Archive for ‘Porto’

23/09/2011

No Dragão, empate heroico

O maior clássico de Portugal teve, hoje, seu primeiro round, no Estádio do Dragão.

Vítor Pereira, ex-auxiliar de Villas-Boas no Porto, hoje técnico da equipe, levou o 4-3-3 para dentro de campo – como é de praxe. O triângulo que tem como base a presença de bons volantes-meias, Guarín e Moutinho, já é o padrão do time do Porto. Hulk foi ponta-direita, Varela ponta-esquerda, e Kléber, recém-convocado por Mano, funcionou como o centroavante da esquadra. O Benfica veio de 4-2-3-1, com o trio de meias ofensivos muito “sonolento” na primeira etapa. Aimar, Gaitán e Nolito não conseguiram impor ritmo para o Benfica. E o argentino, principalmente, é o maior culpado. Aimar, apesar de ser um trintão, tem técnica suficiente para reger a equipe. Mas o meia não fez um jogo nada bom, apesar de ter a função primordial no setor: a criação.

Há de se dizer que o Benfica apenas entrou no jogo pelo fato do Porto querer se complicar. A equipe de Vítor Pereira simplesmente dominou as ações no primeiro tempo; Kléber, número 11, fez o tento aos 27 minutos de jogo. Na segunda etapa, porém, o time da casa deu de ombros: tomou o empate no 1º minuto. Gol de Óscar Cardozo. Já nesse ponto, o Benfica mostrava as dificuldades para fazer progressão no campo adversário. A equipe cresceu somente após o Porto parar de ditar o ritmo de jogo.

Otamendi – zagueiro argentino – apareceu bem na área após boa bola de Varela: 2 a 1. O Porto, aí, já mostrava os sinais de “preguiça”.
A inconsistência do segundo tempo deu ao Benfica a bola, que ele não tinha no primeiro tempo – depois do Porto simplesmente massacrar a equipe de Jorge Jesus. Justamente após as substituições de Aimar e Nolito por Saviola e Bruno César – este que veio atuar mais pelo flanco direito no 4-2-3-1 de Jesus – o time visitante melhorou. Saviola passou a ser um falso-articulador, atuando mais por dentro, ocupando a posição antes de um Aimar muito apático.

Em um passe, o camisa 30 do Benfica decidiu o jogo: bola para Gaitán, que era o melhor do Benfica em campo no momento, para o empate heroico.
Um ponto importante por motivos claros: o Porto é mais time e simplesmente perdeu por ter um rendimento ridículo na segunda etapa. Isso colocou o Benfica no jogo.

A queda do Porto se deveu às quedas de Guarín e Moutinho e, também, Hulk. Mas que o Benfica foi heroico, ah sim, foi.

Vítor Pereira - lamentando o ponto perdido


Por: Felipe Saturnino

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27/08/2011

Mais um título para Pep e os ensinamentos do “espelho” Porto

O Barcelona é cada vez mais campeão, mas já nesta temporada. O segundo título em dez dias mostra a força da equipe a ser batida no mundo.

Todos sabem que, para parar o Barça, é preciso barrar a transição meio/ataque. Ah, não se esqueça que você não pode deixar Lionel Messi jogar solto. Impeça os avanços dos laterais e, ainda, tenha uma linha defensiva combativa e inteligente o bastante para não deixar Villa e Pedro infiltrarem-se sozinhos na área adversária – vide linha de impedimento.

Mourinho, que tem elenco para fazer o possível e o mais que possível contra o Barcelona, seguiu a lista corretamente. Impediu a transição, não deixou Messi trabalhar solto entre as linhas dos volantes e dos zagueiros centrais e colocou seus “wingers” para impedir os laterais barcelonistas de jogar para o apoio. No 5 a 0 deu errado, na Copa do Rei funcionou. Mesmo assim, os madridistas fizeram sua melhor partida na temporada passada diante os rivais e, ainda assim, não foi possível parar o Barcelona de Josep Guardiola. Até pelo fato de sua equipe jogar cada vez mais e incorporar cada vez mais o estilo “tiki-taka“, de posse de bola, monopolização das ações e infiltrações.
Mas quando o português do Real propôs o 4-1-4-1 se desenvolveu um estilo para atuar contra o Barcelona. Você joga no extremo da marcação, mas produz pouco no ataque. Mesmo assim, na vitória por 1 a 0 em Mestalla, em abril deste ano, mostrou-se um Real Madrid combativo e criativo. Dois volantes batiam de frente com Iniesta e Xavi e não os deixavam jogar. Messi era acompanhado por Pepe em um ponto alto do campo dos madridistas. Di María e Cristiano se sacrificavam para impedir os laterais barcelonistas de apoiar. Não funcionou na Champions League.

É cada vez mais difícil parar o Barcelona. O Porto fez um jogo parelho, ou melhor, fazia, até o momento em que tomou o gol. Guarín, que tinha espaço para jogar por trás de Iniesta, jogou contra o patrimônio e Messi fez o de sempre: gol.
Enquanto isso, o auxiliar de Villas-Boas, Vítor Pereira, técnico do Porto, assistia ao Barça jogar mais ao gosto na etapa seguinte. O volante Souza auxiliava os zagueiros na missão de marcar Messi. Hulk e Cristian Rodríguez acompanhavam os laterais do time de Pep. Moutinho jogava com Xavi.

O Porto que tentou barrar o Barça: 4-1-4-1 na defesa que "impede" o estilo do Barcelona. Não funcionou.

Mas simplesmente não funcionou. Muito pelo fato de, enquanto Messi prende o volante adversário, sua equipe não tem mais uma peça no meio-de-campo para auxiliar a construção e evolução de jogo. E se sabe que, do outro lado, Xavi e Iniesta ditarão o ritmo do jogo de forma cadenciada, estilo mais do que consagrado pelos barcelonistas.

Ou seja, o Barcelona é cada vez mais “melhor do mundo“, e também há de se falar que ontem Messi jogou barbaridades novamente. E é outro que vai jogar cada vez mais.

O título da Supercopa da Europa promete uma temporada mais do que boa: teremos mais um ano de sublime Messi ou alguém parará o Barça? Boa pergunta.

Crédito da imagem: blog “Olho Tático

Por: Felipe Saturnino