Archive for ‘Seleção Brasileira’

26/11/2012

Por que (não) arriscar?

Ainda Mano como técnico, os rumores sobre sua saída borbulhavam. A descrença no seu trabalho era evidente, e vívida. A torcida pressionava pela reprovação. Parece que isso foi ontem.

Pois foi anteontem. Quando na sexta, se disse da sua saída, sua saída oficial, contornou-se a situação do tampão. Mano não era um. De fato, uma ala na CBF não possui simpatia por sua figura. O staff de Sanchez perdeu, como o mesmo disse, e este foi “voto vencido”. Enfim, Mano sucumbia à pressão, mas no seu momento indevido.

Talvez o ex-Corinthians não fosse mesmo um técnico com a qualidade para habitar um cargo tão alto assim no âmbito do futebol nacional, e também, internacionalmente, já que a importância do nosso futebol extrapola seus limites territoriais. Sua influência no esporte é demasiadamente grande, e assim a de Mano teria de ser. De fato, enfim Mano agora achava algum traço significativo para a sua seleção. Sem mudança tática de grande importância, pois ele apostava na moda e acreditava que a questão fundamental não era seu sistema tático, mas sim fatores mais humanos, menos estratégicos.

Quando se fala de sua substituição, surgem nomes diversos, e também despontam específicos. Muricy talvez fosse pelo agregado do merecimento recente que obteve, mas hoje o impacto de suas conquistas ecoa bem menos que em 2010, e nem é mais tão unanimidade hoje quanto era na época referida. Felipão é campeão mundial, apesar de seus deméritos recentes como treinador e uma conquista importante mas não tão significativa com o Palmeiras – de fato, seu time era limitado. Tite tem de manter seu melhor trabalho, continuando no Corinthians. Seu perfil não é tão abrangente quanto os de Muriçoca e Scolari. E Luxemburgo? É uma possibilidade. Porém, sua vice-liderança e a vaga direta na Liberta podem muito bem lhe influenciar numa escolha da CBF para o mês de janeiro, e é certo que seus melhores tempos já se foram há muito. É um coadjuvante nessa competição.

Esqueçam-se de outros nomes. Só não do mais esperado.

Josep Guardiola poderia desfilar sua elegância com ternos exuberantes e gravatas bem marcadas com a seleção de maior glamour do futebol mundial? Decerto. Mas, ele exige tempo, menos risco e mais certeza. A um ano e meio da Copa, o que não obtivermos de certeza significará fracasso, e no caso atual, é o que ocorreria lá. Por isso, um técnico tão menos interessante deveria aparecer no cenário para amenizar a crise, reformular o plano e replanejar a equipe como um todo. Não que com esses seja mais certo. Mas, com Pep, o mais justo seria cercá-lo com tempo e confiança, menos interesse político para não acarretar uma demissão “desumana”. Mano pode dizê-lo muito bem.

E se ele assumisse amanhã?

Dificilmente algum técnico recusaria uma proposta da amarela. Mesmo assim, por valer de tanto a experiência, e a possível experiência de um técnico estrangeiro treinando a seleção pela primeira vez na história, há de haver tempo. E pressionar sobrecarregando-o para o Mundial de 14 é muita confiança na interessantíssima experiência. O Brasil necessita de algo mais instantâneo, e não de um experimento de longo prazo.

Ainda que ele assumisse amanhã, como deveria fazer se tivesse proposta.

O elegante Pep


Por: Felipe Saturnino

25/11/2012

DesuMano

Mano fez como o Palmeiras, e caiu.

Caiu, também por causa de si, e mais porque o derrubaram. E o prédio tardou a ser implodido. A um ano e meio do Mundial de 14, Mano não deixou legado. Talvez nem mesmo seu 4-2-3-1 seja legado, nem a opção sem centroavante também. O que Mano fez foi tampar o buraco provisoriamente para dar um caminho à safra que enjoa de juventude, que a possui em demasia, e também tem talento. Até mesmo muito talento.

De modo algum, então, a safra é fraca. Mano era, entretanto, não tão condizente com a pressão que sofreria por administrar essa safra, e também, para fazer o elo com o passado para traçar o futuro – Mano demorou alguns momentos para trazer algum referencial antigo para o time atual, apesar de, certamente, ele ter pensado em fazê-lo mais cedo, mas não o realizava por causa da qualidade e da situação dessas “referências”. O time necessitava de referências, e com as convocações de Ronaldinho, e com as constantes últimas pedidas por Kaká, esse aspecto foi amenizado.

Quando iniciou seu trabalho em agosto de 2010, aliás, os Estados Unidos foram derrotados por uma seleção que cheirava a ótima coisa. E que almejava excelentes hábitos posteriores – isso se resumindo às conquistas. Essa presunção talvez fosse válida. Mas era apenas um preview do que não tardaria a vir.

Em 2011, a Copa América foi um desastre. Foi “um desastre”. Não foi “o desastre”. Esse artigo definido requer especificidade, importância integral. Com um ano de trabalho, Menezes não obteve êxito na Argentina. Era compreensível. Utilizava o 4-2-3-1, a moda, o fashion, o glamour da contemporaneidade. A incompetência dos penais só serve de ilustração para o desastre. “Só”. O time não fez bons jogos, empatou três e venceu um. Não perdeu, se é consolo. Bem que poderia tê-lo diante dos paraguaios, no jogo da primeira fase – pois na quarta-de-final, o Brasil teve as chances, só não as aproveitou. Não ocorreu. Fred empatou nos instantes finais. A competição teve como vencedor o Uruguai, então melhor equipe do continente. A Argentina hoje é bem mais confiável e entusiasma com Messi, Di María, Agüero e Pipita Higuaín.

A albiceleste, aliás, protagonizou com a amarilla um jogo sem energia qualquer na quarta, no templo xeneize dos Juniors. A vitória dos manos de Mano nos penais veio como qualquer coisa, mais que “uma coisa diferente”. Os argentinos de Sabella levaram no tempo normal (2 a 1), porém Neymar conseguiu sacramentar o bicampeonato do Superclássico das Américas. Para Mano, nem importava.

O calendário da seleção não o auxiliou nesse tempo todo, é bem verdade. Esse Superclássico, por exemplo, é inequivocamente um equívoco. É um jogo sem importância, que degenera a imagem tão bela, fantasiosa, brilhante e fascinante que um jogo entre brasileiros e argentinos possui. Mas, fazendo assunto do calendário, que não é o maior vilão, mas prejudicou Mano, o que restou-lhe foi enfrentar equipes certamente mais fortes que fizeram-lhe apenas mal. A França e a Alemanha lhe deram derrotas, e mais descrença. No jogo diante dos hermanos, em New Jersey, talvez seja mais relativizada a derrota. E nem mesmo problema foi o baile diante dos comandados de Löw, que no placar de fato não foi baile – 3 a 2 em jogo tremendo dos germânicos.

A derrota diante da Alemanha é, assim, também justificável. Tal qual a sofrida contra os franceses. E também aquela contra a Argentina. Aquela mais longínqua, no Catar, decerto ficou no caminho maldito feito por Mano. Douglas perdeu a bola e Messi, como deve ser, fez um gol que deu o trunfo aos então argentinos de Batista. Hoje é Sabella quem dá as cartas por ali.

Nos Jogos Olímpicos, o que Mano esperava era pelo ouro. Favoritismo após a eliminação dos espanhóis e uruguaios. Os mexicanos provaram ser melhores, com Peralta anotando os tentos rendedores da conquista maior da equipe que sempre dá calafrios a qualquer categoria do futebol brasileiro. Mano poderia – deveria, este é o verbo melhor aqui – ter caído ali. Não aconteceu. A opção provisória era para finalizar o ano.

No overall, Mano não fez tão mal. E nem bem fez também. Mas, a situação da equipe brasileira deve se atenuar com o tempo, se fixando em outros valores após a expulsão do arrumador de casas. A pior parte, ainda assim, pode não ter passado. Mano, pois, deixou um esquema e um time que devem ser modificados. Ainda assim, a relocação de mobília na casa deve ser sucinta, minuciosamente detalhada.

De fato, para um Mundial de futebol, Mano não era o mestre em avalizar a pressão. Desumanidade mesmo foi fazê-lo de tolo esperando ficar como técnico da esquadra principal integralmente até o final do ano. Foi injusto. Um recesso, novamente, um recesso. Apelar às soluções talvez previamente aceitas, como Scolari, é algo necessário.

Pois requisitar Guardiola exige mais tempo, menos risco e com certeza menos pressão. Por mais que seja Pep, ainda o grande Pep dos culés. E, também, demanda menos desumanidade. Com Mano, foi tudo que se teve. Montar um time notavelmente promissor, jovem, e creditar a Mano a absorção de tanta pressão, bem, talvez não fosse tão indicado. Até por isso, Menezes era uma segunda opção na corrida pelo cargo de treinador, tal liderada então por Muricy – hoje ele é muito menos unanimidade que então.
Mano, pois, sofreu uma desumanidade com a ilusão de sua manutenção do cargo e do time próprio. Politicamente, sua vida era inviável. A pressão era muito grande. E o trabalho já não era tão ruim. Agora, o tempo é ainda menor, e a seleção vai mudar. Com quem, se Mano, um qualificado – talvez não ao ponto do nível da seleção – treinador, foi demitido abruptamente e assim, tão assim?

Talvez requisitem Dunga. Ou tomem não de Muriçoca. Ou tomem sim de Tite, e recusem-no pelo perfil. Mas, e se Andrés gosta dele? No jogo da seleção, políticas desumanas, que previamente não seriam desumanas e sim certas, ocorrem. E se deixam transparecer.

Por: Felipe Saturnino

08/09/2012

Pipocas?

A sensação que Neymar deve ter sentido em campo hoje, na vitória tupiniquim sobre os sul-africanos, foi certamente uma das mais desagradáveis de sua curta e promissora carreira como futebolista. O que Mano sentiu lhe é mais próximo e comum. Até mesmo mais sensato e compreensível.

À torcida brasileira – paulista (paulistana) -, vaiar o técnico ex-Grêmio e Corinthians é algo mais óbvio. Os problemas todos, sejam de vertentes táticas ou técnicas na seleção, decorrem ou pressupõe-se que decorrem partindo da natureza do treinador. Mano, que mantém a sistemática do 4-2-3-1 desde o seu início na seleção em agosto de 2010, naquele amistoso diante dos EUA, pouco tentou modificar a natureza tática do esquema; uma mudança significativa foi na característica do miolo de meio-de-campo: na Copa América, deixou a versatilidade e agilidade de Leiva e Ramires para, um ano depois, nos Jogos Olímpicos, usar um sistema menos técnico, mais sólido e pragmático nesse mesmo setor, mas agora com os volantes Rômulo e Sandro.

A liga que Mano ainda não deu na seleção, hoje, porém, está posta numa perspectiva menos plena por motivos óbvios, de importância ainda mensurável mas muito grande.

Em uma coletiva morna, sem sal, como é de seu feitio, Menezes abriu a caixa de argumentações duvidosas e, de certo modo, pífias: quando perguntado sobre o porquê da escolha de substituição de Neymar em instantes finais do entrave diante da África do Sul, no Morumbi, ele pautou de forma enfática o aspecto da condição física da joia do futebol brasileiro.

E Neymar deixou o jogo aos 44 do segundo tempo.

O resultado de vitória brasileira – que teve Oscar na meia principal novamente – foi decepcionante pelo que foi e o que não foi, e não somente pelo que não foi. Foi ruim. Espetacularmente ruim. E poderia ter sido bom. Ainda que tenha sido contra uma seleção ultra coadjuvante no cenário continental. Pois foi o que ocorreu.

Hulk, o herói de MM, marcou nos dois últimos jogos com a seleção, ambos em momentos críticos; o primeiro tento, contra o México em Wembley, é algo diferente deste aqui: enquanto aquele dava um ar de redenção a Mano por alguns segundos e “mantinha” viva a esperança do ouro inédito, este aqui representa a salvação do absoluto abismo cósmico em que ele continua a tentar se jogar.

As pipocas amarelas, que não referem-se a todos os jogadores, não são verdadeiras; são frustrações dos torcedores, e provém da mais alta qualidade. Neymar, o pipoqueiro do dia, foi cutucado por um Mano muito controverso nas declarações do pós-jogo, e também pela torcida colorida em verde e amarelo que o vaiou. Como dizia um desses por aí, as vaias são os aplausos de quem não gostou.

Neymar, se não é pipoca – muito longe disso -, é o líder técnico da seleção no road de Mano Menezes. O caminho é mudar. Mudar o sistema, os objetos do sistema, e mudar também o local do jogo. Por isso o escolhido da vez da CBF é o Recife.

E a Mano: credenciar Neymar às vaias é injusto, mas não deve ser tanta pressão comparado ao que ele já sentiu. Neymar não pipoca. O problema é menos simples e mais amplo. É a seleção que MM não consegue dar jeito.

É o sufoco no Morumbi.
É a pressão do país que é sede do Mundial.
É o técnico que cutuca o ídolo teen.
É o time que nos faz pensar em Dunga.

É a pipoca que estoura; a situação é crítica.

Por: Felipe Saturnino

13/08/2012

Pressão

O Brasil decepcionou novamente numa decisão de Jogos Olímpicos no torneio masculino de futebol. A medalha de prata é longe de ser vexame, mas também não agrada os que ainda torcem e vibram por essa, e muito menos o chefe Marin. No caso, o emprego de Mano (ainda) está em perigo.

A pressão que agora está sobre Mano é a mais esperada dos últimos tempos. O fracasso na Olimpíada a traria consigo, simultaneamente. E as apresentações, se resta-nos contemplá-las, não é significativo no geral – mesmo com a média de três gols por partida até a final, a equipe não aparentava segurança em todo o decorrer da competição.

O fruto da segurança é um misto do trabalho contínuo, que existe fora do campo, mas, principalmente, nos momentos de pressão com que os jogadores lidam. A juventude, com sua exuberância maior e a sua grande beldade representadas na jogada de Neymar no último gol diante da Bielorrússia, com a conclusão vinda de Oscar, não soube adquirir a proficiência para se manter num jogo com pressão. E era uma final, no fim de tudo…

Para se reparar: uma partida em que o Brasil esteve abaixo no placar foi diante da Bielorrússia. 1×0, com gol de um brasileiro – Bardini Bressan -, num cabeceio após erro defensivo. Foi o menor apesar do final. Decerto o Brasil teve dificuldades com o Egito, um jogo com pressão, de estreia, que souberam dar conta de vencer, e, claro, com Honduras – o jogo mais delicado da jornada brasileira até a prata.
Mas na decisão de Wembley, no domingo, certamente aquele que é considerado como um dos três melhores zagueiros do mundo – quem sabe até mesmo o melhor -, Thiago Silva, errou bisonhamente e quase deu o tento para o México, após ter se confundido numa saída de bola – uma saída de bola que comprometeu o Brasil no jogo por completo. A experiência não confortou tanto quanto poderia – apesar das atuações regulares de Silva. A pressão, forte pressão, com que os brasileiros, abaixo do placar com o time do calibre mexicano pela primeira vez na competição, tiveram de lidar, existia desde o momento em que Rafael errara no campo brasileiro: gol de Peralta. E o Brasil não se achou em campo.

Neymar e Oscar, fundamentais durante o torneio. Pouco produtivos ao seu final. Quando o santista arrancou pra dentro e chutou uma bola perigosa no final do primeiro tempo – algo como 30 minutos e mais um pouco, quase 40 -, e iniciou o segundo com vontade, as perspectivas podiam mudar. Hulk também não desapontava, e terminou sua participação confirmando uma vaguinha na equipe de Mano, com gol aos 46 da segunda metade de peleja. Oscar foi o de menos na linha de três, tão decisiva na conta final de um 4-2-3-1. Afinal, ele é o cara do centro, que centraliza as opções de variação de ritmo e suporte ao avante central e os “pontas” – pois, de fato, Sandro e Rômulo não são de apoiar o jogo na frente.

O saldo geral é de decepção. A pouca experiência com a pressão, que na final já existia com menos de 30 segundos pela desvantagem no marcador, talvez tenha derivado mais um revés em decisão olímpicas para os brasileirinhos. Porém, a equipe nunca foi de todo confiável, e por isso falta a segurança que um time vencedor precisa ter. É claro que ainda assim poderia ter abocanhado o ouro ineditamente. Todavia, sabemos que, quando o momento do ouro chegar, será com uma equipe mais completa do que esta. Afinal, do que falamos de falta de segurança que é um problema da seleção olímpica, o problema é da seleção principal, também. A resposta que Mano, em situação difícil, pode dar-nos, é criando um time seguro, jovem, mas ao mesmo tempo maduro, pois existe pouco mais de 1 ano para o Mundial em nossas terras e lá, sim, é o inferno em pressão.

Por: Felipe Saturnino

12/10/2011

Para ressurgir

Ronaldinho Gaúcho - fim de jejum de 4 anos sem fazer gol e vitória para ganhar confiança

Em Torreón, no México, o Brasil encontrou a seleção que ele não costuma ter a maior tranquilidade de jogar contra. A equipe mexicana, hoje, é melhor que a brasileira, de certa forma. É time mais pronto que o Brasil.

São nestes jogos que ficam evidenciados defeitos de uma seleção – ou qualidades. Para Mano, mudar radicalmente o 4-2-3-1 que propunha no princípio de seu trabalhou ficou viável desde o momento que ele começou a perceber os erros do time.

Contra a Costa Rica, por exemplo. A linha dos três meias ofensivos – Neymar, Lucas e Ronaldinho Gaúcho – ficou estática. Não havia variação para tentar iludir a marcação dos donos da casa que se portaram bem no jogo, mesmo perdendo. Havia também a falta do fator surpresa, o valor individual que surge de trás para dar suporte aos meias que compõem o meio-campo num setor mais avançad. Ralf e Luiz Gustavo eram pouco criativos, e Mano “achou” Hernanes – finalmente – e o colocou no time. Tímida melhora. Apenas tímida. Ainda assim, a vitória num jogo fraco e pragmático da seleção brasileira.

Diante o México, equipe mais qualificada que a Costa Rica, Mano Menezes resolveu sair da sua proposta. Radicalmente. Propôs um 4-4-2 que, partindo do esquema padrão, o 4-2-3-1, possui muitos pontos distintos. E o problema da movimentação foi resolvido.

Mas outro foi criado: com o desdobramento tático natural, tornando a equipe híbrida, seguindo um 4-2-4 (4-2-2-2 com junção dos meias ao ataque), o Brasil simplesmente deixou de marcar. Os meias da ponta-de-lança, Lucas e Ronaldinho, não recompunham. Assim, a equipe ficou mais suscetível aos ataques mexicanos, que eram perigosos com a velocidade de Barrera sobre Marcelo e com Giovanni dos Santos por trás da cabeça de área. O México, de Manuel de La Torre, aliás, atuava num 4-4-1-1, que tinha como força explorar a versatilidade dos dois meias abertos – Guardado e Barrera. O gol contra de David Luiz, por exemplo, nasce de uma inversão de uma meia para outra, terminando na infelicidade do zagueiro do Chelsea.

O primeiro tempo teve o Brasil impondo o ritmo no jogo, com o quarteto ofensivo variando muito no ataque. O México, por sua vez, desejou o contragolpe mais que outra coisa. As saídas de Barrera, Guardado e Gio dos Santos sobre os laterais e a cabeça de área deixam evidente o equívoco brasileiro – mais que natural, julgando a formação usada por Mano. E assim, o time da casa poderia ampliar a vantagem, após um penal mais que tolo de Daniel Alves sobre Javier “Chicharito” Hernández. O lateral brasileiro, azulgrana, foi expulso. Justo.

E apenas não tivemos dois a zero contra no placar pois Jefferson realmente está em fase de grande goleiro. E, grande como é, defendeu o penal batido por Guardado.

O segundo tempo começou com o México melhor, tentando ter a segurança do jogo e o rumo também, em suas mãos. Mantendo o 4-4-1-1, os anfitriões tentaram ser incisivos. O Brasil voltou num 4-2-1-2 – Hulk e Neymar no comando do ataque.

Desenhado o contexto do jogo, os brasileiros não mereciam vencer. Em hipótese alguma. Mas, R10, em seus momentos de genialidade – que ainda possui – mostrou o motivo de ser quem é. Fez um gol espetacular de falta e empatou. No minuto seguinte, aos 36, Marcelo, desempenhando a função sobre Barrera de forma mais contundente, conseguiu virar o jogo e salvar a cabeça de Mano de uma vez por todas.

A vitória, de uma forma, deixa alguns pontos importantes sobre a seleção nacional e a sua situação:

1 – Pode-se argumentar que Mano demorou a variar ou a arriscar, porém, finalmente conseguiu tornar o time diferente. O 4-2-2-2 funcionou nos seus limites e mostrou que o técnico “acertou” em algo. Apesar dos erros táticos evidentes.

2 – Porém, a seleção não poderá repetir este esquema novamente. A fragilidade que ele dá à cabeça de área é muito grande e torna o time facilmente batível. É fato.

3 – Fernandinho, para Mano, disputa a função de segundo volante com Hernanes. O pensamento é questionável, sabendo que os dois não são volantes nos times que atuam, e sim meias centrais.

4 – Mano Menezes pode repetir a composição com 4 e 4, seja um 4-3-1-2 ou 4-4-2 das antigas.

5 – Deve-se usar mais Hernanes para haver um reforço técnico à frente no meio-campo. A carência brasileira na ligação também se deve a esse motivo.

A vitória, além de tudo isso, é para ressurgir. Apesar dos erros, uma boa vitória.

Por: Felipe Saturnino

10/08/2011

Uma vitória emblemática para o time de Löw

Todos sabem como os germânicos tem um time forte e, além do mais, um bom técnico. Aliás, um ótimo técnico.

Joachim Löw assumiu ao fim da Copa de 2006, que não, não foi um fracasso.
O time de Klinsmann foi terceiro lugar, vencendo Portugal por 3 a 1 na oportunidade.

Hoje, Löw tem um time ‘mais time’ que aquela esquadra de Jurgen Klinsmann. A qualidade técnica do futebol alemão é de um time top, talvez perdendo somente para a Espanha, chegando a desbancar os holandeses vice-campeões mundiais. E se comparando ao time de Klinsmann, a Alemanha de hoje também é um time com mais futebol.

A vitória dos alemães é tão importante quanto a derrota dos brasileiros. Sim, pois significam coisas distintas aos trabalhos – enquanto Löw forma um time mais forte e mais encorpado, Mano tem um time com indefinições e nomes questionáveis no elenco. E, também, pelo que significam. Os amistosos contra figurões são importantes. A questão abrange outras vertentes de pensamento.
Até pelo fato de, quando Mano jogar contra uma equipe de nível da Alemanha, se perder, a derrota terá um impacto notável. Estes jogos estão em um nível alto, e por isso são importantes para testes. A questão é até onde testes deste nível influenciam o trabalho de Mano na seleção. Perdê-los pode representar uma queda do técnico na seleção atual.

O confronto dos dois times no 4-2-3-1 mostrou como o meio-de-campo alemão é funcional. Schweinsteiger, Kross, Götze, Müller e Schurrle, que jogou no segundo tempo, monopolizaram as ações do jogo no tempo inteiro. O Brasil teve um Ramires regular, mas sem brilho algum, um Ralf protetor mas que não conteve os avanços do trio da segunda linha de meio-de-campo alemã, um Neymar debilitado e fraco, um Robinho esforçado mas ainda sim médio e um Pato fazendo um jogo acima das atuações de Copa América.

Ralf fez cerco a Mario Götze em praticamente todo tempo do jogo, e não se saiu bem. Fernandinho fez um primeiro tempo razoável, mas não conseguiu ser efetivo em jogadas ofensivas. Müller, pela direita da Alemanha, no 4-2-3-1 proposto por Löw, mantia um apático André Santos no seu cerco. E olhe, André Santos conseguiu movimentar-se para dar apoio em uma jogada do Brasil, somente. No lado oposto, Podolski fazia suas jogadas com suporte de Lahm, o ótimo lateral alemão.

Não deu outra. Depois de 15 minutos consideravelmente regulares na etapa complementar, a equipe brasileira não conseguiu se afirmar diante os alemães. Em um pênalti de Lúcio bem marcado, Bastian Schweinsteiger se confirmou como um dos melhores em campo. Ele conseguia organizar a Alemanha, surgindo da posição de volante. Mas o melhor em campo foi o autor do segundo gol. Como já citado aqui no blog, Götze parece ser um pequeno craque. O alemão fez uma partida de gala, mesmo jogando em uma posição que não é o seu lugar original. Após uma jogada de Kross-Klose e Götze, os alemães marcaram o segundo. O Brasil fez de penal com Robinho, porém, André Santos resolveu mostrar suas mais do que evidentes deficiências. Schweinsteiger recuperou a bola e entregou para Schurrle, o bom atacante do Leverkusen, marcar o tento.

Neymar fez o seu, que não foi nada mais do que relevante.

As atuações são relevantes sim. O Brasil por uma atuação razoável, mas pouco efetiva. A Alemanha pelo emblema que a conquista diante os brasileiros carrega. O time de Löw se consolida mais e mais.

Aos brasileiros resta rever nomes da convocação e, finalmente, formar um time que seja competitivo e que possa vencer um dos figurões mundiais.

Pois avaliar uma demissão ou, no mínimo, pensar numa, chega a ser algo um tanto fútil. O trabalho ser medido diante um confronto com a Alemanha não é justo. O trabalho deve ser mensurado com as etapas gerais, desde a convocação até o jogo.

Mano não tem uma equipe para a seleção, mas tem padrão. Um passo dado. Um passo pequeno, que se diga. Somente não consigo ver um time competitivo em 13 jogos de trabalho na era Mano Menezes. Esta é a maior crítica feita a Mano aqui.

Alemães tiveram um meio-de-campo muito funcional; ao Brasil faltou ligação de jogo


Para Löw, uma vitória emblemática para um futebol envolvente dos germânicos. Conquista justa e merecida aos tricampeões mundiais.

Por: Felipe Saturnino

09/08/2011

Mano vai insistir

Não tem problema algum em manter uma proposta que, anteriormente, já falhou. Pode funcionar em um momento mais passado do trabalho, em que a seleção tenha mais conjunto. Mesmo assim, o padrão de Mano é aceitável.

Até pelo fato de os convocados terem a cara do esquema 4-2-3-1 de Mano. Ainda discordo – e muito – das não-convocações de Marcelo e Hernanes, mas Ralf faz uma ótima temporada no Corinthians como primeiro volante, no também 4-2-3-1 de Tite. Luiz Gustavo pode ser lateral, mesmo sendo um ótimo volante hoje do Bayern de Munique. Porém, este não será titular.
Na linha de principal do meio-de-campo, Neymar, Ganso e Robinho participarão do desenvolvimento do jogo. Pato deve ser o atacante, que se movimenta muito e por isso contrasta um pouco o dever do centroavante nato.

A equipe da melhor atuação de Mano jogou no mesmo 4-2-3-1, diante os Estados Unidos, no primeiro jogo da era do gaúcho. E o sistema é versátil o bastante para ser, hoje, o da moda na Europa e, por conseguinte, no mundo.

A preocupação não se dá somente ao time, mas principalmente a Mano. A sequência mais do que forte do Brasil pode acarretar uma série de mudanças no comando da Seleção brasileira.
O que não seria mais do que injusto – sabendo do nível dos adversários que o Brasil enfrentará.

Se Mano insiste em seu padrão, é porque tem ‘fé’ nele. E sabe que pode bater uma das seleções habitantes do 1º escalão mundial – a Alemanha, no caso.

Os alemães podem vir com: Neuer, Lahm, Howedes, Hummels e Aogo; Rolfes, Schweinsteiger, Götze, Müller e Podolski; Mario Gomez.

A equipe manterá o esquema preferido por Löw: o também 4-2-3-1.

Parece que Mano terá um trabalho mais do que duro nesta quarta, em Stuttgart.

Muito pelo fato de, se não ocorrer um resultado convincente, isto é, diferente de uma vitória ou uma outra perspectiva melhor, ele poderá sofrer com a permanência na Seleção. Seguidamente, pode-se acarretar uma demissão mais do que precoce ao atual técnico da equipe.

E se isso ocorrer, o trabalho vai-se iniciar de um ‘nada’ novamente. Assim como Mano Menezes começou o seu, diante os Estados Unidos, há um ano ou algo do tipo.

Mano - insiste no esquema e pode ter trabalho ameaçado por medir força com figurões do futebol atual

Por: Felipe Saturnino

26/07/2011

Nada relevante

Quando Dunga foi para a Copa do Mundo com aquela chamada esquadra sem tanto talento para diferenciá-la das outras, o Brasil sentiu na pele.
A equipe precisava de um diferencial que mudasse um pouco o panorama do jogo em questão.

Hoje, com Mano, a situação é diferente. Temos ótimos jogadores, alguns que podem, futuramente, apontar como melhores do mundo. O que falta, em lógica, é um time.
A equipe tem talento, tem bons jogadores em todos os setores, só resta a Mano montar um time que seja decente e competitivo. Pois, de fato, nenhuma das duas qualidades reunimos.

Quando o técnico da seleção convocou para o amistoso da Alemanha, sua teimosia permaneceu. Quando vi a convocação, ela se constatou.
Mano Menezes não convocara Hernanes, nem ao menos Marcelo. Permaneceu em André Santos e chamou Luiz Gustavo, volante do Bayern que pode jogar na lateral.

Pela lógica, devemos continuar com André Santos na lateral-esquerda – sabendo que o jogador do Bayern é uma opção aleatória, dando maior segurança a André, o titular da posição.

Quanto a Hernanes, não é compreensível. A equipe de Mano precisa de maior qualificação na saída de bola, e também necessita de maior suporte de um volante – que hoje joga mais adiantado na Lazio – para a criação, originalmente feita por PH Ganso. Sobre Marcelo, a mesma coisa. Se o jogador tem mesmo alguns defeitos em relação a seleção, o convoque e resolva a situação. Somente não comprometa a qualidade da equipe em uma posição que temos tão poucos jogadores de alto nível jogando – arrisco-me a dizer, só temos Marcelo.

No ataque, Robinho, Pato e Neymar foram mantidos. Fred e Jonas completam os atacantes. Esquece-se de Nilmar e Damião – este último acho, particularmente, estar em forma muito melhor que Fred. Pode ser bem verdade que nosso problema seja no ataque, porém, não creio que um desses últimos dois que citei resolva. Talvez uma mudança tática – atuar com dois atacantes, descartando o 4-2-3-1 – possa resultar em algo melhor.

Ralf é citável, uma boa nova. Pode ser utilizado a longo prazo, mesmo que não seja titular na minha seleção. Seu ótimo desempenho como primeiro volante no Corinthians o premia com uma vaga merecida.
Dedé, o bom zagueiro do Vasco também merece. Mesmo assim, não é titular na minha seleção.

Fernandinho é um meia mais periférico, o que para mim, descarta-o de ser utilizado como titular a princípio no confronto diante a Alemanha.

Sendo mantida a ideia que parece ser traçada, Mano permanecerá no 4-2-3-1 inicial de seu trabalho. Ele pode insistir no plano, mas, penso eu, não tem uma peça no banco que poderá mudar o esquema que se rende a criação de Ganso e a movimentação de Neymar, Robinho e Pato. Nem ao menos Hernanes foi chamado.

Por isso, a convocação não me agradou muito. Nada de tão relevante, somente coisas citáveis. Ralf e Dedé, por exemplo.

Nada que faça mudar a ideia de Mano, que continuará no 4-2-3-1.

Mas que acho que Mano não relevou sua convocação, é verdade.
E que a convocação não me agradou e não é relevante, também, verdade.

Mano - convocação irrelevante

Por: Felipe Saturnino

23/07/2011

Copa América XIX – Os 11 e os palpites

Depois de 22 dias de jogos, – decepcionantes, há de ser dito – estamos chegando ao fim da Copa América. Hoje Peru e Venezuela duelam pelo 3º lugar e amanhã teremos uruguaios e paraguaios fazendo a final.

O nível da competição é relevante, de ser dito, obviamente. Não sei se leva o motivo de considerar o final da temporada europeia e os jogadores, possivelmente, estarem esgotados. Ou de fato o futebol está nivelando, ou, também, pode ser que os figurões de sempre, brasileiros e argentinos, tenham suas seleções ainda em reformulação e renovação. Os argentinos tem mais nomes veteranos no elenco, o que os brasileiros tem como quase igual. Porém, há de se falar que carregamos em alguns jovens nossa esperança, o que torna a seleção mais vulnerável a golpes. Não evoluímos, em nada.
Porém, os uruguaios e paraguaios se afirmaram. Seja por isso, estão na final. Ambos os dois derrotaram argentinos e brasileiros, respectivamente.

Os finalistas se afirmaram pois, de fato, trabalham há mais tempo juntos. Os uruguaios chegaram na final com maior merecimento – o que não pode se discutir em relação aos paraguaios. Mas, há de se falar que os paraguaios fizeram uma Copa América um pouco abaixo do esperado. Os empates refletem o nível técnico, de uma equipe pouco produtiva da seleção de Gerardo Martino.

Estamos aqui, então, para selecionar os melhores da Copa América. Para mim, estes são os 11 melhores.

Fernando Muslera – goleiro do Uruguai: sua atuação diante os anfitriões foi a melhor de um jogador na Copa América, quando analisado a fio. Fez defesas brilhantes e decisivas no jogo, e jogou regularmente na Copa América inteira – salve o lance diante o Peru, em que quase resultou numa falha. Nota: 7,5

Maximiliano Pereira – lateral-direito do Uruguai: não é brilhante, nem foi, mas de fato foi seguro nas suas atuações, mesmo sendo “atazanado” um pouco por Agüero nas quartas. Foi protegido por volantes, é claro, mas isso não tira o seu méritos em um bom apoio. A vaga teria ficado com o brasileiro Maicon, porém, teria que se manter em um nível regular. Maxi Pereira conseguiu, mesmo não sendo brilhante e eficiente em nenhum jogo do Uruguai. Nota: 6,5

Paulo da Silva – zagueiro do Paraguai: foi bem na competição, sendo o melhor defensor de uma zaga paraguaia um pouco insegura em alguns momentos. Fez par com Alcaraz, e também com Verón, nas vezes que este não foi lateral. Da Silva cometeu apenas uma falta na Copa América – acredite – e realizou 29 desarmes em 5 partidas disputadas. Não é o mais técnico da Copa, mas foi o que teve atuações mais regulares e interessantes. Por estes motivos já citados, ele ganha a vaga na seleção. Nota: 7

Oswaldo Vizcarrondo – zagueiro da Venezuela: foi bem em seus jogos, dando estabilidade para a defesa. Realizou 15 desarme – mias da metade que seu companheiro de seleção da Copa América – e fez 5 faltas. Compreensível para uma defesa que foi vulnerável para a competição e sairá com boa imagem, certamente. Nota: 6,5

Pablo Armero – lateral-esquerdo da Colômbia: mesmo com o fracasso dos colombianos na competição, a equipe mostrou peças interessantes e notáveis. Como os “portugueses” Falcao e Guarín, e também, destaco aqui, logicamente, o lateral Armero. Fez boa temporada na Udinese, fazendo dois gols em seus jogos. Apoia bem, aparece no ataque, havendo tempo para recompor a defesa colombiana. O colombiano de 24 anos fica com a vaga por se destacar no apoio qualificado e ser protegido por bons zagueiros colombianos. Nota: 7

Arévalo Ríos – volante do Uruguai: o ótimo volante uruguaio fez ótimas atuações na Copa América. Sua melhor, para mim, foi diante a Argentina, quando teve de se cuidar com Messi jogando pelo seu setor. Soube lidar e por isso está na seleção da Copa América. É mais um jogador que manteve-se regular em um Uruguai que começou com deficiências em articular jogadas pela frente, mas sempre obteve êxito em jogadas defensivas, mesmo com Lugano não sendo o de sempre na zaga central. Arévalo tem poder de marcação, e comanda os cabeças de área uruguaios. Nota: 7

Seleção da Copa América no 4-2-3-1: força pela esquerda com Armero e Estigarribia; pela direita, Messi com liberdade para flutuar pelo campo, tendo cobertura de Ríos; Guarín sai sendo segundo-volante para dar suporte a Forlán, o enganche da articulação

Fredy Guarín – volante da Colômbia: outro que destacou-se apesar do fracasso colombiano. Sua temporada em um forte Porto de Villas-Boas o trouxe para a Copa América como um dos melhores segundo-volantes que existem, um jogador com boa presença pela frente, que passa bem a bola e consegue compor o meio-de-campo. Está na seleção por apresentar isso em seus jogos, superando neste quesito o brasileiro Ramires, outro que decepcionou muito na seleção brasileira, que poderia estar aqui também. Guarín merece a vaga aqui. Nota: 6,5

Marcelo Estigarribia – meia do Paraguai: o bom canhoto paraguaio fez ótima competição até aqui, sendo a arma paraguaia nas saídas de jogo. Foi bem no empate contra o Brasil, ainda na primeira fase, participando dos dois gols. Sendo a opção do jogo paraguaio, reagiu bem e foi o melhor na posição, com boa velocidade em suas jogadas. Por isso, ganha a vaga até aqui. Nota: 7

Lionel Messi – meia/atacante da Argentina: o melhor do mundo não fez tudo o que podia, mas jogou muito bem nas últimas duas partidas. Por este motivo, ganha a posição, até pelo fato de nenhum ganhar a sua posição na seleção da Copa América. Messi fez suas melhores atuações atuando do lado direito para dentro, e por isso foi bem contra a Costa Rica e o Uruguai. No final da era Rjikaard no Barça, era o que ele fazia. Justamente, foi o que Batista fez. Deu certo, mas não bastou. Mesmo assim, ele ganha a vaga. Nota: 7

Diego Forlán – meia/atacante do Uruguai: jogou as últimas duas partidas bem, e por isso, ganha a vaga na seleção. Sua atuação contra o Peru foi boa, e isso o faz entrar aqui neste time. Como enganche, ele fez o jogo uruguaio fluir interessantemente, mesmo estando apagado nos primeiros dois jogos. Merece a posição por isso, e pelo que ainda está por vir – me refiro à final. Nota: 7,5

Luis Suárez – atacante do Uruguai: fez boas apresentações na Copa América, como diante o Peru e contra a Argentina, também. Mesmo estando apagado no início, ele também fez o time fluir e marcou gols fundamentais para classificação do Uruguai até a final. Merece a posição por isso e pelo que pode fazer na decisão. Nota: 7,5

Palpites:

Peru 0 x 1 Venezuela

Uruguai 2 x 1 Paraguai

Por: Felipe Saturnino

17/07/2011

Copa América XVII – Brasil 0 x 0 Paraguai – 0 x 2 nos pênaltis: Displicência, incompetência e evolução

O futebol é brilhante. Quem o inventou é brilhante. O único jogo que, vencer ou perder, em suma, não retrata em fidelidade aberta o que foi o jogo.

O Brasil jogou bem, dominou. Mas, pouco importa. Os paraguaios foram robustos como sempre e, venceram e, estão nas semis. Mereceram.

Mano Menezes esteve convicto que manter o esquema 4-2-3-1 seria a chave. Chave que levava o nome de Ganso, Neymar e Robinho. Porém, além deles, citei aqui no post passado que os volantes teriam de aparecer para dar suporte aos santistas e, bem, um ex-santista. Ramires e Lucas apareceram, mais e melhor do que nos últimos jogos. O atual blue – Ramires – foi mais eficiente nas suas subidas; Lucas, como de se esperar, se conteve por algumas subidas pouco impactantes, mas subiu, de fato.
O Paraguai era robusto. 4-4-2, valente, duro como pedra. Marcavam forte, chegavam forte e faziam faltas até a última geração. Estigarribia, o jogador mais talentoso do Paraguai, compunha o lado esquerdo. Pela direita Vera atuava. Riveros e Cáceres eram volantes mais contidos.

Villar foi brilhante, mas brasileiros displicentes

O Brasil criou muito. Massacrou, em chances, claro. Robinho foi ótimo. Neymar, regular, foi displicente. Ganso, foi normal. Os volantes foram melhores que antes. Ramires subiu de produção na segunda etapa, mas mesmo assim os paraguaios conseguiram manter a Seleção em igualdade no marcador. O segundo tempo poderia ser de Neymar – que perdeu duas chances – ou de Ganso, que perdeu uma. Pato perdeu uma em defesa sensacional de Villar. Fred perdeu também, substituindo Neymar.

Mas, simplesmente penou. Por uma causa questionável, que envolve displicência e incompetência, nosso time ainda está na estaca de era pós-Dunga, e não era Mano Menezes. Um time que sai da forma que saiu não deve ser cobrado em demasia, mas, simplesmente, os erros em tamanho exagero exigem que a situação se torne de valor um pouco exorbitante. Mano, de fato, recorrerá a outro esquema, ou pode manter a mesma formação e esperar por resultados.

Os paraguaios, em contraponto, foram robustos e duros até o último nervo existente. Erraram pouco, e Villar – brilhante – , o melhor do jogo, pegou tudo e um pouco mais. É um exemplo para atribuir méritos a Paulo da Silva e Verón, defensores paraguaios que tiveram trabalho até demais hoje. E venceram.

Bem, os pênaltis foram uma ironia sem fim. Depois de perder diversas chances, do falado modo mais fácil, a seleção sucumbiu. Elano, Thiago Silva e André Santos perderam seus penais, no que culminou a eliminação brasileira da Copa América.

Injusta chega a ser. Não menos que seja, desmerecida não foi. Os paraguaios mereceram por ter segurado os brasileiros, até quando ficaram se mAlcaraz, fazendo assim Cáceres, antes volante, recuar para compôr a defesa. Foram fortes, robustos e persistentes.

E antes de tudo, não consigo ver progressões no Brasil. A Copa América serviu mais como um grupo de amistosos, onde, na equipe em si, não se estabeleceram grandes certezas.

A única certeza é que displicência e incompetência não fazem parte de evolução. Espero que não.

Por: Felipe Saturnino