.

Abramovich viu-se então numa situação curiosa, e teve de manter seu treinador para a temporada 2012/13. Ele foi demitido. Afinal, para quem teve Mourinho, Hiddink, Felipão e Ancelotti, Di Matteo era pouco. Era pouco nome, pouca grife. Ele permaneceu no cargo pois “apenas” obteve o sucesso pleno através da conquista ímpar, jamais vista em Londres, da Champions League – a conquista tão desejada e esperada pelo magnata russo que preside os Blues. Com um campeão dessa categoria no cargo, um técnico ainda promissor, campeão da Liga, há de se complementar, Roman o manteve, mas viu tudo ruir com a péssima campanha na Liga dos Campeões, onde os azuis da capital inglesa conseguiram atingir somente o terceiro lugar em seu grupo, deixando de ficar com uma das vagas nas oitavas-de-final do maior torneio europeu. Benítez aí já estava no comando, já que até o entrave contra os juventinos, em Turim, Di Matteo ainda era o comandante.

Por ora, como não poderia deixar de ser, a temporada para a parte azul de Londres é o puro fracasso. Para Benítez, um Mundial não seria ótimo, mas apenas bom. O time de Abramovich, de fato, mensura vôos mais altos, imponentes, mais importantes, que condizem com a realidade afeita à grandeza que o Chelsea conseguiu adquirir através dos anos de seu crescimento, tanto no âmbito nacional quanto no internacional – nos últimos 5 anos, desde a temporada 2007/08, o Chelsea conseguiu figurar entre os quatro melhores europeus, isto é, entre os semifinalistas da Champions League por três ocasiões. Atingiu uma quarta-de-final em 2011, tendo padecido ao rival United, com dois reveses. No ano seguinte, porém, a glória veio e história foi feita.

Mas, apesar de desconfiar da equipe de Rafa poder ser aceito, irrefutável é a sua posição entre as grandes do mundo. Em qualidade, comparada ao Corinthians, a equipe é quase que infinitamente superior. E essa diferença tende mesmo ao infinito. Os paulistas não possuem tantas opções variadas para posições tão pontuais. O Chelsea tem nomes que chamam a atenção a quilômetros de distância. O que o Corinthians tem é força, força no conjunto. Agregados, seus jogadores conjuram uma grande força, consistência e aplicação tática. São melhores defensivamente que ofensivamente, pois mesmo pressionando a saída dos adversários, o time do 4-2-3-1 de Tite se mostra mais completo quando submetido à pressão defensiva. A defesa é segura, bem postada, sabe como lidar com os adversários. De fato, porém, a apresentação mais pífia que vi do Corinthians no âmbito defensivo foi o revés escandaloso diante do São Paulo, que estava jogando com time reserva, aliás. Wallace, talvez por esse jogo, esteja fora de qualquer plano de Tite de modificar a disposição defensiva, senão Tite mesmo pensasse em manter a defesa do modo que sempre foi.

Para o Corinthians, vai pesar muito o seu lado direito, com Alessandro. O lateral atesta um ponto mais frágil da defesa, pois não concede tanto apoio qualificado, e não é tão seguro assim na marcação. Na outra asa de jogo, Fábio Santos administra com alguma segurança sua posição de titular. No caso de Alessandro, jogar contra Hazard pela lateral é mesmo um azar. Assim como Ashley Cole ainda continua um lateral-esquerdo muito respeitável para o cenário mundial, apesar de não ser o melhor que há, e apesar também de ter passado de seu auge como jogador. Ainda assim, aquele lado promete render problemas aos corintianos. Para isso, o winger-direito deve acompanhar o lateral adversário. E para tanto, Tite deve modificar a linha dos três médios ofensivos. Seja colocando Romarinho ou Jorge Henrique, o Corinthians precisa da mobilidade para se lidar com um time tão flexível, pelo menos teoricamente, quanto o Chelsea.

Por: Felipe Saturnino

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31/01/2012

(Sem título)

O blog O Pitaco Boleirístico é voltado ao futebol, especificamente. Isto é notório. Contudo, não há como não comentar um pouco sequer do estarrecedor confronto entre Novak Djokovic e Rafael Nadal pelo Australian Open, um dos quatro Grand Slams do ano, no jogo que redefiniu o quase indefinível. Por um estágio primário, basta dizer que o jogo durou 353 minutos – 5h53min de confronto na Rod Laver Arena, em Melbourne Park.

Tênis é um esporte que sempre me encantou, talvez pela sua solidão constante e individualidade também; claro que há aquela figura que te chama, que te atrai. Isso vale para todo esporte. No tênis, porém, a história nos leva à traçados mais distintos.

O momento do esporte da bolinha que tem de passar para o outro lado da rede é fantástico por vários motivos: a atividade do talvez maior da história do jogo – Roger Federer -, que apesar dos 30 anos, ainda está em capacidade de reação física notável; o maior algoz deste maior da história – Rafael Nadal, um dos protagonistas desta final – e Novak Djokovic. O brincalhão. O fora do comum neste quesito. Para não ficar fora da nota, Federer-Nadal compõem a maior rivalidade da década, o que somente elevou o nível de popularidade do tênis mundialmente, desde 2003 para cá – ano referencial pelo primeiro Grand Slam ganho por Federer, que possui 16 desses títulos.

Djokovic tem, ou melhor, tinha, fama de imitão. Aliás, suas personificações são simplesmente indescritíveis. Boas mesmo. Mas no último ano ele adquiriu uma outra diferenciação: a do melhor do mundo. A do vencedor de Wimbledon. A do vencedor do Aberto de Nova Iorque. A do número 1 do mundo. Feitos incríveis, claro, e sonhados por todos os tenistas do tour da ATP. E que tour.

A final de anteontem – já que escrevo o texto na madrugada de terça-feira – representava o primeiro grande confronto de 2012, mas o 30º entre Novak e Rafael. Mas quem dera que na quarta final de Slams jogada entre os dois, tivéssemos um jogo com mais de 5 horas, quase 6, com tamanha paridade, os deuses recompensassem-nos com um começo de futebol entediante no Brasil com um dos melhores eventos esportivos que já existiram? O que eu mais apreciei, direi.

Nos cinco sets, Djoko e o ‘Miúra’ – o touro espanhol dono de 48 títulos na carreira – vibraram, fizeram bolas vencedoras, cometeram erros, não-forçados e forçados, sofreram, com a tensão natural e a frustração ao final de cada ponto perdido, e, o mais importante, nos deram prazer. Prazer pelo que se fez por um ponto fora da curva. Tudo por vencer, sem desistir, sem catimbar – bem, pode até ter tido um pouquinho de catimba, vai.

O misto de técnica, agilidade, sagacidade, força, elasticidade, velocidade, concentração, resistência, raça e vontade que sérvio e espanhol apresentaram por mais de 5 horas de jogo comprovou que qualquer resultado seria injusto: vitória de um ou de outro. A ambiguidade, do merecimento e da injustiça, coroou Novak Djokovic como o melhor por ser o melhor. O jogo também pode ser dado como o melhor. Por que não?

Apenas não achei título competente para representar o que de fato valeu no fim de semana. Análise técnica e tática para quê? Quando você joga por praticamente 6 horas, perde-se a noção do lógico e tende-se a apelar para outras forças, forças que aparecem nos momentos extremos. Em outra dimensão de jogo, Djokovic e Nadal me deram arrepios na manhã de domingo. Crueldade por não fatiarem o troféu e darem uma parte a ele. Deve ser frustrante perder para um dos maiores rivais pela sétima vez seguida, na final mais longa da história dos Majors.

E eu, que ainda queria que o jogo durasse mais. Aliás, quem não queria?

Djoko e Nadal - sentados e exaustos após fazerem história


Por: Felipe Saturnino