Posts tagged ‘Campeonato Inglês’

21/12/2011

United domina os flancos; Giggs comanda meio-campo: 5 a 0 em Londres

Uma ótima atuação dos comandados de Ferguson, que derrotaram o Fulham por 5 a 0 em Craven Cottage, para dar continuidade ao time na perseguição ao rival City, que também venceu na rodada.

A equipe de Old Trafford optou pelo tradicional 4-4-2 que sofre desdobramento de acordo com o posicionamento de Wayne Rooney no campo. O número 10 dos Devils pode regredir ou progredir no campo, configurando as duas formações. Ryan Giggs, o galês de 37 anos, meia, atuou como segundo-volante para qualificar a saída dos visitantes. O trunfo de Ferguson.

Diferentemente de como ocorreu na final da Champions, Giggs poderia jogar aberto em um dos flancos, fazendo trocas para vir jogar por dentro. Hoje, ocorreu com o português Nani. Em alguns momentos do jogo, Giggs poderia se tornar meia-esquerda e, esporadicamente, momentos depois, poderia voltar a ser volante pelo lado esquerdo do meio-campo central. Mais uma vez, fica comprovada a qualidade de Giggs tecnicamente. As mudanças foram bem raras, mas ocorriam.

E o que tornou o jogo mais simples foi como os meias periféricos lidavam com a marcação que recebiam. Nani, em seu primeiro lance no jogo, arrancou pela esquerda, passou por Ruiz e Baird para, no clímax da jogada, dar a bola ao avante Welbeck fazer o primeiro de 5 tentos, aos 4 minutos.

O que também tornou o jogo mais fácil para o United também se relaciona com o trabalho dos volantes do Fulham, que atuava em um 4-2-3-1 com mudanças na ‘linha do 3’. Murphy e Etuhu são muito pouco produtivos, o que faz com que a equipe agrida menos, já que a qualidade na saída é baixíssima. Isto também motiva Giggs a ter feito o que fez, aparecendo no campo adversário, fazendo passes em profundidade para atacantes e meias.

A atuação de hoje, que consta da 4ª maior atuação com passes feitos do United na Premier League desta temporada – com 591 -, tendo 83,7% de aproveitamento desses passes, mostra o quão Giggs pode ser útil em alguns momentos. O galês deu duas assistências, totalizando aproveitamento de 82% nesse fundamento no dia de hoje.

O que, mais uma vez, nos mostra que o 11 do United é, ainda, muito bom jogador, apesar da idade. É opção num time que apesar de eliminado da Champions, é muito forte no Inglês. O único problema do momento é o City. Simples assim.

A versatilidade de Giggs que pode ser um volante ou meia, e o movimento de Nani e Valencia que trucidou um Fulham frágil, que mesmo com movimentação na linha ofensiva, não tinha outro suporte ofensivo e era pobre tecnicamente

Por: Felipe Saturnino

05/11/2011

No ponto

Neste sábado, em St. James Park, o Newcastle atingiu sua sétima vitória em 11 jogos, chegando a impressionantes 25 pontos, estando à frente de Chelsea, Tottenham, Liverpool e Arsenal – adversários com bem mais recursos de que a equipe dirigida por Alan Pardew. Com esta contagem, o time está a 1 ponto do United, que persegue o City, que possui 5 pontos de vantagem para os comandados de Ferguson.

Há de se falar que o Newcastle – que hoje derrotou o Everton por 2 a 1 – está invicto na competição, assim como os citizens. A equipe, entretanto, não apresenta uma formação tão sofisticada ou um trabalho tão “diferente” de seus jogadores, mas sim uma efetiva presença de atuantes que marcam muito forte e, apesar de possuírem poucos recursos e variações no jogo, são muitos eficientes nos mais diversos setores do campo.

A equipe de Pardew joga em um 4-4-2 que apresenta pouca variação, porém, o trabalho de um dos atacantes é admirável e a “emboscada” no meio-campo é precisa, o que dificulta o trabalho adversário e faz o Newcastle ter vantagem nos confrontos táticos que se desenham no campo.

Demba Ba participando no meio-campo

O senegalês Demba Ba, número 19 da equipe do Newcastle, é muito efetivo na equipe de uma forma tática – sabendo que o mesmo não é refinado tecnicamente. O avante atua por trás de Leon Best, atacante principal, e quando seu time não possui a bola, não guarda posição no campo: ele volta para um ponto mais baixo no campo, mais precisamente em um ponto médio, para o meio-campo, e ocupa posições para marcar volantes adversários. Isto foi fundamental para uma vitória contundente dos mandantes contra o time de Liverpool do Everton. Assim, atuando contra um 4-4-2 idêntico ao do Newcastle – com duas linhas congruentes -, o Everton ficava em desvantagem neste ponto do campo, com dois volantes naturalmente recuados e “três” meias atuando sobre esses volantes, contando com a presença de Demba Ba. O Newcastle, desta forma, poderia recuperar a bola com mais facilidade e se projetar ao ataque com mais eficiência do que o normal. Não é de se estranhar, então, que 54% dos passes certos do atacante se deram em pontos do meio-campo – na linha ofensiva com maior normalidade.

O trabalho de Guthrie

Com o 4-4-2 regente, o Newcastle mandou no jogo na etapa inicial não só pela vantagem de 3×2 num ponto médio do meio-campo, mas também pela intensa participação de Danny Guthrie, um bom médio que comandava as bolas ofensivas da equipe da casa. O camisa 8 era muito ativo no embate, e realizou 38 passes certos de 49 possíveis. Diferentemente de Jack Rodwell, que sofreu num Everton pouco criativo, tendo acertado 27 passes e errado apenas três. Ainda assim, há de se dizer que Guthrie “passou” por 18 áreas diferentes do campo e Rodwell, com uma marcação mais específica do adversário, flutuou por 14 com seus passes. Isso mostra a diferença na criação dos times – já que com a participação do alvinegro do Newcastle a equipe foi mais funcional do que os visitantes de Liverpool. Tome como exemplo o primeiro gol, contra, feito por Heitinga, o zagueiro do Everton. A bola trafega no meio-campo com o aval de Guthrie, que a solta para Simpson cruzar até ter o final que sabemos.

“Wingers” colaborando

Jonas Gutiérrez nunca foi um meia espetacular, mas sofreu demais com seu desempenho pífio no primeiro jogo diante a Nigéria na Copa do Mundo do ano passado. E ele não é um jogador desprezível – veja o desempenho pelo Newcastle. O argentino é efetivo pelos flancos, e trabalha na inversão da bola, por não ser um atuante tão técnico para conduzir a bola com eficiência. O meia, porém, é fundamental para a recomposição, assim como Obertan normalmente é, e que hoje não pôde ser por estar suspenso. Gutiérrez é muito importante no esquema de Pardew, e sem sua proteção o lado de Ryan Taylor seria frágil. Por uma análise atual, a equipe do Newcastle é sólida e equilibrada em ambos os flancos.

O Everton, mesmo começando de forma muito previsível a partida, começou a modificar o jogo e melhorou consideravelmente. Drenthe, o mesmo ex-Real Madrid, deixou a posição de segundo avante para compor o meio-campo de uma forma periférica. Iniciou seu trabalho pelo flanco esquerdo, com Osman se centralizando para fazer frente ao trabalho de Guthrie no meio-campo. Coleman – outro compositor do meio-campo que estava se tornando 4-2-3-1 – se moveria para o flanco direito, isso aos 16 minutos. Aos 23 minutos, a equipe da terra dos Beatles inverteu os wingers, Drenthe e Coleman, e definitivamente entrou no jogo. Fez um tento, mas foi pouco. O jogo seguiu 2 a 1 até o rumo final.

A variação mínima que ocorre no Newcastle é muito importante. Contudo, Pardew pode mudar a característica da equipe no meio-campo central para travar um adversário mais eficiente – com Tiote, volante que possui pouquíssimos recursos mas é mais fixo. A participação de Guthrie, hoje, foi eficiente no primeiro tempo e pouco interessada no segundo – muito pela mudança do Everton. Alan Pardew, mesmo assim, deve manter a “pegada” do meio-campo para obter resultado mais satisfatórios. Hoje, a equipe está no ponto: é segura, experiente, contundente, e apesar de não ser brilhante, tem raça. Para o Newcastle, mudar agora não é válido. A equipe merece respeito e atenção.

Por: Felipe Saturnino

23/10/2011

Histórico


O City, com o dinheiro, com seus jogadores, e, por conseguinte, com seu elenco, ainda assim, não era considerado um time grande.

Mas a história do futebol marca grandes times e potências por vitórias em grandes jogos contra outras grandes potências. E a importância desses jogos, no caso, é gigantesca.

O Manchester City fez algo histórico que pode delimitar em que era estamos. A vitória sobre o United com superioridade e predominância, hoje, em Old Trafford, é a maior no dérbi. E uma das maiores da história.

A equipe de Mancini começou recuada, e os mandantes iniciaram a partida tendo o domínio da bola predominantemente. Porém, nenhuma chance de gols clara, por um motivo muito simples: Mancini colou seus volantes – Yaya e Barry – na sua área, para sempre ter o rebote defensivo. Se havia espaço para Anderson aparecer – pois deduzimos que não havia marcação sobre o mesmo – tudo era compensado com uma defesa quase intransponível. No meio-campo adversário, Fletcher centrava-se pela direita, tentando auxiliar Smalling sobre David Silva – o organizador do City ao lado de Milner. A surpresa de Mancini, porém, foi escalar Balotelli e não Dzeko.
Se o United chegou a capitalizar seus 62% de posse de bola nos 15 minutos iniciais, o City, de forma natural e bem planejada, começou a se impor. Com a força de David Silva e Clichy pela esquerda, da mesma forma com que Milner e Richards no lado oposto.

Balotteli faz o primeiro

A grande ideia de Mancini foi ‘colar‘ seus volantes na sua área. O United, com a bola, não passava pela muralha. Os citizens, porém, sem o mesmo empecilho, iam executando seu plano com perfeição. Estratégia adequada, proposta de jogo sempre muito centrada. A chave foi explorar a deficiência do miolo de zaga do United, que era pouco protegido por Anderson, no lado esquerdo, o mesmo que Evans, beque do United, atuava. Sua expulsão não foi de todo acaso. Há de se destacar também, de forma negativa, a forma com que Young e Nani não se adequam à combatividade. Os dois meias são ótimos, mas quando são exigidos, compõem um desastre. O primeiro gol, de Balotelli, saiu aos 21 minutos da primeira etapa.

Nesse ponto, a estratégia já estava mudada. Agora, Yaya e Barry avançavam sobre Fletcher e Anderson, respectivamente. Após a expulsão de Evans, na segunda etapa, o jogo ficou mais simples ainda.

Balotelli – de novo ele – fez o segundo – após jogada espetacular do craque David Silva, que deu um passe de maestro para Milner cruzar.

Pelo mesmo lado direito do segundo tento, Richards apareceu e cruzou para Agüero fazer a goleada. E no panorama, o United já jogava com Smalling e Ferdinand na posição dos beques. Rooney já havia recuado para ser o médio-volante para fazer a transição do United.

Mas o City era fatal. Mesmo com a pintura de Darren Fletcher, aos 33, Dzeko, onze minutos depois, após um escanteio, fez um gol de joelho. E o dono do jogo, David Silva, fez o seu no 45º minuto. O mesmo Silva deu outro passe para gol – também espetacular -, aogra para Dzeko fazer o sexto.

O resultado histórico mostra um princípio de nova era. Se vivíamos num mundo inglês com United e Chelsea se alternando no posto de maior da Premier League, hoje o City, com um investimento pesado, teve um resultado espetacular para sua história. História que, compartilhada para o mundo, apresenta-nos um novo grande para o futebol mundial. Este é o City.

Mario após primeiro gol - Por que sempre ele?

Por: Felipe Saturnino

11/09/2011

O ‘hattrick’ e o penal

O Manchester City parece cada vez mais encorpado.

Mancini arrumou uma forma contundente e segura de escalar craques e fazer de um grupo de bons jogadores um time eficiente.

O italiano tem seus méritos, mas há de se dizer que Sergio Agüero está intocável. O argentino fez seu tento em quatro partidas disputadas na Premier League.

No 4-4-2, o genro de Dieguito fez dupla com Carlos Tévez. Este foi o fato mais relevante do jogo. Dois jogadores móveis atuando contundentemente, sem roubar espaços dos outros, e ocupando os lugares no campo de forma inteligente. O placar de 3 a 0 foi justíssimo.

E o Wigan, no 4-2-3-1, também chegou, mas foi discretamente. Com Rodallega e Moses, a equipe foi perigosa no City of Manchester – o estádio do City. A atuação de Kompany foi boa, assim como a de Joleon Lescott. Apesar de o belga ter falhado em um lance desperdiçado por Franco di Santo.

No mais, um passeio. Poderia ter sido maior, tivesse Tévez convertido o penal. Mas Agüero fez os três e sacramentou o mais que sacramentado.

Cada vez mais, um time que se movimenta conscientemente parece se desenhar pelos pensamentos de Mancini. Um time cada vez mais incorporado ao estilo do 4-4-2 com duas linhas, clássico.

E as atuações de Yaya Touré e David Silva elevam cada vez mais o nível do City, e a segurança da equipe nos jogos que faz.

O City é líder, ao lado do United.

E quarta tem jogo contra o Napoli.

Manchester City - cada vez mais time

Por: Felipe Saturnino

21/08/2011

City é forte, criativo, autoritário e candidato a títulos

No City de Mancini se percebe uma opção por um esquema 4-4-2 que pode sofrer transição para o 4-2-3-1, dependendo de como Kun Agüero se posiciona em campo. O argentino, então, participa da criação e também da conclusão de jogadas em campo.
Com isso, Milner, David Silva, Yaya e Barry completam a zona intermediária do Manchester City, com velocidade e criatividade no setor. Um meio-de-campo que, de tão funcional, chegou a ter posse de bola digna de Barça hoje, no Reebok Stadium – 64% diante o Bolton.

Yaya Touré e Barry dominaram as ações e jogaram como gente grande, como de fato, são. No duelo contra os volantes adversários, Reo-Coker e Fabrice Muamba, os dois dos Citizens venceram um confronto simples. Afinal, são muito técnicos e participam tanto das tarefas defensivas quanto das ofensivas.
O que há de se dizer também que, dessa forma, Silva e Milner exclusivamente são wingers que não são imóveis. Silva, como chamei no post passado, era um falso winger que podia jogar por dentro e pela lateral. Mas hoje fica claro que a proposta de Mancini é fazer a equipe rodar o máximo possível, com Agüero, mesmo assim, sendo determinante no esquema. Sabe-se que o argentino também pode jogar pelos lados e assim, configura-se uma transição centrada em três dos ‘centros’ ofensivos do City – Agüero, Silva e Milner.

E o City foi autoritário. Só sofreu nos minutos iniciais diante o Bolton. Pouco importaria. A equipe de Manchester veio disposta a vencer, mandar no jogo e mostrar que pode brigar por muito mais do que uma Premier League – sim, o time pode ser competitivo, e muito, na Champions League.

Com o 4-4-2/4-2-3-1, o Manchester City venceu o jogo com gols de David Silva, – em falha declarada e assinada do goleiro Jaaskelainen – Gareth Barry e Dzeko, outro que fez um ótimo jogo.

O 3 a 2 representa um resultado relevante que, para uma temporada tão longa, mostra-se como uma janela para títulos e mais títulos.

Pois sim, o City empolga, manda no jogo com seu meio-de-campo poderoso, é autoritário, tem um dos 5 melhores elencos do mundo e, por isso, pode ganhar muitos títulos.

Já é líder, com 7 gols feitos e 2 sofridos e ainda 100% de aproveitamento. Lá em cima, vai disputar com United, ainda um degrau acima, e com Chelsea, um degrau abaixo dos Citizens.

Por: Felipe Saturnino

15/08/2011

O City de Agüero pode ser o City do protagonismo


A estreia do City na Premier League foi empolgante. Mancini foi com o 4-2-3-1, usando Yaya Toure como meia central, na criação e também na recomposição com De Jong fazendo a função de primeiro volante. Gareth Barry fez um jogo regular, apenas deixando a ajustar alguns detalhes na marcação. Mas de resto, o City fez uma estreia muito boa.

Sem Milner, Roberto Mancini optou por Adam Johnson como winger pela direita – lembrando a definição de winger para jogador extremo do esquema. David Silva fez uma espécie de falso winger, afunilando o jogo, procurando e achando espaços para o Manchester City. O Swansea começou a partida bem, demonstrando uma calma e técnica, limitada, para trabalhar o jogo. Também há de se falar que Barry não ajudava De Jong na marcação e na ocupação de espaços, deixando dois meias – Sinclair e Dobbie – e um volante – Britton – sobrando para o holandês. A equipe galesa chegou a ter 66% da posse de bola no entrave por este motivo.

Mas durou por pouco tempo, pois o City começava a desencantar. Com Johnson, Silva e, principalmente, Toure fazendo boa partida, a equipe de Mancini começou a jogar pelos flancos. Mesmo com o goleiro do Swansea, Varm, em jornada brilhante até o momento, o chute de Adam Johnson foi mais sólido e bastou para Dzëko marcar o primeiro.

Mas o melhor veio quando Agüero entrou. Com o Swansea frágil diante um City demlidor, Agüero marcou dois tentos: o primeiro após boa subida de Richards com bom passe para o gol do argentino, e o segundo foi um petardo digno do jogador que é. E o avante ainda deu uma assistência sensacional a David Silva, um dos melhores no jogo.

E Yaya Toure, o volante que foi meia no jogo de hoje, fez mais uma jornada muito boa. Assim como Adam Johnson, De Jong e, óbvio, Sergio Agüero.

Tudo isso mostra o que o City pode fazer no ano: passar de um extraordinário coadjuvante para um protagonista. Digno da brilhante atuação de Agüero, em sua estreia pelo City.

Por: Felipe Saturnino

12/08/2011

Os figurões na Premier League

Como no Velho Mundo as ligas estão começando a se movimentar – na Alemanha, já se movimentou – nada melhor do que apresentar previas do times figurões ao título no torneio da Terra da Rainha.

Fiz algumas análises sobre transferências, pontos fortes da equipe e alguns carmas das esquadras favoritas no campeonato.

Manchester United

Nas compras:
Ashley Young (meia)- Aston Villa – 18 mi £
David de Gea (goleiro) – Atlético de Madrid – 16 mi £
Tom Cleverley (meia) – Wigan – 3 mi £

Nas vendas:
John O’Shea (lateral-direito) – Sunderland – 4 mi £
Wes Brown – (zagueiro) – Sunderland – 1 mi £
Owen Hargreaves (volante) – sem time

Em Old Trafford, agora na terra do maior campeão inglês de todos os tempos, o United vem forte como sempre deve ser. Sir Ferguson deve permanecer no 4-4-1-1 proposto no ano passado para a Champions League e também para o decorrer da temporada nacional. Com os meias Nani e Young, a faixa intermediária do campo fica melhor preenchida e mais qualificada nas jogadas laterais – já que Young é um nato condutor de bola, tal qual Nani. Os volantes Carrick e Anderson – a possível dupla inicial – tem qualidade suficiente para executar uma saída de bola eficiente, mesmo ambos sabendo de suas limitações. Carrick, como primeiro volante, não tem uma saída meio/ataque tão boa, mas o brasileiro Anderson pode facilitar um pouco mais o trabalho de ligação aos meias. Rooney cumpre uma função mais especial, sendo o jogador mais ‘flutuante’ em campo, surgindo ao lado de Chicharito, este mais fixo, e ao mesmo tempo aparecendo no meio-de-campo, concedendo suporte aos meias, Nani e Young.

Pontos principais: Evrá apoia bem pelo lado canhoto, apesar de não ser o mesmo lateral que foi titular na conquista da Champions de 2008; Young e Nani vão abusar da velocidade e farão diferença em jogadas laterais, atuando da ponta para dentro. O craque é Wayne Rooney, com esperança de uma função importante, mesmo tendo ‘válvulas’ pelos lados.

Meta: o título é muito possível, por todos os motivos apresentados pela equipe de Ferguson, mais acima.

Chelsea

Nas compras:
Lucas Piazón (meia) – São Paulo – 6,5 mi £
Oriol Romeu (volante) – Barcelona – 4 mi £
Romelu Lukaku (atacante) – Anderlecht – 19 mi £

Nas vendas:
Nemanja Matic (volante) – Benfica – 4 mi £
Michael Mancienne (zagueiro) – Hamburgo – 2 mi £
Yuri Zhirkov (meio-campista) – Anzhi Makhachkala – 13 mi £
Jeffrey Bruma (zagueiro) – Hamburgo – 440 mil £

No Chelsea, que também fechou com André Vilas-Boas para esta temporada, as coisas não se modificaram tanto. O elenco é competitivo na mesma medida em que era o ano passado, porém, Ancelotti não conseguiu formar um time que fosse bom o bastante para desbancar o figurão inglês, o Manchester United. Na equipe do italiano, muitas vezes se usava o 4-3-3, ou havia uma mudança com Anelka mais trequartista, sendo o vértice adiantado do losango. O time sempre teve bons nomes, mas não emplacou na temporada. Mesmo com Fernando Torres, um ótimo atacante, que mesmo depois de fazer jogos fracos para seu nível, continua sendo um atacante de altíssimo nível. A boa saída com os volantes, Ramires, Essien e Mikel pode funcionar. Esta é apenas uma ideia para a formação inicial. Pode não ser a escolhida pelo português Vilas-Boas para a estreia diante do Stoke City.

Pontos principais: Ashley Cole é fundamental no apoio pela esquerda, com Ramires dando sustentação por aquele ponto do campo. Com Mikel e Essien, o Chelsea tem uma proteção sólida para a zaga, que deve ter o brasileiro David Luiz ou até mesmo Ivanovic, com Bosingwa fazendo a lateral-direita, no caso. Aliás, pelo lado direito, Vilas-Boas encontra problemas. Desde os tempos de Mourinho no Chelsea, a equipe não consegue consolidar um bom lateral pelo lado. Paulo Ferreira, em seus bons tempos, fazia um apoio um pouco qualificado ao ataque. Bem, mas era Paulo Ferreira em seus bons tempos.
Recordemos também que Didier Drogba, com situação indefinida no Chelsea, pode sair ou pode ficar. A equipe diante da situação contratou Romelu Lukaku para uma função de centroavante.

Meta: o título é possível, mas os fatores contribuintes como a montagem do time de Vilas-Boas e a própria adaptação do treinador ao ambiente da equipe londrina podem pesar na hora decisiva. Mesmo assim, é interessante almejar planos grandes para o Chelsea da temporada 2011/2012. Jogadores a equipe tem, falta um técnico que una todos estes como um time.

Liverpool

Nas compras:
Charlie Adam (meio-campista) – Blackpool – 7 mi £
José Enrique (lateral-esquerdo) – Newcastle – 7 mi £
Jordan Henderson (meia) – Sunderland – 15 mi £
Stewart Downing (meia) – Aston Villa – 20 mi £

Nas vendas:
Milan Jovanovic (atacante) – Anderlecht – 704 mil £
Paul Konchesky (lateral-esquerdo) – Leicester City – 1,5 mi £

O Liverpool, do ídolo Kenny Dalglish como técnico, tem bastante time para ameaçar Chelsea e Manchester na ponta do campeonato. A equipe de Luis Suárez, Andy Carroll, Meirelles e Lucas – o brasileiro da seleção – funcionou no final do campeonato passado – vencendo jogos e levando a equipe até a Liga Europa. Neste ano, a tendência é melhorar e vencer a Premier League no formato atual pela primeira vez no clube.
Na zaga, a equipe de Dalgish tem Jamie Carragher, veterano da equipe, mas as outras posições não demonstram muita segurança. Glen Johnson fez uma temporada regular, mesmo sendo titular na Copa do Mundo com o desastre britânico. Fabio Aurélio é bom jogador, mas tem suas limitações defensivas. Do mesmo sofre Emiliano Insúa, o argentino. Mesmo assim, o time tem tudo para ganhar jogos importantes e brigar lá em cima.

Pontos principais: Dalglish deve usar o time com uma linha de quatro. Digo isso pois no ano passado fez experiências com três zagueiros. Deram resultados, mas a equipe tem elenco para jogar em um 4-4-2. Se Glen Johnson emendar uma boa sequência de jogos, a equipe tem apoio qualificado pela direita. José Enrique foi contratado para suprir a necessidade na lateral-esquerda, enquanto na zaga Carragher e Skrtel devem atuar. O time tem saída boa com Lucas e Meirelles, mas pode faltar ligação sem Gerrard atuando. O ataque tem Suárez e Carroll. Sim, os avantes são bons o bastante para um time como o Liverpool. Kuyt pode aparecer como titular, assim como Downing, na estreia diante o Sunderland.

Meta: pelo início, dou o Liverpool como um time para a zona da Champions League. Se a equipe se arrumar, pode arrancar para atrapalhar os ‘chefões’, United e Chelsea.

Arsenal

Nas compras:
Alex Chmaberlain (meia) – Southampton – 12 mi £
Gervinho (atacante) – Lille – 10 mi£

Nas vendas:
Gaël Clichy (lateral-esquerdo) – Manchester City – 6 mi £
Denílson (volante) – São Paulo – 600 mil £

Arsène Wenger terá mais uma temporada nos Gunners, a 16ª, aliás. O grande treinador francês tem problemas para armar o time no início da Premier League. Fàbregas ainda pode aparecer no Barcelona e, por isso, Wenger tem algumas dificuldades. John Wilshere e Song deverão compor a dupla principal de volantes na temporada. Com isso, Nasri pode passar para a meia-direita, sabendo que Gervinho pode atuar por aquele lado. Walcott pode jogar como um atacante pelo lado direito Van Persie centralizado. O elenco do time da capital inglesa é ótimo, mas com um esquema tão agressivo e incisivo, pode-se sofrer.

Pontos principais: no 4-3-3 proposto por Arsène Wenger, a equipe tem Song como volante protetor, tendo Wilshere, o bom volante gunner, pela esquerda do tripé de meio-de-campo. Porém, neste caso, Wilshere é um meia, dando suporte para as jogadas de criação, ao lado de Nasri, pela direita. Com Gervinho e Walcott, a promessa é de muita velocidade e muitas jogadas laterais, com participação de Sagna, pela direita. Centralizado, Van Persie funcionaria como um centroavante que circula livremente pelo campo, participando das jogadas que desenvolvem a evolução do Arsenal. O problema é na proteção, com Song atuando antes dos zagueiros, agindo na marcação. Mas que o time é bom, sim, é, de fato.

Meta: o título não começa sendo disputado pelo Arsenal. A equipe começa almejando uma vaga na Champions. Mas tem chances de título, basta evoluir como um time que agride e não deixa ser agredido.

Manchester City

Nas compras:
Gaël Clichy (lateral-esquerdo) – Arsenal – 7 mi £
Stefan Savic (zagueiro) – Partizan Belgrado – 10 mi £
Sergio Agüero (atacante) – Atlético de Madrid – 39 mi £

Nas vendas:
Shay Given (goleiro) – Aston Villa – 3 mi £
Felipe Caicedo (atacante) – Levante – 800 mil £
Jérôme Boateng (defensor) – Bayern de Munique – 11 mi £

O City promete fazer uma temporada melhor do que a anterior. A equipe foi terceira o ano passado, mas hoje briga até mesmo pelo título. Com os nomes que possui, o time de Mancini é bom. O problema continua sendo a atitude diferente que a equipe toma quando enfrenta um adversário figurão. Neste caso, o City já é um dos figurões ingleses, e pode vencer quem quiser. Mas é quase certo que o italiano comandante da equipe pode não ser o melhor indicado para o serviço de treinador.
O time do Manchester pode e deve atuar no 4-4-2 para o início da temporada: a equipe deve ter David Silva, Touré, De Jong e Milner no meio-de-campo, ainda com opções como Adam Johnson, e no ataque há Agüero e Carlos Tévez. Com um time desses, pode-se vencer qualquer outra equipe. O problema é formar uma equipe coesa, com tantos investimentos e bons resultados, mas que ainda poderia ser melhor.

Pontos principais: com Clichy pela esquerda, o City tem apoio e suporte para David Silva. As jogadas podem acontecer com Kun Agüero, também. Os dois avantes da equipe de Manchester podem se alternar como primeiro e segundo atacantes. James Milner atua mais periférico, porém afunila mais o jogo. Importante também é o trabalho de Yaya Touré, segundo volante que participa tanto da marcação quanto da criação no meio-de-campo, ajudando De Jong em tarefas mais defensivas.

Meta: o título é possível, sim. E com a melhor – e maior – contratação desta janela, a de Agüero, o City se credencia como candidato ao título. O problema é administrar tantas opções como Dzëko, Barry, Kolarov, Balotelli e Adebayor. Mas time forte e elenco, o City tem mais do que suficiente para brigar com Chelsea e United.

Tottenham

Nas compras:
Não contratou

Nas vendas:
Jamie O’Hara (meio-campista) – Wolverhampton – 3,5 mi £
Jonathan Woodgate (zagueiro) – Stoke City – agente livre

O time de Redknapp jogou a Champions no último ano, mas não conseguiu se manter lá nesta temporada que passou. A equipe é boa, mas não tem tanto calão para brigar com os figurões United e Chelsea, com o City surgindo por trás.
Mesmo assim, há nomes interessantes na equipe. O galês Gareth Bale, meia que joga pela esquerda e também pode executar função de lateral-esquerdo, é habilidosíssimo, veloz e técnico demais para sua função. Van der Vaart, mesmo não jogando em seu auge, pode fazer estragos quando joga em nível alto. Aaron Lennon é o outro winger, assim como Bale é, que joga pela direita, dando sustentação ao ataque e suporte para a defesa.
O problema no começo será a contusão de Sandro. Huddlestone deve atuar nos jogos iniciais. Mas o brasileiro fará falta.

Pontos principais: o apoio de Hutton pela direita é bom, mas Lennon é bastante efetivo nas jogadas por aquele lado. Bale é muito bom jogador, como já dito, e participa ofensivamente e defensivamente, cobrindo a posição de Assou-Ekotto, camaronês que tem deficiências o homem-a-homem para o combate. Luka Modric é o destaque como segundo volante. O croata é muito bom jogador e dá suporte para a ligação, ao lado de Rafael Van der Vaart. Mas os problemas nas laterais são muito prejudiciais ao Hotspur.

Meta: a vaga na Champions League será mais do que uma conquista ao Tottenham. A equipe é boa mas tem seus limites.

Com as análises feitas, agora vou dar meus palpites para os primeiros da tabela:

Chelsea – campeão
United – vice-campeão
City – 3º lugar
Liverpool – 4º lugar
Arsenal – 5º lugar
Tottenham – 6º lugar

Por: Felipe Saturnino