Posts tagged ‘Champions League’

20/12/2012

Matar ou morrer

O sorteio para as oitavas da Champions é por si só um espetáculo.

Quando então ficou decretado que Real e United se cruzariam numa das partidas, sim, tudo tornou-se mais espetacular ainda. Eles jogarão por um torneio europeu após 9 anos, já que o último confronto ocorreu em 2003, também pela Liga, mas na ocasião o embate era pelas quartas. O tempo é distante, pois a equipe inglesa ainda tinha David Beckham e Ronaldo disputava sua primeira temporada pelos merengues. A classificação dos maiores vencedores da Europa veio após um revés por 4 a 3 em Old Trafford.

E o jogo que está por vir promete tanto quanto qualquer outro gigantesco confronto que já presenciamos antes. Por mais que a equipe de José Mourinho esteja em crise forte – definitivamente a maior que já teve por lá, uma das maiores da sua carreira – e o United lidere a Premier League – é só perguntar a Ferguson se ele gostaria de pegar de cara no mata-mata a equipe eneacampeã continental. Ninguém quer. Mas foi mesmo o próprio Real Madrid que se colocou em tanto perigo, além obviamente do tremendo Borussia Dortmund, que apesar de estar 12 pontos atrás do líder Bayern na Bundesliga, levou o grupo D da Champions League com mão forte, não perdendo jogo algum para a esquadra de Mourinho. E aí os espanhóis se colocaram no pote 2.

Se fossem tempos atrás, aliás, o Madrid decerto seria favorito. E também o seria por jogar a primeira partida em casa, onde na temporada passada padeceu apenas por uma vez, na derrota para o arquirrival catalão nos 3 a 1 de 10 de dezembro – a eliminação da UCL, afinal, veio nos pênaltis e não com revés no tempo normal. O Bernabeu não é uma tão grande arma dessa vez para os blancos. Mas a equipe de Mou tem nomes estratosféricos que assustam a todos, até mesmo aos líderes do nacional inglês. A questão pontual é que, se o Madrid de fato se acertar, ao menos para um jogo, pode derrotar o United pelo menos na primeira metade do confronto. Em Old Trafford, o Manchester virá babando e será favorito.
Ainda que conturbado o ambiente madridista, com Mou e Florentino Pérez se enfrentando internamente, e com o apoio dos jogadores ao técnico perdendo força, tanto pelas declarações que Mou concede à imprensa espanhola como pelo que deve fazer dentro de seu grupo, o Real Madrid tem algumas chances de jogar muito e derrotar o time de Sir Alex. Mas é delicado pensar como jogar tanto numa única partida apenas após uma temporada até agora excepcionalmente decepcionante. Talvez Cristiano Ronaldo possa se inspirar em Trafford. Ou talvez possa selar o destino madridista para o inferno. Pois, após algum tempo, a equipe não apresenta perspectiva para a temporada, e se for eliminada nessa etapa da Liga, deve muito bem rastejar por uma vaga na Champions da temporada seguinte, e só – o Madrid está 13 pontos atrás do Barça, e isso deixa quase impossível o bicampeonato de La Liga.

Passando ao lado vermelho, protagonismo do confronto pode ser para a dupla Wayne Rooney-van Persie, que tem funcionado esplendorosamente. Com o holandês em forma, a preocupação de Mou em marcá-lo será ainda maior do que o normal, além do mais para uma defesa tão insegura como se apresenta a do Real Madrid. Para Cristiano Ronaldo, é o reencontro com a equipe que lhe consagrou, lhe deu as maiores vitórias de sua carreira e o maior sucesso como futebolista com a conquista de 2008 do prêmio de melhor do mundo.

Aliás, certamente para os madridistas o jogo vale mais. Por mais que Mourinho não continue no comando da equipe para a temporada 2013/14, o que vale é a chance de seu terceiro título da Liga, e também a dignidade para uma temporada até agora que representa apenas o perfeito fracasso. Para o Real Madrid, muito mais do que para o United, o jogo vale a vida, o vigor da temporada, ainda que uma eliminação da Champions seja muito doída para qualquer clube – e isso para o Manchester afetaria significativamente a confiança do time. Se qualquer um dos times pode morrer nessa oitava, morrer tem um significado altamente mais comprometedor para os merengues. Afinal, do jeito que as coisas estão pelo lado do reino de Madrid, nem mesmo se sabe se Mou continua até o embate com os Devils, que ocorrerá em fevereiro.

Mas por si só esse jogo é um espetáculo.

Mou – logo após ver o resultado do sorteio

Anúncios
21/05/2012

O penal para o paraíso

Há anos que ‘contemplamos’ a obra de Abramovich com cuidado, reparando os caminhos tomados pelo russo que é o dono da parte azul de Londres, suas decisões – que, aliás, em diversos momentos, levaram-nos a duvidar seriamente do futuro do time -, que, no geral, deviam-se a uma obsessão, no meio de outras tantas: a Liga dos Campeões.

Digo uma no meio de várias pois o seu investimento pesado visar uma única coisa é um frágil e delicado sonho. Pequeno, que ainda se diga. Por mais que esse sonho fosse a Liga.

Os ‘deméritos’ chegaram ao fim.

Depois de tantos erros – e acertos, óbvios acertos, que ocorreram em maior número do que os erros na trajetória traçada por sua própria figura, única na história do clube -, quando surge a conquista, recorda-se, primordialmente, tudo o que terminou, finalmente, bem no lado dos ‘Blues’.

Mourinho, o grande Mou, penou ao conseguir uma semifinal em Champions League com os londrinos. Após abater o também grande Barcelona na época – de Ronaldinho, Deco, Eto’o, Gio van Bronckhorst e Van Bommel -, pelo estágio de quartas-de-final, com uma vitória também enorme em Stamford Bridge (4 a 2), o time de Roman foi eliminado em Anfield Road com um gol de Luis Garcia, naquele fatídico 1 a 0 da Champions League 2004/2005 – o Chelsea perdera, no fim, para os vencedores da fantástica final de Istambul num entrave dramático que terminou nos penais, assim como foi finalizada a primeira conquista dos azuis ingleses.

Os relatos de Moscou, daquela final diante o United, que também restou aos pênaltis para determinar o vencedor, prevaleciam vivos na cabeça do time que, naquela época, tinha um ‘sortudo’ Avram Grant no comando – o israelense havia substituído Mourinho.

O curioso é que, por mais que fizesse certo, Abramovich tivera chegado mais longe com o ‘pior’ de seus treinadores. Mas, oras, havia chegado. Não ganhado, mas chegado; sabia o gosto duma final, não de um título. Por mais que isso parecesse pouco – não era, apesar do investimento pesado dos ‘Blues’ -, o Chelsea, por mais que tudo, habitava um lugar que tendia a ser seu pelos próximos anos. Fato é que não foi. Faltou um ‘push’ para o paraíso, o patamar dos campeões europeus, onde estendem os melhores do Velho Mundo.

Até que, pelo dado motivo, o Chelsea, apesar de ter explorado as semis em 2009, parou nas oitavas em 2010 e nas quartas no ano passado.

Aliás, o Chelsea simplesmente teve de viver o seu certo pior ano, nacionalmente, ao menos, para abocanhar a maior glória de sua história.

Na terra bávara, o ‘push’ para o time dirigido por Di Matteo – que é também de Abramovich, mas, talvez ainda mais de Didier, Frank, Petr e Ashley – surgira por méritos não menos óbvios do que os de eliminação dos talvez ‘melhores da história’, mas também veio de uma fonte muito ímpar.

A memória.

As memórias de Moscou recordaram-lhes o passado, para dar-lhes chance ao presente e vida ao futuro. Quando o fenomenal Drogba – que não veste a 9, mas bem que poderia, apesar da 11 fazer melhor combinação a seu estilo – empatou no minuto 88 de jogo no Allianz, ali sim, o jogo se tornou mais jogo. Começou a ter requintes – seriam de crueldade – daquele jogo de Moscou, mas, por que não lembrar da final de Istambul, em 2005?

É claro que não seria tão fenomenal ou dramático quanto aquele jogo. Mas seria tão ímpar quanto. Por circunstâncias únicas, que terminaram por criar mais um campeão para a galeria dos campeões da Europa.

Ficou semelhante, porém, àquela semifinal diante o Barça quando Drogba fizera penal sobre um Ribéry disposto a jogar em campo. Contudo, lembrara aos bávaros o jogo de Dortmund pela Bundesliga ao final do ato.
E o que Robben fizera era só mais drama ao jogo.

A memória.

Todas as assimilações eram não menos que assimilações após a defesa de Neuer pelo pênalti batido por Mata – tímido no meio-de-campo inglês, diga-se. Mas passou-se a acreditar que os relatos de Moscou seriam esquecidos – não propriamente ditos esquecidos, mas tirados do fundo do baú das memórias azuis para serem substituídos por melhores lembranças – depois que Ivica Olic desmerecera a chance de penal, com Cech prevalecendo sobre o mesmo.

Ficou, literalmente, tudo azul após o excelente Schweinsteiger desperdiçar sua cobrança. Drogba, enfim, consolidara o ‘push’ para o Chelsea se sagrar o melhor da Europa pela primeira vez. E serve para libertar as memórias, ou melhor, as frustrações de anos atrás.

À mesma medida em que serve para se estender ao paraíso – tanto time quanto Drogba.

Drogba – para o lugar que é seu, de direito

Por: Felipe Saturnino

27/04/2012

As ‘tragédias’, os penais e a despedida

A semana, futebolisticamente, entrou para a história.

E não só por ocorridos tão óbvios por suas grandiosas repercussões – claro que me refiro às penalidades perdidas por Lionel e Cristiano -, e sim por um contexto mais amplo de todos os eventos, todos mesmo.

Os dois penais representam, separadamente, as eliminações dos poderosos Barcelona e Real Madrid. Mas as próprias eliminações do maior torneio do mundo – perdendo ainda para a Copa do Mundo, mas não por tanto quanto se pensa – são relacionadas, de forma única, quando visa-se a figura mor de ambos os clubes. E ambas desapontaram-nos de forma impactante. Mesmo que uma delas tenha feito dois tentos, e ainda que um deles tenha sido gerado partindo do ponto de batida de penal.

Mas Messi e Ronaldo, que já estão presentes na história do esporte e são protagonistas de seus esquadrões, por mais que tudo – e para mais que tudo – protagonizaram – como não poderia deixar de ocorrer – seus respectivos entraves, diante dos azarões ‘Blues’ e dos bávaros. Nada, porém, como o pensado. Foram os fundamentais no enredo por motivos impensáveis, inimagináveis, dignos de vilões da melhor classe. E quando se vêem as batidas de pênaltis, fica claro o ponto aqui defendido.

E o Barcelona, assim como o Real Madrid, obteve a vantagem de dois gols no embate disputado em casa, contra o Chelsea – que é o único não-vencedor da competição entre os quatro semifinalistas. O problema mesmo foi em momentos posteriores ao do segundo gol, momentos brevemente posteriores, aliás: Lampard, em escapada pela direita, deu boa bola para o volante brasileiro Ramires, que teve frieza à suficiência para abater Valdés com um belo gol de cobertura. A vitória barcelonista constituía, agora, uma derrota no agregado.
E o Real Madrid abriu o placar bem cedo – diferentemente da equipe de Josep Guardiola. Di María arriscou, Alaba pôs a grande mão na bola e tudo se seguiu em penal.

Ah, o penal.

Mas aquele, do início do jogo no Santiago Bernabeu, Cristiano converteu. Teve, naquela hora, a eficiência que Messi não teve para bater o ainda excelente Petr Cech. O tão bom, Manuel Neuer, viria a brilhar em momentos mais afunilantes e ainda mais decisivos. Afinal, não tínhamos uma semifinal decidida em prorrogação há algum tempo.

Ronaldo, que é um fenômeno mas não o ‘Fenômeno’, fez mais um para o Madrid, e concedia o poder de passagem à final em Munique ao time de Mourinho, que atuava com seriedade.

Ah, o Pepe.

O beque madridista fez pênalti em Gómez, que convertido foi por Arjen Robber – que deve ter tido uma semana dificílima visto o que foi especulado sobre sua briga com Ribéry.
O Barcelona, com 2 a 1 contado a pró, sofreu com a retração das linhas do Chelsea, que fora adaptado a um 4-4-1 – na verdade, era falso, pois Drogba fazia um trabalho fundamentado na recomposição de setores mais defensivos.

Ah, Fernando Torres.

O jogo em Madrid prosseguiu à beira da tensão prevista, e foi para uma prorrogação tensa de dignidade de Champions League.

Em Barcelona, porém, atentem: Messi cobrará um pênalti. E pode – deveria – dar a classificação aos ‘culés’ para a próxima fase – deveria ter dado, já prevendo o que ocorreu. Atentem, porém, para um fato mais exuberante do que a própria figura do gênio da 10 ‘blaugrana’: Messi já perdeu um penal no ano – dois aliás, mas um no Camp Nou diante o Sevilla. Fixação ocorre mesmo no período posterior à batida de penal do argentino: ele perdeu, pela terceira vez no ano, um pênalti.

Afinal, o argentino é humano. Por mais que custe acreditar. Pois custa, muito. Messi contrasta diversificadamente com sua própria figura, composta por seus magníficos feitos, feitos em tão pouco tempo de forma tão fenomenal, elegante e clássica.

Ah, Cristiano.

Assim como o argentino, o luso é fenomenal. Ah, é humano também – mais que Messi. Ronaldo é menos elegante e clássico, mas é mais explosivo, mais deslumbrado, e, ainda assim, extremamente qualificado tecnicamente.

Ainda assim, é um humano tal qual Messi é, e permite-se, daí, um penal mal batido. Enquanto Lionel tirou muito de Cech, e arrematou com relativa força sua batida, Cristiano, que já havia feito o seu de pênalti, tirou pouco de Neuer, o que não o torna um goleiro de menor excelência que Cech.

Para tornar ainda mais irônico, o maior brilho foi de Fernando Torres (estátua de 50 milhões de libras). O Barcelona tomou um contragolpe que sacramentou sua vida na Copa dos Campeões. O Madrid simplesmente foi inapto à conversão de penais.

Duas noites distintas, que paralelas, são bem comparáveis. Pelo menos da visão dos penais. Contudo, é claro que as noites tiveram outros fatos que elevaram a tensão de ambas equipes, que terminaram suas participações com legítimas tragédias, em Camp Nou e em Santiago Bernabeu.

Por tudo que envolve a rivalidade Barça-Madrid, desde o cunho político avaliado e discutido de forma contínua, tanto quanto o atual, que coloca paralelamente figuras das equipes para rivalizarem, compondo mini-confrontos, a semana ficou para a história por uma talvez esperada, mas ainda assim surpreendente coletiva do reservado Pep Guardiola, que determinou o fim de sua estadia no ainda maior time do mundo.

A figura de Josep, por mais que tudo – e para mais que tudo – era o símbolo da elegância, plasticidade, pacificidade, exuberância e diversos outros aspectos que representavam, justamente, a figura do time do Barcelona fora do campo de trabalho. Esses únicos aspectos que compõem o melhor time do mundo e o treinador são transportados à história e fazem parte dela na história do esporte. E fazem uma grande parte nessa história.

Por todos e a Pep, agradecemos por tudo que nos foi mostrado até o dado momento, de forma tão ímpar quanto o caráter do maior time que vi jogar até hoje.

Pois sim, Guardiola disse adeus aos ‘blaugranas’. Mas ainda mantém o mesmo panorama da sua figura, requentada com todos os aspectos introduzidos à equipe catalã.

Ah, Pep. A semana, futebolisticamente, entrou para a história.

Guardiola - a característica vestimenta

Por: Felipe Saturnino

07/03/2012

Orgasmo cósmico

A melhor atuação – pelo menos pela parte da minha memória afetiva – que já vi de um único jogador num jogo de futebol foi a de Lionel Messi, pelas quartas-de-final da Champions League da temporada 2009/10; sim, a mesma temporada em que o todo poderoso sucumbiu para a Internazionale. Mas vale a lembrança para o deleite de quem se recorda puramente do momento mágico que vivemos naquele dia.

Um por, magistralmente, o Barcelona ser o Barcelona. Dois por vermos Messi. E claro que as constelações Ini e Xavi surgem posteriormente – na ocasião, todavia, o marcador do tento que deu à Espanha a primeira conquista mundial estava lesionado.

Foi fantástico observar Messi fazer todos os gols daquela goleada estarrecedora sobre o ‘melhor’ Arsenal de Wenger, ao menos no que diz respeito às últimas temporadas do francês no comando do esquadrão londrino. E também a maneira como foi constituída a goleada, constando de Nicklas Bendtner como abridor de placar no Camp Nou.

O primeiro de Messi foi após uma rebatida na entrada da área do Arsenal, proveniente de Silvestre – o lateral/zagueiro francês -, empatando com um chute certeiro no ângulo. O segundo de Lionel – bem como o do Barça – foi após uma jogada estilística, com entradas periféricas na área adversária, até o passe de ‘Pedrito’ para o 10 do maior do mundo chutar e fazer com a perna direita. E os outros dois foram pintura.

A primeira obra foi por cobertura, após passe de cabeça do malinês Keita. A segunda foi algo mais. Pois, Messi costurou até adentrar a área do Arsenal e, mesmo permitindo o rebote de Almunia no primeiro chute, não podia se culpar o arqueiro pela atuação assustadora do argentino, que guardou o quarto tento. Um monstro. Um gênio. Impiedoso.

Uma atuação digna para ressaltar o nível de um orgasmo cósmico por parte do argentino, aquele nível que, raramente, jogadores raríssimos são permitidos de explorar, e conhecê-lo. Repetir é algo mais complicado. Não impossível, porém.

Uma atuação que se transformou na minha predileta. Apesar de sempre reparar os jogos de Messi como um fenômeno quase inalcançável no esporte, aquele foi de nível muito, muito alto. Quatro tentos em uma disputa de quartas com o Arsenal pela Champions League pode te fazer pensar no nível utópico que Leo atingiu. Quase inalcançável.

O orgasmo de gala desta quarta-feira só faz-nos pensar ainda mais sobre esses fenômenos, invariavelmente, dados como raros. Tal qual, analogamente, o Barcelona como um esquadrão alcançou um nível cósmico diante o maior rival, em novembro de 2010 – os 5 a 0 do Camp Nou. Porque Messi superou a minha preferida atuação dele – a mais afetiva que tenho, ao menos. Genialmente, o argentino alcançou o seu 228º gol com a camisa do Barça, pronto para se tornar, mais do que oficialmente, o maior da história do maior do mundo.

Sim, Messi fez 5 gols contra o Leverkusen, no mesmo estádio em que fizera os 4 diante o Arsenal, naquela atuação cósmica. Mas hoje ele superou-se. Provando que pode explorar mais de uma vez um nível absurdo.

E incrível acreditar que, em jogos comuns, ele atinge esse nível com frequência.

Messi - explorando níveis cósmicos dentro do futebol

Por: Felipe Saturnino

22/02/2012

Os aspectos da vitória do Olympique de Marselha sobre a Inter de Milão

Atual quinto colocado da Ligue 1 – campeonato francês -, o Olympique de Marselha faturou uma vitória importantíssima sobre a tricampeã europeia Internazionale, constando um placar mínimo em terrenos franceses.

A conquista do Olympique existiu por uma Inter extremamente apática, em nível técnico muito baixo, tal qual o do próprio jogo. Os fatores construtores da vitória também atestam para um jogo de formações diferentes, que em um esquadrão – o francês – foi meramente mantido no decorrer do jogo, mas no italiano, não.

O gol para o triunfo do time da terra dos ‘Bleus‘ foi de autoria ganesa, assinada por André Ayew, no penúltimo minuto de embate – o 47º.

Os aspectos que deram a vitória ao Olympique são variados e expostos nos próximos 8 pontos.

0-63º minuto

1. O jogo no estádio Vélodrome foi configurado por pouquíssima criatividade e cadência por parte de ambas equipes. Os dois times tentaram acelerar o jogo, mas nem ao menos adquiriram ritmo para obter a posse de bola e conseguir dominar o jogo. Muito do dado compõe-se por atuações decepcionante de jogadores como Sneijder e Valbuena, as duas fontes de pensamento de Inter e Olympique, respectivamente.

2. A atuação de Wesley Sneijder, todavia, não deve ser tida como fora do normal no que se relaciona ao resto do esquadrão: Stankovic foi mal com a primeira bola de transição, e Zanetti serviu somente para conter os avanços de Cheyrou, tendo em Esteban Cambiasso, que conseguiu tornar o lado esquerdo da Internazionale mais sólido ofensivamente para não ‘atrofiar’ o jogo em um flanco apenas, o bom destaque tático e técnico para os italiano num jogo ruim no geral.

3. O duelo tático restringia-se a um 4-2-3-1 do Marseille para com um 4-3-1-2 – a disposição 4 e 4 em losango – nerazzurri. A desvantagem se mostrava aos mandantes por motivos naturais no confronto: na linha de meio-de-campo, Amalfitano pegaria o lateral-esquerdo da Inter, Valbuena ficaria com o volante de centro e o ganês Ayew pegaria Maicon; contudo, o que se deu foi que Amalfitano ficava mais flutuante em campo, já que o romeno Cristian Chivu, de 31 anos, não é agressivo por não ser lateral de origem, e sim beque central. Com isso, o ponta-direita da equipe marselhesa regredia em campo também para ‘grudar’ em Cambiasso, que seria mais livre caso Chivu jogasse mais agressivamente na lateral.

4. Os confrontos táticos individuais em campo ficavam polarizados em três centros de criação: Valbuena-Stankovic, Cheyrou-Zanetti e Alou Diarra-Sneijder. Todos eram fundamentais para o andar do jogo, porém, interessante era reparar como Amalfitano regredia na altura do campo para compor o bom espaço que Cambiasso tinha para tornar o lado esquerdo da Inter mais ativo. A primeira boa chance do jogo foi da equipe de Giuseppe Meazza, aos 10 minutos, com bola de cruzamento vinda de Esteban para Diego Forlán concluir e Mandanda tocar para escanteio.

5. A Internazionale se modificou quando Yuri Nagatomo assumiu o posto originalmente de Maicon, na lateral-direita da Internazionale, após o final da primeira etapa. O japonês subiu mais ao ataque do que o brasileiro o fez, porém, a timidez espontânea de André Ayew, subitamente, tornou-se menor, na mesma medida em que o Olympique começou a utilizar mais os seus pontas.

63-93º minuto

6. No 18º minuto da segunda etapa, Ranieri decidiu travar o Marseille ao começar a utilizar o nigeriano Joel Obi na meia esquerda da segunda linha de quatro do 4-4-2 interista. Assim, Chivu teria mais suporte na marcação de Amalfitano, ainda que no lado oposto Nagatomo preocupasse por ter Ayew logo ao seu lado.

7. Cheyrou, que anteriormente era barrado em Zanetti, agora, teria contra uma linha disposta de forma mais clara para trancar o jogo e garantir o empate insosso. Valbuena ainda jogava em cima de Dejan Stankovic, o meia sérvio que teve participação muito pouco importante no serviço de cadência de jogo no meio-de-campo italiano, que era praticamente inoperante em campo.

8. Amalfitano conseguiu sacar três cruzamentos em 10 minutos para Ayew cabecear nas três ocasiões. O gol não saiu, porém, ficava claro que o atalho era pelo lado de Chivu, outro que teve noite pouco inspirada por segurar uma posição em que nunca obteve êxito completo na carreira de futebolista. O tento, porém, saiu aos 47 minutos após escanteio cobrado por Valbuena, que ainda não havia se encontrado em campo, mas era o único que corria atrás de variações no meio-de-campo do Olympique de Marseille, procurando por espaços nos dois flancos.

Por: Felipe Saturnino

19/02/2012

(Des)Confiando

O Real Madrid é virtual campeão espanhol. 10 pontos de vantagem sobre o Barça lhe deram o privilégio de controlar o topo da tabela como bem quis, e agora o primeiro caneco do campeonato nacional para o time forte de Madrid em três temporadas está ficando mais visível.

O Barcelona, porém, ainda é o melhor time do mundo. Por isso que é favorito na Champions League. Mas, a figura mudou um pouco.

Mudou pois o segundo melhor time do mundo, pela primeira vez consistente, consegue ameaçar o reinado da equipe da Catalunha. Consegue pois começa isso no campeonato espanhol – marca que vigora nas conquistas de Pep Guardiola com o Barcelona desde o início de seu comando, no ano de 2008. A hegemonia nacional deverá ter um fim após algum tempo, porém, a questão abrange diversos polos de discussão para a sucessão de trono do melhor time da Europa. Parcialmente, pelo menos.

Em dezembro, Mourinho falhou e, como aqui num post foi descrito posteriormente, ficou sem reação no momento que conflitava com o Barcelona em Bernabeu. O jogo encerrou-se na contagem de 3 a 1, com mais uma decepção para os madridistas.

Fica claro, se já não era óbvio, que a conquista do espanhol não representa uma satisfação total por parte dos madridistas. É preciso fazer mais, porque a rivalidade Real Madrid-Barcelona envolve muita dignidade e autoestima. Até por isso, com algumas cogitações devidamente borbulhadas, José Mourinho não deve permanecer no Real nesta temporada – ainda que conquiste o espanhol.

A figura muda novamente quando falamos de vitória em Champions League, pois se Mou conseguir vencer a competição pela terceira vez em toda sua carreira, ele pode, sim, ficar. O problema seria encarar o Barcelona por mais algumas vezes na carreira, e continuar sofrendo constantemente com isso, apesar de ser o único que realmente incomoda o poderoso esquadrão de Guardiola.

Dentre todas as dúvidas, o Real Madrid está simplesmente impecável, e, sem se arrepender de dizê-lo – mas podendo se arrepender depois -, está no primor de seu jogo em algum tempo. A equipe não tem fraquezas – como nunca teve – e joga bem com consistência, trucidando rivais, mesmo que sejam pequenos, em momentos, apenas. A liderança consta de 61 pontos e 79 gols, tendo sofrido 21. Então, o ‘clash’ entre os maiores do mundo pode ocorrer em estágios mais avançados da competição da Copa do Campeões, para decidirmos se o Barça manterá mesmo a coroa.

Os dois serão favoritos a chegarem às finais do torneio, indubitavelmente.

Assim como é sem dúvida que a confiança do Real Madrid está lá em cima. Com o espanhol praticamente ganho, a única dúvida vai ser em quanto a equipe pode chegar com pilha para o jogo contra o Barcelona no Camp Nou, para o returno. Aí sim, poderemos ter uma decisão prévia da temporada de ambos os times.

No nível dos melhores do mundo, a impressão é de definição por termos um dos melhores times da história do jogo em atividade e indefinição se o time de Mourinho pode detê-lo. Com a confiança – e desconfiança, ao mesmo tempo – que tem-se, o Madrid pode fazê-lo. Questão debatível mesmo é quanto significa vencer o espanhol para apenas realçar uma campanha que pode quebrar nas mãos barcelonistas, mais uma vez. Confiando e desconfiando, indo e vindo, os melhores do mundo vão se encontrar mais algumas vezes este ano. A coroa pode mudar de mãos, pelo menos parcialmente. E vai ser a última chance de Mourinho em Madrid. Ou melhor, desconfio que será.

Cristiano e Real Madrid - viajando na confiança e sendo desconfiados

Por: Felipe Saturnino

18/10/2011

O protagonista Kun Agüero

O Manchester City, apesar de rico há um tempo, sempre careceu de um protagonista. Ou quase sempre.

Por exemplo: passaram pelo clube Robinho e Carlos Tévez. O brasileiro não conseguiu ser o que podia. O argentino não passou pois ainda lá está, mas passou pelo que passou. É o que é, mas poderia ser mais – não fosse sua tamanha falta de disciplina e profissionalismo. Por isso, é mais um dos bons jogadores que por lá passaram.

Outro argentino é Sergio Agüero. Mas distinto de Tévez neste sentido.

Kun – permita-me chamá-lo deste modo – chegou e tomou conta do seu espaço. Na estreia diante o Swansea, na primeira rodada da Premier League, ele anotou dois tentos e deu um passe – espetacular – para outro de David Silva.

Hoje, diante o Villareal, Agüero entrou durante o entrave que foi marcado pelos evidentes limites do Villareal e pelo domínio do campo pelo City. Originalmente, ambas as equipes iniciaram o jogo no 4-2-3-1. O City tinha mobilidade no eixo Nasri-David Silva, mas Adam Johnson não tinha mobilidade para mudar o lado em que atuava – o direito – e fez um jogo muito limitado. Foi substituído, para que Yaya Touré, atuante na cabeça-de-área ao lado de De Jong, pulasse para a meia central empurrando David Silva para o lado direito. O Villareal, com um time muito cauteloso, vencendo o jogo após erro de De Jong e gol de Cani, tinha força na saída de Borja Valero, que saía da posição de segundo volante e agredir mais o City na sua cabeça de área – sabendo que o meia De Guzman era muito pouco produtivo no setor. Pérez, o extremo – winger -, variava o lado com Cani. Ambos recompunham pelas laterais, protegendo os lados da defesa dos avanços dos outros wingers do City.

A equipe de Roberto Mancini empatou, com gol contra de Marchena – ex-zagueiro da seleção espanhola. Porém, começou a se perceber que, na mesma medida em que o City pressionava pela ação dos três meias ofensivos, perdia-se a agressividade do setor anterior ao dos meias, neste caso, o setor dos volantes Gareth Barry e Nigel de Jong. Borja Valero, um dos melhores em campo pelo Villareal, fazia suas progressões por este setor aqui citado.

O City não conseguiu criar a sua chance para definir. Mas com Agüero em campo, descartando a opção de Barry, a equipe seria mais forte por trás do meio-campo do ‘submarino amarelo‘. E foi.

Nem por isso, ganhou-se o jogo. Mancini arriscou, de fato. Depois, colocou Milner no lugar do francês Nasri. Quis dar mais toque vertical ao meio-campo do Manchester, mais fluência nas jogadas. Deste fato, surgiu a jogada do gol. Zabaleta apareceu bem após grande jogada de Milner.

Mas o desfecho teve o fim do protagonismo de Sergio ‘Kun’ Agüero. O 16 dos citizens, mais uma vez, foi protagonista. Herói. Do City, da torcida e da cabeça ainda viva de Mancini. Cabeça mais que viva, aliás.

Kun Agüero - herói e protagonista

Por: Felipe Saturnino

27/09/2011

Uma volta “permanente”

Kaká é um caso diferente de craque. Ele é um, tem recursos que parecem normais, mas os eleva a nível diferente.

Quando, em 2007, numa partida pelas semifinais da Champions League, ele fez dois gols no Manchester em Old Trafford, definitivamente, ele adquiriu um status diferente. Óbvio que aquilo é apenas um marco em sua carreira. O seu desenvolvimento é bem maior e mais abrangente do que apenas um jogo. Mas, especificamente, aquele jogo nos mostrou qualidades inevitáveis em um craque: poder de decisão, recursos técnicos e o papel de um protagonista.

Kaká voltou hoje ao Real Madrid. Não é que voltou – ele não vem de lesão. Mas voltou diferente. Com um tom de maior permanência.

Ainda mais pelo fato de não substituir Özil, mas sim Di María. O ex-São Paulo e ex-Milan jogou por dentro do campo, como um típico meia de criação. Sua movimentação foi importante, concedendo a C. Ronaldo a chance de entrar em diagonal, criando mais possibilidades durante o jogo.

O Ajax de Frank de Boer foi de 4-1-4-1, que era um desdobramento tático do 4-3-3, que existiu com a bola. Destaque para o bom meia dinamarquês, Christian Eriksen; tecnicamente muito qualificado para compor o setor. A equipe holandesa incomodou na transição do Real Madrid, jogando em cima de Xabi Alonso e Khedira.

Aliás, o primeiro gol foi de contragolpe. Isto é, sem uma transição comum, mas com uma defesa desorganizada. O segundo tento surgiu após um lançamento lindo de Xabi Alonso para Cristiano Ronaldo, que apenas entregou a bola para Kaká marcar, com um chute cruzado, aos 41.

O brasileiro teve a maior nota de acordo com os especialistas da UEFA. Foi mesmo o melhor em campo, jogando em uma posição que permitiu a atuação de dois meias: ele e Özil. O alemão jogou em um setor mais periférico, mas deu suporte à produção do meio-campo. Assim, Cristiano se junta mais ao ataque, ao lado de Benzema.

A volta de Kaká parece ser mais ‘permanente’ do que nunca. Cheira a algo mais consistente na titularidade. O número 8 pode, finalmente, achar uma forma decente e aceitável no time de Madrid e, ainda mais, no Madrid de Mourinho.

Kaká e Cristiano - o brasileiro pode estar voltando


Por: Felipe Saturnino

27/09/2011

Bayern se achou e é forte. Mas e o City?

O Manchester City praticamente deixou a possível primeira posição do grupo escapar. Ou simplesmente deixou a vaga nas oitavas da Champions escapar.

No jogo dos melhores dos grupos, e os favoritos para mim, o Bayern mostrou que é forte demais para o time de Manchester. A equipe de Jupp Heynckes é líder da Bundesliga e agora tem 100% de aproveitamento na Copa dos Campeões. No 4-2-3-1 de sempre, deixado pelo mesmo holandês Louis Van Gaal, que não deixou o clube de uma forma tão amistosa.

Heynckes escalou Thomas Müller, Toni Kroos e Frank Ribéry na linha dos três meias ofensivos. Porém, como todos sabem, o organizador primordial é Bastian Schweinsteiger, que surge por trás dos meias do time de Munique. E a relevância do funcionamento do meio-campo dos alemães depende da forma que Schweinsteiger exerce o que tem que exercer.

Se ele tem espaço, ele acaba com o jogo. Lembre-se do entrave diante o Brasil. Fernandinho ficou preso em Lahm, Ralf em Götze. Bastian teve o espaço para brilhar, ainda fazendo um dos tentos na ótima vitória do time de Löw.
Contra o City, a mesma coisa. Mas com alguns pontos diferenciais.

O primeiro foi a tentativa de Mancini para “reter” Schweinsteiger em um ponto mais baixo do campo; o que ocorreu foi uma mudança no posicionamento de David Silva, fazendo-o ficar mais fixo pelo flanco direito, tentando impedir Lahm de aparecer no ataque. E, ainda, o espanhol teria que ocupar espaços para tentar impedir o jogo de Schweinsteiger, segundo volante, organizador primário do Bayern de Munique. Mas ficou na indecisão de marcar um ou outro.
Em um segundo ponto, há de se ressaltar que Silva foi tentar fazer o que fez por um motivo claro: o City joga com duas linhas de quatro homens, clássico. Isto é, nenhum meia central, sem incidência de um incômodo para o número 31 do Bayern de Munique.

Com as mudanças, Nasri foi jogar pelo lado esquerdo do campo. Pouco fez – apesar de ter ido melhor que Silva.

Quando Bastian começou a aparecer, por volta dos 30 minutos da etapa inicial, o time da casa começou a criar. E fez o primeiro com Gómez. O segundo também foi de SuperMario. Como um herói, de fato.

O City foi muito indeciso. Poderia ter recuado Agüero para jogar em um 4-2-3-1, espelhando o adversário e incomodando os volantes. O argentino apareceu pouco, apesar de tentar compor a linha de três meias com Nasri e Silva.

Os bávaros são favoritos na disputa da liderança. Agora, ao City, resta se concentrar na vaga pela segunda posição com o Napoli. A vantagem desta vez é dos italianos, que contarão certamente com o San Paolo no jogo do segundo turno do grupo A.

Mario Gómez - voando em campo

Por: Felipe Saturnino

13/09/2011

O equívoco de Guardiola e o ponto do Milan

Os catalães de Barcelona entraram em Camp Nou, mais uma vez, como favoritos. O melhor time do mundo. Um dos melhores esquadrões da história. Mas até erros podem acontecer com equipes tão fantásticas quanto essas que aparecem como fenômenos e tomam conta do futebol.

O Barcelona tomou, toma e não sabemos até que ponto monopolizará o esporte. Com o tiki-taka, a equipe manda na Europa e também no mundo. Porém, um gigante pode muito bem cair por algum equívoco próprio. Bingo.

O Milan, segundo maior campeão da Europa, sabia que não era nada de favorito. Era bem possível um atropelamento dos anfitriões. Allegri, com o seu 4-3-1-2, tendo base composta pelo ainda muito técnico Clarence Seedorf, tinha que temer o melhor do mundo. Aparentemente, não temeu.
Comprovou-se quando Pato marcou o primeiro, aos 24 segundos de jogo na Catalunha. O atacante brasileiro arrancou e, num toque, tirou Sergio Busquets e Mascherano da jogada.

O mais relevante aconteceu no momento pós-gol do Milan. O desenho de Guardiola, de um jeito ou de outro, estava se transformando em um outro tipo de esquema que tinha um lateral mutante – Daniel Alves era um ponta extremo pela direita, mas funcionava como um lateral, apoiando o corredor por completo. O 3-4-3 estava de volta ao Camp Nou, mas, desta vez, sem a configuração mais adequada: no meio-de-campo, Keita (primeiro-volante), Iniesta e Xavi (dupla de meias) eram os compositores. Daniel Alves abria ao extremo o lado direito, deixando três zagueiros para dois atacantes milaneses – estes que eram Cassano e Alexandre Pato. Messi era o falso nove, com Villa e Pedro aprofundando o jogo.
Um erro tático, que pode ter progredido de forma artificial ou natural, dependendo do pensamento de Pep Guardiola.

Nada que mudasse a beleza da jogada do craque genial Lionel Messi, concedendo um requentado passe para Pedro.
E também, nada que mudasse a beleza do gol de Villa. Uma falta cobrada incrivelmente bem aos 5 do segundo tempo.

Mas era um Barcelona errado. A configuração era equivocada dado o esquema que concedia a Iniesta a função de abrir o jogo pela extrema esquerda, e depois Fàbregas, que o substituiu. O espaço que a cabeça do círculo central dava ao Milan consolidava uma progressão ao time italiano que, cada vez mais, conseguia roubar bolas em um ponto alto do campo barcelonista.

O empate no fim – vindo de uma cabeçada do ótimo Thiago Silva – foi injusto. O Barcelona simplesmente dominou as ações. Todavia, há de se falar que o Milan empatou com o melhor do mundo fora de casa e, dito isso, mereceu o resultado. Pouco errou no jogo inteiro. E os equívocos de Guardiola tem de cessar. Senão, o Barcelona vai acumular um problema, seja artificial ou natural. Com as voltas de Piqué e Puyol, a situação se estabilizará, certamente. O que não desfavorece o adversário, que pode explorar o lado direito e seu corredor por completo, com as subidas do lateral mutante, Daniel Alves. E a cabeça de área deu espaço ao Milan. Bingo. Um ponto ao forte Milan.

Thiago Silva - a cabeçada e o ponto sonhado

Por: Felipe Saturnino