Archive for ‘Paraguai’

24/07/2011

Copa América XX – Uruguai 3 x 0 Paraguai: Proposta e contraproposta

Os uruguaios venceram o Paraguai mostrando a melhor exibição da Copa América 2011. Um jogo de imposição de uma seleção que renasceu e subiu do lugar que jamais deveria ter estado, porém, frequentou.

A seleção bicampeã mundial bateu o Paraguai que chegou à final empatando todos seus jogos, – feito incrível – vencendo um figurão nos pênaltis, e derrotando a Venezuela no mesmo enredo. Contra o Brasil, uma proposta defensiva, também imposta pela superioridade brasileira, mas a displicência em não converter gols. A equipe tinha talento suficiente para tentar algo diferente. Estigarribia jogou, mesmo assim foi pouco contra o Brasil. Mesmo assim, os paraguaios passaram. Na semi-final, vitória paraguaia contra a Venezuela. A mesma proposta, cedendo a bola, hesitando em atacar e ser agressivo. O que, de fato, é válido no futebol.

Uruguaios campeões - contraproposta eficiente

A proposta paraguaia se baseia em bloquear avanços adversários por meio de marcação imposta por seus volantes, barrando demais subidas de laterais e meias adversários. Ao adversário, resta atacar e se impôr. Porém, também requer cuidado na retaguarda, já que um contragolpe pode ser mortal. A única saída qualificada que se viu no Paraguai nesta Copa América surgiu de Marcelo Estigarribia, que fez bons jogos na competição.

Para vencer os paraguaios, era preciso um avanço mais “preparado”, de fato. Precisava-se de participação de volantes, algum avanço de lateral, e etc.
Seus atacantes precisavam definir como poucos, e não poderiam perder chances como muitos. O Uruguai teve um pouco disso, que bastou para derrotar o Paraguai em Buenos Aires.

Ambas as equipes jogaram no 4-4-2: o Uruguai teve um desdobramento – 4-4-1-1 -, pois Forlán é o enganche que faz a ligação meio/ataque. Álvaro González jogava pela direita e, do lado oposto, Álvaro Pereira se postava mais defensivamente para proteger o lado de Cáceres, o lateral-esquerdo uruguaio. Arévalo e Pérez eram os volantes. Nenhum desses dois tem recursos para participar da criação do jogo pela frente. Era preciso que Forlán, mais preso aos volantes adversários, fizesse a ligação da transição meio e ataque.

O Paraguai, também no 4-4-2, foi na proposta defensiva: Ortigoza e Víctor Cáceres eram volantes, com Riveros e Vera como jogadores mais periféricos. Em suma, todos eram volantes, de fato. Nenhum destes, ao contrário do Uruguai – que tem Forlán – poderia carregar a bola ou ligar o meio/ataque. Riveros era o que tinha um pouco mais de “operância” no ataque, pela esquerda; pela direita, Vera protegia mais do que avançava. No ataque, Váldez e Zeballos tentavam algo que resultasse em gol. Nada.

Até pelo fato de o Uruguai ter pressionado desde o primeiro momento – mesmo fazendo parte da devida proposta do Paraguai. E teve chance logo com dois minutos de jogo, após boa cabeçada de Lugano – Ortigoza pegou a bola com a mão, e foi pênalti não-marcado. O Uruguai já monopolizava as ações, mas dessa vez não faltaria competência aos finalizadores. Suárez, sucinto, fez seu lindo gol aos 11 min, após ter limpado Verón com sutil toque do pé direito para o canhoto.

Já era notável a superioridade uruguaia. E, finalmente, foi mostrada em gol. Muito se deve à inoperância paraguaia, que não conseguiu articular seu jogo. Com Forlán flutuando pelo campo, mais precisamente jogando por trás dos volantes adversários, o Uruguai era sublime. Jogava com autoridade, mesmo com um Paraguai que ia ascendendo no jogo, aos poucos, claro.
Bastou um erro na saída de bola para o melhor volante da Copa América – Arévalo Ríos – passar a bola para Diego Forlán faze seu tento e praticamente sacramentar uma vitória que representava o 15º título das Américas para o Uruguai.

No segundo tempo, o panorama começou com um Uruguai exercendo um “pouco” da proposta paraguaia, cedendo a bola ao adversário e o esperando em seu campo. Os paraguaios resolveram atacar, e avançaram seu lateral, Piris, para liberá-lo ao apoio, e colocaram Estigarribia em campo para dar mais uma opção de jogo – ou melhor, dar ao menos uma opção de jogo. Uma proposta defensiva paraguaia que não funcionou em nada e era quebrada, com a entrada ainda de Pérez, atacante, e ainda com Barrios.

Nada funcionou. Os paraguaios mantiveram o esquema 4-4-2, com Estigarribia pela esquerda e Pérez pela direita. A equipe de Martino já estava quebrada o suficiente para o Uruguai se autoproclamar campeão das Américas. Com Cavani, os uruguaios foram atuar no 4-3-3 que não funcionou nas primeiras partidas, mas que pouco influenciaria neste entrave. Forlán fez sua melhor partida na competição, assim como Luis Suárez. O Uruguai, também.

A contraproposta campeã apresentou o domínio evidente das ações do jogo, com proteção, ligação, finalização qualificada, segurança, consciência e responsabilidade. Foi brilhante o jogo que os uruguaios fizeram no dia de hoje. Pode-se afirmar até mesmo que deve-se pela covardia paraguaia, mas os uruguaios fizeram os invictos e convictos de sua estratégia, os paraguaios, derrotados por três a zero.

Assim sendo, algumas coisas devem ser constatadas ao final da Copa América:

– O melhor time da América do Sul é sim o Uruguai, e é também o que possui mais tempo de trabalho sob o mesmo comando (6 anos e 4 meses);

– O Paraguai é bom time, porém desfrutou de uma proposta defensiva em excesso, o que o fez ter atitudes discutivelmente “covardes”;

– Argentinos e brasileiros sofrem de problemas de reformulação e renovação, o que faz o trabalho mais cadenciado. Mesmo assim, pode-se exigir maior competência e atuações melhores de seus jogadores;

– A surpresa maior da Copa América, para mim, foi a Venezuela; em segundo, vem o Peru;

– Ao meu ver, mesmo não estando no mesmo nível de futebol, o Uruguai habita o 1º escalão do futebol mundial, que é constituído, hoje, por Espanha, Holanda e Alemanha.

NOTAS:

Uruguai

O melhor da final e da Copa América - Suárez triturou a defesa uruguaia ao lado de Forlán


Muslera 6,5
M. Pereira 6,5
Lugano 6,5
Coates 6,5
Cáceres 6
Arévalo Ríos 7
Pérez 6,5
A. González 6,5
A. Pereira 6,5
Forlán 8
Suárez 8
Cavani 7
Eguren 6
Godín sem nota

Paraguai

Villar 6
Piris 6,5
Da Silva 6
Verón 5,5
Marecos 5,5
Vera 5,5
Víctor Cáceres 5,5
Ortigoza 6
Riveros 6
Zeballos 6
Haedo Váldez 6,5
Estigarribia 6
Pérez 6
Barrios sem nota

Por: Felipe Saturnino

Anúncios
17/07/2011

Copa América XVII – Brasil 0 x 0 Paraguai – 0 x 2 nos pênaltis: Displicência, incompetência e evolução

O futebol é brilhante. Quem o inventou é brilhante. O único jogo que, vencer ou perder, em suma, não retrata em fidelidade aberta o que foi o jogo.

O Brasil jogou bem, dominou. Mas, pouco importa. Os paraguaios foram robustos como sempre e, venceram e, estão nas semis. Mereceram.

Mano Menezes esteve convicto que manter o esquema 4-2-3-1 seria a chave. Chave que levava o nome de Ganso, Neymar e Robinho. Porém, além deles, citei aqui no post passado que os volantes teriam de aparecer para dar suporte aos santistas e, bem, um ex-santista. Ramires e Lucas apareceram, mais e melhor do que nos últimos jogos. O atual blue – Ramires – foi mais eficiente nas suas subidas; Lucas, como de se esperar, se conteve por algumas subidas pouco impactantes, mas subiu, de fato.
O Paraguai era robusto. 4-4-2, valente, duro como pedra. Marcavam forte, chegavam forte e faziam faltas até a última geração. Estigarribia, o jogador mais talentoso do Paraguai, compunha o lado esquerdo. Pela direita Vera atuava. Riveros e Cáceres eram volantes mais contidos.

Villar foi brilhante, mas brasileiros displicentes

O Brasil criou muito. Massacrou, em chances, claro. Robinho foi ótimo. Neymar, regular, foi displicente. Ganso, foi normal. Os volantes foram melhores que antes. Ramires subiu de produção na segunda etapa, mas mesmo assim os paraguaios conseguiram manter a Seleção em igualdade no marcador. O segundo tempo poderia ser de Neymar – que perdeu duas chances – ou de Ganso, que perdeu uma. Pato perdeu uma em defesa sensacional de Villar. Fred perdeu também, substituindo Neymar.

Mas, simplesmente penou. Por uma causa questionável, que envolve displicência e incompetência, nosso time ainda está na estaca de era pós-Dunga, e não era Mano Menezes. Um time que sai da forma que saiu não deve ser cobrado em demasia, mas, simplesmente, os erros em tamanho exagero exigem que a situação se torne de valor um pouco exorbitante. Mano, de fato, recorrerá a outro esquema, ou pode manter a mesma formação e esperar por resultados.

Os paraguaios, em contraponto, foram robustos e duros até o último nervo existente. Erraram pouco, e Villar – brilhante – , o melhor do jogo, pegou tudo e um pouco mais. É um exemplo para atribuir méritos a Paulo da Silva e Verón, defensores paraguaios que tiveram trabalho até demais hoje. E venceram.

Bem, os pênaltis foram uma ironia sem fim. Depois de perder diversas chances, do falado modo mais fácil, a seleção sucumbiu. Elano, Thiago Silva e André Santos perderam seus penais, no que culminou a eliminação brasileira da Copa América.

Injusta chega a ser. Não menos que seja, desmerecida não foi. Os paraguaios mereceram por ter segurado os brasileiros, até quando ficaram se mAlcaraz, fazendo assim Cáceres, antes volante, recuar para compôr a defesa. Foram fortes, robustos e persistentes.

E antes de tudo, não consigo ver progressões no Brasil. A Copa América serviu mais como um grupo de amistosos, onde, na equipe em si, não se estabeleceram grandes certezas.

A única certeza é que displicência e incompetência não fazem parte de evolução. Espero que não.

Por: Felipe Saturnino

17/07/2011

Copa América XVI – Brasil precisa de volantes, Ganso e cuidado na marcação

Quando o Brasil confrontou o Paraguai na primeira fase, ficaram óbvios os problemas.
Os gols paraguaios surgiram principalmente por erros brasileiros que chegam a ser escandalosos. No primeiro, desde Daniel Alves até Thiago Silva e André Santos. No segundo, os mesmos envolvidos. Erro de cobertura, antecipação e posicionamento. Outra situação problema é quando se refere aos volantes brasileiros, que não conseguem exercer funções menos burocráticas que exercem e vem exercendo. Além de tudo, Ramires e Lucas estão fazendo jogos regulares, sem chegar eficientemente ao ataque.
Foi duro empatar com o Paraguai. Ganso também não jogou bem. Assim como sua atuação diante o Equador não foi das melhores. Mesmo assim, os brasileiros venceram pois tiveram o apoio de Maicon, que lembrou os velhos tempos. Robinho não foi mal, mas também não foi bem. Abriu espaços para Maicon se infiltrar pela direita, carregando o lateral Ayoví – que também se deu ao luxo de deixar brechas para Maicon entrar pela direita.

Mas a verdade é que Ganso não tem ido bem. Joga “batendo” com os volantes adversários e precisa do auxílio dos volantes que vem fazendo jogos ruins. Contra o Paraguai, Riveros conflitava com o Santista. Como hoje a situação repete-se, exigimos os volantes bem. Lucas, apesar de ser primeiro volante, pode fazer um jogo melhor do que regular. Ramires é o melhor brasileiro na posição que está, e mesmo assim precisa aparecer.

Na marcação, teremos Maicon mais precavido com as subidas do bom Estigarribia, pelo lado esquerdo paraguaio. Do outro lado, Vera deverá jogar. Atenção deve-se ter pela defesa com Barrios.

O Paraguai é um dos piores adversários que podíamos enfrentar. A equipe é robusta, muito forte com seu esquema e seu futebol. Por isso, se o Brasil quiser vencer e convencer, terá de agrupar o fator Ganso, com maior auxílio dos volantes, uma defesa sólida, e ainda mais um pouco de uma boa atuação vinda de Neymar, encostando em Ganso para abrir espaços pela defesa adversária.

Por: Felipe Saturnino

09/07/2011

Copa América X – Paraguai 2 x 2 Brasil: Paraguaios mereciam vencer e brasileiros mereciam perder

Futebol não tem merecimento. É lógico? É. O jogo é simples. Quem empurrar a bola para dentro da baliza mais vezes, vence. Simples assim. Se houvessem pontos adicionais para quem jogasse mais futebol, seria bem diferente. Mas, em suma, tem lógica, sim.

O Paraguai jogou mais que o Brasil. Óbvio que não foi “brilhante”, claro que não foi. Aliás, se fosse, o Brasil não conseguiria emparelhar o confronto. Os paraguaios jogaram bem nos minutos iniciais, foram mais eficientes, pouco erraram, e encaixotaram o Brasil em duas linhas de quatro homens. Quer dizer, encaixotaram em um termo. Outro termo é afirmar que o Brasil simplesmente jogou mal. Jogou pouco, de fato – apesar de considerar somente isso como fonte do resultado um pouco de muito simplismo. Porém, Ganso foi melhor hoje – mesmo sabendo que seu limite é maior. Ramires não fez um jogo eficiente em subidas ao ataque, ou mais especificamente, infiltrações. Lucas – do Liverpool – fez um jogo burocrático no meio-de-campo. Outro que tem mais chegada à frente, pode, então, fazer mais. Pois Ganso, bem, pode mais, mas não vem jogando o que pode, pois pode mais. E Neymar também pode mais. Assim como Pato – que fez um jogo péssimo. Jádson, bem, não me agrada muito. Mas, se o objetivo do jogo é colocar o objeto-alvo – a bola, no caso – para dentro da baliza, bem, neste caso, ele atuou bem. Dentro dos seus devidos termos. Atuou pela direita, dando suporte para Ganso na criação. Uma boa proposta de Mano.

O Brasil foi melhor hoje do que contra a Venezuela. O Paraguai, porém, foi melhor que um Brasil um pouco pobre em jogadas de criação, e também pobre em finalizações. Neste caso, finalizações que, de fato, trazem perigo ao adversário. Não lembro-me de muitas. Os adversários brasileiros, porém, tem um time com mais cara de time. Um conjunto, entendem?

Paraguaios - mereciam vencer


Os paraguaios são robustos, fortes. Não, não força física. Força expressa e incorporada de uma forma tática e estratégica. As duas linhas de quatro, com Estigarribia saindo eficientemente pela esquerda – este, aliás, participou do primeiro gol paraguaio. No resto da linha, três jogadores que não são criativos, mas que dão força ao Paraguai. Vera, Riveros e Ortigoza compuseram a linha paraguaia, com eficiência. O Brasil não casou com esta linha adversária; Ganso pode mais, mas atuou com um time robusto. Esta é a importância de uma infiltração e um tipo de elemento alternativo para aparecer pela frente. E Neymar não fazia um bom jogo.

Os gols paraguaios surgiram mais de erros brasileiros do que jogadas paraguaias. Porém, não podemos retirar os devidos méritos a um time que, mais robusto, marcou forte e que soube o que queria o tempo inteiro. De fato, acreditava que se o Brasil fosse perder para um time, perderia para os paraguaios, que são fortes e tem um time e um esquema bem claros. O Brasil, em contrapartida, está apenas se formando; muito pouco tempo de trabalho – o que não significa que a equipe não possa ser criticada. O Paraguai mereceu vencer, pois foi mais time, se postou bem e teve seus devidos méritos em um desempenho fraco do meio-de-campo brasileiro – isto inclui Neymar. Sabia o que queria; o Brasil, porém, ainda em formação, foi pouco eficiente em suas jogadas, mas empatou também com seus méritos – poucos, aliás. Agora, agradeçam a Fred o empate.

Fred - pelo empate, agradeçam a ele

E o Paraguai mereceu vencer, de fato. O Brasil, por pouca presença de um volante pela frente – mas não só por isso – fez um jogo pobre, apesar de ser melhor que diante a Venezuela, e mereceu perder. Mas, de fato, em jogar melhor, com mais claras estratégias e melhor desempenho de seus jogadores – principalmente os meias – o futebol não atribui merecimento. É um jogo fantástico, que, com um time empatando no último minuto, iguala até os ânimos, de um Brasil que pouco tem jogado, e um Paraguai que tem atuado bem, mas não tem vencido. Por isso, este é o futebol que conhecemos. Intrigante, não?

Por: Felipe Saturnino

03/07/2011

Copa América V – Paraguai 0 x 0 Equador: O empate da inconsistência

O melhor jogo da Copa América de 2011 até agora foi também mais um empate. E o segundo jogo sem gols do dia.

Mas Paraguai e Equador fizeram um jogo interessante. Uma das equipes foi muito bem na última Copa do Mundo, eliminada nas quartas pela Espanha em um jogo que os futuros campeões mundiais suaram sangue para ganhar. O Equador jogou a penúltima Copa do Mundo, em 2006.

E o jogo de hoje foi bom. Não foi o melhor que vi, mas foi um ótimo jogo para os padrões da Copa América atual. E poderia muito bem ter destacado no título “O melhor jogo da Copa América 2011” ou qualquer dos genéricos; porém, resolvi optar por um título mais ao gosto do jogo, que viveu de um misto de alternância de ataques, com chances criadas, com padrão elevado em alguns momentos e com quedas bruscas de nível em outros tantos.
O Paraguai dominou bem os primeiros 20 minutos de jogo. A monoplização e o aluguel do meio-de-campo equatoriano foi bem visto. Barreto, meia direita que participa da criação de jogadas, estava indo bem no Paraguai, assim como Estigarribia, espécie de winger que dá velocidade ao Paraguai. Podemos aqui ver uma diferença: o canhoto Estigarribia é um winger de agressividade, de imposição de ritmo, que procura o gol de maneira incisiva; Barreto é o que cadencia e participa de jogadas de criação, fazendo a transição do meio ao ataque com eficiência. No ataque paraguaio, Lucas Barrios – campeão pelo Borussia Dortmund na última edição da Bundesliga – e Roque Santa Cruz compunham a faixa avançada. Este último teve algumas boas chances de garantir a vitória do time de Gerardo Martino que colocaria o Brasil em situação preocupante. Não foi o caso. Aliás, o que salvou o Equador foi um caso interessante: o goleiro Elizaga é o mais velho da Copa América deste ano. E ele salvou os equatorianos.
Em falar de Equador, Benítez e Caicedo tentaram incomodar um Paraguai que tomava as rédeas do jogo nos momentos primordiais. Pois é, funcionou após Benítez ter a chance do jogo. Perdeu-a, mas o Equador conseguiu uma imposição momentânea, seguida do misto de alternância de ritmos do jogo. Valencia, atuando pelo lado direito do Equador, também tentou atrapalhar o Paraguai. Não conseguiu. O jogo foi para a virada confuso e inconstante. No segundo tempo, a mesma lógica.
O Paraguai é mais time, mas sofreu com a perda de Barreto na primeira etapa. Vera entrou no seu lugar, sem a mesma efetividade. Estigarribia, por sua vez, baixou um pouco o ritmo. O Equador apareceu mais com a bola na frente, mas as melhores chances surgiram de pés paraguaios. Que se diga, aliás, de cabeças paraguaias: Santa Cruz perdeu uma chance incrível com defesaça do arqueiro Elizaga.

O resultado foi justo pelo empate. Se fosse com gols, talvez teria sido até mais justo, de fato. Mas que conste aqui: Paraguai e Equador são bons times. O Paraguai é mais perigoso, por ter um jogador que pode cadenciar e ditar ritmo – Barreto – , em conjunto do meio-de-campo, e outro que é perigoso em jogadas laterais, que é Estigarribia – mesmo não tendo tanta eficiência no jogo de hoje. O Equador, por sua vez, tem um meio-de-campo que não é tão criativo, mas que conseguiu acalmar o jogo paraguaio por meio da velocidade do atacante Benítez, que incomodou muitos os beques paraguaios. Valencia é bom jogador, mas hoje também pouco fez. No maior dos casos, de olho neles Brasil.

Por: Felipe Saturnino