Posts tagged ‘Campeonato Espanhol’

21/04/2012

A maior vitória do Real de Mourinho

O Real Madrid, e nenhum outro time do planeta, pode se sustentar diante o Barcelona de forma agressiva. Isto é, não pode se atacá-lo. Ou até melhor: não consegue-se atacá-lo.

A ação reativa (contragolpe) é a única arma exuberante do repertório madridista que pode mesmo ‘ferir’ o Barcelona. Mesmo que a qualidade total da equipe da capital deixe esse fato para trás. Pois deixa. E muito. Mas a qualificação para retrair as linhas e sair de forma vertical, em velocidade, é a única coisa que se tem para ‘assustar’ os catalães. O problema é que dificilmente funciona, pois necessita-se de absoluta atenção em todos os instantes do jogo.

Em mais um bom clássico, Madrid e Barça protagonizaram um fato novo nesta história que percorre a temporada europeia, ansiando por um encontro entre ambos na final da Liga dos Campeões, em Munique: a neutralização.

Experimentaram o fato por uma atuação mais do que segura dos volantes Xabi Alonso e Sami Khedira. O time de Mou retraiu as linhas e reduziu o espaço, como é de praxe diante o Barça. Mas hoje tinha um algo a mais que diferenciava esta ocasião das outras, tornando-a exceção. O Madrid se defendeu de forma exímia, e não errou.

Meia verdade: errou, no gol barcelonista, mas é a única menção.

A equipe de Pep Guardiola seguiu sua contínua modificação: 4-3-3, 3-4-3, e até teve linha de quatro no meio-de-campo. Daniel Alves prosseguia na ‘altura’ do campo segundo essas mudanças: fosse 4-3-3, ele viria a ser um ponta-direita. 3-4-3, parte média do campo.

Mas a diferença foi que o Real conseguiu jogar, conter a equipe do Barcelona e contra-atacar. Foi bem-sucedido também no jogo aéreo. O gol de Khedira, aliás, surgiu após cabeçada de Pepe, com uma falha de Valdés – obviamente não tão escandalosa como aquela do jogo do primeiro turno, mas ainda assim uma falha -, o que fez com que o volante alemão constasse no primeiro gol do placar em Camp Nou.

E mesmo com Coentrão, o Real Madrid se virou. O português foi designado para a lateral-esquerda apesar de seus pesares do revés do Bayern na Allianz Arena, na passada terça-feira. Na linha média-ofensiva, o Madrid oferecia Mesut, Angel e Cristiano ao ataque. E um Benzema, em grande forma, partindo para o jogo.
É óbvio que esperávamos que o misto desses grandes talentos, uma hora, poderia vir a nos dar algo de mais significativo contra um dos maiores esquadrões da história do esporte. Mourinho só havia obtido uma vitória dentre os diversos jogos entre os gigantes: aquela na Copa do Rei, no Mestalla.

Todavia, apesar daquele acerto tático do 4-1-4-1 ter representado um triunfo que, por fim, representou o primeiro e único caneco de José no comando do Madrid, hoje a vitória pareceu mais significativa.

As circunstâncias influenciam na avaliação geral. Se aquele jogo foi em campo neutro, isolado, aqui a situação era pró-Barcelona. No inferno que deve ser para o Real Madrid, venceu o time da capital. O 4-2-3-1, apesar da descrença relativa às experiências com o Barça, foi mantido. Coentrão, idem.

O que mudou, até mais do que o princípio tático de redução de espaços, foi a atitude madridista. Foi um jogo muito bem conduzido, sem ‘pressure’ – apesar de ter sido com muita. Mas a pilha natural foi levada, de acordo com o contexto, e compôs a maior vitória do Real Madrid em algum tempo sobre os melhores do mundo – e melhores da história.

Além da neutralização tática, a psicológica auxiliou o Real Madrid a faturar – perdão, a praticamente faturar – o 32º caneco da sua história. Messi não brilhou – fez sua atuação mais tímida em um clássico em algum tempo. Dessa vez, o segundo melhor do mundo o fez. E neutralizou o maior rival dois minutos após o empate, com um belo gol após a ótima bola de Özil. O tento que veríamos que, ao final, constataria a primeira vitória do Real de Mourinho no Camp Nou. Provavelmente a maior, por todo seu contexto.

Cristiano - mostrando que há vezes em que o segundo melhor pode ser melhor que o primeiro

Por: Felipe Saturnino

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19/02/2012

(Des)Confiando

O Real Madrid é virtual campeão espanhol. 10 pontos de vantagem sobre o Barça lhe deram o privilégio de controlar o topo da tabela como bem quis, e agora o primeiro caneco do campeonato nacional para o time forte de Madrid em três temporadas está ficando mais visível.

O Barcelona, porém, ainda é o melhor time do mundo. Por isso que é favorito na Champions League. Mas, a figura mudou um pouco.

Mudou pois o segundo melhor time do mundo, pela primeira vez consistente, consegue ameaçar o reinado da equipe da Catalunha. Consegue pois começa isso no campeonato espanhol – marca que vigora nas conquistas de Pep Guardiola com o Barcelona desde o início de seu comando, no ano de 2008. A hegemonia nacional deverá ter um fim após algum tempo, porém, a questão abrange diversos polos de discussão para a sucessão de trono do melhor time da Europa. Parcialmente, pelo menos.

Em dezembro, Mourinho falhou e, como aqui num post foi descrito posteriormente, ficou sem reação no momento que conflitava com o Barcelona em Bernabeu. O jogo encerrou-se na contagem de 3 a 1, com mais uma decepção para os madridistas.

Fica claro, se já não era óbvio, que a conquista do espanhol não representa uma satisfação total por parte dos madridistas. É preciso fazer mais, porque a rivalidade Real Madrid-Barcelona envolve muita dignidade e autoestima. Até por isso, com algumas cogitações devidamente borbulhadas, José Mourinho não deve permanecer no Real nesta temporada – ainda que conquiste o espanhol.

A figura muda novamente quando falamos de vitória em Champions League, pois se Mou conseguir vencer a competição pela terceira vez em toda sua carreira, ele pode, sim, ficar. O problema seria encarar o Barcelona por mais algumas vezes na carreira, e continuar sofrendo constantemente com isso, apesar de ser o único que realmente incomoda o poderoso esquadrão de Guardiola.

Dentre todas as dúvidas, o Real Madrid está simplesmente impecável, e, sem se arrepender de dizê-lo – mas podendo se arrepender depois -, está no primor de seu jogo em algum tempo. A equipe não tem fraquezas – como nunca teve – e joga bem com consistência, trucidando rivais, mesmo que sejam pequenos, em momentos, apenas. A liderança consta de 61 pontos e 79 gols, tendo sofrido 21. Então, o ‘clash’ entre os maiores do mundo pode ocorrer em estágios mais avançados da competição da Copa do Campeões, para decidirmos se o Barça manterá mesmo a coroa.

Os dois serão favoritos a chegarem às finais do torneio, indubitavelmente.

Assim como é sem dúvida que a confiança do Real Madrid está lá em cima. Com o espanhol praticamente ganho, a única dúvida vai ser em quanto a equipe pode chegar com pilha para o jogo contra o Barcelona no Camp Nou, para o returno. Aí sim, poderemos ter uma decisão prévia da temporada de ambos os times.

No nível dos melhores do mundo, a impressão é de definição por termos um dos melhores times da história do jogo em atividade e indefinição se o time de Mourinho pode detê-lo. Com a confiança – e desconfiança, ao mesmo tempo – que tem-se, o Madrid pode fazê-lo. Questão debatível mesmo é quanto significa vencer o espanhol para apenas realçar uma campanha que pode quebrar nas mãos barcelonistas, mais uma vez. Confiando e desconfiando, indo e vindo, os melhores do mundo vão se encontrar mais algumas vezes este ano. A coroa pode mudar de mãos, pelo menos parcialmente. E vai ser a última chance de Mourinho em Madrid. Ou melhor, desconfio que será.

Cristiano e Real Madrid - viajando na confiança e sendo desconfiados

Por: Felipe Saturnino

19/12/2011

Com ponta ou sem ponta?

O Barcelona não apenas me chama atenção pela beleza de seu futebol, pela essência do ‘tiki-taka’ ou por nomes antológicos como Xavi Hernández, Andrés Iniesta ou Lionel Messi. E também não é algo que passa pela figura tão sutil e suave como a de Josep Guardiola, treinador dos blaugranas.

É algo a mais que só o que é.

O Barcelona do jogo contra o Real Madrid: 4-3-3 para o 3-4-3 do diagrama

Das atuações do ano, a que mais me chamou a atenção do Barça não foi a destruição total diante o Santos, e sim a aulinha pra cima do Real Madrid de Mourinho. E não foi por motivos óbvios – como os que apresentei lá no início do post.

Foi pela mudança tática.

Guardiola, com novas peças, como Thiago e Cesc Fàbregas, soube como renovar o espírito filosófico barcelonista, que por mais pragmático que seja, é mais do que vencedor. Afinal, mudar um desenho tático mais do que consolidado é um tarefa difícil de fazer.

Josep o fez. Melhor, o faz. Com excelência.

O primeiro jogo em que eu presenciei a mudança consolidada, isto é, sem variações num mesmo jogo, foi no embate contra o Villarreal, em agosto. Em Camp Nou, os mandantes fizeram 5 a 0.

Guardiola improvisou e armou a defesa com ‘dois’ volantes: Sergio Busquets e Javier Mascherano. Abidal jogou pelo flanco esquerdo da defesa; na linha da frente do meio-campo, Iniesta, Fàbregas e Thiago foram os atuantes. Os avantes foram Sánchez, Messi e ‘Pedrito’. Mesmo sem laterais, ou melhor, alas, os meias abertos, isto é, Ini e Thiago, provaram a qualidade que possuem e deram suporte aos atacantes. A equipe tinha dois pontas – Sánchez e Pedro -, que clareavam o jogo, tanto quanto centralizavam. Fàbregas infiltrava-se para ocupar o lugar de Messi que, como sempre, flutuava em campo.

Foi uma grande atuação pelo trabalho dos meias.

Contra o Real Madrid, algo mais violento e intenso. Mais variação.

Nesse jogo, o Barça foi de 4-3-3 para 3-4-3, até mesmo 4-4-2, com Busquets se aprofundando em momentos do jogo para formar uma linha de 4 homens na defesa. Guardiola, pela primeira vez, de fato, pôde vencer Mou no ‘braço’, na tática do jogo, enfim. Uma das melhores exibições que, certamente, já vi em minha vida. Sánchez jogou como ponta, porém, sua movimentação era constante: poderia centralizar-se ou, até mesmo permanecer no flanco em que estava. Iniesta, no momento, era algo entre um meia-esquerda e um ponta-esquerda, aprofundando o jogo sobre Fábio Coentrão. Fàbregas e Xavi eram os atuantes mais evidentes da linha de meio-campo, visto que Daniel Alves também aparecia muito forte pelo flanco direito, agredindo o lado de Marcelo, podendo ser dado como ponta-direita.

Contra o Santos, algo mais evidente que pode ser o que o Barcelona está atingindo: o 3-1-4-2.
Daniel Alves foi meia-direita, Xavi e Iniesta meias-centrais originais, Thiago meia-esquerda, e Messi e Fàbregas eram avantes que, mesmo assim, saíam para movimentar-se e provocar mais confusão na defesa adversária. O esquema no jogo de domingo, então, constou sem pontas. Mas, como sempre, o time foi funcional no meio-campo.

E devem ser dados a Pep Guardiola os créditos à tamanha variação que o Barça atingiu neste final de ano. Para renovar uma filosofia, não devemos nos pegar ao novo, mas fazer o velho e bom se tornar o novo e bom. Guardiola está usando a variação a seu favor. Com um ponta ou sem um ponta, o Barcelona pode usar o 4-3-3, o 3-4-3, o 4-4-2 ou o 3-1-4-2. Excelência tática no momento.

O Barcelona do jogo contra o Santos: o 3-1-4-2 para a 'renovação', sem um 'ponta'

Por: Felipe Saturnino

13/12/2011

Reação

O jogo Real Madrid x Barcelona ainda possui mais questões do que apenas aquelas discutidas aqui, há dois dias atrás.

O que me ocorreu hoje foi que, se tivesse percebido com um pouco mais de sagacidade e malícia, Mourinho poderia ter interferido mais no resultado do que como aconteceu.

O mais impactante pra mim, porém, é que o português é um homem com resposta para (quase) tudo na questão tática do jogo. Por isso, aliás, está no lugar que está. Ainda assim, ficou sem resposta no entrave diante o Barça.

A questão tática fica muito centrada no mover das peças do lado esquerdo da defesa de Mou. Daniel Alves não avançou com o intuito de combater Marcelo – e assim bloquear uma saída do Real -, mas sim somente para agredir aquele lado. Com isso, a vantagem começou. As movimentações de Messi tornaram-se mais previsíveis, ao ponto que este se tornava mais estático no lado direito do ataque catalão, minando o número 12 brasileiro dos merengues. Assim, o 3-4-3 do Barcelona começava a reinar no Bernabeu. E reinou – como sabemos.
Neste caso, Mourinho tinha a opção de puxar Coentrão para a lateral-esquerda, trazer Lass para a direita e fazer com que Marcelo trabalhasse num ponto mais médio do campo. Não importa se Messi não teria tanta companhia assim, mas sim permanece o porquê de uma impossível mexida do técnico madridista.

E a questão apenas fez-me refletir hoje.

Pois, acima de tudo, José sabia que tinha de fazer um outro algo, uma coisa diferente. Impotência e timidez para modificar um time não condizem com sua condição de um técnico tão bem avaliado. Foi algo contrastante com sua personalidade. Mas também foi algo impensável para ele. Afinal, é Mourinho.

Mou - sem reação

Por: Felipe Saturnino

27/10/2011

Real de Mourinho é mais agressivo do que ano passado

Os times de José Mourinho, reconhecidamente por ele, são notáveis em segundas temporadas. Porém, isso não o impede de ter uma boa temporada, e uma segunda temporada de apenas alguns “aprimoramentos“.

O Real Madrid mantém seu esquema, seu desenho predominante, as movimentações ofensivas e o trabalho defensivo. O que ocorre mesmo é que, com o passar do tempo, a equipe assimila mais o trabalho, se adapta ao 4-2-3-1 e executa as funções com mais naturalidade nos jogos. Com isso, o time agride mais, é mais incisivo e, apesar de Mou simpatizar-se pelo contragolpe, a equipe madridista tem sido fatal em seus jogos por causa da sua ofensividade.

As movimentações do Real na última quarta, diante o Villareal

Avaliemos os últimos dois embates da Liga dos Campeões e os últimos dois jogos do Campeonato Espanhol: a equipe de Mou marcou 14 vezes, e não sofreu gol algum. Tem tido mais posse de bola média do que no ano anterior. Contra Málaga e Villareal, respectivamente, 56% e 66%.

Desde o setor mais defensivo, dos volantes, funções exercidas por Xabi Alonso e Khedira, com o alemão mais agressivo; Di María recompondo e marcando muito forte pelo lado destro, com Kaká articulando e Cristiano e Benzema concluindo as jogadas, um na extrema-esquerda e Karim Benzema na posição de avante central. Com todos os atributos, o Real Madrid de Mourinho tem aniquilado seus adversários com câmara de gás: rapidamente. Sem piedade. Na última quarta-feira, em 10 minutos, a equipe havia criado 5 chances, com dois gols anotados – por Benzema e Kaká – e um tento anulado, de Sergio Ramos.

Na Champions, diante o Lyon, a equipe de Mourinho foi soberana em todo o tempo. 62% da bola em seus pés, e 4 gols a nenhum.

O trabalho da linha dos três meias ofensivos, sendo esses Di María, Kaká e C. Ronaldo, em relação ao jogo diante o Villareal, só não foi perfeito pois Cristiano fez um jogo muito abaixo da sua real capacidade. E, apesar do Villareal centrar em Borja Valero, o bom volante-meia, a responsabilidade de marcar Kaká, o meia brasileiro foi articulador primoroso. E o dono do jogo, Di María, está cada vez mais aplicado ao estilo do Madrid que é mais agressivo a cada dia que passa.

Um espetáculo a cada jogo. Porém, equipe da capital tem de estar preparada para agredir o todo poderoso da Catalunha, azulgrana. E esse time de Mou é cada vez mais incisivo, e cada vez mais é o dominante numa partida. Posse de bola absurda, muitas finalizações – 26 no alvo, mediando mais de 6 chutes no gol nos últimos 4 jogos – e atuações cada vez mais primorosas do seu trio de meias. Pode ser o ano dos madridistas.

Por: Felipe Saturnino

30/08/2011

No 3-4-3 do Barcelona, não há apoio de laterais, mas meias dão suporte

Sánchez e Messi - no 3-4-3, Barcelona é o mesmo, mesmo diferente

Pep Guardiola sabe muito bem que a escola barcelonista possui uma filosofia que, embora venha carregada de um esquema tático muito bem definido, não se adapta ao esquema. O esquema usado se adapta à filosofia, mesmo que as modificações na formação tática sejam quase inexistentes no time catalão. O 4-3-3 é predominante.

Ontem, diante o Villareal, foi diferente. Guardiola resolveu mudar um pouco o desenho tático, prezando mais a linha de 3 homens na defesa. Aceito. Mascherano não compromete, e Sergio Busquets é muito bom marcador e contém as ações ofensivas adversárias como volante, ainda participando da transição defesa/meio. Abidal é mais que consolidado como um bom zagueiro, apesar de seu maior sucesso na seleção nacional ter sido como lateral, com o vice na Alemanha em 2006. Mesmo assim, no Barça ele é lateral-esquerdo.

Barcelona no 3-4-3: sem laterais, meias abrem o jogo, Fábregas se infiltra e Messi brilha (como sempre)


Prezando e aceitando uma formação diferente, o Barcelona não modifica o princípio básico: a posse de bola e o toque vertical. Um time que, marcando pressão, ganha todas as ações na faixa intermediária e, assim, vence os jogos com considerável tranquilidade. No 3-4-3 de ontem, o time de Guardiola jogou como sempre, mas como nunca.

Muito pelo esquema que, sem tanto apoio dos laterais, libera Iniesta e Thiago Alcântara para concederem o suporte aos atacantes ponteiros, como Sánchez e Pedro, no caso. Messi fez a posição do falso nove e Cesc Fàbregas ocupou espaço como o vértice adiantado no losango do meio-de-campo.

Isto é, o desenho muda, mas a razão para o clube estar onde está, não. Sim, não muda. A posse e o tiki-taka são marcas registradas da equipe catalã. Messi deu show, Cesc jogou muita bola, Iniesta teve um jogo com menos rendimento que os dois citados e o naturalizado espanhol, Thiago Alcântara, fez gol e deu passe para outros dois: um de Sánchez e outro de Lionel.

Enquanto isso, a proposta se assimila mais a cada jogo. Mesmo com as mudanças e sem um apoio de um lateral como Daniel Alves, o Barça tem time suficiente para vencer, convencer e golear adversários, em outro esquema. E ainda há tempo de dar show, tema mais exclusivo no que se refere a Lionel Messi. Barbaridade.

Por: Felipe Saturnino

22/07/2011

Mou Manager

Estamos perto do começo da temporada europeia, então, nada melhor do que voltar ao assunto de futebol internacional.

O Real Madrid hoje anunciou que José Mourinho terá mais poder no seu clube. Quais poderes? Bem, esta é a questão.
O suposto desentendimento, que até hoje deixa algumas questões no ar, entre Mou e Valdano, pode ter sido uma questão de poderes e direitos internos. Aliás, com certeza, foi.

O motivo da briga entre os dois é incerto. Sabe-se que envolve uma questão de poder. Assim dada a “rixa”, rumores foram soltos nos mais diversos veículos de notícias. Mourinho teria recebido ofertas de clubes, e por conseguinte, poderia deixar os madridistas. Não ocorreu, como sabemos.

Quem saiu foi Jorge Valdano, campeão da Copa de 1986. E Florentino Pérez tratou de deixar claro que, no Madrid, quem manda é Mou. Entendido, tudo certo. Mourinho somava poderes já importantes.

Hoje, como já comecei falando, o Real Madrid deu a esta soma mais valores. José Mourinho é o novo manager do Real Madrid. Como Sir Ferguson no United, Wenger no Arsenal, e como alguns tentam fazer no Brasil, mas não se saem bem. Aliás, na Espanha os técnicos não assumem tanto poder como o português assumiu hoje. Na Premier League, ocorre. Então, é um caso diferenciado e peculiar.

Mourinho, então, hoje, manda mais no Madrid do que qualquer diretor. Até certo ponto, claro. Quando se trata de negociações, bem, agora Mou terá influência mais direta do que antes tivera.

Aliás, poder é importante, mas também tem de ser utilizado com responsabilidade. Agora Mourinho é mais que um técnico, é um manager. E que tenha ficado claro para todos: o homem manda mesmo.

Mou - manager e mandão

Por: Felipe Saturnino

04/05/2011

Empate entre Barcelona e Real fecha série histórica Barça-Madrid

Acabou a diversão dos meses de abril e de meados finos de maio. Os confrontos entre catalães e madridistas se fecharam na partida desta terça-feira, em Camp Nou. O empate em 1 a 1 mostrou o que foi o confronto geral, equilibradíssimo. Com uma vitória para cada lado, e dois empates, acabou a série Barça-Madrid.

No balanço geral, ficou em igualdade. 1 a 1 em vitórias.
Porém, o Real Madrid venceu a Copa do Rei enquanto o Barcelona conquistou a tão desejada por clubes europeus, vaga na final da UEFA Champions League. Isso que faz a série ser triunfal aos barcelonistas fanáticos. Além de tudo, a equipe mostrou que não abandona seu estilo clássico derivado das raízes mais fundas da filosofia da equipe de Barcelona.
Para o Real Madrid, se a série não terminou em otimismo, pelo menos mostrou que a equipe é capaz de vencer. Nem que seja com uma atuação que exija o máximo da disciplina tática de seus jogadores. Desde os mais ofensivos até os menos. De Cristiano Ronaldo à Pepe. Falando em Pepe, fosse o mesmo não tivesse feito a falta escandalosa em Daniel Alves, talvez a história do jogo tivesse sido diferente. A expulsão do luso-brasileiro simplesmente demoliu o esquema tático de Mourinho. E aliás, para aqueles que acham que é covardia, simplesmente é uma das maneiras que mais funcionou contra o melhor time do mundo. Foi ótimo por dois jogos, no terceiro, Pepe foi embora e Messi, brilhante, fez o que fez. Merecido. Ah, e tem outra coisa. Talvez o jogo mais solto da série entre as duas equipes tenha sido este último, na volta no Camp Nou. Pena que só foi no último. Mesmo assim, dou minha nota de melhor jogo da série, aglobando atuação de ambas as equipes como o jogo da final da Copa do Rei. E claro, na ida, tivemos a melhor atuação de um jogador na série: Messi. O jogo que menos gostei, entre outras coisas, estão abaixo:

O JOGO: Final da Copa do Rei, 20/04/11 — o jogo pode ter sido a melhor partida do Real Madrid, mas foi o melhor jogo da série. Entenda que o mas implicíto na sentença anterior está relacionado diretamente com o fato de o time madridista praticar o futebol de marcação forte e ocupação de espaços. O Barça joga com a bola. E dou a minha nota, pois o jogo mesmo não tendo a melhor atuação de um jogador somente, teve o melhor conjunto, com ambos atacando e também sabendo se defender.

O JOGADOR: Ida das oitavas-de-final da Champions League — o tal de Messi fez uma das atuações mais primorosas. Não se compara a que fez contra o Arsenal. Aquela foi de jogador de Playstation. Mas esta, para a série, e o que representa a rivalidade, foi uma das melhores de sua carreira. O primeiro tento de simplesmente posicionamento e antecipação de Messi se misturam com o segundo gol de habilidade que o argentino de Rosário possui em seu sangue. Fato, dado e constatado. Craque genial.

O JOGO QUE MENOS GOSTEI: Campeonato Espanhol, 32ª rodada — o jogo menos empolgante da série. Outro fato dado e constatado. O jogo, que servia de certa forma, como uma experiência para Mourinho, foi o menos badalado da série ao meu ver e deu outros muitos. Porém, os gols marcados foram feitos por jogadores muito badalados: os antagônicos Messi e Cristiano Ronaldo, ambos com penais.

Guardiola ou Mourinho: Nessa eleição, que já teve post, fiquei com Mourinho. Porém, Guardiola que só parece renovar a chama do vencer para os catalães e fez algumas mudanças táticas na equipe tem de estar no mesmo nível que o português. Com tudo isso, Mourinho perdeu um pouco de seu prestígio. Nada que o faça perder o que entende do futebol, e o que o faz, para mim, pelo menos hoje, o melhor. Guardiola, mesmo assim, vence o confronto da série mostrando que fala o necessário e, se preciso, dá suas cutucadas. Mourinho tem que aprender alguns modos.

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Por: Felipe Saturnino

18/04/2011

Nadal diz, e concordo

Certo e pouco tempo atrás, disse em um de meus posts da série Barça-Madrid que é, pelo menos por hoje, o clássico de maior abrangência mundial, pois o jogo, além de ser elevado tecnicamente, também tem suas figuras fora do campo, que fazem a essência do confronto mais e mais influente e elegante.

E isso é verdade. O jogo não só repercute nos países europeus, mas uma análise profunda vem ocorrer por aqui também. E as mais e mais opiniões que se misturam pelo globo afora são de comuns. Não são de analistas que vêem, justificam taticamente e tecnicamente o que ocorre pelo campo; as opiniões são de pessoas que simplesmente apreciam o futebol e, sobretudo, gostam de ver um jogo bem jogado, como o de Real Madrid e Barcelona.
Acontece que, Rafael Nadal, atual número 1 do mundo de acordo com o ranking da ATP opinou pelo jogo Real x Barça, no Santiago Bernabéu, nesse sábado. O tenista afirmou que gostou do que viu e que a formação com Pepe, como um zagueiro-volante – ou volante-zagueiro, como quer que seja – foi a disposição tática mais eficiente. Pelo que vi do jogo, foi. Mesmo que tenha sido pouco – e na realidade, foi mesmo – vi como o Madrid se comportava.
Mourinho achou a fórmula, não agora, há um ano atrás, quando derrotara o Barça nas semi da Liga do Campeões. A Inter jogou de igual para igual com o time catalão. Venceu.
A fórmula é uma das mais simples de se pensar, e uma das mais difíceis de se executar: pressionar a saída de bola do time com a melhor transição de jogo. E isso não só se dá na defesa barcelonista, reduzir o tempo do meio-de-campo também. Para isso, Pepe estava ali.
O problema é marcar o Barcelona com consistência. Continuar com esse trabalho de marcação é difícil, mesmo que seja o Madrid.

Tendo dito tudo isso, Nadal tem razão. O Madrid não fez “o jogo”, mas Mourinho parece ter achado de novo um jeito de vencer o Barcelona. Parece.

Nadal - madridista de coração, preciso na sua fala como seu gancho canhoto no tênis moderno

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Por: Felipe Saturnino

14/04/2011

Una barbaridad

Una barbaridad, é assim que começo o post de hoje. O que dizer de quatro Barça-Madrid em pouco menos de 20 dias. Una barbaridad.

Enfim, já disse tudo sobre o clássico nos posts anteriores. O que ele representa, a tamanha influência que ele exerce na Espanha e na Catalunha, a repercussão que possui na imprensa mundial. Porém, quem é quem? Quem tem mais chance? Barça? Madrid?

Vamos às previsões:

Real Madrid x Barcelona – Campeonato Espanhol: Aqui talvez seja o jogo menos importante entre as duas equipes. Claro que não se pode jogar fora a partida, mas pouco interessa ao Madrid. Mesmo se vencer, o que é possível, a equipe ainda ficará 5 pontos atrás do Barcelona na corrida pelo campeonato nacional. Se dois pontos em um campeonato tão arrogante como esse já fazem diferença, 5 representa o total fracasso para o Madrid; ainda mais, o Barcelona não tem a tabela difícil. E mesmo que tivesse, não teria dificuldades para alcançar seu objetivo do tricampeonato. Palpito uma vitória do Barcelona.

Barcelona x Real Madrid – Copa do Rei: Aqui começa o perigo real para o Barça. Mourinho certamente colocará o seu Real real para esse jogo. A disputa é muito aberta, é apenas um jogo e o Real Madrid pode surpreender. Por isso, prevejo aqui que o Real vença a Copa do Rei, 1 a 0 magrinho, magrinho.

Real Madrid x Barcelona – Champions League (IDA): Esse é o primeiro confronto do agregado da maior competição do globo. Na Champions League a essência da vitória é diferente. No primeiro jogo, a disputa entre os dois melhores do mundo será na capital espanhola. Neste jogo, vejo mais um confronto em que o Barça terá que ter cuidado. Diria que, para a ida, o Real deve vencer, novamente, por placar magro.

Barcelona x Real Madrid – Champions League (VOLTA): Na volta, o Barça é favorito. Aqui vejo mais um método Mourinho. Se defender por 1h30 é a meta, não tomando gols, obviamente. Repetir o feito do ano passado, isso sim, seria histórico. Isso sim, marcaria os livros. Aqui mandaria uma vitória barcelonista e, dependendo do resultado da ida, o Real pode passar.

Serão jogos para serem eternamente lembrados. Tentarei assistir os quatro, mesmo que seja um pouco difícil.

A análise do jogo você vê aqui, no blog, em próximas postagens. No fim de semana, além de haver o primeiro clássico espanhol, os mata-matas do Paulistão serão definidos. Por isso, devo postar algo por aqui. Até lá, nos vemos, já que o que importa virá no sábado.

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Por: Felipe Saturnino