13/08/2012

Pressão

O Brasil decepcionou novamente numa decisão de Jogos Olímpicos no torneio masculino de futebol. A medalha de prata é longe de ser vexame, mas também não agrada os que ainda torcem e vibram por essa, e muito menos o chefe Marin. No caso, o emprego de Mano (ainda) está em perigo.

A pressão que agora está sobre Mano é a mais esperada dos últimos tempos. O fracasso na Olimpíada a traria consigo, simultaneamente. E as apresentações, se resta-nos contemplá-las, não é significativo no geral – mesmo com a média de três gols por partida até a final, a equipe não aparentava segurança em todo o decorrer da competição.

O fruto da segurança é um misto do trabalho contínuo, que existe fora do campo, mas, principalmente, nos momentos de pressão com que os jogadores lidam. A juventude, com sua exuberância maior e a sua grande beldade representadas na jogada de Neymar no último gol diante da Bielorrússia, com a conclusão vinda de Oscar, não soube adquirir a proficiência para se manter num jogo com pressão. E era uma final, no fim de tudo…

Para se reparar: uma partida em que o Brasil esteve abaixo no placar foi diante da Bielorrússia. 1×0, com gol de um brasileiro – Bardini Bressan -, num cabeceio após erro defensivo. Foi o menor apesar do final. Decerto o Brasil teve dificuldades com o Egito, um jogo com pressão, de estreia, que souberam dar conta de vencer, e, claro, com Honduras – o jogo mais delicado da jornada brasileira até a prata.
Mas na decisão de Wembley, no domingo, certamente aquele que é considerado como um dos três melhores zagueiros do mundo – quem sabe até mesmo o melhor -, Thiago Silva, errou bisonhamente e quase deu o tento para o México, após ter se confundido numa saída de bola – uma saída de bola que comprometeu o Brasil no jogo por completo. A experiência não confortou tanto quanto poderia – apesar das atuações regulares de Silva. A pressão, forte pressão, com que os brasileiros, abaixo do placar com o time do calibre mexicano pela primeira vez na competição, tiveram de lidar, existia desde o momento em que Rafael errara no campo brasileiro: gol de Peralta. E o Brasil não se achou em campo.

Neymar e Oscar, fundamentais durante o torneio. Pouco produtivos ao seu final. Quando o santista arrancou pra dentro e chutou uma bola perigosa no final do primeiro tempo – algo como 30 minutos e mais um pouco, quase 40 -, e iniciou o segundo com vontade, as perspectivas podiam mudar. Hulk também não desapontava, e terminou sua participação confirmando uma vaguinha na equipe de Mano, com gol aos 46 da segunda metade de peleja. Oscar foi o de menos na linha de três, tão decisiva na conta final de um 4-2-3-1. Afinal, ele é o cara do centro, que centraliza as opções de variação de ritmo e suporte ao avante central e os “pontas” – pois, de fato, Sandro e Rômulo não são de apoiar o jogo na frente.

O saldo geral é de decepção. A pouca experiência com a pressão, que na final já existia com menos de 30 segundos pela desvantagem no marcador, talvez tenha derivado mais um revés em decisão olímpicas para os brasileirinhos. Porém, a equipe nunca foi de todo confiável, e por isso falta a segurança que um time vencedor precisa ter. É claro que ainda assim poderia ter abocanhado o ouro ineditamente. Todavia, sabemos que, quando o momento do ouro chegar, será com uma equipe mais completa do que esta. Afinal, do que falamos de falta de segurança que é um problema da seleção olímpica, o problema é da seleção principal, também. A resposta que Mano, em situação difícil, pode dar-nos, é criando um time seguro, jovem, mas ao mesmo tempo maduro, pois existe pouco mais de 1 ano para o Mundial em nossas terras e lá, sim, é o inferno em pressão.

Por: Felipe Saturnino

24/07/2012

Saindo

Kaká pode estar deixando a capital espanhola, definitivamente.

As especulações surgiram dos diários Marca e As – ambos espanhóis, mas especialmente madridistas -, que frisaram uma reunião entre Mou e o médio brasileiro, com as presenças ainda de seu pai, Bosco Leite, que é seu empresário, nas edições de seus jornais. O tom da conversa é que não sabemos o quão duro que foi.

De fato, Mourinho espera que com a venda de Kaká ele tenha budget à suficiência para contratar Luka Modric, meia croata do Tottenham Hotspur, de Londres. O croata é mesmo um tremendo médio, técnico, habilidoso, que qualifica o passe para aquele setor do campo.

Kaká, é bem verdade, atua numa posição mais aguda, incisiva; sua disputa verdadeira é com Özil – um meia de centro que tem lampejos brilhantes, de técnica também apurada, um jogo de menos aceleração que o do brasileiro, mas que funciona perfeitamente no Madrid. O confronto de Kaká é mesmo com Mesut. E nisso ele tem desapontado.

Na última temporada, Mou acenou para uma possibilidade de utilizar dois meias – literais meias de centro de campo – na formatação ideal de seu 4-2-3-1. O time perde Di María, um dos melhores wingers – meia-extremo – do planeta dada essa situação. A opção não durou muito, e o argentino voltou para a equipe.

Aparenta a situação ter aspectos bem objetivos sobre as opções de Kaká, que são tão simples quanto sua alcunha, nesse caso: sair para arrumar espaço em outro clube, visando uma recuperação de terreno no futebol para o tão sonhado regresso à seleção dos Manos. A questão é onde ele pode fazer isso: aí seriam outras escolhas, que, bem verdade isto é, não possuem lá o brilho que um Kaká precisa para ser seduzido. Pelo dinheiro isso é bem provável que ocorra, e me refiro, no caso, apenas aos ricaços da MLS – que ainda assim não passariam perto do maior glamour que o PSG hoje ostenta para atrair os olhares de alguém como Kaká.

O ex-São Paulo já foi melhor do mundo em 2007, o último tupiniquim a conquistar tal feito num mundo que é hoje tão unipolar, a despeito de Messi, e, em ocasiões, bipolar, se Cristiano Ronaldo for posto em prova. Kaká, no seu melhor, talvez somente ele, e bem provavelmente ele, conseguiria bancar os dois, o argentino e o luso companheiro de time, quiçá até desbancá-los. A situação de hoje que o 8 madridista vive é algo absolutamente distinto e destinto – o futuro de Kaká parece sem brilho, sem aquela cor que uma vez já teve; e certamente não terá a mesma cor daquele seu apogeu, quando campeão da Champions League pelo Milan, em 2007.
O que dessa vez atinge Kaká, talvez nunca antes visto com o mesmo, é o realismo que abrange as decisões de seu comandante. Mourinho tomou uma decisão e foi simples, sucinto. Deu-a nas mãos de Kaká. E isso deve ter sido um baque, por ter sentido de perto e ao vivo a possível (provável) descrença de Mou na capacidade do último 10 do Brasil num Mundial.

É essa convicção de desconfiar constantemente de Kaká, progressivamente mais, que o faz cometer esse ‘absurdo’ – se fôssemos ver essa decisão de um ponto de anos atrás, seria um absoluto absurdo – de mandá-lo para longe de Bernabeu. Não o é pois Kaká não conseguiu jogar no Real, fazendo a posição de Mou justificar-se. E isso se deve a uma série de variáveis, algumas mais destacáveis, como a sequência de lesões, por exemplo. E, obviamente, por não ter concretizado uma série consistente de performances como titular dos maiores campeões da Champions.

Nessa posição e o contexto do que é no Real Madrid, Kaká pode pegar a mala com os pertences e mandar um ‘tchau’, que decerto seria um ‘adios’. Com ‘gracias’, pois o rapaz é educado.

Kaká – tchau e bênção

Por: Felipe Saturnino

19/07/2012

Ai, Juvenal!

O São Paulo amarga o inferno astral que vive, e que nada parece ter de passageiro ou esporádico, não essencialmente por causa de JJ no comando da equipe, mas, sim, por causa das escolhas que Juvenal preferiu dar ao seu mandato no clube.

Juvenal ‘endeusou’ o Sampa, tornou-o único, ímpar, diferente. Soberano. Fabuloso – na verdade, o nickname Fabuloso é de LF, mas, de fato, as conquistas vívidas de Juvêncio no triênio 06/07/08 são isso e mais um pouco. São formidáveis. E JJ não errou nesse tempo ao manter Muricy – porém, sabíamos que Muriçoca nunca fora tão íntimo do presidente tricolor nesse período que os do Morumbi acumularam um dos feitos mais incríveis que já se viu em toda a história do futebol brasileiro, quiçá o mais. Ele apostou no atual técnico santista, e assumiu um risco. Confiara nele, com absoluta razão. Confiara pois, anteriormente, Muricy cumprira as expectativas. Superou-as ao final, afinal, por mais que não tenha vencido a Libertadores – quase o fazia, caso não existisse o Inter em 2006-, logrou êxito no tricampeonato – e quanto. E acabou demitido em 2009 após mais uma eliminação para um brasileño na Liberta – o Cruzeiro venceu a ida por 2 a 1 no Mineirão, e aqui também obteve vitória como marcador final, por 2 a 0.

De lá pra cá, muitas coisas mudaram.

Certamente, o São Paulo nunca mais conseguiu ser o mesmo. Seja pelas escolhas que JJ fez, no período Muricy e pós-Muricy, seja pela capacidade superestimada de times que o São Paulo formou e que não vingaram, seja por evidenciarem-se as superioridades doutros paulistas, como Corinthians e Palmeiras – talvez o Santos também, pelo bicampeonato do Paulistão, apesar desse não ser lá tão bem valorizado por aqui, e pela recentemente conquista Copa Libertadores -, que no tempo em que tudo era dourado lá para os grandes – ou ex-grandes – tricolores paulistanos, não obtinham tanto sucesso assim nas competições.

Em 2009, quando Gomes assumiu, ele o fez com um futuro promissor, otimista. O time era bom, mesmo tendo padecido ao Goiás na penúltima rodada do Brasileirão, e teve no seu desfecho de Brasileirão um terceiro lugar – válido para o momento – e foi à Libertadores. A equipe que (ainda) continha nomes como Hernanes, Jean, Washington, Jorge Wágner – todos esses, aliás, ex-jogadores do Tricolor, com um dele, o terceiro, já aposentado -, e claro, Rogério Ceni, naquele momento, fortaleceu-se para 2010. Todavia, o panorama, apesar de modificado após uma vitória muito bem construída no agregado com a equipe eliminando o Cruzeiro nas quartas da Libertadores por dois 2 a 0, voltou ao comum após uma derrota para o Inter nas semifinais. O São Paulo certamente não voltaria para a Libertadores naquele ano. E essa sentença não tardou.

Assim como no ano seguinte, que também eles (tricolores) não voltariam à maior competição sulamericana da… bem, da América do Sul, o São Paulo passaria por uma série de mudanças, num período de transição que Juvenal não soube manusear.

Parte-se de 2010, com a sucessão no comando de Gomes: Sergio Baresi (Juvenal esnobou todos numa entrevista em que pusera a fogo o tamanho do salário que pagava a Sergio).
Na ocasião, o time não engrenou. Carpegiani foi o escolhido.

Outro erro. JJ deixou a transição delicadíssima nas mãos de Baresi, que saiu da equipe após quatro meses de trabalho – parece pouco, mas foi um terço de trabalho do ano exercido pelo antes treinador dos juniores. Lucas, entretanto, foi lançado as ares do Pompeu de Toledo – hoje, sua fama espalha-se e atrai até os olhares de Sir Ferguson, num tema paralelo, mas extremamente recorrente aos dos problemas que são-paulinos vivenciam.

E Carpegiani, bem, foi contratado em outubro, com algum tempo para o fim da temporada, com alguma ideia para o ano seguinte. E nada para 2011, no final das contas – o Avaí derrotou o São Paulo, o que ao final da temporada contribuíra para a insanidade de alguns, pois os catarinenses foram rebaixados. A cartada triunfal e impiedosa de Mr. Juvenal foi escolher Leão para se apoiar. Sem tampão, pois decerto houvera a repercussão anterior sobre uma possível – talvez até provável – contratação de técnico temporária.

A penúltima cartada, porém, fora Adilson. E essa era uma boa – para a situação, Batista parecia ter talento, já que havia obtido algumas experiências significativas no comando do Cruzeiro, com o vice da Liberta em 2009. Ele sucumbiu aos 3 a 0 diante do Atlético Goianiense.

O que falta ao São Paulo também é um presidente que assuma com total segurança riscos que antes assumia. Com Muricy, somente com ele, é bem verdade. A administração JJ, apesar de seus títulos, e da alcunha ‘Soberano’, e também do própria elevação de nível do tricolor, devidamente atribuída por JJ, precisa de seriedade.

O time, é bem verdade, precisa de raça.

E isso é tarefa de Ney Franco, o novo escolhido de Juvenal. Franco – e não Fraco – já cambiou o panorama, taticamente, optando por um 4-3-1-2, que claramente sofre pela falta de Lucas. A opção da meia principal, que concedida ao ex-Shaktar Jadson foi, aparenta desapontar a todos também pela falta de atuações ríspidas e contundentes.

Quanto a Juvenal, bem, tem que parar de ferir os sentimentos engrandecidos dos são-paulinos. Isso só piora a situação.

Sem esquecer de falar que, no último ano, Juvêncio feriu mesmo o estatuto tricolor e modificou o mesmo. Para reeleger-se.
Talvez ali o mandato recomeçasse para Juvenal. O tempo de conquistas são-paulinas, no entanto, está longe de fazer o mesmo.

Por: Felipe Saturnino

13/07/2012

Gansou.

Paulo Henrique Ganso há tempos não faz o que pode fazer. Ou até mesmo o que pensamos que ele minimamente pode fazer. Dono de um estilo clássico, o armador do time de Pelé já não ostenta aquele brilho que uma vez tivera com a camisa do praiano. PH vive uma fase de recesso de futebol – por mais que ainda o pratique, é como se não o fizesse.

O ‘craque’ fez uma apresentação satisfatória na final diante do Guarani, no jogo de ida da final do Paulistão que permaneceu com 3 a 0 favorecendo o Peixe ao final; pareceu ter sido tudo e só.

Ganso teve seu devido ápice com o Santos nas finais do campeonato paulista de 2010, naquele jogo contra o Santo André que acabou com 3 a 2 no marcador; PH ditou o ritmo, variando a velocidade do jogo com maestria. Deu passe de letra para gol de Neymar, cobrou escanteio pra ninguém, chapelou – bem, abriu a caixa de ferramentas e deu uma amostra grátis, que só custou ao Ramalhão, de quão completo ele era.

A confiança de Ganso caiu, mudou, foi modificada. Ele, que viajava num transe que só o Santos lhe permitiu, com campanhas ótimas em estadual e Copa do Brasil, simplesmente nunca mais conseguiu ser aquele Ganso novamente. O Ganso que o Santos queria, e que o Brasil precisava. Parece que acharam Oscar, afinal.
As tentativas de um Santos que tinha interesse em seu futebol, muito valorizado na época, de renovação mesmo após a contusão no Brasileirão, num jogo no Olímpico fazendo frente ao Grêmio – o mesmo Grêmio que ele enfiara um petardo na volta das semifinais da Copa do Brasil – aconteceram. Somente não vingaram.

Quiçá as constantes comparações com Neymar não merecessem tanta valorização assim de Paulo Henrique. Ou talvez ele nem mesmo as considerasse, talvez não as ouvisse e, então, não as conhecesse. Mas fato é que Ganso entrou num problema do qual ainda não escapou – ele não renovou com o Santos na época, e hoje a história repete-se.

As conversas que consideraram sua indecisão para com a continuação de seu futuro aqui, no futebol brasileiro, mais precisamente no Santos, aparentemente, não tiveram avanços. Delcyr Sonda anunciara no começo da semana que faria de tudo para que PH não ficasse no alvinegro litorâneo, e sim que rumasse ao Internacional do Rio Grande do Sul, pois Delcyr é colorado.

Ganso parece estar satisfeito com a condição de ‘marginalizado’. Tornou-se ‘reivindicador’ de ‘direitos’ nas seguintes oportunidades de renovação que o Santos lhe concedeu, entretanto, simplesmente deu de ombros, para todos os santistas. Não estava feliz, e deixou isso claro com a mais recente proposta que santistas lhe ofereceram – Ganso fez tudo mais claro quando disse que esperava mais na proposta. Não há erro em querer mais no contrato, mas sim constantemente negar-se da posição de atleta santista, e recorrer a mais e mais do com que se pode lidar. Luis Álvaro, presidente santista – ‘a.k.a.‘ LAOR -, estagnou-se de forma sensata. Sabe que tem um limite para proposições a seu 10, e não o ultrapassará. E Ganso sabe que essas reivindicações apenas prejudicam-lhe do ponto de vista pessoal. A imagem de Paulo Henrique, factualmente, está muito abalada.

A saída dessa ‘gansada’ de PH não parece ser mais óbvia: o Santos não é, não pode ser, de modo algum, em qualquer desfecho, pelo menos. Ganso tem que sair, pois pode não ter mais ‘ambiente’. Ou melhor, pode ficar, mas só se recorrer a um recomeço, com tal ímpeto que apenas sua casa – que, no final das contas, é mesmo o Santos – poderá admitir tamanhos imbróglios já passados.

Mas não parece que é o que ocorrerá.
A saída de fato deve ser o fora do Santos.

Na reunião – mais uma para PH – que acumulava como assunto único e principal o futuro da carreira de Ganso, reunião realizada ontem, asseguraram-se as posições fatais dos envolvidos no caso. Luis Álvaro confirmou afirmação de Ganso, que, segundo o presidente, não quer mais atuar pelo Santos. Delcyr Sonda não conseguiu ‘comprar todo o Ganso’ – mas, não seja por isso, Ganso pode ir ao Colorado ainda. E o Santos parece admitir deixar o Ganso voar. Afinal, nos praianos ele pode se afogar.

Enfim, Ganso ‘gansou’. Apenas ele – se ele sabe quais -, deve notar seus erros nessa curta empreitada que carrega com convicção sobre as suas próprias reivindicações. Somente ele conseguirá rotular os princípios que se utilizou para tamanhos conflitos gerados com o time que o criou. De forma conclusiva, ele, apenas ele pode conhecer os próprios enganos que aparentemente ele próprio cometeu. Tomara que ele os encontre, mas não que se arrepende. Afinal, se ele se arrepender, é porque sua carreira não deu certo. Não que ele mereça, porém, no que é um péssimo carisma, Ganso é um grande talento.

Ganso – não é o verdadeiro, mas serve para a foto

Por: Felipe Saturnino

10/07/2012

As crises, francesa e holandesa – que não são econômicas

Blanc se demitiu após decepcionante campanha na Euro

Os ‘bleus’ voltaram ao que tinham escapado recentemente. A crise. Não uma crise qualquer, mas a crise. Uma crise que já ocorrera pela terra do ‘champagne’, e que todos os franceses tentaram fugir. Parece que não conseguiram.

Culpa de Blanc!
Culpa de Blanc.
Culpa de Blanc?

Laurent deu padrão aos franceses que em 2010 fizeram uma campanha pífia no Mundial da África do Sul. Deu padrão, aliás, deu-lhes o modelo padrão – não, não quero fazer referência ao aparente sucesso da teoria do Modelo Padrão e nem aos físicos que possivelmente encontraram o ‘bóson de Higgs’ -, pois utilizou um 4-2-3-1 sólido. Um 4-2-3-1 que era sólido. Pois, ao que terminou seu mandato, apenas era – o passado nos é compreensível, mas nem de todo elogiável, como se poderá perceber no parágrafo que segue.
Na Euro deste ano, um descaso tremendo na primeira fase dificultou horrores a vida dos francos marcando um confronto de mata-mata diante dos espanhóis – logo eles – de Del Bosque nas quartas. Não deu outra. A vitória espanhola com doblete de Xabi Alonso simplesmente atestou o fracasso francês na 1ª fase.

A França era notoriamente uma das mais fortes ao chegar no campeonato europeu de seleções. O time que fortaleceu-se com o posicionamento de Benzema como avante, o mesmo Karim que teve uma ótima temporada no Madrid de Mou, e com Malouda e Ribéry como extremos – wingers -, Samir Nasri encarregava-se de mediar a linha segunda do meio-de-campo. O esquema era sacado, por se tratar de uma receita que as melhores seleções se utilizarem. Um 4-2-3-1, simplesmente mais do que recomendado.
Mas os de Blanc foram incompetentes. Fundamentalmente contra os suecos, naquela ocasião que foi datada por um golaço de Ibrahimovic.

Encrencados também estão os holandeses – sim, os mesmos vice-campeões mundiais em 2010. Pois nem parecem. Os ‘baixos’, neerlandeses são os que vão a uma crise em decorrência de motivos muito distintos dos dos franceses. Ali, a crise antes não existira. Existe, agora, o desgaste de Bert van Marwjik, que é natural, justo e necessário, constatando a fidelidade da regra, mesmo que seja eficaz o time de que se fala.
Bert sai por atrito, por péssimo dinamismo de seu esquadrão na Euro, e consolida uma transição, apesar de que não aparente: o pragmatismo holandês agora pode ser antipatia.
Outro colaborador notável do 4-2-3-1, Marwijk se utilizava de uma recomendação tática que explorava não apenas o ‘modismo’ do esquema, mas, principalmente, a adequação de seus jogadores ao mesmo. Robben e Kuyt encaixavam-se como wingers – um tanto quanto bem diferentes sobre os trabalhos desses dentro do campo, é bem verdade – de forma eficaz; Sneijder, o ótimo 10, que em 2010 foi um dos melhores – quem dirá o melhor – da campanha da Inter de Mou na Champions League, fluía o jogo como um centromédio de técnica magnífica. Van Persie completava a linha média e o ataque – pois, afinal, Robin era o único atacante verdadeiro daquele esquema. Pragmático, mas na Copa eliminou o Brasil, que tinha vantagem de um tento no jogo da Cidade do Cabo.

Marwjik não tinha o que fazer – aliás, tinha, pois sempre alguém tem, mas o pragmatismo, ora ou outra, sucumbe às necessidades supremas, senão a necessidade da vitória, no que os holandeses falharam em 2010 e há pouco, na Eurocopa da Polônia e da Ucrânia. O desgaste os fez falhar. Ninguém de tão unidimensional sobrevive a isso – a não ser alguém que encante, como a Espanha, ou alguém que se proponha a vencer continuamente.

Louis van Gaal e Didier Deschamps são, respectivamente, os novos técnicos das duas últimas vice-campeãs mundiais, Holanda (2010) e França (2006).

Deschamps procura enfim tomar as rédeas de um grupo de selecionados indisciplinados e displicentes, na medida do que vai se tornar possível no que avance o seu trabalho.
Louis van Gaal, que certamente não procura trazer de volta o charmoso futebol para a Holanda, como ocorreu há algum mais do que apenas pouco tempo para os dos Países Baixos, recorrerá a uma transição conservadora de estilo: o pragmatismo, que esperamos ser ainda um não-antipático pragmatismo. Tal como foi com Marwjik – apesar de que os times de van Gaal nunca terem sido exatamente uma certeza de antipatia, mas sim de disciplina.

Blanc, como levantado foi acima, não foi culpado na França; pelo menos não é o meu. Apesar de ainda não ter conseguido trazer ordem aos franceses, realizou o básico, e carregou o trabalho até quando a corda duma aparente união do grupo de jogadores rompeu-se. Aí, simplesmente pressionou o ‘botão do dane-se’ e partiu para a demissão. Mais polêmicas, porém, para Deschamps resolver.

Por: Felipe Saturnino

03/07/2012

Manias de tendência

O sucesso espanhol faz-nos recordar os tempos brilhantes da seleção do canário, a nossa, que há algum tempo já não nos encanta.

Ora, o tempo é de renovação. É muito sofrida a transição, mas sempre é assim. Por mais que sejamos ‘os melhores’ – hoje em dia certamente não o somos, mas no ‘overall’ -, somos mortais. É bem verdade que já tivemos seleções que não aparentam, e de fato não são mortais – as memórias das seleções de 70 e 82, por exemplo, que não se rompem na consciência afetiva do torcedor, parecem se perpetuar nas lembranças da memória. É esse nível que os espanhóis de Del Bosque, mas que em 2008 eram de Aragonés, hoje, atingem.

A imortalidade é uma virtude. A arte de abstrair uma figura, ou, no caso mais adequado aqui, um conjunto de figuras – que juntas designam uma significativa força a um país que vive uma crise pra lá de séria – e torná-las constantes na história do esporte é algo que acontece poucas vezes e, por consequência, para poucos ‘humanos’ – mas imortais. Os espanhóis abrangeram um consenso, que em notoriedade aprova a posição da Espanha, a Fúria, como uma das maiores seleções da história do jogo.

E são eles os culpados do sentimento nostálgico que alguns de nós possui daquelas seleções brasileiras ‘memoráveis’. Ou melhor, num contexto mais adequado, a palavra fiel ao momentum seria ‘imortais’.

A tendência de aproximar os melhores aos melhores é natural. Quem dirá que, na Copa da Espanha, em 82, existira alguém mais perfeito do que o time brasileiro? É óbvio que utiliza-se, aqui, a noção plástica, clássica e romântica do futebol absoluto e absurdo praticado pelos canarinhos que padeceram a Paolo e outros tantos italianos – que, nem por falta de plasticidade, eram ruins.
A perfeição furiosa de ‘España’ é notável. Apesar de ter praticado o futebol mais vistoso somente na última partida do campeonato. Ainda assim, a qualidade chama a atenção e, sim, encanta. Encanta por ser monótono. Mas unidimensionalmente interessante e, quase sempre, fantástico.

A nostalgia aproxima. Mas, de fato, o futebol espanhol, mais especificamente a seleção espanhola e o Barcelona, aproximam-se e distanciam-se dos outros. Praticam um futebol baseado claramente no tiki-taka, pressing, conservação da bola, aproximação e disciplina para cobrimento de espaços no campo, infiltrações e etc. Mesmo que o esquema espanhol seja a moda mais do que recomendada do 4-2-3-1.

A influência de Michels e Cruyff é notável na vida do Barcelona. O técnico que foi da KNVB com aquele esquadrão também imortal dirigiu o time blaugrana e levou esses segmentos para lá. Johan, algum tempo depois, herdou um legado que deveria continuar.

O caso do Barcelona é excepcional. O time constroi seu futebol através de uma filosofia que progride continuamente e, como vimos na temporada passada, tardou a modificar-se durantes diversos jogos. Mas, decerto, são mudanças circunstanciais. A transição do 4-3-3 pro 3-4-3 é uma que pode – e deve – continuar, porém.

A mania de assimilar o futebol brasileiro com o espanhol é um caso de nostalgia. Simples assim. E é claro que é justo. Mas vale lembrar que a derivação do futebol espanhol, hoje, surgiu através de uma série de ligações com influências neerlandesas, fundamentalmente, que fizeram fluir o trabalho barcelonista que domina na seleção espanhola – apesar do sistema de Del Bosque ser um 4-2-3-1, que em horas torna-se um 4-3-3, as características técnicas são por total azulgranas.

O Brasil parece-se com a Espanha – na verdade, o inverso transforma-se no melhor para a sentença -, mas é um jeito derivado de outros estilos ímpares de se jogar futebol. Essa mania de preservar a posse, a bola, de pressionar, mas sem pressa, torna a admiração ainda mais compreensível. No entanto, num tempo em que a admiração vai virar constância com a imortalidade de Xavi, Iniesta, Xabi Alonso, Casillas e outros mais na nossa consciência, é dever saudar os holandeses que inspiram, principalmente mas não unicamente, esse futebol – os canários também devem ser muito admirados entre os ‘furiosos’.

Resta, apenas, absorver as imagens da seleção espanhola e torná-las eternas na consciência. Sem manias, nem tendências.

Espanhóis festejam o tri da Euro e já tem lugar de imortalidade

Por: Felipe Saturnino

30/06/2012

Às linhas dos finalistas

A Itália não mudou, mas pode mudar a história.

Quer dizer, mudou porque é diferente – mas ainda é a Itália.

Mudou por causa de Prandelli.

E está alegre por ter corrido por fora, na tangente, e ter batido os dirigidos por Löw.

A Itália muda, mas não muda. Parece que os genes que codificam a chave da vitória são passados de geração em geração.

A busca pelo bi da Euro está viva. Assim como a busca pelo euro, por lá, também está.

Na tentativa de fazer história, surgem os entusiasmados corintianos. E não é pra menos, e muito menos deve ser pra menos.

Romarinho bastou.

Isto é, foi só e tudo – suficiência não é algo atraente?

Mas é TUDO de que os corintianos precisam – ou alguém pensa que os boquenses morrem antes do último dia, e se quando morrem só basta um golpe?

A tentativa de fazer história existe, por ambas as partes. O Boca procura o 7º e empatar com o Independiente, e o outro time você sabe o quê.

Aliás, os protagonistas, italiano e corintiano, contrastam.

O mala é Balotelli. O instrospectivo é Romarinho.

Aliás, há paralelismos.

Espanha e Boca, os papões.

E Tite e Prandelli? Não se parecem?

Tanto no pragmatismo quanto na eficiência.

Aliás, como são diferentes e semelhantes esses finalistas.

Ou semelhança é relativa? Diferença também é.

Se um tenta fazer uma história que podemos saber o final, o outro pode fazer a história nova por renová-la – talvez até mesmo inová-la.

A única pergunta pode, e deve ser: por que sempre ele?

Ou, aos corintianos: por que sempre assim, tão sofrido?

Por: Felipe Saturnino

27/06/2012

A hora de Cristiano

Em muitas ocasiões, forças diversas e bem possivelmente – ou quase inteiramente – imperceptíveis realizam esforços para conspirar um resultado que favoreça o que nos é universal, isto é, o que nos é comum.

O resultado, partindo duma premissa que é fundamental, deveria ser óbvio. Os esforços para realizá-lo não são.

O universal, o que é trivial, comum e normal é considerar a obviedade como natureza – o necessário, que existe diante de qualquer situação -, o que não é menos nada que o ÓBVIO.

Quando Cristiano Ronaldo joga pela seleção portuguesa, não esperamos o seu óbvio.

Quando o mesmo joga pelo Madrid, sim, esperamos o seu óbvio.

Porém, pela primeira vez em algum tempo – e quanto tempo – Cristiano fugiu do que não é óbvio na seleção portuguesa, do que não o faz ser essa obviedade na seleção. Méritos dele. Decerto, esperávamos que isso acontecesse alguma vez, nem que até mesmo ocorresse por uma única; se fosse, que fosse em momentos decisivos.

Nos últimos anos, acompanhamos a magistral canhota de Messi desfilar a elegância, classe e plasticidade das jogadas dotadas de habilidade e competência tremendas nos campos, especialmente – e não somente – com o Barcelona. O óbvio, por outro lado, era a percepção que, por mais que não fosse óbvia a capacidade do mesmo desempenhar o mesmo nível que desempenha no Barça na seleção argentina, um tempo ou outro, isso iria ocorrer. Nem que fosse brevemente, num lampejo isolado; num momento sucinto.

A hora de Cristiano Ronaldo para exercer sua função não óbvia mas que é esperada há muito em Portugal parece ter desembarcado do abstracionismo e entrado na via de concretização. Contemporâneo de Messi e, no caso, análogo ao argentino, Cristiano não é tão bom aos lusos quanto é aos de Madri, porém, é diferente – assim como Messi – dos outros; é esta força que nos impede de pensar num fracasso total e definitivo de sua carreira como jogador da seleção lusitana.

Pela primeira vez, Cristiano Ronaldo vem atuando de forma mais contundente em Portugal: três tentos nos últimos dois jogos, em que dois foram marcados na última rodada da fase classificatória aos mata-matas da Eurocopa – naquela movimentada partida diante da Holanda. Ronaldo pode ter achado o ‘click’ que combina seu jogo com o da seleção, que, afinal, baseia-se inteiramente nele.

Contra a Espanha, certamente, é o absoluto máximo desempenho que os portugueses esperam, e anseiam por Ronaldo. Sua hora, que era óbvia, chegou. A hora de decidir.

O não tão óbvio, e muito provavelmente improvável é avaliar se ele, atuando bem, ainda assim pode derrotar os melhores do mundo. Mas é óbvio que pode fazê-lo.

Ronaldo – agarrando a hora da decisão

Por: Felipe Saturnino

24/06/2012

Achados e perdidos

As circunstâncias aconselham, pedem e exigem.

Tornou-se circunstancial um texto ao blog que anda um pouco que lentamente, dadas as circunstâncias dos paulistas na última semana. Aliás, principalmente desses – já que sabido é que o tempo que vivemos é de Eurocopa, e hoje tivemos um de seus mais importantes jogos. Mas é factual pautar que vivemos num tempo em que, pelo menos agora, dadas as tais circunstâncias, fica simples esquecer do ‘mundial europeu’ – se isso é lá até mesmo possível.

São questões circunstanciais.

Corintianos, palmeirenses; santistas, são-paulinos. Depois dessa semana absolutamente (absurdamente) importante no futuro dos mesmos, é possível reparar o que separa – ou separou – os quatro das respectivas ambições.

Primeiramente, os históricos corintianos, que adicionam um feito inédito ao curriculum; a final de Libertadores é pontual. Chega na hora certa – o time chegou e é maduro, mas é maduro pois chegou. Eliminando os santistas, num 4-2-3-1 pragmático até que demais, marcando com pressing na necessidade e na suficiência, a mais sagaz arma foi a capacidade de se defender: não é à toa que o Corinthians possua a melhor defesa da competição – 3 gols tomados, somente. Essa retração defensiva é o aspecto mais relevante do trabalho de Tite: criando uma solidez defensiva, com um volante muito eficiente e ágil na marcação – Ralf -, o time é coeso. Joga assim pois aprendeu assim, e cada vez mais sabe jogar. Defensivamente, quase perfeito. E a chave – pois nem de longe é uma mera válvula de escape – é Paulinho: o segundo-volante cria, desarma, acelera, marca, avança, retrai, participa, faz gols e é sim, o melhor dos corintianos. Mesmo que Danilo venha aparecendo e tenha feito o tento no último entrave das semifinais.

Os santistas passaram por muita falta de Ganso, e por um pouco menos por falta de Neymar. Neymar é um sensacional avante, porém, não pôde aturar a defesa corintiana – reflexo do quão bem é montado o sistema defensivo. Até mesmo nos confrontos com Alessandro, ele padeceu. Ralf surgia no combate, a situação tornava-se crítica. Para ter a bola com mais qualidade, um médio que cadencia seria o adequado. Ganso pouco (nada) fez. Jogar entre os volantes do Corinthians já não é boa ideia, ainda mais quando se está ‘gansando’. No seu ‘dia’, talvez fosse fato um melhor – talvez bem melhor – desempenho santista; era, deveras, um de seus piores. OS seus piores. E se Neymar crescia, o Santos crescia – o Santos atuou bem melhor na segunda ‘batalha’ -, quando ambos cresceram, corintianos trataram de retardar esse processo: Danilo marcou o tento. Má marcação santista no momento MAIS crucial do jogo – tivera segurado o 1 a 0 por mais alguns minutos, uma possível pressão poderia originar outro gol e, praticamente, uma vaga para segunda final consecutiva de Copa Libertadores.

Palmeiras e São Paulo foram dispostos opostamente na Copa do Brasil: um num lado, outro do outro. Os resultados diferiram, também. E os palmeirenses passaram por um Grêmio confiante e confiável – ou quase isso. Mas os desconfiantes e, certamente, sempre desconfiados palmeirenses jogaram com a preciosa vitória no Olímpico na mão: um 2 a 0 que mudou todo o panorama do confronto. O Palmeiras foi (é) forte. Pelo menos para as finais, é o meu palpite seco – mesmo que o fantasma dos seis ronde a cabeça dos alviverdes. Pois coritibanos deixaram são-paulinos comendo poeira.

A questão mor que envolve o São Paulo, agora, é se deixa-se como está ou se, por acaso, zera o trabalho. Talvez pela capacidade defensiva pífia do time, mereça a segunda opção; mas pode ser ingenuidade mudar o panorama do time novamente. Ou nem tanta, se pensarmos que Leão não tenha encontrado o ‘ponto’ do time até hoje – ele achou um esquema, não um time ideal. Fato é que merecimento só de Lucas pelo gol na primeira partida: nem a vitória foi tão assim merecida. Foi, pois é regra – quem vence, merece, blá-blá-blá. Talvez, aliás, esta seja a exceção – uma das exceções – que comprove a regra. Coritibanos exploraram e venceram a volta – 2 a 0. Crise no ar – assim como suspense.

Circunstâncias apontam para diagnósticos bem objetivos: os opostos estão dispostos, não todos em, porém, oposição. Achados e perdidos: pelas circunstâncias atuais, uns mais do que outros. De todos, o que mais vai ter que se preocupar é o São Paulo – pois não está no embalo e clima para uma primeira final de Libertadores, nem na final de Copa do Brasil ansiando por um título nacional há décadas ou nem mesmo tem um Neymar e um time coeso que possa levá-lo a um título. Mesmo que o Santos também esteja na lista de perdidos.

Essas circunstâncias exigiam – sem pedido ou conselho.

São Paulo. Dos perdidos, o mais

Por: Felipe Saturnino

11/06/2012

Alemães confiam, italianos marcam e Andriy emociona

A primeira rodada do europeu de futebol de 2012 terminou nesta segunda-feira com um tanto mais do que emoção: anfitriões vencendo. E fazendo história.

Os italianos lograram êxito no domingo – sim, pois o ponto vale muito – com empate diante dos ibéricos espanhóis em Gdansk, no melhor jogo do torneio até o dado momento. A equipe de Prandelli obteve sucesso ao atuar com um sistema mais do que antiquado – dadas as circunstâncias atuais que apontam para a recomendação do 4-2-3-1 -, porém, pode ser a ‘novidade’ para o torneio. Numa compactação de 3-5-2, em que Pirlo teve uma ótima atuação – incrível que com seus 30 e tantos, ainda Andrea seja fenomenal quanto a lidar com o ritmo de bola do meio-de-campo – que constou da assistência para o gol de Di Natale, Balottelli e Cassano lançados ao ataque foram; os espanhóis vieram com um 4-3-3, que, em variações, tornava-se ou poderia tornar-se um 4-2-3-1 com uma infiltração mais aguda de um meia (Fàbregas, por exemplo). Aliás, no lance do gol, é o que ocorre: Xavi puxa da meia-esquerda, Silva, vindo do lado destro do campo, recebe a bola do barcelonista número 8 na Espanha e entrega para Cesc marcar o tento de igualdade. Ainda assim, foi interessante reparar a disposição dos italianos – francos atiradores na Euro – para com a manutenção do sistema: marcaram, definiram-se e perseveraram, ao final. De Rossi, de fato, foi uma espécie de líbero – apesar de não se plantar tão profundamente na zaga ele atuou na posição. Maggio, na ala-direita, teve uma participação razoavelmente boa, também.

A Ucrânia emocionou-nos não somente pela vitória em si, mas, também pela figura que a tornou factual: Andriy Shevchenko. O grande de passagens por Chelsea e Milan foi marcador dos dois tentos que sagraram a Ucrânia como a líder do grupo D da Eurocopa 2012.

Sheva, aliás, conseguiu prolongar sua brilhante carreira para fazê-la ainda mais brilhante com essa performance. Já aos seus 35 anos, o ucraniano, se não representa o mesmo de 5 ou 6 anos passados, vive pela figura que é e pelos lampejos brilhantes – mas vívidos e vivos – que ainda nos concede. A primeira rodada da Euro, se valeu por ver a Itália se mostrar forte e empatar com a campeã mundial e uma Alemanha jogando de forma razoável mas, como é característico, arrumando um caminho para o triunfo, valeu mais por reparar Andriy como um ainda fator decisivo. E como é bom recordar algum lampejo de um ex-grande artilheiro – que ainda é artilheiro.

Sheva – voando aos 35

Por: Felipe Saturnino