Posts tagged ‘Brasileirão 2011’

13/12/2011

Lições de um campeonato – Parte 2

O legado do nosso campeonato, da vista tática, vai se basear em algum tempo no uso do 4-2-3-1. Grandes mudanças no panorama do uso frequente deste esquema parecem estar um pouco distantes.

É dever ressaltar, portanto, que mesmo sendo um crítico do esquema, sua eficácia não deve ser questionada. E não importa se ela se deu de forma mais acentuada na seleção espanhola ou alemã; o 4-2-3-1 veio para ficar. Apenas critico o pragmatismo que algum jogos nos deram, ou melhor, alguns times nos deram

O campeão Corinthians, exemplificando de forma mais clara, obteve um aproveitamento absolutamente absurdo nas primeiras 10 rodadas: 28 pontos somados, 16 gols marcados e apenas 4 sofridos – sendo que em 5 jogos, a equipe não tomou gol algum. Ataque efetivo, defesa segura. E tudo isso após um começo de ano um tanto duvidoso: eliminação pífia para o Tolima na Copa Libertadores e fracasso na final do Paulistão, em um segundo jogo que o Santos comandou do início ao fim.
Mas a equipe tinha uma linhagem comum ao 4-2-3-1, já que o 4-3-1-2 não funcionou com Adilson Batista, e os quase extintos esquemas com dois meias em um 4-2-2-2 são “utópicos” em alguns momentos. A equipe de Tite foi muito funcional no início da edição 2011 do torneio, por um motivo muito claro: compreensão e adaptação de jogadores ao esquema.
Na linha dos três meias ofensivos, Danilo, Willian e Jorge Henrique estavam voando. O segundo, especificamente, era o homem mais ativo nesse meio. Willian partia pra cima dos adversários, e com sua agilidade e versatilidade, fez jogos muito bons. Jorge Henrique era mais discreto, aparecia menos nos jogos, mas era funcional. Danilo era uma incógnita, mas aparecia para jogar. Mais ainda, o que deve se dizer também é sobre a importância de Paulinho, na função de um volante que aparece num ponto mais alto do campo para dar suporte ao ataque, o que faz com que a equipe alvinegra tenha vantagem nos confrontos do jogo. Outro trabalho a ser aplaudido no campeonato é o de Ralf – ótimo volante que combate, cobre e dá suporte à marcação de jogadores periféricos no campo.

Os problemas se iniciaram com a derrota diante o Cruzeiro. Joel Santana, na oportunidade, fez com que os laterais alvinegros fossem barrados e parou também Paulinho. Assim, a vantagem corintiana em um ponto mais alto do campo não existiria.

Mas, se com o passar do tempo, o esquema parecia mais e mais pragmático, ao ponto de o campeão brasileiro ter feito apenas dois ótimos jogos no segundo turno inteiro, o que salvaria o time? A individualidade. Foi ela que fez com que Alex trouxesse mais dinamismo ao time no jogo contra o Figueirense, em SC. Foi ela que fez com que Luiz Ramires marcasse o tento salvador diante o Ceará. E também tem aquele jogo do Adriano, que todos sabemos como acabou.

Não quero dizer que o Corinthians teve os valores mais talentosos de um torneio em seu elenco. Pois não teve. Mas as anormalidades no pós dos 10 primeiros jogos foram contidas por uma perseverança de jogadores chave – como foram citados. Apesar de ter um conjunto regular, o Corinthians teve momentos finais baseados em jogadores. Mas nada que fosse fora do comum, pois não era.

O destaque do time, analisando friamente, não foi seu técnico, apesar de ter sido muito importante no time, de fato. A constância de Paulinho me convenceu para destacá-lo aqui, mesmo com alguns pontos negativos sobre o jogador. No jogo diante o Botafogo, por exemplo, o corintiano teve marcação pessoal de Renato, e pouco fez para mudar o panorama do jogo na ocasião. Para demonstrar o que acarretou ele não ter modificado seu posicionamento, basta afirmar que o time paulista perdeu por 2 a 0 em casa.

Num campeonato tão nivelado, muito pela qualidade técnica dos times mas também por uma opção tática comum destes – o 4-2-3-1 -, a individualidade ocorreu em certos momentos, como é normal ocorrer. Mas o mais fundamental é afirmar que o campeonato não teve o grande craque, ou a grande diferença em campo. O Corinthians foi campeão por sua perseverança em permanecer com sua formatação, mas não pelos seus valores. Nem um pouco. Tanto que deve-se afirmar que Neymar foi o grande do Brasileirão, e seu Santos ficou bem distante do título. Dedé está entre os top, mas não é o top. Fred foi preguiçoso em alguns momentos, apesar de ter desequilibrado contra o Figueira, por exemplo. E Ronaldinho não pôde manter seu nível como contra o Santos, no primeiro turno.

Não seja por isso, os corintianos venceram. Mas um grande destaque aqui ao vice Vasco. Tema de um próximo post para as lições do campeonato.

Por: Felipe Saturnino

Anúncios
05/12/2011

Lições de um campeonato – Parte 1

Da mesma forma com que Jonathan Wilson introduziu seu texto pós-mundial da África do Sul no ano passado, devo atestar que o Brasileirão foi o campeonato do 4-2-3-1 – de um ponto tático, claro. O esquema da moda simplesmente dominou os times daqui, constatando a dinâmica tão bem-sucedida nos tempos atuais do futebol.

Mas também deve-se falar que a sequência mais estonteante de um time no campeonato, e bem possivelmente a de um time em um campeonato em algum tempo de pontos corridos, ocorreu muito além do fato de o esquema estar sincronizado, mas sim ao fato de os jogadores estarem confortáveis com o estado parcial em que a equipe se encontrava. Falo do Corinthians – nas primeiras 10 rodadas fez 28 pontos. Depois, o pragmatismo se tornou um grande vilão – muito pelo esquema previsível. Mas isto é tema para outro post.

O campeonato atestou também, entre outras coisas, um uso razoável de disposição 4 e 4 – mais normalmente 4-3-1-2. Podemos falar que um legítimo 4-4-2 deve estar extinto, sabendo que o nosso campeão da Libertadores, o Santos, atuou o primeiro semestre quase que inteiramente em um 4-3-1-2. O São Paulo de Adilson também jogava assim. Depois, apenas para constatação, migrou para o 4-2-3-1. O uso do esquema foi mais explícito nos jogos diante o Cruzeiro e o Inter – o primeiro foi animado e o segundo foi de dormir.
Aliás, no jogo contra o Inter, a equipe hoje de Leão foi “espelhada” pela equipe colorada. Para evidenciar o tamanho pragmatismo de alguns jogos.

É verdade também que, de um ponto de exposição mais crítico e amplo, o equilíbrio existe por natureza em nosso campeonato. Não temos equipes extraordinárias que terão tanta facilidade para se desvencilharem nos blocos da frente – como Real e Barça fazem na Espanha -, mas se repararmos que times de pelotões da frente todos optaram por esquemas idênticos, no mínimo uma vez na competição, veremos certamente um outro “equilíbrio”, ou mais uma vez, o pragmatismo de que tanto falo. O problema do uso mais frequente dos mesmos esquemas, do mesmos alineamentos táticos.

É claro que também há as variações, as surpresas que sempre são bem-vindas. Um dos melhores times do segundo turno no Brasileirão foi o Figueirense, com direção do ex-lateral Jorginho. No entrave diante o Corinthians, a equipe apresentou transição para o 4-2-3-1, “imitando” o alvinegro. Contudo, o melhor futebol do returno jogava em um 4-3-1-2 tradicionalmente; tinha força no ataque, com Wellington Nem e Júlio César, contenção e reposição rápida no meio-campo central, e ainda articulação – todos atributos de jogadores como Ygor, Coutinho e Elias, normalmente. Os resultados dos catarinenses foram surpreendentes no torneio, em geral. E os números também: a equipe venceu acumulou 50% dos pontos jogados fora de casa – vencendo times como Corinthians, Botafogo, Palmeiras, Santos e Grêmio; dentro de seus domínios, o desempenho vai para 52%, e, apesar de parecerem números pouco espetaculares, para um time recém-promovido à série A, são incríveis, absolutamente incríveis. Checando de uma forma mais ampla, o Figueirense é apenas a terceira equipe do últimos quatro campeonatos que, recém-chegadas, alcançaram o pelotão dos 10 primeiros – as outras equipes foram o Coritiba em 2008 e o Corinthians em 2009. Porém, o time de Jorginho é o primeiro recém-chegado, de 2008 para cá, a ficar no grupo dos oito do torneio.

Times como o Figueirense e o Fluminense, notoriamente, atuaram em um 4-3-1-2 em parte da campanha – fato atribuído em maior escala aos catarinenses. Mas o Flu modificou o seu jeito de jogar, transitando para o 4-2-3-1 em algumas situações. Contra o próprio Figueirense, aliás, a equipe de Abel merecia uma análise mais específica, já que podemos ponderar o resultado de 4 a 0 dos visitantes – os tricolores – com o fato de os catarinenses terem tido mais a bola em sues pés e, também, por eles terem arriscado mais. Muito se resumiu pela atuação excepcional de Fred, e pelo trunfo do 4-2-3-1: o trabalho versátil dos meias na linha ofensiva.

Com isso, o pragmatismo pode ser esquecido, mas, a exemplo do que aconteceu com o Brasil no jogo contra a Costa Rica, em que os jogadores dessa linha ficaram praticamente imóveis por toda a partida, o grande momento de um time na competição ocorreu em 10 jogos, e no pós desse momento, se deu a crise que poderia ter tirado a equipe da briga. Por este fato, uma análise do momento específico do Corinthians no tempo falado exige um outro post – mostrando que a equipe também tinha uma linhagem ao 4-2-3-1, escolhido por Tite, e que fracassou no jogo diante o Tolima.

O possível legado do campeonato nacional - 4-2-3-1

Por: Felipe Saturnino

04/12/2011

Corinthians: o campeão pragmático com um time previsível em um campeonato imprevisível

O Corinthians foi campeão não só por ser ‘Timão’ – nunca é só por isso, acreditem. Foi campeão porque perseverou o torneio inteiro num sistema, manteve-o, e com convicção. Foi campeão por, além do mais, manter o seu técnico que é bom – acreditem nisso também.

A equipe é diferente daquela que falhou ao combater o Tolima na Libertadores, lá no início da temporada. Mas tem o mesmo sistema. O que mudou é que Tite não tem mais Ronaldo e RC, mas sem mais significativas mudanças. Com exceção feita a Alex, é claro. E Willian, também.

O que mudou foi que Tite foi mais convicto do que nunca. E seus jogadores também foram. Tivera a equipe, talvez, perdido o confronto diante o São Paulo há certo tempo atrás, e o gaúcho, também talvez, não permaneceria no lugar que hoje está. E Tite nem foi combatido por sacar o beque Chicão da equipe – o elenco foi com o técnico.

Após as 10 primeiras rodadas, a poção acabou. Foram 28 pontos, algo absurdo, muito absurdo. Um bom futebol. Um bom 4-2-3-1. Depois da derrota para o Cruzeiro, poucas atuações foram de se elogiar. Talvez aquele jogo contra o Vasco, e aquele outro contra o Atlético-GO. Mas no mais, nada demais. O que me parecia é que, com tamanha previsibilidade – com a terminação fazendo homenagem ao técnico da equipe – e tamanho pragmatismo, o time iria se modificar de alguma forma, fosse taticamente ou no comando. Mas não.

O campeão Corinthians manteve a linha dos meias ofensivos e, no entrave decisivo contra o arquirrival Palmeiras, Wallace era o homem do ponto-chave. Se ele combatesse Valdívia, o Corinthians não teria tamanhos problemas. Valdívia fez uma partida razoável, mas mais uma vez fez bobeira. Expulso.

E tudo se desenhou à maneira comum de um time previsível num campeonato inimaginável. Pela emoção, não pelo conteúdo técnico.

Em pensar que tudo isso ocorreu quando um Doutor e ídolo da equipe faleceu, no mesmo dia.

Tite - perseverou, num dia histórico dos corintianos, para o bem e para o mal

Por: Felipe Saturnino

04/12/2011

Para o penta

O Corinthians, hoje – já que estamos com pouco mais de meia hora no dia 4 de dezembro – é o favorito para conquistar o Brasileirão. Claramente.
Para os alvinegro, basta o empate contra o rival Palmeiras.

A equipe de Tite não terá Ralf e Émerson, ambos suspensos por motivos diferentes. Um por normalidade do futebol – os cartões – e o outro por um pisão no jogo diante o Avaí – a suspensão foi justa. Assim, a equipe terá um obstáculo a mais: achar um volante decente que dê conta de Valdívia no meio-campo central. Mesmo que o palmeirense não venha jogando bem – sua temporada foi horrorosa, com algumas exibições na seleção chilena. Tite, então, deve escalar Wallace. A opção pelo zagueiro torna o embate mais interessante, já que a equipe corintiana poderá se compactar mais no campo defensivo, sabendo que o jogador é um zagueiro. Porém, seu trabalho mais normal será o de cobrir o espaço de Ralf.

O embate também deixa clara a supremacia do 4-2-3-1, já que ambos jogarão no esquema. O Corinthians pode sofrer em dois pontos: com Luan pra cima de Alessandro e Valdívia pra cima de Wallace. Patrik sobre Fábio Santos é muito mais questão de contenção defensiva e cobertura do que uma tentativa de atacar os mandantes. Paulinho deve vir sobre Marcos Assunção, e Alex pode se aproveitar sobre Márcio Araújo ou outro volante qualquer. Aliás, o Corinthians vai depender de Alex. O meia terá que dar a dinâmica que Danilo não deu contra o Figueirense.

Tite pode iniciar o jogo, para confundir Felipão, com Danilo numa meia periférica, jogando aberto. Isto pode fazer com que a equipe tenha mais controle da bola, já que são jogadores articuladores, mesmo que tenham características distintas.

Mas, além de tudo, como foi dito, o Corinthians deverá se preocupar com a incidência de Valdívia sobre Wallace. O zagueiro não é tão ágil quanto Ralf em seus combates, por razões óbvias, e pode sofrer por isso. E se Luan levar a melhor sobre Alessandro…

Ainda assim, a vantagem é consideravelmente grande. O penta está perto. O que não quer dizer que esteja ganho. Tite sabe do que falo, e Wallace terá que ser consistente com o chileno palmeirense para que a profecia se concretize. Para o penta, Wallace é fundamental – acredite.

Wallace - prestes a fazer o jogo mais importante de sua carreira

Por: Felipe Saturnino

29/11/2011

Corinthians quase campeão; um brinde à Alex e seu dinamismo

Jogar no Orlando Scarpelli não era tarefa fácil de modo algum, ainda mais com um Figueirense fortalecido e que dependia de uma vitória para ir à Taça Libertadores. Os corintianos, entretanto, sabiam que necessitavam do mesmo resultado para continuarem o rumo natural ao título. E, mesmo sem um futebol convincente, em jogo que decide campeonato, vence-se ou ganha-se.

E a equipe do Parque São Jorge levou mais uma de vencida. Mais uma fora de casa. O jogo-chave – sabendo que um empate dá o pentacampeonato ao segundo mais querido do país – ganho.

Chamou minha atenção, porém, mais do que a simples vitória paralelamente ao resultado épico da vitória vascaína, o comportamento do Figueirense em campo. Nada revolucionário – claro que não -, mas mais uma tentativa para conter o Corinthians.

Jorginho havia dito que o alvinegro não seria campeão em SC, e modificou o Figueirense taticamente, passando a equipe do 4-3-1-2 para o 4-2-3-1. O ex-lateral armou o esquema da moda, puxando Wellington Nem à ponta esquerda para fazer frente ao lateral-esquerdo Fábio Santos – menos seguro no combate que Alessandro. No outro lado, Maicon era menos incisivo sobre Alessandro. Muito pelas características do jogador e, por, propositalmente, fortalecer o lado em que Paulinho, o volante corintiano, agia no campo. E também por conceder liberdade à Nem – constatando um equilíbrio tático nos flancos do campo. No meio-campo central, Ygor era o volante que batia de frente com Paulinho. Coutinho atuava junto de Danilo, o número 20 do Corinthians que nada fez no jogo. Nada mesmo. Não articulou, errou muito e estava preguiçoso. Algo que num time com um dado Alex, em dia razoavelmente bom, pode custar a vaga na equipe titular.

A estratégia de Jorginho era válida por neutralizar Paulinho com Ygor, barrar Émerson com Juninho e ter mais força na marcação com Maicon pelo mesmo lado. O motivo mor da equipe de Tite jogar mal, porém, foi a falta de um “ligador” em dia de “ligador”. Este era Danilo. E Alex entrou no segundo tempo; centralizou-se, empurrou Danilo para a esquerda e sacou Willian em um dia muito fraco. Mesmo assim, o mais sensato seria tirar o ex-são-paulino.

O que foi dito sobre o Figueira se parecia com o que Caio Júnior fez na ótima vitória do Botafogo sobre o Corinthians por 2 a 0 – manter um volante preso à Paulinho. Porém, a dinâmica que faltava no meio-campo apareceu, e as chances que o adversário teve não foram aproveitadas como naquela derrota. O lance de Alex no gol de Liédson mostra o que quero dizer.

Com a mudança, Tite praticamente ganhou o campeonato. Alex, mais atento ao jogo que Danilo, deu o passe qualificado que a equipe precisava. Nem precisou de Adriano nesta vez.

Muito deste jogo demonstrou a dificuldade de jogar no 4-2-3-1. Se barrado um certo ponto do esquema, as outras partes se tornam muito frágeis. Se não fosse a agilidade de Alex para se soltar mais em campo, talvez estivéssemos falando aqui do Vasco líder. Um brinde à Alex.

Alex e Liédson - dinamismo e decisão

Por: Felipe Saturnino

28/10/2011

De onde vem o problema?

O São Paulo está muito próximo de amargar seu 3º ano consecutivo sem título algum – desde o tricampeonato ganho com Muricy Ramalho naquela série histórica de títulos da equipe do Morumbi. Mas a expressão “muito próximo” pode e deve se tornar definitiva nos momentos seguintes do Brasileirão. E só do Brasileirão.

Pois da Sul-Americana a equipe de Leão foi eliminada pelo Libertad. Mesmo com a vantagem mínima, que nem por isso era pouco importante. O problema foi que, mesmo mantendo o traço tático que Batista vinha implementando e Milton Cruz também, o São Paulo sucumbiu – ainda que ressalve pela mudança de Marlos. O 4-2-3-1 que o São Paulo utilizou na ida contra a equipe paraguaia, por exemplo, juntou Cícero, Dagoberto e Lucas na linha dos meias ofensivos – a chamada “linha do 3”. Nessa linha, o eixo de variação, isto é, de movimentação dos jogadores, se dava entre Dagoberto e Cícero, que se revezavam ao centro. Lucas, mais preso ao lado direito, tinha o apoio de Piris.
A mudança por Marlos tem ressalvas por enfatizar o revezamento no posicionamento tático nessa linha. Havia variação, mas o São Paulo sofreu com o penal tolo feito por Luís Fabiano, e apesar de criar, pecou na conclusão.

Todos sabemos, também, que com variações ocorrendo, as posições ficam menos exigidas, mas os jogadores tem funções diferentes dependendo da posição que ocupam. Isto também é um ponto a ser analisado quando um jogador como Lucas vem atuar centralizado: não é um articulador central, mas a tentativa de tornar o esquema da moda menos pragmático é válida.

E as trocas de esquema têm sido frequentes no São Paulo. A equipe teve quatro técnicos no ano: Paulo César Carpegiani, Adilson Batista, Milton Cruz e Leão.

O primeiro se alternava entre um time com disposição de 3 jogadores na defesa e um 4-4-2 ortodoxo; contrariando o 4-4-2 “pragmático”, Batista usou o “diamond midfield” – para caracterizar o losango do 4-3-1-2. Porém, o ex-técnico do Cruzeiro também utilizou o 4-3-2-1 e 4-2-3-1, ambos com Luís Fabiano. A mudança de um esquema com disposição de 4 e 4 – quatro defensores e quatro no meio-campo – para um esquema para com variação de 5 homens de meio-campo pode ter marcado o fim da era Adilson. Esta transição de uma disposição para outra pode comprometer um time. No caso do Sampa, comprometeu.

Como havia falado aqui, Leão devia estar pensando no 4-2-3-1 – já que Adilson havia usado o esquema em seus últimos jogos e Cruz resolveu prosseguir com a ideia. Usou o esquema, mudou o estilo da linha dos três meias e padeceu no Paraguai, pelas quartas-de-final da Copa Sul-Americana. E agora, pela figura que temos, Leão usará um time com linha de 3 zagueiros – apesar do Diário Lance ter publicado uma formação em 4-3-1-2, no estilo Batista.

Todas essas variações, sem manter um padrão, podem comprometer um time. O São Paulo testou no mínimo quatro desenhos diferentes e, no que mais utilizou – o 4-3-1-2 com Adilson -, praticamente descartou dos planos no ano. Tudo que faz lembrar Adilson parece uma praga.

E tudo isso sem falar do estado político da equipe – que não se compara à situação do vizinho de CT, mas ainda assim sofre.

A equipe tricolor do Morumbi, que antes se dava como Soberana, perdeu um pouco dessa soberania. Não seja por isso, a vaga da Libertadores parece difícil e muito hipotética no momento. O segundo ano em recesso da competição.

Leão e o grupo do São Paulo - problemas com muitas possíveis causas

Por: Felipe Saturnino

24/10/2011

Leão e as possibilidades

Leão chegou para ser uma certa indefinição. Assinou até o fim da temporada, porém, sua permanência terá algumas variáveis. E todos sabemos por quais motivos.

O técnico tentará se reerguer e se ativar no mercado – isto é, mais que um simples trabalho, no São Paulo Leão tem a chance de fazer algo relevante. E para isso, o ribeirão-pretano terá que ponderar algumas de suas possibilidades táticas na equipe paulistana.

Adilson Batista falhou usando o losango, um 4-4-2 com maior variação, sem tanto pragmatismo do 4-4-2 das duas linhas britânicas. Porém, sem ser demodé, o técnico resolveu fazer uma transição: usar o 4-2-3-1. Contra Cruzeiro e Inter foi assim. Contra o Atlético-GO, com Lucas de volta, Batista foi de 4-3-2-1, e tornou Cícero um dos compositores da linha do 3 no meio-campo. O Tricolor não venceu uma partida sequer das três citadas.

O declínio de Adilson Batista pode ter se devido à transição do esquema. Passar do losango para um esquema mais ‘retílineo’, com uma linha bem definida no meio-campo, pode ter sido um trauma. Tudo isso pela mudança necessária por Luís Fabiano.

E era necessária. E a variação a que a necessidade é exercida é que Leão vai ter que ponderar. O losango está descartado – creio eu. As possibilidades do novo comandando do Tricolor se restringirão ao 4-2-3-1 e ao 4-3-2-1. No primeiro, ele seguiria o plano mais lógico do contexto atual – é o que Milton Cruz tem executado. No segundo, o plano tático deixado por Adilson após sua série negativa em mais uma passagem traumática por mais um clube de São Paulo seria o predominante. No caso atual, se Leão quiser ter vida longa, terá que optar no uso mais prático de um sistema que vem sendo usado por Milton Cruz e que já havia sido posto em campo com Adilson. Seria o 4-2-3-1. E deverá ser o 4-2-3-1.

Leão - pensando em sua carreira e no 4-2-3-1

Por: Felipe Saturnino

22/09/2011

No pragmatismo e na marcação, o 0x0 decepcionante

No Morumbi, nesta quarta-feira, esperávamos, todos, um bom jogo de futebol. Aquele clássico que fosse eletrizante, tanto um ótimo jogo técnico como um interessante duelo tático no xadrez.

O 4-2-3-1 do Corinthians no clássico: Willian recompondo, pela direita ou esquerda; Alex recuado para auxiliar a compactação; Émerson flutuante; na prática, um 4-4-2 com dois meias abertos

Não valeu por nada. O São Paulo no 4-4-2 com duas linhas de quatro não fez um bom jogo. O Corinthians, com Alex super recuado auxiliando na recomposição, foi de 4-2-3-1 que, alternadamente, permitia a um dos jogadores extremos – Willian e Émerson – a aproximação ao centroavante Liédson.

O São Paulo do 4-4-2 no clássico: Casemiro pela direita, Wellington e Paraíba centrais, com Cícero à esquerda; erro foi não forçar jogo em cima de Ralf, o que tornou o São Paulo pragmático nas suas investidas

Já havia sido dito que o Corinthians é um time previsível até um ponto. Num 4-2-3-1 versátil, a equipe “encaixou” a sequência avassaladora do início de campeonato – com 28 pontos em 30 disputados. O problema começou a surgir quando os desfalques se deram e, de uma forma, o rendimento de alguns jogadores não era o mesmo de antes. Depois da vitória sobre o então líder São Paulo, o Corinthians venceu mais alguns jogos. Diante o Inter, por exemplo. Mas a contundência dos jogos iniciais já tinha ido embora.

O Corinthians do sensacional início de campeonato: 4-2-3-1 prático que tem suporte de Paulinho pelo lado direito, com Jorge Henrique recompondo pela esquerda; ataque pela direita com a ótima fase de Willian, e Danilo fazendo a ligação; apoio de Fábio Santos pela esquerda

A equipe hoje de Adilson Batista, depois do massacre sofrido para o Corinthians na goleada do clássico, começou a achar um conjunto na vitória diante o Coritiba, no Couto Pereira. Venceu por 4 a 3 depois de marcar 4 gols e ter tempo suficiente para construir uma goleada histórica.

O São Paulo que começou a se desenhar nas mãos de Adilson: 4-3-1-2, com Rivaldo como vértice avançado, Paraíba e Wellington nos flancos do losango do meio-campo; Lucas e Dagoberto, afunilando e abrindo espaços na defesa adversária

Ontem, ambos os times pouco fizeram de relevante. O São Paulo conseguiu imprimir um ritmo forte nos primeiros momentos. Após recuperação de Juan – que ia ser incisivo e agressivo em cima de Alessandro – Dagoberto pegou a bola e arriscou, já dentro da área. Júlio César espalmou para lateral. Isso foi aos 5 da primeira etapa.

O jogo ficou pragmático demais. O Corinthians, agora já em um 4-4-2 que liberava Willian e jogava Émerson para o flanco direito, permaneceu improdutivo e muito respeitoso ao São Paulo. E para o time de Adilson faltou aceitar um risco maior. Faltou mexer com a cabeça do Corinthians – que vivia um dos piores momentos desde que Andrés Sanchez se tornou presidente.

Ainda assim, com as exigências do jogo, o São Paulo não conseguiu ser imprevisível. Com Cícero atuando à esquerda, na linha com Carlinhos e Wellington mais centralizados, e Casemiro aberto pela direita, o São Paulo não conseguiu atacar os volantes corintianos. Cícero se tornou bastante periférico para o jogo, e os avanços eram impedidos pelas recomposições de Willian e Émerson. Forçar o jogo com um vértice avançado seria recomendado – jogando Cícero para a meia central e tornando-o o marcável para Ralf, que cobria o lado de Fábio Santos, substituto de Castán no entrave.

Um outro motivo de decepção foi a atuação de Lucas – decorrente também por um pragmatismo do São Paulo. O camisa 7 da equipe do Morumbi jogou em cima de Paulo André – que fez partida muito segura ao lado de Wallace.

O Corinthians tinha Paulinho, como segundo volante, ocupando espaço para impedir os avanços de Carlinhos Paraíba. Alex voltava mais para recompor o jogo. Em alguns momentos, até mesmo Liédson ocupava espaço para marcar o volante Wellington, do São Paulo. Quebrar o primeiro passe da saída era fundamental.
E a equipe de Tite jogava pela bola. Que apareceu, aliás. Duas, mais exatamente. A primeira com Émerson, aparecendo na área e cabeceando para fora. A segunda se originou pela mudança de Piris por Rodrigo Caio, que perdeu a bola após um erro ridículo e deu a chance ao Corinthians, agora com Willian. O chute foi em um dos beques são-paulinos. Neste momento, o São Paulo tinha um meio-campo com Rodrigo Caio – primeiro volante -, Carlinhos Paraíba – à esquerda -, Casemiro – à direita – e Rivaldo, que substituiu Cícero. Wellington foi para a lateral-direita.

Em nenhum momento, porém, o São Paulo assumiu um maior risco. Em ao menos 80 minutos de jogo, o time atuou com a linha de quatro, sem modificação. O Corinthians, brigando por um empate que amenizaria o mau momento, saiu do Morumbi com o resultado que queria. O São Paulo arriscou pouco e pecou pelo que seu rival no momento não tinha enquanto atravessou um momento de derrota: imprevisibilidade.

Por: Felipe Saturnino

04/09/2011

A falta que um meia (jogando bem) faz

Tcheco e Danilo - o corintiano fez jogo fraco; o coritibano atuou bem no jogo 'espelhado'

Espelhar: gíria técnica dos técnicos sobre implantar mesmo sistema tático de seu adversário e, assim, estabelecer confrontos táticos idênticos no campo

Quando no Couto Pereira Coritiba e Corinthians começaram a jogar, logo seu viu que a previsibilidade dos sistemas táticos definiria o jogo. Ou melhor, quem fosse imprevisível ao seu mais alto ponto, venceria o jogo.

No 4-2-3-1, os dois times espelhados estabeleceram confrontos táticos importantes no jogo. O Corinthians havia desistido de Danilo e Alex num mesmo esquadrão e foi com Willian, Jorge Henrique e Danilo, este último centralizado. No Coritiba, os meias ofensivos eram Marcos Aurélio – escapando pela direita e vindo por dentro -, Tcheco, como meia central, e Rafinha, indo pra cima de Alessandro no lado esquerdo curitibano.
Pela ideia lógica, o time que melhor aproveitasse a linha dos meias ofensivos, jogando-os para cima de um volante e dos laterais, venceria o jogo. Sim, quem fosse mais incisivo, ofensivo e intenso venceria o jogo do “espelho”. Pois pelo sistema estabelecido, prende-se o volante adversário para marcar o meia central, e joga-se o meia pela esquerda ou pela direita para cima de um dos laterais.

E o Corinthians não conseguiu produzir nada tão relevante. Apenas amedrontou o Couto Pereira em dois lances de Alex, um com o gol mais que claro, e outro em chute de longa distância. O outro momento perigoso foi de Willian, nos segundos finais. O 7 corintiano voltou a jogar em um nível aceitável, porém, mesmo assim, não conseguiu resolver a vida dos comandados de Tite.

Os 4-2-3-1s da perspectiva do meio-de-campo: Coritiba forte com Rafinha e Corinthians sem 'prender' Donizete

Pois sim, o meia central é importante no confronto. Danilo pouco produziu e assim não atraiu o volante coritibano, Leandro Donizete. E quando o fez, nada fez com a pelota nos pés.
Enquanto Tcheco, Rafinha e Marcos Aurélio faziam uma boa partida na linha dos meias do Coritiba. E uma hora, pela ofensividade de Rafinha, pela cadencia de Tcheco – que, aliás, sofreu uma luxação em um de seus dedos – e pelas investidas de Marcos, o gol sairia. Sim, o gol estava maduro. O Corinthians não produzia nada e era atacado. Constantemente.
Moradei é limitado demais para jogar no Corinthians, e sofreu muito depois que Marcos Aurélio foi jogar centralizado, com Éverton Costa entrando no lado esquerdo – substituição ousada e boa que Marcelo Oliveira executou

Até que, aos 28 minutos da etapa complementar, o Coritiba fez o tento. Merecido.

Mais uma vez, Tite pecava em insistir em um Danilo apagado, e também por não tentar tornar o sistema mais imprevisível. Tanto que Alex entrou bem no jogo.

Mais que tudo, agora, o Corinthians tende a mudar o sistema. Pois pela falta de um meia central que seja efetivo, mude por suportar mais pontos de criação. Um 4-4-2 pode funcionar. Mas vai por Tite, óbvio – que hoje, aliás, não teve a ousadia do treinador dos coritibanos.

Ainda assim, o Corinthians é líder. Mas sem a mesma força que antes tinha.

Por: Felipe Saturnino

21/08/2011

São Paulo x Palmeiras: o clássico dos que não convencem

“Clássico é clássico e vice-versa.”

“Clássico não tem favorito.”

“Clássico é jogo diferente.”

“Clássicos são sempre bons jogos.”

Verdades, dúvidas e mentiras. A primeira frase é emblemática, marcante. Mostra um pouco do que é um clássico.
Porém, clássicos têm favoritos, apesar de isso normalmente não se refletir em campo.
Clássico geralmente é eletrizante, emocionante. Pois é. E a última, bem, esta é uma mentira declarada e assinada.

Temos um exemplo de clássico comum: o Choque-Rei de hoje, tome este. Jogo morno, sem sal, mas com duelos táticos interessantes. Adilson “inventou” e foi de 3-5-2, com desdobramento em 3-4-1-2. João Filipe entrou na zaga para combater o problema mais que óbvio da proteção, numa tentativa de estabilizar o setor da defesa e da parte dos volantes. Estes – Wellington e Carlinhos Paraíba – não possuem as características que identificam um primeiro-volante.
O Palmeiras, por sua vez, tinha em campo um 4-3-2-1 mais que interessante. Era defensivo, mas inteligente. Era pouquíssimo criativo, mas muito marcador. Para entender, temos alguns confrontos tomados como base:

Juan x CicinhoPiris x LuanRivaldo x Chico (ou outro volante)

Juan foi péssimo no apoio e peca muito quando é exigido ao limite de sua qualidade em relação à marcação. Cicinho o prendeu até o fim da primeira etapa. Na outra ala, Piris e Luan duelaram para saber quem era mais consistente no apoio e na marcação. No final, quem saiu vitorioso foi o palmeirense. Rivaldo venceu o duelo em alguns momentos, mas o tripé de volantes da equipe alviverde – Chico, Márcio Araújo e Marcos Assunção – foi mais forte no geral.
Sem apoio qualificado no decorrer do jogo, a equipe do São Paulo teve de recorrer à centralização do jogo, com Rivaldo no centro da articulação. Tudo errado.
No final, o mais sensato seria recorrer ao 4-3-1-2 – pelo menos para mim. Com os volantes dando suporte à criação e atuando como apoiadores, o resultado poderia ter sido diferente. O problema seria a proteção da zaga, sabendo da ausência de um primeiro-volante e também que Denílson estava machucado.

O Palmeiras pode ficar feliz. Até pelo fato de ter empatado com uma equipe com maior limite técnico e ainda por ser fora de casa. A proposta de Felipão, mesmo com a mudança no segundo tempo para 4-2-3-1 com mais ofensividade, foi sempre manter um time postado de forma mais contundente e segura em campo. Quando Maikon Leite entrou na partida, o técnico quis segurar mais Cicinho para conter avanços de Dagoberto e Fernandinho pelo setor, mas, ainda assim, o ala tricolor fez um jogo deprimente. Juan, notoriamente, precisa de uma cobertura qualificada para a marcação. Neste caso, o primeiro-volante seria fundamental. Mas a equipe de Adilson não possui um destes.

Juan x Cicinho - o ala são-paulino foi deprimente na marcação

No mais, um jogo morno e inconvincente, configurando justamente o limite criativo e técnico do Palmeiras e a incompetência em ganhar pontos em casa do São Paulo.

Pois é, mais um fair play ao líder Corinthians, que também fez um jogo limitado e sucumbiu ao perder do Figueirense, sábado, no Pacaembu.

Por: Felipe Saturnino