Archive for ‘Paranaenses’

04/09/2011

A falta que um meia (jogando bem) faz

Tcheco e Danilo - o corintiano fez jogo fraco; o coritibano atuou bem no jogo 'espelhado'

Espelhar: gíria técnica dos técnicos sobre implantar mesmo sistema tático de seu adversário e, assim, estabelecer confrontos táticos idênticos no campo

Quando no Couto Pereira Coritiba e Corinthians começaram a jogar, logo seu viu que a previsibilidade dos sistemas táticos definiria o jogo. Ou melhor, quem fosse imprevisível ao seu mais alto ponto, venceria o jogo.

No 4-2-3-1, os dois times espelhados estabeleceram confrontos táticos importantes no jogo. O Corinthians havia desistido de Danilo e Alex num mesmo esquadrão e foi com Willian, Jorge Henrique e Danilo, este último centralizado. No Coritiba, os meias ofensivos eram Marcos Aurélio – escapando pela direita e vindo por dentro -, Tcheco, como meia central, e Rafinha, indo pra cima de Alessandro no lado esquerdo curitibano.
Pela ideia lógica, o time que melhor aproveitasse a linha dos meias ofensivos, jogando-os para cima de um volante e dos laterais, venceria o jogo. Sim, quem fosse mais incisivo, ofensivo e intenso venceria o jogo do “espelho”. Pois pelo sistema estabelecido, prende-se o volante adversário para marcar o meia central, e joga-se o meia pela esquerda ou pela direita para cima de um dos laterais.

E o Corinthians não conseguiu produzir nada tão relevante. Apenas amedrontou o Couto Pereira em dois lances de Alex, um com o gol mais que claro, e outro em chute de longa distância. O outro momento perigoso foi de Willian, nos segundos finais. O 7 corintiano voltou a jogar em um nível aceitável, porém, mesmo assim, não conseguiu resolver a vida dos comandados de Tite.

Os 4-2-3-1s da perspectiva do meio-de-campo: Coritiba forte com Rafinha e Corinthians sem 'prender' Donizete

Pois sim, o meia central é importante no confronto. Danilo pouco produziu e assim não atraiu o volante coritibano, Leandro Donizete. E quando o fez, nada fez com a pelota nos pés.
Enquanto Tcheco, Rafinha e Marcos Aurélio faziam uma boa partida na linha dos meias do Coritiba. E uma hora, pela ofensividade de Rafinha, pela cadencia de Tcheco – que, aliás, sofreu uma luxação em um de seus dedos – e pelas investidas de Marcos, o gol sairia. Sim, o gol estava maduro. O Corinthians não produzia nada e era atacado. Constantemente.
Moradei é limitado demais para jogar no Corinthians, e sofreu muito depois que Marcos Aurélio foi jogar centralizado, com Éverton Costa entrando no lado esquerdo – substituição ousada e boa que Marcelo Oliveira executou

Até que, aos 28 minutos da etapa complementar, o Coritiba fez o tento. Merecido.

Mais uma vez, Tite pecava em insistir em um Danilo apagado, e também por não tentar tornar o sistema mais imprevisível. Tanto que Alex entrou bem no jogo.

Mais que tudo, agora, o Corinthians tende a mudar o sistema. Pois pela falta de um meia central que seja efetivo, mude por suportar mais pontos de criação. Um 4-4-2 pode funcionar. Mas vai por Tite, óbvio – que hoje, aliás, não teve a ousadia do treinador dos coritibanos.

Ainda assim, o Corinthians é líder. Mas sem a mesma força que antes tinha.

Por: Felipe Saturnino

28/07/2011

Controle e hesitação

A rodada foi a melhor do campeonato, basicamente por dois jogos. Um deles, falarei brevemente, nas próximas linhas. O outro, bem, este gostaria de ter visto.

O São Paulo de Adilson Batista já tem uma cara. Joga em losango no meio-de-campo, um 4-3-1-2. Fez um ótimo jogo em uma vitória que, por muito pouco, não virou uma tragédia.
Com este losango no meio-de-campo, Adilson permite uma versatilidade na participação direta de seus volantes na criação do jogo. Com Denílson, Wellington e Carlinhos Paraíba dando suporte a Rivaldo na criação, o São Paulo andou muito bem na primeira etapa, com infiltrações e chegadas de trás bem eficientes. Carlinhos, super vaiado pelos coritibanos, fez ótimo jogo pelo lado esquerdo do meio-de-campo são-paulino, – enquanto por lá esteve, já que iria atuar pela lateral-esquerda no segundo tempo – marcando seu tento após uma boa trama são-paulina, aos 18. O Coritiba pressionou, mas pecou por dar espaço para infiltrações, por permitir participação dos volantes são-paulinos, e ainda por não ter criado demais chances claras de gol e também por não manter o ritmo inicial que havia neutralizado o São Paulo por alguns minutos no princípio.
Depois do primeiro gol veio o segundo gol, feito por Juan, e ainda o tento de Dagoberto, após uma jogada brilhantemente construída, por Wellington, Lucas e Rivaldo. Rivaldo que, aliás, centralizado, foi vértice adiantado no losango de meio-de-campo proposto por Batista.
Um time seguro na primeira etapa, marcando três gols em um Coritiba que deu chance para o adversário, mas havia pressionado no princípio.

No segundo tempo, Lucas fez o seu – golaço, que se diga, de fato. Um golaço mesmo. Encobriu o goleiro Edson Bastos, após erro na saída.
Com 4 a 0, a proposta mais do que sabida era recuar e espera para um contra-ataque. Ficou evidente quando Marlos entrou no lugar de Rivaldo.
Que se diga, o Coritiba, desde o final do segundo, estava jogando com 10 – perdera Davi, com vermelho direto, após reclamação acintosa. A expulsão não foi injusta, mas não entendi pelo vermelho direto. O mais sensato eram dois amarelos. Mesmo assim, o Coritiba, com um a menos, seria valente, com coragem suicida e invejável. Armou-se em um 3-3-3, com saída pela esquerda com Éverton e Aquino. Mas foi pela direita que o carnaval aconteceu. Rafinha triturou Carlinhos Paraíba por aquele setor – deixando clara a qualidade do meia coritibano.

O Coritiba, então, foi para cima; fez o primeiro com Rafinha, o segundo e o terceiro foram com Bill. Tudo pelo fato de o São Paulo, a princípio, ter tido o controle do jogo e, após disso, ter hesitado. A proposta do contra-ataque substituindo Rivaldo por Marlos foi clara; e certa. Marlos era o jogador para fazer a ligação e ao lado de Lucas e Dagoberto, seria fundamental para puxar contragolpes. O Sampa hesitou tanto em atacar que desperdiçou seus contagolpes, e ainda teve um prejuízo para o próximo jogo, com Denílson sendo expulso ao final do jogo.

A proposta de Adilson é clara: seguir o trabalho proposto com o 4-3-1-2, mantendo o losango no meio-de-campo, monopolizando as ações por meio de criação partindo desde os seus volantes até o meia vértice-avançado do losango. Com isso, os volantes dão suporte a ligação do jogo, e ainda podem marcar com qualidade. O São Paulo toma o controle do jogo com isso, e hoje poderia ter saído do Couto Pereira com uma goleada histórica. Porém, hesitou e se desesperou. Um pouco mais de paciência em armar contra-ataques pode garantir um resultado mais contundente do que o de hoje. Pode funcionar com Adilson.

São Paulo fez primeiro tempo sublime, mas hesitou e cedeu a bola ao Coritiba na segunda etapa

Este foi o jogo que vi, e foi um jogão, de verdade. Muito pelo descuido do São Paulo e pela coragem do Coxa. Agora, o jogo que eu queria ver e o jogo mais relevante foi o 5 a 4 do Flamengo sobre o Santos na Vila. Neymar fez um golaço, e Ronaldinho decidiu como decidia na época de Barça. Hoje, além da vitória chorada do São Paulo, outra coisa relevante é a vitória mais importante do campeonato para um time: a do Flamengo.

Por: Felipe Saturnino