Posts tagged ‘Argentina’

02/11/2012

O que mais um Ballon D’Or significaria para Messi?

Lionel Messi está à evidência do seu quarto título de melhor futebolista do planeta. O azulgrana detentor da camisa 10, absoluto e absurdo no trono de rei do maior esporte que há, parece querer perpetuar seu monarcado para tornar-se definitivamente uma divindade, mais do que “somente” um gênio que é.
E sobre isso, creio eu, não existem muitas dúvidas. Messi continua a ser o melhor, Ronaldo o segundo – e nisso há uma mera grande vantagem. Iniesta ou Xavi podem ser terceiros – para a FIFA, pode até pintar Pirlo ou Falcao como um terceiro, mas esta seria uma autêntica agradável surpresa por parte da mesma.

Entretanto, é de se reparar que o Barcelona não vivenciou seu melhor momento em três anos com Josep Guardiola, nem ao menos de longe. Na temporada passada, a equipe padeceu diante do Real na Catalunha na liga espanhola, apesar de ter vencido na ida em Bernabeu. O time que era de Pep na ocasião derrotou o Madrid por 3 a 1, desintegrando parcialmente o Real de Mou – que voltou a demonstrar vida quando goleou o Sevilla em Sevilha, logo no entrave seguinte de La Liga. Foi eliminado pelo Chelsea em uma drmática semifinal, em que Messi cometeu o seu único erro no ano: o penal desperdiçado diante do enorme tcheco Cech. Ainda assim, conseguiram vencer a Copa do Rei sobre um Bilbao forte com Bielsa. E foram estas ocasiões de baixa que mostraram o quão grande foi (é) Messi, marcador de 82 gols na temporada 11/12; o Lio que, enfim, jogou num de seus melhores patamares pela seleção albiceleste. O Messi que comanda o time de Sabella, numa espécie de 4-2-3-1 que o deixa livre para ditar ritmo, variar e inverter e ligar os wingers que aceleram o jogo (Di María e Aguero) verticalmente. A fórmula mágica que funcionou no seu melhor ano, indubitavelmente, pela Argentina, e que deu a Leo gols fantásticos como os contra o Brasil (nos 4 a 3 de New Jersey, com a magistral pintura do último tento), gols precursores, como os do hat-trick contra a Suíça (3 a 1, o primeiro jogo em que marcou três com a camisa da Argentina), e gols demonstrativos do quanto Messi conseguiu crescer para o cenário nacional, nos jogos contra Uruguai e Chile, os últimos dois confrontos pelas eliminatórias. E tudo isso ocorreu como promessa – o termo mais válido aqui seria, porém, aviso: quando venceu sua terceira Bola de Ouro, Lionel disse que queria ser maior, mais superlativo e dominante no que envolve o contexto tão delicado da seleção argentina. E isso aconteceu em janeiro. Pouco menos de 10 meses depois, Messi venceu obstáculos e se consolidou definitivamente como o maestro da seleção – talvez não tão grande como Dieguito na popularidade, mas, decerto, aproximando-se de El Pibe na técnica de seu mágico e fenomenal estilo de jogo.

Messi merece, e tem de ganhar mais uma Bola de Ouro pelo que faz por suas equipes, pelos gols de cobertura que marca, pelas fintas sucintas, precisas e minuciosamente calculadas com que rege o jogo na Catalunha, e pela figura que é – apesar disso ser posto seguramente e acertadamente em segundo plano para decidir o prêmio de melhor do mundo. Mas o quão isso verdadeiramente importante lhe é?

Messi, o único tricampeão do prêmio em toda a história, já escreveu seu nome para o infinito sempre de todo o âmbito futebolístico. E isso o coloca entre os maiores da história, talvez o maior do século XXI, de tal forma que nos parece incontestável essa tese. Refutá-la é uma tarefa árdua, e dificilmente alguém conseguirá desbancar todo o envoltório que há ao redor de Messi por causa de seus exacerbados méritos no seu período, tanto quanto breve – que são oito anos – em atividade. Mais um título da FIFA para o argentino significa credenciá-lo a um reinado jamais antes visto, ou talvez até já presenciado, mas há muito. O que se iniciará seguidamente, e novamente, é bem verdade, será sua posição com relação a Pelé. E a posição de melhor da história é sempre digna de muita discussão, e obviamente de um invariável cuidado nas opiniões.
Se o mais significativo é colocar Messi em algum lugar na história ao final de sua brilhante carreira, esperaremos. Mas, agora, já Messi parece estar completamente apto a assumir o posto de melhor da história do jogo. O quarto título de melhor do planeta, que lhe é evidente, mais que apenas e meramente esperado, lhe colocará num estágio numérico, ao menos numérico, sobre geniais Ronaldo e Zidane.

E de fato isso significa muito para La Pulga. E significa por ser mais próximo e comparável à sua realidade que Puskas, Pelé, Cruyff e Maradona são. O que se torna corriqueiro é a constante conexão, que totalmente válida é, entre tempos distintos do futebol que não permitem uma análise coerente, e justa. Mas seria injusto dizer que Messi é o melhor de todos?

O mais coerente e menos assustador, pelo menos agora, é dizê-lo como um excepcional argentino e blaugrana, que está entre os 15 maiores jogadores da história do esporte, e que é o maior deste século. Porém, será evidente que, no gran finale da sua carreira, necessário se tornará falar nele como o maior de todos ou não.

E seria justo considerá-lo o melhor de todos apenas ao final de seu tempo como futebolista? Bem, aí o fim do monarca não representaria o fim da sua monarquia, porém, simplesmente um período de pausa, pois, certamente, Messi já estaria eternizado, seria infinito: um Deus e não só gênio mortal. Mas bem melhor seria poder considerá-lo como o melhor no seu período de atividade, pois assim poderia fruir de seu futebol como o melhor da história.

Messi – o melhor de todos os tempos? No fim, (talvez) saberemos

Por: Felipe Saturnino

Anúncios
01/03/2012

Dique

Logo após sua terceira conquista do prêmio de melhor do mundo – e a terceira consecutiva – no FIFA Ballon D’or (fusão do prêmio FIFA com a revista France Football) referente ao ano passado, Lionel Messi disse o que pretendia explorar mais no caminho da sua carreira para dar a outros outra vista da mesma: o sucesso na seleção argentina.
As críticas em relação ao argentino jogando na representação de seu país sempre foram um tanto injustas em alguns pontos – apesar de em momentos, pouquíssimos, é verdade, fazerem sentidos.

Nunca se pôde mensurar o nível de Messi como o ‘padrão-Barcelona’ na Argentina por, na equipe catalã, ter-se um esquadrão histórico que se desenhou em circunstâncias específicas, também históricas, o que só torna o fato ainda menos constante e comum. Até para um gênio como Messi.

A atuação mais desapontante do argentino que me recordo em tempos recentes foi aquela diante a Colômbia, pela segunda rodada da Copa América do último ano. Naquele jogo, até direito a uma falta no outro lado da arquibancada Leo teve. A frustração de não jogar bem com consistência na seleção argentina, porém, não foi o fator que derrubou-os nas quartas-de-final, contra o Uruguai – naquela ocasião, Messi fez ótima participação em campo.

O que simplesmente sempre pareceu-me um pouco muito injusto foram as críticas para cima de ‘La Pulga’.

Mas como recorri à declaração de Leo no início do texto, ficava claro que o objetivo dele era ter um cuidado mais especial com os seus passos na esquadra argentina.

E no fundo, sabemos que ‘Messias’ – pois ‘Dios’ é o outro canhoto dono da dez na conquista de 86 -, de um jeito ou de outro, nunca faz um jogo ‘ruim’. Confundimo-nos, enganamo-nos pelo que – agora sim – ‘Deus’ faz no Barcelona, com tão incrível sutileza, elegância, facilidade e normalidade. Por esta razão ‘crucificamos’ o dez com tanta facilidade, sem nos dar conta que estamos na presença de divindades quando se trata do melhor time do mundo. E de ‘divindade’ – ainda mor que outras – quando tratamos de seleção argentina.

No fundo, contudo, sabíamos que Messi, já como dissera no começo do ano em Zurique, tentaria desgarrar com a seleção, tentaria fazer algo mais ‘marcante’ com a seleção. Como se soubéssemos que, em um momento randômico, um gênio viria com uma ‘pequena solução’ para um problema que quase todos indicam ser ‘quase insolúvel’.

Em Berna, na Suíça, tivemos o predito. O dique de Messi se abriu. Melhor, aliás, o dique se abriu para Messi. Pelo menos na seleção. Ainda que seja um jogo ‘pequeno’, e o problema, consistentemente, grande, respostas progridem. E o dique se arrebentou pela primeira vez na direção de hoje. Para Messi, hat-trick, com a camisa argentina, nunca antes ocorrera. Sim, o dique se abriu. Respostas progridem. E Messi é o melhor do mundo. E gênios precisam dar respostas. Não que seja necessário.

Mas se é o que querem, sim.

Messi - com o dique aberto e partindo para as respostas

Por: Felipe Saturnino

07/10/2011

Messi, Di María e Higuaín. E basta.

A Argentina de Alejandro Sabella não poderia ter começado melhor o torneio que concede vagas ao mundial de 2014, aqui no Brasil.

O técnico ex-Estudiantes, campeão da Libertadores-2009 e atual técnico dos albicelestes fez a equipe que jogou em função de Messi dar um absoluto show na partida diante o Chile.
Mas a equipe que funciona por Messi também funcionou por causa de Di María. E por Higuaín.

Sabella, formando o esquadrão argentino no 4-2-3-1, – quem nunca o usou é demodé – fez o trio que está dividido entre Barcelona e Real Madrid jogar fantasticamente contra um Chile, é bom citar, muito desorganizado e confuso.

O trio decisivo

Di María foi o meia extremo esquerdo – como faz no Madrid de Mourinho. Higuaín foi o avante. Messi foi o maestro – fazia o que bem entendia no meio-campo. O Chile, no 3-5-2, com desdobramento tático em 3-2-3-2, teve Isla e Carmona como atuantes da primeira linha. O resultado foi a destruição do setor.

Primeiro: Messi, jogando na posição do 10, era cercado por um dos volantes. A indefinição entre o ala/meia da Udinese e o volante natural da posição – Carmona – fez com que Lionel brilhasse em campo. O espaço que ele tinha era grande. Muito grande.

Segundo: Matías Fernández, Valdívia e Beausejour compunham a segunda linha, dos três armadores. O primeiro recompunha o setor direito, porém, Di María teria de ser encontrado por Isla no lado do campo, pois Borghi queria fazer o madridista marcar Matías Fernández, e também exigiu que Isla marcasse Di María. Outra indefinição. Matías pouco criou, pouco auxiliou na marcação a Di María, e, em 20 minutos, a Argentina havia marcado duas vezes.

Terceiro: Beausejour, bom meia que joga como ala na seleção chilena, hoje, fez uma atuação fraquíssima. A chave do setor foi José Sosa, recompondo e auxiliando Zabaleta no lado direito argentino. O número 8 pouco criou, mas pouco foi exigido. Messi e Di María trucidavam o meio-campo com Higuaín anotando seus tentos.

Para início, os pontos destacados são importantes. A Argentina foi segura no meio-campo, com exceção às constantes indefinições também dadas aos cercos de Banega ao meia Valdívia. Braña ficava na sobra, mas a Argentina perdia um homem ao atacar. Nem precisou, de fato.

A defesa preocupou. Burdisso e Otamendi não são técnicos, mas não são péssimos. Porém, quando se trata de bola aérea, a Argentina é pecadora. Das grandes. O gol do Chile se origina de uma jogada assim, acabada na conclusão de Suazo, que marcou para o Chile.

O fato que desequilibrou foi o conjunto Messi-Di María-Higuaín. Criando, marcando, anotando gols. Assim, a Argentina de Sabella começa a caminhada para 2014 melhor do que o esperado. 4 a 1 e domínio, tático e técnico. Belo espetáculo para uma primeira rodada de eliminatórias.

Por: Felipe Saturnino

06/10/2011

Os desafios de Sabella

Sabella - desafiado

A seleção argentina passará pelo primeiro teste, direcionando a equipe para a Copa-2014. Mas o momento é difícil.

É muito mais difícil do que não ganhar a Copa do Mundo há 25 anos. Muito mais. É também uma sequência de apatia dos técnicos, que se equivocam. E não importa culpar sempre o craque Messi.

No Mundial do ano passado, por exemplo, Maradona, ídolo maior do país, optou por “alguns questionamentos”. Armou a equipe da forma que quis, e, por predomínio tático, os alemães trituraram um meio-campo pouco combativo. Schweinsteiger jogou muito – como sempre – e Klose foi decisivo – novamente. Vitória dos alemães por 4 a 0. Com crueldade.

Na Copa América, um teste para Batista seguir seu trabalho. Falha. O técnico optou por dar a Lionel Messi uma posição de articulador, o que o faz ser algo que não é. A opção por dois volantes que qualificam a saída de forma mais limitada – Cambiasso e Banega – deu a Messi a responsabilidade de “pensar” o jogo dos argentinos. E com um primeiro jogo difícil diante a Bolívia, os argentinos, estreando no torneio, jogando no 4-3-3, criaram pouco, triangularam pouco, utilizaram pouco seus flancos e depositaram em Messi a função central do time. Sem válvulas. A primeira vitória veio na última rodada, e a campanha bem abaixo dos limites concedeu ao time de Sergio Batista o desafio de enfrentar o Uruguai. Vitória nos penais do time de Tábarez.

Sabella optou por voltar com Demichelis e Gutiérrez. Ambos da era Maradona. O desafio, porém, vai ser montar um time que reúna o equilíbrio partindo de seus dois jogadores do meio-campo defensivo, seguindo até a função dos mais ofensivos e, enfim, chegando na posição de Messi.

Alejandro – permita-me chamar Sabella assim – convocou com variedade.

Se ele for de 4-3-3, pode usar um meio-campo com Mascherano, Banega e Pastore. Porém, é pouco provável – sabemos da deficiência do trio em recompor e em ser combativo.

O 4-2-3-1 – esquema da moda – pode predominar, mas de uma forma distinta. Não tendo Messi por trás do atacante, sendo o meia central, mas fazendo-o jogar, de fato, na posição do falso-nove – como no Barça. A combinação do meio-campo/ataque seria Mascherano-Banega-Pastore-Di María-Gaitán-Messi – sabendo que Agüero sofreu uma contratura muscular e não joga.

O possível 4-2-3-1 de Sabella

O equilíbrio, neste caso, existiria. Javier Pastore joga bem no PSG, e pode ser o meia central que a Argentina precisa. Di María e Gaitán poderiam recompor. Mas o meia do time do Benfica é mais hipotético na questão.

Sabella tem variedade no banco: Higuaín, Gaitán – meia no Benfica – e Álvarez, da Inter de Milão. O avante do Real Madrid também pode ser utilizado – se Sabella pensar num possível 4-2-3-1 com Messi fazendo a meia central.

Como os outros não o fizeram, Sabella terá que, obrigatoriamente, encontrar o equilíbrio entre meio-campo e ataque. Tanto defensivamente – como não ocorreu na era Maradona – e ofensivamente – como não ocorreu no período Sergio Batista. O desafio é grande e intimida. Porém, se cogita um time que aspire confiança, Alejandro Sabella passará por isso e por pior.

Por: Felipe Saturnino

23/07/2011

Copa América XIX – Os 11 e os palpites

Depois de 22 dias de jogos, – decepcionantes, há de ser dito – estamos chegando ao fim da Copa América. Hoje Peru e Venezuela duelam pelo 3º lugar e amanhã teremos uruguaios e paraguaios fazendo a final.

O nível da competição é relevante, de ser dito, obviamente. Não sei se leva o motivo de considerar o final da temporada europeia e os jogadores, possivelmente, estarem esgotados. Ou de fato o futebol está nivelando, ou, também, pode ser que os figurões de sempre, brasileiros e argentinos, tenham suas seleções ainda em reformulação e renovação. Os argentinos tem mais nomes veteranos no elenco, o que os brasileiros tem como quase igual. Porém, há de se falar que carregamos em alguns jovens nossa esperança, o que torna a seleção mais vulnerável a golpes. Não evoluímos, em nada.
Porém, os uruguaios e paraguaios se afirmaram. Seja por isso, estão na final. Ambos os dois derrotaram argentinos e brasileiros, respectivamente.

Os finalistas se afirmaram pois, de fato, trabalham há mais tempo juntos. Os uruguaios chegaram na final com maior merecimento – o que não pode se discutir em relação aos paraguaios. Mas, há de se falar que os paraguaios fizeram uma Copa América um pouco abaixo do esperado. Os empates refletem o nível técnico, de uma equipe pouco produtiva da seleção de Gerardo Martino.

Estamos aqui, então, para selecionar os melhores da Copa América. Para mim, estes são os 11 melhores.

Fernando Muslera – goleiro do Uruguai: sua atuação diante os anfitriões foi a melhor de um jogador na Copa América, quando analisado a fio. Fez defesas brilhantes e decisivas no jogo, e jogou regularmente na Copa América inteira – salve o lance diante o Peru, em que quase resultou numa falha. Nota: 7,5

Maximiliano Pereira – lateral-direito do Uruguai: não é brilhante, nem foi, mas de fato foi seguro nas suas atuações, mesmo sendo “atazanado” um pouco por Agüero nas quartas. Foi protegido por volantes, é claro, mas isso não tira o seu méritos em um bom apoio. A vaga teria ficado com o brasileiro Maicon, porém, teria que se manter em um nível regular. Maxi Pereira conseguiu, mesmo não sendo brilhante e eficiente em nenhum jogo do Uruguai. Nota: 6,5

Paulo da Silva – zagueiro do Paraguai: foi bem na competição, sendo o melhor defensor de uma zaga paraguaia um pouco insegura em alguns momentos. Fez par com Alcaraz, e também com Verón, nas vezes que este não foi lateral. Da Silva cometeu apenas uma falta na Copa América – acredite – e realizou 29 desarmes em 5 partidas disputadas. Não é o mais técnico da Copa, mas foi o que teve atuações mais regulares e interessantes. Por estes motivos já citados, ele ganha a vaga na seleção. Nota: 7

Oswaldo Vizcarrondo – zagueiro da Venezuela: foi bem em seus jogos, dando estabilidade para a defesa. Realizou 15 desarme – mias da metade que seu companheiro de seleção da Copa América – e fez 5 faltas. Compreensível para uma defesa que foi vulnerável para a competição e sairá com boa imagem, certamente. Nota: 6,5

Pablo Armero – lateral-esquerdo da Colômbia: mesmo com o fracasso dos colombianos na competição, a equipe mostrou peças interessantes e notáveis. Como os “portugueses” Falcao e Guarín, e também, destaco aqui, logicamente, o lateral Armero. Fez boa temporada na Udinese, fazendo dois gols em seus jogos. Apoia bem, aparece no ataque, havendo tempo para recompor a defesa colombiana. O colombiano de 24 anos fica com a vaga por se destacar no apoio qualificado e ser protegido por bons zagueiros colombianos. Nota: 7

Arévalo Ríos – volante do Uruguai: o ótimo volante uruguaio fez ótimas atuações na Copa América. Sua melhor, para mim, foi diante a Argentina, quando teve de se cuidar com Messi jogando pelo seu setor. Soube lidar e por isso está na seleção da Copa América. É mais um jogador que manteve-se regular em um Uruguai que começou com deficiências em articular jogadas pela frente, mas sempre obteve êxito em jogadas defensivas, mesmo com Lugano não sendo o de sempre na zaga central. Arévalo tem poder de marcação, e comanda os cabeças de área uruguaios. Nota: 7

Seleção da Copa América no 4-2-3-1: força pela esquerda com Armero e Estigarribia; pela direita, Messi com liberdade para flutuar pelo campo, tendo cobertura de Ríos; Guarín sai sendo segundo-volante para dar suporte a Forlán, o enganche da articulação

Fredy Guarín – volante da Colômbia: outro que destacou-se apesar do fracasso colombiano. Sua temporada em um forte Porto de Villas-Boas o trouxe para a Copa América como um dos melhores segundo-volantes que existem, um jogador com boa presença pela frente, que passa bem a bola e consegue compor o meio-de-campo. Está na seleção por apresentar isso em seus jogos, superando neste quesito o brasileiro Ramires, outro que decepcionou muito na seleção brasileira, que poderia estar aqui também. Guarín merece a vaga aqui. Nota: 6,5

Marcelo Estigarribia – meia do Paraguai: o bom canhoto paraguaio fez ótima competição até aqui, sendo a arma paraguaia nas saídas de jogo. Foi bem no empate contra o Brasil, ainda na primeira fase, participando dos dois gols. Sendo a opção do jogo paraguaio, reagiu bem e foi o melhor na posição, com boa velocidade em suas jogadas. Por isso, ganha a vaga até aqui. Nota: 7

Lionel Messi – meia/atacante da Argentina: o melhor do mundo não fez tudo o que podia, mas jogou muito bem nas últimas duas partidas. Por este motivo, ganha a posição, até pelo fato de nenhum ganhar a sua posição na seleção da Copa América. Messi fez suas melhores atuações atuando do lado direito para dentro, e por isso foi bem contra a Costa Rica e o Uruguai. No final da era Rjikaard no Barça, era o que ele fazia. Justamente, foi o que Batista fez. Deu certo, mas não bastou. Mesmo assim, ele ganha a vaga. Nota: 7

Diego Forlán – meia/atacante do Uruguai: jogou as últimas duas partidas bem, e por isso, ganha a vaga na seleção. Sua atuação contra o Peru foi boa, e isso o faz entrar aqui neste time. Como enganche, ele fez o jogo uruguaio fluir interessantemente, mesmo estando apagado nos primeiros dois jogos. Merece a posição por isso, e pelo que ainda está por vir – me refiro à final. Nota: 7,5

Luis Suárez – atacante do Uruguai: fez boas apresentações na Copa América, como diante o Peru e contra a Argentina, também. Mesmo estando apagado no início, ele também fez o time fluir e marcou gols fundamentais para classificação do Uruguai até a final. Merece a posição por isso e pelo que pode fazer na decisão. Nota: 7,5

Palpites:

Peru 0 x 1 Venezuela

Uruguai 2 x 1 Paraguai

Por: Felipe Saturnino

17/07/2011

Copa América XVI – Argentina 1 x 1 Uruguai – 4 x 5 nos pênaltis: Inóspito

É notório que o Uruguai não teme anfitriões. Resgate o exemplo clássico – o Brasil falhou ao perder a Copa de 1950 para os uruguaios, no Maracanã.

Os uruguaios se superam como poucos. Remetem heróis, dos mais valentes, com mais garra, que chegam até mesmo se exceder. Mas, de fato, eles têm doses de heroísmo no sangue que poucos possuem. Poucos mesmo.

A Argentina de Batista manteve o 4-3-3, e valorizou a bola mais do que tudo. Há de se ressaltar que no 4-4-2 uruguaio, não havia um jogador que conseguisse, em momento algum, segurar a bola e administrar o jogo, fazendo a ligação. Forlán estava comprometido em jogar pela frente, ao lado de Suárez. Enquanto isso, Messi dava problemas a Álvaro Pereira e Cáceres, no lado esquerdo uruguaio. Messi jogava da direita para dentro. Criou chances, costurou adversários, deu passe pra gol, – e outros que simplesmente não foram convertidos – driblou, fez tabela, chutou…
Simplesmente, quando houve a chance, Muslera estava lá para barrar o atacante que estava para converter a bola, tornando-a um tento constatado. E nisso, o jogo estava 1 a 1, na prorrogação. Pérez fez o primeiro – erro total da defesa argentina – e Higuaín empatou – com passe brilhante de Messi.

No segundo tempo normal, Tévez entrou para fazer a meia esquerda argentina, substituindo Agüero, que fez uma partida pobre. Enquanto isso, já na prorrogação, Lionel tentava fazer o seu. Pastore já havia entrado também, e estava compondo o meio-de-campo com Tévez e Biglia na prorrogação.

Muslera - fez a melhor partida da carreira

Voltamos a Messi. Que jogou bem. Então como os uruguaios passaram dos argentinos? Simples. Como já citei acima, em quaisquer das linhas, os uruguaios conseguem se superar como poucos. Foi assim em 1950, no ano passado – diante Gana – e ontem, bem, ontem também foi deste jeito. Muito se deve a Muslera, – que fez uma defesa brilhante e outra sensacional – Lugano, Arévalo Ríos, Forlán, e outros.

Quando houveram os pênaltis, os uruguaios foram mais fortes: venceram. Fortes, não desperdiçaram chance alguma, jogaram com um a menos quase a partida inteira, se seguraram bem e se fecharam em um 4-3-2; seguraram Messi, Agüero, Higuaín, Tévez, e qualquer um que for.

E não foi culpa do Tévez, nem de Messi. Os argentinos tiveram chances para vencer os uruguaios; porém, quando não foram incompetentes para converter a chance em gol, encontraram Muslera, que fez a melhor partida da sua vida.

Assim como Muslera, inspirados estavam Lugano, Scotti, Ríos, Forlán…

Muslera foi brilhante. O Uruguai, inóspito, foi sublime. Venceu a maior rival, e está nas semis.

Por: Felipe Saturnino

12/07/2011

Copa América XII – Argentina 3 x 0 Costa Rica: Première albiceleste

A Argentina está feliz; não pelo fato de ter ganho – jogando bem – mas por Messi ter jogado muito. Não é tudo o que sabe, mas Messi deu suas caras para as Américas.

Se esperava muito do dez argentino, e hoje a atuação foi de gala. Claro que foi contra a Costa Rica, mas deve-se falar que é a mesma equipe que derrotou a Bolívia – time que empatou com a Argentina.
Assim também, esperava-se muito da Argentina, e hoje, bem, a atuação do time foi de gala. Se Messi jogou muito, o time ficou na mesma, também. Lio foi fundamental para o première argentino, com os três a zero bem constatados em Córdoba. Foram dois de Kun Agüero e um de Di María.

E Messi jogou muita bola. Batista insistiu em três homens de meio e três ao ataque; 4-3-3, com Di María se postando ao lado de Gago, mas avançado para frente por dentro. Messi começou o jogo pela direita, partindo para dentro. Agüero, da esquerda para dentro. Higuaín centralizado. Os costarriquenhos seguraram bem, se postavam de forma interessante, com praticamente 5 jogadores atrás; a saída de jogo pelo meio ocorria com as investidas pela esquerda de Elizondo, apoiado por Leal, o lateral. Na direita, Salvatierra ficou mais preso à Agüero, que fez uma ótima partida.

Chegando aonde quero chegar, Messi jogou bola demais. Há de se ponderar que a Costa Rica foi bem por todo o primeiro tempo – salvo o lance de gol argentino. Mas, de qualquer jeito, com Messi solto para flutuar, mas agora fazendo a criação com Di María e ainda com a participação eficiente de Fernando Gago, a Argentina iria vencer. E venceu, e venceu bem.

O melhor foi Messi, claro. Deixou umas 5 vezes um argentino na cara do gol para marcar o tento. Depois, pelos gols e sua importância, vem Agüero. Di María foi o terceiro melhor do confronto, por conseguir administrar o jogo com Lionel Messi, atuando da esquerda do meio, avançando para dentro.

Estas três atuações citadas, somadas ao conjunto que atuou como um bom conjunto no jogo de hoje, deram a Argentina uma vitória convincente. Resta saber se Batista manterá o esquema ou vai querer mudar para um 4-2-3-1, ou algo do tipo. Hoje funcionou bem. Aliás, hoje a Argentina fez um première de exibição. Pena que foi apenas na última partida da fase inicial de grupos. Tivera feito isso com a Bolívia, por exemplo, as críticas sobre Lio teriam sido menos impactantes.

Messi, Kun e Di María - o comando do première albiceleste

Cadenciemos e veremos então se Messi conseguirá manter o nível para a fase decisiva. Se ocorrer de fato, a concorrência que se cuide – isto inclui uruguaios, paraguaios, chilenos e claro, nós, brasileiros. Os argentinos não jogaram o melhor futebol da Copa América – este foi o Chile. Mas, com os jogadores que tem, ou melhor, com o Messi que tem, bem, fica difícil.
Que seja uma amostra, há o première albiceleste. Esperamos por mais, e por mais Messi.

Por: Felipe Saturnino

11/07/2011

Copa América XI – Falta Messi ou conjunto? Ambos

A Argentina vai jogar a vida hoje, contra a Costa Rica. Os comandados de Batista são favoritos, mas os dois primeiros jogos sempre nos deixam mais conservadores em relação à vitória argentina no dia de hoje.

Esse desempenho ruim – ou péssimo, ou horroroso, ou ridículo, tanto faz – argentino se dá por qual motivo?

Bem, é bem óbvio que falta Messi. O pequeno argentino também, para mim, é um pequeno gênio. Vê-lo jogar é um prazer, e também, por conseguinte, torna-se uma honra. Falar que Messi depende de Xavi, Iniesta, Barcelona, ao menos para mim, é mentira. Num time ele faz uma coisa, noutro, faz outra, óbvio. Ficou claro que Batista montou o time ao redor de Messi; somente o montou em cima do Barça, mas não o fez com precisão. Neste caso, Messi precisa de um suporte na criação – que não há – para liberá-lo de uma responsabilidade maior que possui hoje. Com Javier Pastore, – jogador que não foi usado na Copa América até o momento – Messi ficaria mais disposto ao jogo.
Este tipo de jogo desfavorece um gênio – na minha visão, claro. Messi é tão talentoso que precisa de maior expansão. Não pode ficar tão preso quanto de fato fica na Argentina atual.
E ninguém quer saber disso. Criticá-lo é válido, muito, demais. É muito pouco para melhor do mundo, muito, muito pouco. Até para um gênio – para mim, ressalto novamente. Mas critique ponderando, sendo razoável até certo ponto.

A Argentina, se vir diferente, com mais um meia, compartilhando a criação, – pode ser até mesmo Di María – terá Messi mais “solto”. A necessidade é gritante.

Por isso, quando quiser tirar um sarro de algum argentino, ou até mesmo quiser fazer graça de Messi, saiba que os nossos vizinhos não sofrem somente pela falta de Messi. Eles sofrem por não ter um pilar que segure e “banque” as ações de maior valor de Lio. Quando a Argentina achar um equilíbrio entre um meia dando suporte a Messi, e Messi atuar em quase nível de Barcelona, eles serão ótimos adversários. Por hoje, bem, a Argentina é um time que tem bons e ótimos jogadores. E um gênio.

Por: Felipe Saturnino

07/07/2011

Copa América VIII – Argentina 0 x 0 Colômbia: Frustração

Como bom degustador de futebol que sou, sempre penso no que pode, na melhor das hipóteses, ser melhor ao futebol. E como gosto deste esporte, não posso deixar de afirmar que a feição de Messi na partida de hoje me deixou um pouco preocupado. O grande craque simplesmente não consegue emendar bons jogos pela seleção albiceleste. Isto, em suma, pode o fazer longe de atingir seu ápice vencendo um Mundial, tendo atuações memoráveis pela Argentina. Talvez a diferença crucial entre este e Maradona seja a do improviso na hora em que se veste a camisa da Seleção. O que não reduz os méritos dele no Barça, mas não atribui mais referentes à Argentina.

A Argentina, hoje, sofreu dos mesmos problemas da estreia, simplesmente encontrando uma equipe melhor que a Bolívia. A Colômbia poderia incomodar, e, de fato, incomodou. Moreno fizesse o gol na primeira etapa, após trabalhada fatal de Gabi Milito na zaga, estaríamos, aqui, fazendo comentários e críticas mais incisivas à Argentina.
O 4-1-4-1 colombiano que encaixotou a Argentina, por manter o time bem marcado e inapto para armação de jogo, bastou. A Argentina já tivera se matado entrando com o mesmo time da estreia, com o mesmo 4-3-3 que, sem um meia para desafogar Messi, dependia do mesmo a armação do jogo. A presa fácil Messi bastou ao olhar colombiano. O jogo foi decidido o aspecto do engache defensivo da Colômbia, com Sánchez fazendo a defensiva, protegendo a defesa de, principalmente, Messi.
Batista simplesmente deu de ombros a possibilidade de usar Javier Pastore ou Di María. Para mim, não fez nada-com-nada ao substituir Cambiasso por Gago na etapa complementar, tornando mais longinqua a ideia de uma ligação meio-ataque com qualidade. Diante disso, o papel de Messi, aqui neste caso, é mais fundamental do que tudo que está implícito no jogo. A Colômbia por muito pouco não venceu o embate, errou. Falcão perdeu chance. Dayro Moreno, claro, perdeu a mais clara de todas. Aquela, para mim, seguisse o jogo o mesmo rumo, decidiria o jogo. E foi perdida.

Messi - frustrado

Mas, mais que tudo, ficou evidente, mais que fator tático e estratégico, a frustração de Lionel Messi. Fico triste e abertamente digo aqui que, torci para Messi neste jogo. É um prazer ver o argentino jogar. Só sinto que, ao garoto, restaram as dúvidas e incertezas diante do desafio que se torna jogar com a camisa da Argentina. Preocupa-me também o futebol que, de uma forma, pode perder um talento, simplesmente por não conseguir atuar com a equipe nacional. Já disse que o que gosto no rapaz é seu futebol, apenas parece que ele não desabrocha na seleção nacional. Isso faz a história um pouco mais preocupante, tamanho talento que o atacante de 24 anos possui. Mais que tudo, a um jogador que tanto aprecio, me preocupa sua frustração. Triste.

Por: Felipe Saturnino

06/07/2011

Copa América VII – O dilema de “Checho”

Sergio Batista sabe muito bem que, lá em sua terra, ele não é uma unanimidade. Se Maradona não era brilhante treinador, – e continua não sendo – ele era bem mais “popular” e “descolado” que Checho Batista, atual detentor do cargo. Essa apatia com o atual comandante da albiceleste não ocorre por não ser carismático, mas por recorrer de atitudes questionáveis. Na verdade, suas decisões eram e são questionáveis. Vide-se a convocação de Tévez, que quase acabou-se em não-convocação. Ao contrário de Dunga, porém, Batista não foi teimoso e orgulhoso, e, assim sendo, resolveu chamar Tévez para a disputa da Copa América.

Hoje, porém, Batista vive um dilema, que transcende a convocação de Carlitos. Quem dirá, há algum tempo, este era seu problema. Hoje, Sergio ‘Checho‘ tem mais um. Recorrer de mudança ao time de sexta-feira passada, que empatou em 1 a 1 com a Bolívia, ou persistir em um time que, com futebol mediano, foi quase abatido por uma Bolívia que nada intimida? Pois é. Resume-se, em suma, a isso.
Batista poderia, de fato, – e eu recomendaria isso ao técnico argentino – mudar a cara do meio-de-campo argentino. Seria bom para desafogar Messi, liberando-o e comprometendo-o para as mesmas funções, mas com responsabilidades diferentes. Se, por um acaso, ele conseguir armar um time que misture versatilidade na articulação de jogo e participação efetiva de Messi no jogo, a Argentina sairá vitoriosa, certamente. Para isso, Batista recorreria à Pastore, ao meio-de-campo. Sem falar em Agüero, que se mostrou mais jogador que Ezequiel Lavezzi, um dos que pouco produziu no entrave na estreia em La Plata. Com essas duas mudanças, – recomendadas à Checho – a Argentina teria mais forma de time confiável.

Checho e Lio - os dois são questionados

Com Pastore atuando, Messi seria desafogado para jogar com responsabilidades distintas. A Argentina de Batista, hoje, se baseia em um esquema feito ao gosto catalão, ou gosto barcelonista, azulgrana. O ponto que agora atinjo é que, Sergio Batista esqueceu que o Barça usa de dois meias para cadenciar e aumentar o ritmo do jogo, sempre no controle da partida. Iniesta e Xavi protagonizam a função, no caso. Pastore seria o que poderia liberar Messi para fazer o que faz no Barça. Agora, fato é fato e verdade é verdade que, Messi, como melhor do mundo que é, tem que jogar mais. Nem que seja sem “mais liberdades” e sem o dilema que Batista vive, Lionel deve alguns trocados para a albiceleste.

Por: Felipe Saturnino