Archive for ‘Palmeiras’

15/11/2012

Caindo

O revés diante do Fluminense, o muito justo campeão, simplesmente apresentou o irreversível curso do Palmeiras para o abismo. Na verdade, é um abismo necessário para somente alguns times, mas a equipe de Kleina merece-o como lição digna da tragédia anunciada.

O prenúncio – e isso soará como um pleonasmo, talvez – não foi tardio. Argumentava-se no início do campeonato brasileiro as realidades do Palmeiras no desenrolar do mesmo, e o que parecia de mais plausível e condizente com a realidade era uma posição apenas intermediária. Mas, deveras é notável que o aviso servira para pôr em contexto o Palmeiras. O time alviverde se tornou um mero coadjuvante para o cenário paulista, mesmo sendo um dos quatro grandes do estado, mas nacionalmente, seu nível decresceu de forma ainda mais significativa. Afinal, como pode um time ser protagonista somente quando está prestes a cair, no evidente precipício?

Obviamente, o Palmeiras continuará sendo um grande apesar da queda, tal como o são Corinthians, Vasco, e ainda o Grêmio. Todos esses deixaram a série principal do campeonato brasileiro e protagonizaram na divisão genérica. Mas o Palmeiras nem ao menos voltou à evidência de protagonizar algo, e já deixa seu espaço no topo do cenário nacional, tendo sido o vencedor da Copa do Brasil e sendo ainda um componente da Copa Libertadores – indescritível ironia! O que ocorre é no mínimo curioso, e certamente triste, revoltante e contrastante se comparado ao primeiro semestre da equipe, quando se reobteve aquele sabor de conquista. Pois, de qualquer forma, depois de treze anos amargando um recesso em títulos acima do nível estadual – os palmeirenses celebraram o campeonato paulista de 2008 -, eles venceram a Copa do Brasil diante dos coritibanos. E isso tinha de significar alguma mudança.

De mais, o que restará aos palmeirenses, além de torcer até o fim, bravamente, como deve ser, será agonizar no meio do passeio público. A obviedade da queda é percebida por todos, da ala palmeirense mais cautelosa até à mais conservadora e fanática. Mais uma pena é a aproximação do rebaixamento ser dada após um jogo tão bem disputado pelos verdes, e tão bem ganho pelos tricolores. Depois de algum tempo, o Palmeiras voltou a reagir; mas, que se seja sincero, isso não adiciona nada de considerável aos mesmos se saíram em situação defictária. Afinal de contas, de que adianta a derrota quando se está na zona mais temida de uma tabela de campeonato?

No decorrer da competição, o Palmeiras esboçou poucas reações. Um jogo recente, digno de uma olhadela, foi o confronto que se sucedeu diante do Cruzeiro, aquele com os gols de Barcos e uma boa vitória em Araraquara. Ali ocorrera uma digna volta, retornara um pingo de miséria da esperança existente. Contra o Bahia, a vitória mais importante. Mas a sequência dos três jogos sem vitória simplesmente decapitou todas as mínimas chances para o Palmeiras sobre o run away da segundona. O time padece. Quase morreu. Está quase em óbito. Mas isso é necessário e amplamente justo.

Contrariamente aos torcedores, não é minimamente viável e coerente para com a temporada uma ressalva em relação à qualidade da equipe relevando-se o nível da Copa do Brasil. Para o campeonato brasileiro, não há um parâmetro tão eficaz que nos permita prognósticos, senão a Libertadores. Apenas ela nos pode fornecer as melhores apostas para o torneio. A Copa do Brasil não pode ser tão relevada assim, e por isso qualquer relativização há de ser desprezada. É de ser reparar, portanto, o fato de os dois finalistas da competição situarem-se em posições tão baixas na tabela do torneio nacional.

A saída da qual o Palmeiras precisa requer outro artigo, um que seja mais específico, e também mais duradouro. O que há de ser aproveitado aqui é a poética da tragédia ampla dos alviverdes imponentes, que nem assim certamente são. O que poderia ser aproveitado a outros autores talvez fosse uma épica reviravolta e a permanência da equipe na série A. Mas isso não pode ocorrer. Pela justiça do que é certo, e isso sim pode ser um pleonasmo filosófico – se nossa justiça é o correto -, pelo merecimento da queda, pelo que faz bem ao clube, sim, a queda deve ocorrer. Ao palmeirense, que chore hoje. Amanhã, bem amanhã, que volte ao protagonismo com um clube que tem história e tamanho, mas que tem perdido sua grandeza de forma lenta e progressiva.

Para o bem do Palmeiras – e isso pode ser paradoxo ou antítese -, há o mal da segunda. Acreditem, ser rebaixado faz bem quando se perde ou foge a dimensão da própria grandeza que está próxima de se tornar diminuta e notavelmente insignificante.

A melhor representação do Palmeiras no momento

Por: Felipe Saturnino

24/06/2012

Achados e perdidos

As circunstâncias aconselham, pedem e exigem.

Tornou-se circunstancial um texto ao blog que anda um pouco que lentamente, dadas as circunstâncias dos paulistas na última semana. Aliás, principalmente desses – já que sabido é que o tempo que vivemos é de Eurocopa, e hoje tivemos um de seus mais importantes jogos. Mas é factual pautar que vivemos num tempo em que, pelo menos agora, dadas as tais circunstâncias, fica simples esquecer do ‘mundial europeu’ – se isso é lá até mesmo possível.

São questões circunstanciais.

Corintianos, palmeirenses; santistas, são-paulinos. Depois dessa semana absolutamente (absurdamente) importante no futuro dos mesmos, é possível reparar o que separa – ou separou – os quatro das respectivas ambições.

Primeiramente, os históricos corintianos, que adicionam um feito inédito ao curriculum; a final de Libertadores é pontual. Chega na hora certa – o time chegou e é maduro, mas é maduro pois chegou. Eliminando os santistas, num 4-2-3-1 pragmático até que demais, marcando com pressing na necessidade e na suficiência, a mais sagaz arma foi a capacidade de se defender: não é à toa que o Corinthians possua a melhor defesa da competição – 3 gols tomados, somente. Essa retração defensiva é o aspecto mais relevante do trabalho de Tite: criando uma solidez defensiva, com um volante muito eficiente e ágil na marcação – Ralf -, o time é coeso. Joga assim pois aprendeu assim, e cada vez mais sabe jogar. Defensivamente, quase perfeito. E a chave – pois nem de longe é uma mera válvula de escape – é Paulinho: o segundo-volante cria, desarma, acelera, marca, avança, retrai, participa, faz gols e é sim, o melhor dos corintianos. Mesmo que Danilo venha aparecendo e tenha feito o tento no último entrave das semifinais.

Os santistas passaram por muita falta de Ganso, e por um pouco menos por falta de Neymar. Neymar é um sensacional avante, porém, não pôde aturar a defesa corintiana – reflexo do quão bem é montado o sistema defensivo. Até mesmo nos confrontos com Alessandro, ele padeceu. Ralf surgia no combate, a situação tornava-se crítica. Para ter a bola com mais qualidade, um médio que cadencia seria o adequado. Ganso pouco (nada) fez. Jogar entre os volantes do Corinthians já não é boa ideia, ainda mais quando se está ‘gansando’. No seu ‘dia’, talvez fosse fato um melhor – talvez bem melhor – desempenho santista; era, deveras, um de seus piores. OS seus piores. E se Neymar crescia, o Santos crescia – o Santos atuou bem melhor na segunda ‘batalha’ -, quando ambos cresceram, corintianos trataram de retardar esse processo: Danilo marcou o tento. Má marcação santista no momento MAIS crucial do jogo – tivera segurado o 1 a 0 por mais alguns minutos, uma possível pressão poderia originar outro gol e, praticamente, uma vaga para segunda final consecutiva de Copa Libertadores.

Palmeiras e São Paulo foram dispostos opostamente na Copa do Brasil: um num lado, outro do outro. Os resultados diferiram, também. E os palmeirenses passaram por um Grêmio confiante e confiável – ou quase isso. Mas os desconfiantes e, certamente, sempre desconfiados palmeirenses jogaram com a preciosa vitória no Olímpico na mão: um 2 a 0 que mudou todo o panorama do confronto. O Palmeiras foi (é) forte. Pelo menos para as finais, é o meu palpite seco – mesmo que o fantasma dos seis ronde a cabeça dos alviverdes. Pois coritibanos deixaram são-paulinos comendo poeira.

A questão mor que envolve o São Paulo, agora, é se deixa-se como está ou se, por acaso, zera o trabalho. Talvez pela capacidade defensiva pífia do time, mereça a segunda opção; mas pode ser ingenuidade mudar o panorama do time novamente. Ou nem tanta, se pensarmos que Leão não tenha encontrado o ‘ponto’ do time até hoje – ele achou um esquema, não um time ideal. Fato é que merecimento só de Lucas pelo gol na primeira partida: nem a vitória foi tão assim merecida. Foi, pois é regra – quem vence, merece, blá-blá-blá. Talvez, aliás, esta seja a exceção – uma das exceções – que comprove a regra. Coritibanos exploraram e venceram a volta – 2 a 0. Crise no ar – assim como suspense.

Circunstâncias apontam para diagnósticos bem objetivos: os opostos estão dispostos, não todos em, porém, oposição. Achados e perdidos: pelas circunstâncias atuais, uns mais do que outros. De todos, o que mais vai ter que se preocupar é o São Paulo – pois não está no embalo e clima para uma primeira final de Libertadores, nem na final de Copa do Brasil ansiando por um título nacional há décadas ou nem mesmo tem um Neymar e um time coeso que possa levá-lo a um título. Mesmo que o Santos também esteja na lista de perdidos.

Essas circunstâncias exigiam – sem pedido ou conselho.

São Paulo. Dos perdidos, o mais

Por: Felipe Saturnino

28/01/2012

A tônica palmeirense: até busto vira ‘crise’

O Palmeiras virou um ninho de turbulências no último ano, mais do que já foi um dia: os confrontos entre Frizzo e Felipão, Tirone no meio do falatório, e, ainda, a relação conturbada entre o elenco e o comandante alviverde. Foram 365 dias lastimáveis em céus alviverdes.

O ambiente era tão ruim que se tornava possível fazer crise com tudo. Tudo mesmo. Até com derrota de playstation. Uma questão política, com homens chave não se dando entre si. Notoriamente, claro. Ambiente extravasando para ares mais frescos. Qualquer coisa tornava-se uma grande qualquer coisa. Qualquer suspiro tornava-se insulto.

Não esqueçamos das questões envolvendo Kléber – que sim, forçou a barra para deixar o Palmeiras no meio da temporada passada -, um que bancou a briga com Scolari, criando mais ocasiões de tônicas sofríveis aos alviverdes. Óbvio que a questão ficou mais flagrante quando se notou o que foi dito entre os envolvidos, então a situação era mais abrangente do que apenas um atacante tentando sair de um clube. O técnico tinha perdido o grupo há um tempo.

E este Palmeiras de Scolari nunca conseguiria ser brilhante ou se classificar para uma Libertadores, o que era reforçado pela crise e que reforçava a crise. Como num círculo vicioso, simplesmente terminaria como iniciou. Verdade.

A tônica alviverde parece continuar, e vai, talvez não com a mesma ‘violência’ do ano que passou. Frizzo, que apoiou Tirone em sua eleição, foi ameaçado de ter seu cargo tirado. Não consistentemente, mas é uma notícia com pendências a confirmar.

E parece continuar não só por isso, mas por algo ainda mais estarrecedor: o busto de um jogador. Não o busto de um simples jogador, um simples busto do jogador – Marcos, no caso.

Alarmante como ‘apenas’ isto pode mostrar uma ‘crise’ num time. Nunca foi caso de ocorrer. No Palmeiras, pra tudo que há, tudo crise pode ser. Ou tornar-se uma.

As distintas características do ridículo busto de um excepcional goleiro, que virou lenda, podem relacionar-se às diferentes ‘excentricidades’ dos homens mais fortes de um clube, que não se compreendem entre si, e apesar de entenderem a essência da vida do goleiro, não foram capazes de sintetizar isso numa imagem que é, certamente, fielmente retratada em retratos mais triviais, de formas mais convenientes. Todos sabemos que não é somente sobre um busto pateticamente designado, contudo, é mais abrangente; é sobre o quão diferentemente partes se conciliam e quão diferentemente elas vêem as coisas.

O busto muito mal feito é a tônica palmeirense mais do que bem simbolizada: o desentendimento sobre um algo, qualquer que seja. Pena que as diferenças devidas aqui são em relação a Marcos, o maior ídolo da história do ainda grande clube da capital paulista.

Busto do Marcos - nada a ver

Por: Felipe Saturnino

17/01/2012

Camarões

Frutos do mar nunca me agradaram em demasia. Não sou fã de muitos tipos de peixe, com exceção de um salmão bem feito. Ostras, nem pensar.

Camarões, porém, já me agradaram. Parecem sempre bons, aparentemente. Pelo menos os que comi.

Camarões parecem também ser a comida de Luiz Felipe Scolari. Com grande inspiração, ainda antes do fim do Brasileirão passado, o gaúcho fez o que fez com sua declaração direcionada à contratações do clube alviverde. Disse que não aceitaria mais ‘feijão com arroz’, comparando obviamente a comida à qualidade medíocre dos jogadores palmeirenses.

Felipão tem razão.

O elenco palmeirense é muito médio para o tamanho do clube que o representa. Sendo abrangente, entre os figurões paulistas, o time do Palestra Itália é o que, certamente, vai sofrer mais novamente. Até o dado momento, o lateral-esquerdo Juninho, ex-Figueirense, foi o único bom nome para a equipe. Daniel Carvalho é bom jogador, mas não concede muita confiança a quem o vê jogar com frequência – pelo menos não tem sido assim. A menos conhecida das compras foi a de Adalberto Román, beque do River que foi rebaixado ano passado com o time.

O Palmeiras também necessita de nomes distintos para as meias e o ataque. Fernandão pode não satisfazer na posição, a menos que esteja tão estrelado quanto naquele jogo contra o Corinthians, em Presidente Prudente, pela 19ª rodada do Brasileirão no ano passado.

Fica certo, por ora, que o setor defensivo se fortalece com Juninho, e Felipão pode manter o 4-2-3-1 característico de 2011, com força pela esquerda com o lateral ex-Figueirense e o meia Luan, que apesar de não ser nada requentado, foi a ‘arma’ mais perigosa do Palmeiras nos jogos da última temporada. Um meia de centro do campo também é preciso no momento, para a imediata opção por Valdívia em caso de mais uma daquelas lesões patéticas por chutes no ar. Se o chileno adquirir confiança e criar a vergonha de que precisa para jogar bem, o time pode ser mais consistente e pode também ir mais longe na temporada.

Evidentemente, parece, porém, que os ajustes precisam ser feitos rapidamente para o início do ano. Claro que a equipe vai ganhar seus jogos e se classificará para a segunda fase do Paulistão, mas bater times mais fortes como Corinthians, São Paulo e Santos será algo diversas vezes mais complicado.

A não ser que a equipe verde e branca contrate seus camarões até o fim da janela. O pior ainda é ver Tirone falando que ‘os 25 camarões estão lá (no elenco)’.

E pior ainda é ver que tem muita crise para rolar nos ares de lá.

Como fica o Palmeiras, afinal?

Por: Felipe Saturnino

04/12/2011

Para o penta

O Corinthians, hoje – já que estamos com pouco mais de meia hora no dia 4 de dezembro – é o favorito para conquistar o Brasileirão. Claramente.
Para os alvinegro, basta o empate contra o rival Palmeiras.

A equipe de Tite não terá Ralf e Émerson, ambos suspensos por motivos diferentes. Um por normalidade do futebol – os cartões – e o outro por um pisão no jogo diante o Avaí – a suspensão foi justa. Assim, a equipe terá um obstáculo a mais: achar um volante decente que dê conta de Valdívia no meio-campo central. Mesmo que o palmeirense não venha jogando bem – sua temporada foi horrorosa, com algumas exibições na seleção chilena. Tite, então, deve escalar Wallace. A opção pelo zagueiro torna o embate mais interessante, já que a equipe corintiana poderá se compactar mais no campo defensivo, sabendo que o jogador é um zagueiro. Porém, seu trabalho mais normal será o de cobrir o espaço de Ralf.

O embate também deixa clara a supremacia do 4-2-3-1, já que ambos jogarão no esquema. O Corinthians pode sofrer em dois pontos: com Luan pra cima de Alessandro e Valdívia pra cima de Wallace. Patrik sobre Fábio Santos é muito mais questão de contenção defensiva e cobertura do que uma tentativa de atacar os mandantes. Paulinho deve vir sobre Marcos Assunção, e Alex pode se aproveitar sobre Márcio Araújo ou outro volante qualquer. Aliás, o Corinthians vai depender de Alex. O meia terá que dar a dinâmica que Danilo não deu contra o Figueirense.

Tite pode iniciar o jogo, para confundir Felipão, com Danilo numa meia periférica, jogando aberto. Isto pode fazer com que a equipe tenha mais controle da bola, já que são jogadores articuladores, mesmo que tenham características distintas.

Mas, além de tudo, como foi dito, o Corinthians deverá se preocupar com a incidência de Valdívia sobre Wallace. O zagueiro não é tão ágil quanto Ralf em seus combates, por razões óbvias, e pode sofrer por isso. E se Luan levar a melhor sobre Alessandro…

Ainda assim, a vantagem é consideravelmente grande. O penta está perto. O que não quer dizer que esteja ganho. Tite sabe do que falo, e Wallace terá que ser consistente com o chileno palmeirense para que a profecia se concretize. Para o penta, Wallace é fundamental – acredite.

Wallace - prestes a fazer o jogo mais importante de sua carreira

Por: Felipe Saturnino

21/08/2011

São Paulo x Palmeiras: o clássico dos que não convencem

“Clássico é clássico e vice-versa.”

“Clássico não tem favorito.”

“Clássico é jogo diferente.”

“Clássicos são sempre bons jogos.”

Verdades, dúvidas e mentiras. A primeira frase é emblemática, marcante. Mostra um pouco do que é um clássico.
Porém, clássicos têm favoritos, apesar de isso normalmente não se refletir em campo.
Clássico geralmente é eletrizante, emocionante. Pois é. E a última, bem, esta é uma mentira declarada e assinada.

Temos um exemplo de clássico comum: o Choque-Rei de hoje, tome este. Jogo morno, sem sal, mas com duelos táticos interessantes. Adilson “inventou” e foi de 3-5-2, com desdobramento em 3-4-1-2. João Filipe entrou na zaga para combater o problema mais que óbvio da proteção, numa tentativa de estabilizar o setor da defesa e da parte dos volantes. Estes – Wellington e Carlinhos Paraíba – não possuem as características que identificam um primeiro-volante.
O Palmeiras, por sua vez, tinha em campo um 4-3-2-1 mais que interessante. Era defensivo, mas inteligente. Era pouquíssimo criativo, mas muito marcador. Para entender, temos alguns confrontos tomados como base:

Juan x CicinhoPiris x LuanRivaldo x Chico (ou outro volante)

Juan foi péssimo no apoio e peca muito quando é exigido ao limite de sua qualidade em relação à marcação. Cicinho o prendeu até o fim da primeira etapa. Na outra ala, Piris e Luan duelaram para saber quem era mais consistente no apoio e na marcação. No final, quem saiu vitorioso foi o palmeirense. Rivaldo venceu o duelo em alguns momentos, mas o tripé de volantes da equipe alviverde – Chico, Márcio Araújo e Marcos Assunção – foi mais forte no geral.
Sem apoio qualificado no decorrer do jogo, a equipe do São Paulo teve de recorrer à centralização do jogo, com Rivaldo no centro da articulação. Tudo errado.
No final, o mais sensato seria recorrer ao 4-3-1-2 – pelo menos para mim. Com os volantes dando suporte à criação e atuando como apoiadores, o resultado poderia ter sido diferente. O problema seria a proteção da zaga, sabendo da ausência de um primeiro-volante e também que Denílson estava machucado.

O Palmeiras pode ficar feliz. Até pelo fato de ter empatado com uma equipe com maior limite técnico e ainda por ser fora de casa. A proposta de Felipão, mesmo com a mudança no segundo tempo para 4-2-3-1 com mais ofensividade, foi sempre manter um time postado de forma mais contundente e segura em campo. Quando Maikon Leite entrou na partida, o técnico quis segurar mais Cicinho para conter avanços de Dagoberto e Fernandinho pelo setor, mas, ainda assim, o ala tricolor fez um jogo deprimente. Juan, notoriamente, precisa de uma cobertura qualificada para a marcação. Neste caso, o primeiro-volante seria fundamental. Mas a equipe de Adilson não possui um destes.

Juan x Cicinho - o ala são-paulino foi deprimente na marcação

No mais, um jogo morno e inconvincente, configurando justamente o limite criativo e técnico do Palmeiras e a incompetência em ganhar pontos em casa do São Paulo.

Pois é, mais um fair play ao líder Corinthians, que também fez um jogo limitado e sucumbiu ao perder do Figueirense, sábado, no Pacaembu.

Por: Felipe Saturnino

13/06/2011

Algum Palmeiras, alguma direção

O empate no jogo de ontem não foi justo, mas aconteceu porque o Palmeiras não soube se defender no último minuto da partida. Simplesmente errou, tomou o empate de um Internacional apático e bem medíocre, deixando o jogo em 2 a 2.

E o Palmeiras jogou bem. Jogar contra o Internacional é difícil. Apesar deste Inter ser bem apático. Mas, fato é que o Palmeiras foi bem. Armou-se bem no seu 4-2-3-1 que Felipão impôs ao time verde diante do colorado gaúcho, que Falcão arriscou no 4-4-2 com um Oscar e D’ale alternando os lados do campo.
O Palmeiras foi bem por marcar os meias do Inter – anulados por falta de movimentação e forte marcação nas laterais proposta pelo Palmeiras – e conseguir explorar pontos fracos da equipe. O lado de Nei, pela direita, o mais fraco, foi a origem do gol de Luan. Por falar em Luan, este foi uma peça-chave no jogo de Scolari. Ocupou os espaços para que não houvesse infiltração do lado esquerdo palmeirense. No outro lado, Adriano “Jackson” cumpria uma função semelhante, sem tanto sucesso em jogadas ofensivas. Mas a ocupação de espaços barrando Oscar e Kléber encaixotou o Internacional, perdido, sem rumo.
Com Oscar e D’ale periféricos, ao centro Tinga tentou se aventurar na criação. Nada conseguiu. Um Palmeiras forte na reestruturação, com Patrik, Araújo e Assunção recompondo uma linha importante na faixa intermediária da equipe.
Mesmo assim, o Palmeiras peca ainda por falta de um meia mais meia do que Patrik, que se limitou a recompor o jogo. Com alguns ajustes, com um meia, neste esquema, o Palmeiras parece se achar. No jogo diante do Inter, fez boa exibição, errou no último lance, que foi capital na história do entrave.

Mas, em alguma direção, o time de Scolari, que se baseia em solidez defensiva e marcação forte, com recomposição de jogo rápido, parece estar indo. Diferente do Inter, que nem caminho achado por Falcão ainda tem.

Por: Felipe Saturnino

23/05/2011

Primeiras impressões

Flamengo x Avaí: Luxemburgo não quis modificar muito o esquema flamenguista do jogo anterior. A equipe atuou em um 4-4-2 em que Ronaldinho tinha que buscar jogo para criar ao lado de Thiago Neves. Parece que valeu a pena. Mas vale ressaltar que o Avaí jogou com seus reservas. Porém, de fato, Ronaldinho jogou bem, dando seus lampejos de gênio. 4 a 0 foi merecidíssimo no final das contas, por, obviamente, a equipe apresentar um bom futebol. Contudo, calma. Foi a primeira rodada contra um time que nada privilegia por ora, o Brasileirão. Calma. É só uma impressão.

Grêmio x Corinthians: Foi um dos jogos que eu acompanhei e achei muito baixo tecnicamente para o nível de grandeza das equipes. Mas, o Corinthians foi mais time no 4-2-3-1 que Tite mostrou novamente. E o Grêmio não estava em um dia inspirado. Douglas errou muito, e as investidas em Lúcio pela esquerda foram um fracasso. Apesar de acuar o Corinthians nos primeiros momentos de jogo, a equipe alvinegra arrumou um jeito de estabilizar o jogo, apenas ficando com a bola. O resultado justo, pelo geral apresentado, seria um empate. Mas o oportunismo de um dos melhores centroavantes no Brasil hoje faz do Corinthians um time de uma chance. A vitória é um resultado ótimo, mas a carência na criação ainda pena no Corinthians. Porém, uma vitória é uma vitória. Ao Grêmio, resta repensar o que fazer. Num time com tremendo apoio de Mário Fernandes, Lúcio e ainda de Neuton – que depois foi pra zaga – a equipe não teve Douglas, o jogador de armação da equipe. Com os volantes sobrecarregados, o Corinthians achou o pênalti e foi melhor. Ponto. 2 a 1 para o alvinegro.

Fluminense x São Paulo: O Sampa foi investidor no jogo, e saiu rico. Diante dos problemas, Carpegiani armou a equipe com Souto na proteção de zaga, aparentemente, três zagueiros, contando com ele mesmo. Wellington anulou Conca e Casemiro teve liberdade no tripé tricolor paulista. No outro tricolor, destaque negativo à zaga lenta, que simplesmente não teve uma proteção, como ocorreu com o Sampa. Apostando em Lucas, o São Paulo venceu o jogo bem diante das adversidades. Nada que me faça repensar minha opinião sobre a equipe. Tem muita a acertar. Se acertar, vira uma das possíveis candidatas ao título. 2 a 0 no Rio com tentos de Dagoberto – que fez um dos melhores jogos com a camisa do São Paulo – e claro, de Lucas.

Ceará x Vasco – Neste jogo, a impressão se restringe ao que se deve dizer de Bernardo. Apesar de não ser o titular no meio-de-campo, é ótimo jogador. Fez dois gols na boa vitória vascaína que parece ter atuado em uma 4-4-2 desdobrado em 4-2-3-1, com participação de Bernardo no meio-de-campo. 3 a 1 fora de casa pode contar futuramente. Se Gomes não é ótimo técnico, alguns resultados interessantes podem estar aparecendo. Porém, é só uma impressão.

De resto, o Palmeiras venceu. Jogou no 4-2-3-1, a moda de agora. 1 a 0 com gol de Kléber. Ao Botafogo resta se preocupar.

O Santos empatou num chato 1 a 1. Pior para o Inter. Um ponto ganho contra os bons reservas do Santos. Olha a juventude aí!

O Atlético-MG venceu com autoridade o xará de Paraná. 3 a 0. Vou tentar me informar mais sobre a equipe de Dorival.

No duelo dos times da série B, o Bahia saiu derrotado. 2 a 1 em Minas contra o América.

O outro Atlético, de Goiás, venceu o Coritiba, em Curitiba, por 1 a 0. Gol de Marcão.

E na zebra da rodada, o Figueira derrotou o Cruzeiro. Estranho, não? E o Cruzeiro jogou no tradicional 4-4-2, com Monti e tudo. Ribeiro jogou ao lado de Wallyson no ataque. Cuca tem algumas coisas a ver na equipe. Perder contra um time teoricamente mais fraco expõe a questão do dia: não há parâmetro. Não há jeito de se ter ideia se um time está pronto ou não. É tudo prognóstico.

Enfim, começou o Brasileirão. Mais imprevisível do que nunca.

Por: Felipe Saturnino

20/05/2011

O Brasileirão 2011 em prognóstico

Amanhã começa a competição de maior importância nacional: o Campeonato Brasileiro. Sabendo de todo o regulamento, da regra de turno e returno, da regra da soma em todo jogo, brevemente vamos ver o campeonato de mais competição. Mais que todos os outros. Simplesmente pelo fato de a maioria estar realmente preocupada com o Brasileirão. De 20 clubes, temos 15 que não dividirão atenções entre outras competições. De fato, apenas Vasco, Avaí, Ceará, Coritiba – que jogam a Copa do Brasil – e Santos, que está na disputa pela Libertadores, não olham para o Brasileirão com prioridade. Porém, brevemente, dois times por obrigação, terão que olhar para o mesmo com cuidado e carinho. E esses dois serão os perdedores das semifinais da Copa do Brasil. Quem sabe lá o que também pode acontecer com o Santos, apesar de ser mais time na Libertadores.

Sem mais enrolação, fiz uma distribuição de times por faixas de acordo com o rendimento que espero que os mesmos podem ter. São projeções. Para tanto, tive que recorrer ao analista de futebol André Rocha, que me auxiliou brevemente para todos os times no Brasileirão. Aliás, para quem quiser acessar o seu blog, deixo aqui o endereço e recomendação: http://globoesporte.globo.com/platb/olhotatico/

Vamos ao que interessa.

Faixa 1 – Zona dos “mais times”

Cruzeiro, que jogou sem Montillo no triunfo contra o Atlético-MG, lidera o grupo. A equipe joga em um 4-4-2 que pode sofrer alterações pelas opções que alguns jogadores lhe dão. Gilberto, atuando como meia e lateral-esquerdo é uma delas; Roger também é um veterano que dá variação à equipe de Cuca. No ataque, Thiago Ribeiro tem feito boas atuações, sem falar mesmo de Montillo, meia citado no início do trecho. O Cruzeiro é bom time. Sem dúvida, figura na Zona 1, a mais “nobre”.

Internacional, o time de Falcão que vai arriscar no esquema da moda nas táticas de futebol: o 4-2-3-1. Após o desastre que aconteceu em poucos minutos contra o Peñarol no Beira-Rio, a equipe venceu o Gaúcho. Resta saber se manterá o esquema da moda e, além de tudo, conseguirá algo que não consegue há 31 anos: vencer o Brasileirão. O time é de respeito, com destaque a mais para Leandro Damião, que tem 21 gols na temporada e é o melhor marcador. No meio-de-campo, D’Ale vai comandando as ações. Kléber jogou como meia esquerda na partida de volta diante do Grêmio e seu apoio é um ponto positivo. Nei é outro que consegue apoiar, porém espaços deixados pelas suas costas são os problemas colorados. Nada que não possa ser resolvido.

Santos, de Neymar. Time pragmático que, se não encanta, dá lampejos de futebol arte. E isso se restringe a Neymar e, quando joga, Ganso. A marcação é o ponto forte hoje na equipe. Além, obviamente, de Neymar. O jogador que está cada vez mais completo joga algo que nunca havia jogado antes. É um time que se por acaso não sair vitorioso da Libertadores, vai jogar no Brasileirão o que tem. E está na Zona “nobre” porque também tem comandante que conhece a competição como poucos: Muricy é apenas teracampeão da competição.

Faixa 2 – Zona dos “que tendem a evoluir”

São Paulo, de Ceni, tem muita coisa pra resolver. O problema é que a coisa não se restringe ao campo, o problema transita pelos ares do clube. Dentro do campo, a equipe vem atuando em algo parecido como 3-4-1-2. Lucas voltou recentemente de lesão e é o destaque. Retomemos aos defeitos. Outro problema tem sido Alex Silva e suas más atuações. O jogador joga no nome e por ser um zagueiro de bom nível técnico, tem coisas a ser resolvidas. Outra coisa: espaço deixado pelas frequentes subidas de volantes e, também, finalização. Como dizemos: tem muito a aprender. Tende mais a errar do que acertar no início. Vaga na Libertadores por hoje.

Corinthians, de Tite. Se as atuações não trazem grandes lembranças aos corintianos, o futuro poderá trazer. Alex é a contratação diferencial. O problema é a janela que permite a entrada do mesmo apenas na décima quarta rodada. A equipe que desde o começo do ano vem atuando no 4-2-3-1, pode migrar futuramente para um 4-4-2, se Alex, JH, Willian e Liédson jogarem juntos. Outro que vai brigar pela Libertadores e tem algumas deficiências. A pobre armação é uma delas. Outra é o apoio de laterais. Talvez mais proximidade entre laterais e meias tragam capacidade de jogadas mais criativas do Corinthians. Esperemos para ver.

Fluminense, de Conca. A base é a mesma e o esquema parece se desenhar em um 4-4-2. A equipe não entra no primeiro grupo por apresentar atuações decepcionantes. A mais recente delas, a vantagem estampada do Fluminense no duelo diante do Libertad terminou em eliminação por 3 a 0 no Paraguai. É time para evoluir também. Conca é o fator diferencial da equipe. Time de respeito, pelo menos por hoje. Abel Braga também é treinador de respeito que pode levar o time a um futuro bicampeonato. Para mim, a equipe começa de olho na Liberta. Outros pontos com ressalvas: Fred, atacante que pode estar na Seleção Brasileira, é um jogador que tem ido bem; laterais: apoiam com qualidade até a linha de fundo. É bom time.

Flamengo, de Ronaldinho Gaúcho. O craque já não habita seus melhores tempos. Ele não tem feito boas apresentações, apesar de elogios ao mesmo na partida de volta contra o Ceará, na Copa do Brasil, pelas quartas. O time que tem Gaúcho é de Neves. Gols decisivos o deram o aval de fator decisivo da equipe comandada por Luxemburgo. O padrão da equipe é no tradicional 4-4-2. O meio-de-campo parece, no papel, ser um de boa qualidade. Bottinelli, Willians, Renato e Thiago Neves. Ronaldinho ao lado de Wanderley ou até mesmo de Negueba. O time peca na marcação, rende espaços aos adversários por ter na lateral-direita um jogador de grande apoio: Léo Moura. Nisso está implícito um dos defeitos da equipe. Outra que, resolvendo problemas e defeitos, pode evoluir e chegar na tão sonhada Libertadores.

Grêmio, de Victor. Um time que parece ser forte. Parece. Ao meu ver, falta um atacante de maior qualificação à equipe de Renato Gaúcho. Douglas é o destaque, por ser o meia articulador que consegue armar as jogadas que seu time precisa. A equipe joga com Lúcio como meia pela esquerda, dando apoio as jogadas de meio de Douglas. Fábio Rochemback e Adilson compõem o meio-de-campo do time num 4-4-2. A contenção, o apoio e a capacidade de armação exaltam o Grêmio. Talvez haja falta mesmo de um atacante. Leandro é revelação. Na meta, Victor. Uma defesa com Mário Fernandes, Vilson e Rodolfo. Gilson é o lateral-esquerdo, dando suporte para as frequentes idas para frente de Lúcio. Um time que parece ser forte pode se confundir com mistos de inconsistência. Vou observar no domingo. Esperemos até lá.

Palmeiras, de Marcos e Felipão. A consistência do começo do ano em alguns jogos à derrota humilhante vinda de um Coritiba que deve ter algo mais. A equipe jogou a volta diante do Coritiba em um 4-4-2, com Chico, Márcio Araújo, Assunção e Lincoln no meio-de-campo; no ataque Kléber e Wellington Paulista completam a esquadra alviverde. E é em Kléber, acima de tudo, que está a esperança alviverde sobre gols. Wellington também é opção. Valdívia, lesionado, fará falta na faixa intermediária de campo enquanto estiver presente a sua ausência. A equipe de Felipão pode passar de um 4-4-2 para um 4-3-1-2 naturalmente, pelo posicionamento de seus volantes em faixas mais anteriores do campo. As carências se restringem à articulação de jogo e marcação. Há também falta de apoio dos laterais, que é quase nulo. Opção pela lateral-direita seria uma bela dica à Felipão, pela carência de um. João Vitor atuou na última partida, mas acho que não tem ido muito bem não. Perdeu pênalti e foi isso. Outra equipe que baba pela Libertadores da América. Tem deficiências a serem postas na mesa e serem acertadas também.

Vasco, de Ricardo Gomes. Poderia colocar o time das Colinas numa faixa em lugar separado que quaisquer outros times, por ser a incógnita para mim. A equipe evoluiu com Gomes, jogou o último jogo com Diego Souza fazendo boa apresentação, Éder Luís e Alecsandro atuantes na área de ataque. É, de fato, um time a ficar de olho para o decorrer do campeonato. No entanto, por ora, a equipe disputa a Copa do Brasil. Tem jogado com um padrão de 4-3-1-2. Destaco Bernardo. Jovem que começou no Cruzeiro é talentoso. Porém, o destaque aqui iria a Diego Souza. E o Vasco pode figurar nos candidatos à Libertadores, mas, de fato, é uma incógnita. Talvez a postura da equipe tenha que ser revista em alguns pontos. Espaços tem de ser reavaliados dentro do campo, em relação a marcação e cobertura de espaços. Tem um time que pode evoluir, até mais do que já evoluiu.

Faixa 3 – Zona intermediária

Botafogo, que não é mais de Joel. Outro time que está em incógnita. E minha dúvida pertinente: a saída de Joel foi boa? Enfim, o padrão da equipe parece ser um ortodoxo 4-4-2. Faltam opções de qualidade para o meio-de-campo, para que a bola chegue bem para Loco Abreu, Caio ou Herrera. Arévalo é o volante de contenção em um meio-de-campo que ainda conta com Marcelo Mattos. E neste tradicional 4-4-2 será que o Fogão consegue alguma coisa? Pelas opções atuais no elenco, acho que não. Time para brigar pela Copa Sul-Americana. De olho no rebaixamento.

Atlético-PR, de Paulo Baier. Com um tripé de respeito no meio-de-campo, Baier, Kléberson e Cléber Santana compõem a equipe dirigida por Adilson Batista. Ainda no setor intermediário, pelo esquema de 4-4-2, a equipe deve ter ainda mais um volante para fechar seu time. No ataque, Guerrón e Adaílton deverão editar a dupla do Furacão. Para mim, é um time que ainda vai se acertar e pode vir a briga pela Copa Sul-Americana. E a Libertadores? Em um campeonato como esse, os times que se acertarem mais rapidamente sairão vencedores na disputa de 20 clubes por 4 vagas na Libertadores. E o Atlético-PR não faz parte da minha lista.

Coritiba, de Marcelo Oliveira. Talvez o melhor time dessa zona. A equipe vem bem e clama pelo trunfo na Copa do Brasil dando a vaga na Liberta. Difícil? Na Copa do Brasil, não. No campeonato, será mais difícil. A equipe que carrega a moda do 4-2-3-1 está aí para ir ao maior torneio de clubes da América do Sul. E é um time bom. Vencer por 6 o Palmeiras não é algo para qualquer um. Mas, creio eu que, o gás acaba no Brasileiro. A falta de elenco talvez seja a principal causa de minha discórdia. Por isso, a equipe terá que se dedicar à Copa do Brasil, título nem tão distante assim. Aliás, mais perto do que se imagina.

Atlético-MG, de Dorival. Time que tem opção e é outro que transita de 4-4-2 para 4-2-3-1 durante jogos. O elenco parece ser bom e Kalil tem grana para trazer quem for. No entanto, não espero tanto quanto uma Copa Sul-Americana para a equipe. Rebaixada? Não. Vai brigar pra cima. Não tão para cima assim, mas sem tantas chances de ser rebaixado. Libertadores? Um passo bem longe. Para mim, a Sul-Americana bastará para um time com opção, mas sem time concreto.

Avaí, de Paulo Silas. Organização é o sobrenome. Eficiência é a assinatura. Em um pragmático esquema de três zagueiros, com liberdade para seu ala esquerdo, Julinho, o Avaí pode almejar coisas maiores do que antes almejava-se. Copa Sul-Americana é algo a ser prezado. Vaga direta na Liberta é algo mais hipotético. Porém, possível. Obteve bom resultado na ida contra o Vasco pela Copa do Brasil e joga forte e intensamente em casa. É um dos times mais frios que existem hoje no Brasil. Consciente do que faz, responsável, encaixotou o Sampa em seu esquema de 3-5-2. Destaque para o arqueiro Renan e claro, para Silas.

Faixa 4 – Zona dos “da degola”

Para mim, Ceará, Figueirense, Bahia, América-MG e Atlético-GO brigarão por seus futuros na Série A. Caso nenhum “figurão” se dê ao luxo de se perder no campeonato, quatro desses serão rebaixado e somente um ficará. E se fosse apostar em um, apostaria no Ceará. Parece ser um time forte quando atua em casa. Ainda não vi nenhum desses jogar e por isso, aqui acaba a análise geral do post.

Ainda ressalvo: as impressões tomadas para as projeções são referidas no processo atual de cada equipe. Não quero prever o futuro. Só uso lógica aqui.
Por tudo isso, amanhã começará o BR11. Depois da primeira rodada, as primeiras impressões.

Por: Felipe Saturnino

16/05/2011

Liberta e Paulistão são do Santos; e os paulistanos?

O Santos é bicampeão paulista. Ou é dezenove vezes campeão. De qualquer maneira, o Santos venceu de forma merecida o Corinthians de Tite, esse que jogava com extrema apatia.
Mas com exceção feita ao Santos, que antes era dado por mim mesmo como um time ainda não-pronto, quais outros times do estado de SP são compatíveis com o caráter de campeão de algum torneio neste momento?
Pois é, nenhum. De sólido, é fato, só há o Santos. E de quebra, o time do litoral não é paulistano. É paulista.

Difícil o que acontece nos times paulistanos. Fazer de tudo para justificar taticamente é a resposta. Porém, no caso do São Paulo, é clara a crise interna que o clube vive. E isso, coincidência ou não, acontece desde o momento em que Juvenal corrompeu o Estatuto Oficial da equipe. E desde então, a equipe vem sendo rotulada merecidamente com a etiqueta de “não-confiável”. Venceu o Corinthians, em uma das melhores atuações de seus zagueiros e perdeu para o Avaí, em jogo que tinha a absoluta vantagem na mão. Pois é, perdeu a vaga na Copa do Brasil. Talvez seja o reflexo da “desorganização” que ocorre quando falamos da parte administrativa. Também há a crise de Carpegiani com seus comandados. Ou nem tão comandados assim. Nem a pau, Juvenal!

O Palmeiras é um caso diferente. Pelo menos parece ser. O objetivo aqui é arrumar justificativas táticas. Com o São Paulo, por exemplo, posso citar as falhas que vêm se tornando frequentes dos zagueiros são-paulinos. Melhor, as falhas de Alex Silva. E tem jogado pouco mesmo. Talvez o nome tenha chegado até a cabeça e o confundiu. Fato é que o conjunto não consegue funcionar quando um jogador falha tanto. E além dele, o meio-de-campo da equipe também foi engolido pelo Avaí. Mas, vamos mudar de muro. No CT palmeirense, o caso parece ser consistentemente tático. Perder de 6 a 0 não é muito caso de falha psicológica. Pode ter se tornado após levar o quarto ou o quinto. Mas enquanto há a igualdade, nula é a vantagem. Talvez a falta evidente de um articulador seja o centro do problema. E o que chama a atenção também foram os erros de marcação de volantes no Palmeiras. O que, em teoria, é o que um volante deve fazer. Pois os volantes não fizeram. Massacre curitibano. Merecido. E também, outra coisa: há mal-estar no clube. De dirigente a técnico. Vida difícil.

Talvez o Corinthians seja o time que tenha chegado mais perto. Mas passou longe de jogar bem. Com muita apatia e pouca criatividade, a equipe corintiana venceu o Oeste, o Palmeiras – jogo que, de fato, não conseguiu inibir as ações do adversário atuando com um homem a menos – e perdeu na volta contra o Santos. Pois na ida havia jogado bem. Empatou, e faltou pontaria. Mas o articulador e no mínimo seu atacante, Liédson, jogaram bem. Aqui, adendo nas atuações de Ralf e Paulinho, que pouco jogaram na ida. Deixavam espaços, e não davam combate a Neymar no caso. Ralf ficava estático ao ficar posicionado na frente de Alan Patrick. Na volta, do lado santista, o diferencial foi Arouca. Se Danilo não aparecia bem a frente, Arouca fez o que fez. E o Corinthians sabe que tem que mudar. Assim como Palmeiras e São Paulo, que parecem possuir casos transcendentes do campo de futebol. Ainda no alvinegro paulista ou paulistano, como pontos fracos temos os poucos combates de Paulinho e Ralf que inibem uma posição mais avançada de Alessandro e Fábio Santos. Porém, também há apatia dos mesmos laterais que apoiam deficitariamente.

No final puro e bruto, os paulistanos se saíram mal no primeiro semestre. Para Palmeiras e São Paulo, há a Cop Sul-Americana que agora dá vaga na Liberta e o Brasileirão. Mas desse jeito, os times não vão se sair bem. Ao Corinthians, a preocupação única e ânsia de ir ao torneio de maior importância na América do Sul. Enfim, agora só resta metade do bolo para os três paulistanos. Ao time do litoral, méritos à Muricy que deu tom ao padrão tático de 4-4-2, com Alan Patrick como meia articulador centralizado agora. E ainda, exaltações ao jovem Neymar, mais brilhante e completo que nunca. O diferencial, além dos dois, é o conjunto que joga bem. Maior comprometimento, com ou sem a bola, rege as regras no Santos de Muriçoca. Quarta tem mais uma decisão, de Peixe ao molho das Onze Caldas.
Não é consenso que o Santos vá ser campeão, mas agora a Libertadores é de Neymar. É do Santos. Que Muricy, Neymar, Elano e cia. saiam vitorisos. Desde que façam com competência e com disciplina. E, de fato, é o que tem acontecido.

Trio de ferro em chamas - agora só restam Brasileirão e Sul-Americana aos "paulistanos"

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Por: Felipe Saturnino