Posts tagged ‘Futebol Nacional’

16/12/2012

Entrou, aplicou e ganhou

Quando Tite mandou a campo Jorge Henrique, substituindo Douglas, o Corinthians prometia estar atento a todos os movimentos do Chelsea. O mais importante para os corintianos, afinal, além de jogar uma partida inspirada, era mesmo deter os avanços dos Blues pelos lados do campo, principalmente pelo lado direito, ou seja, se aplicar taticamente.

E a lateral-direita foi protegida, tal qual a esquerda, tal como o miolo de zaga e a parte dos volantes. O Corinthians foi impecável. Mesmo não tendo sido mais perigoso no primeiro tempo, porque o Chelsea teve a chance com Cahill num lance de escanteio em que Cássio fez um quase milagre, e depois com Moses, em que Cássio fez uma das mais brilhantes defesas de sua carreira – certamente uma mais importantes. Em um jogo-espelho, com dois 4-2-3-1s, Emerson iniciou para atacar o lado destro do Chelsea, em que Ivanovic atuava. Jorge Henrique, enfim, entrava para ser um secretário particular de Alessandro, auxiliando-o no combate a Hazard e marcando Cole.
Paulinho teve de se sacrificar como um jogador de sua magnitude para seu time teria de fazer. Doou-se pelo conjunto, marcando e combatendo Ramires no duelo mais direto e interessante do jogo, dada a qualidade de ambos. Pela mesma posição, o confronto único por uma vaga na seleção, isto tudo era realmente diferente para os dois. Ainda que Ramires seja tecnicamente superior, Paulinho tem se superado e atingiu tal nível notável como jogador da posição, não o dando por acaso uma vaga com Mano na seleção. A surpresa maior foi reparar o quão agressivo e imponente o Corinthians mostrou-se dentro do jogo. Não foi um show, mas foi uma performance excelente. O time de Tite conseguiu se tornar ainda melhor que o mesmo campeão da Libertadores.

O Chelsea, afinal, apesar de não ser fantástico, é um time de respeito, de nome. Possui opções, variações, qualidade. E aos montes. Faltou organização, e bem como o The Sun descreveu, é o fim do mundo, ao menos para Benítez, ter perdido o jogo. A equipe azul de Londres foi pressionada por um Corinthians dono de si e dono do jogo. Danilo fez exaustivamente um trabalho de recuperação, trabalhando sobre Lampard para impedir o Chelsea de começar o jogo com algum conforto desde lá de trás. Guerrero, não só pelo gol chorado, mas pelo jogo em sua plenitude, foi fundamental. Os corintianos conseguiam então fazer jogo, com alguma dificuldade – uma dificuldade natural, há de se falar, dado o adversário -, mas as chances criadas não foram por qualquer coisa. No primeiro tempo, Emerson teve duas em seus pés. Na primeira, ao invés de passar a Guerrero, tentou passar por David Luiz, que protegeu com o corpo de forma simples; a segunda foi com um erro pífio de Gary Cahill, aos 28 minutos da primeira etapa, em que o corintiano chutou a bola longe da meta de Cech.

Hazard, então, foi travado pela direita. Alessandro foi destemido, pela direita, também – mesmo sem apoiar efetivamente. Ralf foi pego por Lampard em um lance. Ralf marcou Lampard. Lampard não conseguiu jogar, e o Chelsea aproximava-se de Cássio por talento, não por estratégia ou plano de jogo. Era a qualidade que tantos diziam que eles tinham.

O panorama do jogo mudou quando, no segundo tempo, o Corinthians passou a pressionar por volume, que o Chelsea, pelo caminho que tomava, teria com que lidar. A posse era corintiana, mas a força de ataque literalmente pertenceu aos alvinegros. Paulinho, por mais que mais tímido que na Libertadores, infiltrou-se para dar o passe a Danilo que finalizou para Cahill tirar e, na sobra, Guerrero confirmar o tento. Com o pressing voraz a que impôs o Chelsea, o Corinthians sabia que o gol estava mais perto. Esse sempre foi um dos maiores trunfos do time de Tite. Ter segurança que a chave do jogo está nas próprias mãos. Mesmo que Paulinho, a arma da Liberta, não estivesse a fim de marcar o gol redentor dos corintianos, pois ajustava-se ao desafio de acompanhar Ramires, a chave estava na cabeçada de Guerrero, que entrou para a história fazendo história.

14/12/2012

A confusão, o ídolo e o título

Tricolores, os paulistas, ansiavam pela volta da glória. Há mais de quatro anos, ela não regressava. A chance, que no ano poderia ter sido concretizada, ter se tornado realidade em três ocasiões – no Paulistão, na Copa do Brasil e no Brasileirão -, calhou de ter se efetivado numa última tentativa para um São Paulo faminto, dono de alguma garra, disposição e juventude, e com Ceni voltando à meta para celebrar mais um triunfo para o curriculum vitae já muito célebre, brilhante por suas fantásticas vitórias como arqueiro artilheiro, o maior de todos, há de se falar. A Copa Sulamericana apresentou-se como vencível, e vencida (aparentemente) foi.

O São Paulo merece o título pois, oras, ganhou a final. Sim, ganhou. Nem que tenha sido a metade da mesma, mas o fez com serenidade, não em plenitude, porque iniciou o jogo um pouco afoito; perdeu o medo com o gol de Lucas, que acelerava a partida com suas arrancadas ferozes, características de um “hambriento” meia que esperava por seu próprio tento, para tornar perfeita para si próprio a já incrível noite. Era, afinal, sua última como são-paulino. E tratou, depois do gol, de prosseguir com seu jogo tomado à minúcia, ao detalhe, pois estava mesmo com vontade de jogar, e jogar pra fazer história – que ainda lhe faltava propriamente, mas agora não mais; algum tempo, não muito, após o gol, o 7 das três cores do Cícero Pompeu serviu Osvaldo que, por mais que estivesse alguns milímetros impedido, nem que tenha sido por seu calcanhar, marcou e anotou o dois a zero. Mas o jogo era tenso.

O Tigre, pois, não era admiravelmente fabuloso; nem era, afinal, fabuloso. Não jogava bonito. Jogava forte, joga forte. Derrotou o Millonarios com gol de cabeça, em momentos finais do jogo. Os colombianos puderam empatar. Ontem, os argentinos partiram para um jogo muito forte, agressivo. De fato, o São Paulo deu bola. A tensão de final não atesta óbito, mas dá motivo pra pensar em agressão; e o jogo era tão nervoso por causa da natural pressão existente em ambos os lados, que foi lapidada pelos times que, no final, acabaram por trocar sopapos para a saída do primeiro tempo, o “entretiempo”, como diriam os albicelestes. Futebolisticamente, é deveras congruente com a verdade que o Tigre não seria capaz de vencer o São Paulo com um jogo solto, sem faltas, sem paradas; seria muito simples, posto a velocidade notável, e que vai fazer falta, de Lucas, mas também pelas ousadas investidas de Osvaldo, um ponta no 4-2-3-1 de Ney Franco que adquiriu confiança ao longo do ano, ganhou a posição e começou a partir pras bolas. No sweat, no glory. O Tigre, sem dúvida, como é de natureza, deveria empurrar o São Paulo à timidez. Limitá-lo a poucos lances livres, bloquear tantos espaços quanto pudessem, e também quando pudessem. Quando Lucas tinha a bola, no final das contas, quase nunca alguém conseguia pará-lo. Realmente, poucos podem fazê-lo.

Surgiu então a milonga. Depois, no final do caso, talvez não seja milonga, pois os argentinos falam em agressão por parte dos seguranças tricolores. Para o São Paulo, este seria o literal desastre. Por mais que os argentinos tenham brigado em campo – e como brigaram, a ponto de Lucas ter sangrado deliberadamente após ter tomado uma cotovelada -, esse não seria o caso. Se, no fim, tudo é uma ilusão, e não pode-se arcar com o inferno em que se meteram, os argentinos do Tigre, de Nestor Gorosito, não estão apoiados, pois não estão certos. A confusão poderia ter se generalizado, ou melhor, factualmente generalizou-se quando os times desceram para os vestiários, num túnel que une ambos vestiários de mandante e visitante.
A tensão a que me referi no parágrafo segundo, porém, se iniciou com o apedrejamento do ônibus dos jogadores do Tigre pela torcida do São Paulo – um absurdo, por mais que usual pelo continente. Algo que não poderia acontecer, pois sim, aí a segurança ameaça pela sua falta, pois ela não existiu no caso; a pilha continuou com o trato do aquecimento. O São Paulo não teria permitido, e o Tigre foi, por isso, impedido. Destratá-los para não ser feito o aquecimento em campo alegando que o gramado pode ser mais danificado, após um show de Madonna, bem, isso sim é curioso. Enfim, fato é que, pilhados por isso, e talvez sabendo que o São Paulo não disponibilizou o gramado para o aquecimento – pois os argentinos subiram a campo para ficarem aquecidos -, o Tigre conseguiu driblar a segurança, e se aqueceu.

No jogo, tudo poderia ter sido amenizado pelo juiz chileno, Enrique Osses, que talvez tenha sido muito, muito mão fina, suave para o tratamento que o jogo requisitava. Lucas, como já dito, levou uma bela cotovelada para seu álbum de deslealdade dos adversários. Lucas que, bem, é ídolo.

O título é do São Paulo. Bem, o vice da Conmebol voltou atrás e ainda não o deu por certo, mas seu merecimento pertence ao São Paulo. Jogou mais jogo, tem mais time, é mais leal. Mas a história da confusão, que se envolve e se confunde com a história do título, e ainda mais importante, com a história do ídolo jovem, Lucas, que obteve a honra sagrada concedida pelo ídolo mor da torcida, Rogério Ceni, requer investigação mais certeira. Apenas com testemunhos, pouco pode se avançar em esclarecimento. Um fato é que não há certeza no que se tem, e para um time, por mais que milongueiro e argentino, não volte a campo para continuar a pancadaria pra cima dos paulistas, bem, talvez tenha havido algo mais forte no intervalo. A questão que resta é a respeito de quem ter iniciado o confronto. E os seguranças tricolores, por mais que sejam “desarmados” – pelo que disse João Paulo de Jesus Lopes, de fato são -, hão de ser investigados, posto o que os argentinos afirmaram. A razão reside em algum lugar, imperceptível e ininterruptamente transitório, pelo que foi dito por ambas as partes, pois, como não poderia deixar de ser, não existe consenso.

De certidão, nada certo há. Apenas que Lucas é ídolo. Pois, bem verdade é, a Conmebol é tão inexata, errada e confusa que dá o troféu ao campeão num dia, e tem um de seus homens fortes dizendo que o torneio não acabou. Isso sim, afinal, é confusão.

Por: Felipe Saturnino

26/11/2012

Por que (não) arriscar?

Ainda Mano como técnico, os rumores sobre sua saída borbulhavam. A descrença no seu trabalho era evidente, e vívida. A torcida pressionava pela reprovação. Parece que isso foi ontem.

Pois foi anteontem. Quando na sexta, se disse da sua saída, sua saída oficial, contornou-se a situação do tampão. Mano não era um. De fato, uma ala na CBF não possui simpatia por sua figura. O staff de Sanchez perdeu, como o mesmo disse, e este foi “voto vencido”. Enfim, Mano sucumbia à pressão, mas no seu momento indevido.

Talvez o ex-Corinthians não fosse mesmo um técnico com a qualidade para habitar um cargo tão alto assim no âmbito do futebol nacional, e também, internacionalmente, já que a importância do nosso futebol extrapola seus limites territoriais. Sua influência no esporte é demasiadamente grande, e assim a de Mano teria de ser. De fato, enfim Mano agora achava algum traço significativo para a sua seleção. Sem mudança tática de grande importância, pois ele apostava na moda e acreditava que a questão fundamental não era seu sistema tático, mas sim fatores mais humanos, menos estratégicos.

Quando se fala de sua substituição, surgem nomes diversos, e também despontam específicos. Muricy talvez fosse pelo agregado do merecimento recente que obteve, mas hoje o impacto de suas conquistas ecoa bem menos que em 2010, e nem é mais tão unanimidade hoje quanto era na época referida. Felipão é campeão mundial, apesar de seus deméritos recentes como treinador e uma conquista importante mas não tão significativa com o Palmeiras – de fato, seu time era limitado. Tite tem de manter seu melhor trabalho, continuando no Corinthians. Seu perfil não é tão abrangente quanto os de Muriçoca e Scolari. E Luxemburgo? É uma possibilidade. Porém, sua vice-liderança e a vaga direta na Liberta podem muito bem lhe influenciar numa escolha da CBF para o mês de janeiro, e é certo que seus melhores tempos já se foram há muito. É um coadjuvante nessa competição.

Esqueçam-se de outros nomes. Só não do mais esperado.

Josep Guardiola poderia desfilar sua elegância com ternos exuberantes e gravatas bem marcadas com a seleção de maior glamour do futebol mundial? Decerto. Mas, ele exige tempo, menos risco e mais certeza. A um ano e meio da Copa, o que não obtivermos de certeza significará fracasso, e no caso atual, é o que ocorreria lá. Por isso, um técnico tão menos interessante deveria aparecer no cenário para amenizar a crise, reformular o plano e replanejar a equipe como um todo. Não que com esses seja mais certo. Mas, com Pep, o mais justo seria cercá-lo com tempo e confiança, menos interesse político para não acarretar uma demissão “desumana”. Mano pode dizê-lo muito bem.

E se ele assumisse amanhã?

Dificilmente algum técnico recusaria uma proposta da amarela. Mesmo assim, por valer de tanto a experiência, e a possível experiência de um técnico estrangeiro treinando a seleção pela primeira vez na história, há de haver tempo. E pressionar sobrecarregando-o para o Mundial de 14 é muita confiança na interessantíssima experiência. O Brasil necessita de algo mais instantâneo, e não de um experimento de longo prazo.

Ainda que ele assumisse amanhã, como deveria fazer se tivesse proposta.

O elegante Pep


Por: Felipe Saturnino

25/11/2012

DesuMano

Mano fez como o Palmeiras, e caiu.

Caiu, também por causa de si, e mais porque o derrubaram. E o prédio tardou a ser implodido. A um ano e meio do Mundial de 14, Mano não deixou legado. Talvez nem mesmo seu 4-2-3-1 seja legado, nem a opção sem centroavante também. O que Mano fez foi tampar o buraco provisoriamente para dar um caminho à safra que enjoa de juventude, que a possui em demasia, e também tem talento. Até mesmo muito talento.

De modo algum, então, a safra é fraca. Mano era, entretanto, não tão condizente com a pressão que sofreria por administrar essa safra, e também, para fazer o elo com o passado para traçar o futuro – Mano demorou alguns momentos para trazer algum referencial antigo para o time atual, apesar de, certamente, ele ter pensado em fazê-lo mais cedo, mas não o realizava por causa da qualidade e da situação dessas “referências”. O time necessitava de referências, e com as convocações de Ronaldinho, e com as constantes últimas pedidas por Kaká, esse aspecto foi amenizado.

Quando iniciou seu trabalho em agosto de 2010, aliás, os Estados Unidos foram derrotados por uma seleção que cheirava a ótima coisa. E que almejava excelentes hábitos posteriores – isso se resumindo às conquistas. Essa presunção talvez fosse válida. Mas era apenas um preview do que não tardaria a vir.

Em 2011, a Copa América foi um desastre. Foi “um desastre”. Não foi “o desastre”. Esse artigo definido requer especificidade, importância integral. Com um ano de trabalho, Menezes não obteve êxito na Argentina. Era compreensível. Utilizava o 4-2-3-1, a moda, o fashion, o glamour da contemporaneidade. A incompetência dos penais só serve de ilustração para o desastre. “Só”. O time não fez bons jogos, empatou três e venceu um. Não perdeu, se é consolo. Bem que poderia tê-lo diante dos paraguaios, no jogo da primeira fase – pois na quarta-de-final, o Brasil teve as chances, só não as aproveitou. Não ocorreu. Fred empatou nos instantes finais. A competição teve como vencedor o Uruguai, então melhor equipe do continente. A Argentina hoje é bem mais confiável e entusiasma com Messi, Di María, Agüero e Pipita Higuaín.

A albiceleste, aliás, protagonizou com a amarilla um jogo sem energia qualquer na quarta, no templo xeneize dos Juniors. A vitória dos manos de Mano nos penais veio como qualquer coisa, mais que “uma coisa diferente”. Os argentinos de Sabella levaram no tempo normal (2 a 1), porém Neymar conseguiu sacramentar o bicampeonato do Superclássico das Américas. Para Mano, nem importava.

O calendário da seleção não o auxiliou nesse tempo todo, é bem verdade. Esse Superclássico, por exemplo, é inequivocamente um equívoco. É um jogo sem importância, que degenera a imagem tão bela, fantasiosa, brilhante e fascinante que um jogo entre brasileiros e argentinos possui. Mas, fazendo assunto do calendário, que não é o maior vilão, mas prejudicou Mano, o que restou-lhe foi enfrentar equipes certamente mais fortes que fizeram-lhe apenas mal. A França e a Alemanha lhe deram derrotas, e mais descrença. No jogo diante dos hermanos, em New Jersey, talvez seja mais relativizada a derrota. E nem mesmo problema foi o baile diante dos comandados de Löw, que no placar de fato não foi baile – 3 a 2 em jogo tremendo dos germânicos.

A derrota diante da Alemanha é, assim, também justificável. Tal qual a sofrida contra os franceses. E também aquela contra a Argentina. Aquela mais longínqua, no Catar, decerto ficou no caminho maldito feito por Mano. Douglas perdeu a bola e Messi, como deve ser, fez um gol que deu o trunfo aos então argentinos de Batista. Hoje é Sabella quem dá as cartas por ali.

Nos Jogos Olímpicos, o que Mano esperava era pelo ouro. Favoritismo após a eliminação dos espanhóis e uruguaios. Os mexicanos provaram ser melhores, com Peralta anotando os tentos rendedores da conquista maior da equipe que sempre dá calafrios a qualquer categoria do futebol brasileiro. Mano poderia – deveria, este é o verbo melhor aqui – ter caído ali. Não aconteceu. A opção provisória era para finalizar o ano.

No overall, Mano não fez tão mal. E nem bem fez também. Mas, a situação da equipe brasileira deve se atenuar com o tempo, se fixando em outros valores após a expulsão do arrumador de casas. A pior parte, ainda assim, pode não ter passado. Mano, pois, deixou um esquema e um time que devem ser modificados. Ainda assim, a relocação de mobília na casa deve ser sucinta, minuciosamente detalhada.

De fato, para um Mundial de futebol, Mano não era o mestre em avalizar a pressão. Desumanidade mesmo foi fazê-lo de tolo esperando ficar como técnico da esquadra principal integralmente até o final do ano. Foi injusto. Um recesso, novamente, um recesso. Apelar às soluções talvez previamente aceitas, como Scolari, é algo necessário.

Pois requisitar Guardiola exige mais tempo, menos risco e com certeza menos pressão. Por mais que seja Pep, ainda o grande Pep dos culés. E, também, demanda menos desumanidade. Com Mano, foi tudo que se teve. Montar um time notavelmente promissor, jovem, e creditar a Mano a absorção de tanta pressão, bem, talvez não fosse tão indicado. Até por isso, Menezes era uma segunda opção na corrida pelo cargo de treinador, tal liderada então por Muricy – hoje ele é muito menos unanimidade que então.
Mano, pois, sofreu uma desumanidade com a ilusão de sua manutenção do cargo e do time próprio. Politicamente, sua vida era inviável. A pressão era muito grande. E o trabalho já não era tão ruim. Agora, o tempo é ainda menor, e a seleção vai mudar. Com quem, se Mano, um qualificado – talvez não ao ponto do nível da seleção – treinador, foi demitido abruptamente e assim, tão assim?

Talvez requisitem Dunga. Ou tomem não de Muriçoca. Ou tomem sim de Tite, e recusem-no pelo perfil. Mas, e se Andrés gosta dele? No jogo da seleção, políticas desumanas, que previamente não seriam desumanas e sim certas, ocorrem. E se deixam transparecer.

Por: Felipe Saturnino

15/11/2012

Caindo

O revés diante do Fluminense, o muito justo campeão, simplesmente apresentou o irreversível curso do Palmeiras para o abismo. Na verdade, é um abismo necessário para somente alguns times, mas a equipe de Kleina merece-o como lição digna da tragédia anunciada.

O prenúncio – e isso soará como um pleonasmo, talvez – não foi tardio. Argumentava-se no início do campeonato brasileiro as realidades do Palmeiras no desenrolar do mesmo, e o que parecia de mais plausível e condizente com a realidade era uma posição apenas intermediária. Mas, deveras é notável que o aviso servira para pôr em contexto o Palmeiras. O time alviverde se tornou um mero coadjuvante para o cenário paulista, mesmo sendo um dos quatro grandes do estado, mas nacionalmente, seu nível decresceu de forma ainda mais significativa. Afinal, como pode um time ser protagonista somente quando está prestes a cair, no evidente precipício?

Obviamente, o Palmeiras continuará sendo um grande apesar da queda, tal como o são Corinthians, Vasco, e ainda o Grêmio. Todos esses deixaram a série principal do campeonato brasileiro e protagonizaram na divisão genérica. Mas o Palmeiras nem ao menos voltou à evidência de protagonizar algo, e já deixa seu espaço no topo do cenário nacional, tendo sido o vencedor da Copa do Brasil e sendo ainda um componente da Copa Libertadores – indescritível ironia! O que ocorre é no mínimo curioso, e certamente triste, revoltante e contrastante se comparado ao primeiro semestre da equipe, quando se reobteve aquele sabor de conquista. Pois, de qualquer forma, depois de treze anos amargando um recesso em títulos acima do nível estadual – os palmeirenses celebraram o campeonato paulista de 2008 -, eles venceram a Copa do Brasil diante dos coritibanos. E isso tinha de significar alguma mudança.

De mais, o que restará aos palmeirenses, além de torcer até o fim, bravamente, como deve ser, será agonizar no meio do passeio público. A obviedade da queda é percebida por todos, da ala palmeirense mais cautelosa até à mais conservadora e fanática. Mais uma pena é a aproximação do rebaixamento ser dada após um jogo tão bem disputado pelos verdes, e tão bem ganho pelos tricolores. Depois de algum tempo, o Palmeiras voltou a reagir; mas, que se seja sincero, isso não adiciona nada de considerável aos mesmos se saíram em situação defictária. Afinal de contas, de que adianta a derrota quando se está na zona mais temida de uma tabela de campeonato?

No decorrer da competição, o Palmeiras esboçou poucas reações. Um jogo recente, digno de uma olhadela, foi o confronto que se sucedeu diante do Cruzeiro, aquele com os gols de Barcos e uma boa vitória em Araraquara. Ali ocorrera uma digna volta, retornara um pingo de miséria da esperança existente. Contra o Bahia, a vitória mais importante. Mas a sequência dos três jogos sem vitória simplesmente decapitou todas as mínimas chances para o Palmeiras sobre o run away da segundona. O time padece. Quase morreu. Está quase em óbito. Mas isso é necessário e amplamente justo.

Contrariamente aos torcedores, não é minimamente viável e coerente para com a temporada uma ressalva em relação à qualidade da equipe relevando-se o nível da Copa do Brasil. Para o campeonato brasileiro, não há um parâmetro tão eficaz que nos permita prognósticos, senão a Libertadores. Apenas ela nos pode fornecer as melhores apostas para o torneio. A Copa do Brasil não pode ser tão relevada assim, e por isso qualquer relativização há de ser desprezada. É de ser reparar, portanto, o fato de os dois finalistas da competição situarem-se em posições tão baixas na tabela do torneio nacional.

A saída da qual o Palmeiras precisa requer outro artigo, um que seja mais específico, e também mais duradouro. O que há de ser aproveitado aqui é a poética da tragédia ampla dos alviverdes imponentes, que nem assim certamente são. O que poderia ser aproveitado a outros autores talvez fosse uma épica reviravolta e a permanência da equipe na série A. Mas isso não pode ocorrer. Pela justiça do que é certo, e isso sim pode ser um pleonasmo filosófico – se nossa justiça é o correto -, pelo merecimento da queda, pelo que faz bem ao clube, sim, a queda deve ocorrer. Ao palmeirense, que chore hoje. Amanhã, bem amanhã, que volte ao protagonismo com um clube que tem história e tamanho, mas que tem perdido sua grandeza de forma lenta e progressiva.

Para o bem do Palmeiras – e isso pode ser paradoxo ou antítese -, há o mal da segunda. Acreditem, ser rebaixado faz bem quando se perde ou foge a dimensão da própria grandeza que está próxima de se tornar diminuta e notavelmente insignificante.

A melhor representação do Palmeiras no momento

Por: Felipe Saturnino

08/09/2012

Pipocas?

A sensação que Neymar deve ter sentido em campo hoje, na vitória tupiniquim sobre os sul-africanos, foi certamente uma das mais desagradáveis de sua curta e promissora carreira como futebolista. O que Mano sentiu lhe é mais próximo e comum. Até mesmo mais sensato e compreensível.

À torcida brasileira – paulista (paulistana) -, vaiar o técnico ex-Grêmio e Corinthians é algo mais óbvio. Os problemas todos, sejam de vertentes táticas ou técnicas na seleção, decorrem ou pressupõe-se que decorrem partindo da natureza do treinador. Mano, que mantém a sistemática do 4-2-3-1 desde o seu início na seleção em agosto de 2010, naquele amistoso diante dos EUA, pouco tentou modificar a natureza tática do esquema; uma mudança significativa foi na característica do miolo de meio-de-campo: na Copa América, deixou a versatilidade e agilidade de Leiva e Ramires para, um ano depois, nos Jogos Olímpicos, usar um sistema menos técnico, mais sólido e pragmático nesse mesmo setor, mas agora com os volantes Rômulo e Sandro.

A liga que Mano ainda não deu na seleção, hoje, porém, está posta numa perspectiva menos plena por motivos óbvios, de importância ainda mensurável mas muito grande.

Em uma coletiva morna, sem sal, como é de seu feitio, Menezes abriu a caixa de argumentações duvidosas e, de certo modo, pífias: quando perguntado sobre o porquê da escolha de substituição de Neymar em instantes finais do entrave diante da África do Sul, no Morumbi, ele pautou de forma enfática o aspecto da condição física da joia do futebol brasileiro.

E Neymar deixou o jogo aos 44 do segundo tempo.

O resultado de vitória brasileira – que teve Oscar na meia principal novamente – foi decepcionante pelo que foi e o que não foi, e não somente pelo que não foi. Foi ruim. Espetacularmente ruim. E poderia ter sido bom. Ainda que tenha sido contra uma seleção ultra coadjuvante no cenário continental. Pois foi o que ocorreu.

Hulk, o herói de MM, marcou nos dois últimos jogos com a seleção, ambos em momentos críticos; o primeiro tento, contra o México em Wembley, é algo diferente deste aqui: enquanto aquele dava um ar de redenção a Mano por alguns segundos e “mantinha” viva a esperança do ouro inédito, este aqui representa a salvação do absoluto abismo cósmico em que ele continua a tentar se jogar.

As pipocas amarelas, que não referem-se a todos os jogadores, não são verdadeiras; são frustrações dos torcedores, e provém da mais alta qualidade. Neymar, o pipoqueiro do dia, foi cutucado por um Mano muito controverso nas declarações do pós-jogo, e também pela torcida colorida em verde e amarelo que o vaiou. Como dizia um desses por aí, as vaias são os aplausos de quem não gostou.

Neymar, se não é pipoca – muito longe disso -, é o líder técnico da seleção no road de Mano Menezes. O caminho é mudar. Mudar o sistema, os objetos do sistema, e mudar também o local do jogo. Por isso o escolhido da vez da CBF é o Recife.

E a Mano: credenciar Neymar às vaias é injusto, mas não deve ser tanta pressão comparado ao que ele já sentiu. Neymar não pipoca. O problema é menos simples e mais amplo. É a seleção que MM não consegue dar jeito.

É o sufoco no Morumbi.
É a pressão do país que é sede do Mundial.
É o técnico que cutuca o ídolo teen.
É o time que nos faz pensar em Dunga.

É a pipoca que estoura; a situação é crítica.

Por: Felipe Saturnino

13/08/2012

Pressão

O Brasil decepcionou novamente numa decisão de Jogos Olímpicos no torneio masculino de futebol. A medalha de prata é longe de ser vexame, mas também não agrada os que ainda torcem e vibram por essa, e muito menos o chefe Marin. No caso, o emprego de Mano (ainda) está em perigo.

A pressão que agora está sobre Mano é a mais esperada dos últimos tempos. O fracasso na Olimpíada a traria consigo, simultaneamente. E as apresentações, se resta-nos contemplá-las, não é significativo no geral – mesmo com a média de três gols por partida até a final, a equipe não aparentava segurança em todo o decorrer da competição.

O fruto da segurança é um misto do trabalho contínuo, que existe fora do campo, mas, principalmente, nos momentos de pressão com que os jogadores lidam. A juventude, com sua exuberância maior e a sua grande beldade representadas na jogada de Neymar no último gol diante da Bielorrússia, com a conclusão vinda de Oscar, não soube adquirir a proficiência para se manter num jogo com pressão. E era uma final, no fim de tudo…

Para se reparar: uma partida em que o Brasil esteve abaixo no placar foi diante da Bielorrússia. 1×0, com gol de um brasileiro – Bardini Bressan -, num cabeceio após erro defensivo. Foi o menor apesar do final. Decerto o Brasil teve dificuldades com o Egito, um jogo com pressão, de estreia, que souberam dar conta de vencer, e, claro, com Honduras – o jogo mais delicado da jornada brasileira até a prata.
Mas na decisão de Wembley, no domingo, certamente aquele que é considerado como um dos três melhores zagueiros do mundo – quem sabe até mesmo o melhor -, Thiago Silva, errou bisonhamente e quase deu o tento para o México, após ter se confundido numa saída de bola – uma saída de bola que comprometeu o Brasil no jogo por completo. A experiência não confortou tanto quanto poderia – apesar das atuações regulares de Silva. A pressão, forte pressão, com que os brasileiros, abaixo do placar com o time do calibre mexicano pela primeira vez na competição, tiveram de lidar, existia desde o momento em que Rafael errara no campo brasileiro: gol de Peralta. E o Brasil não se achou em campo.

Neymar e Oscar, fundamentais durante o torneio. Pouco produtivos ao seu final. Quando o santista arrancou pra dentro e chutou uma bola perigosa no final do primeiro tempo – algo como 30 minutos e mais um pouco, quase 40 -, e iniciou o segundo com vontade, as perspectivas podiam mudar. Hulk também não desapontava, e terminou sua participação confirmando uma vaguinha na equipe de Mano, com gol aos 46 da segunda metade de peleja. Oscar foi o de menos na linha de três, tão decisiva na conta final de um 4-2-3-1. Afinal, ele é o cara do centro, que centraliza as opções de variação de ritmo e suporte ao avante central e os “pontas” – pois, de fato, Sandro e Rômulo não são de apoiar o jogo na frente.

O saldo geral é de decepção. A pouca experiência com a pressão, que na final já existia com menos de 30 segundos pela desvantagem no marcador, talvez tenha derivado mais um revés em decisão olímpicas para os brasileirinhos. Porém, a equipe nunca foi de todo confiável, e por isso falta a segurança que um time vencedor precisa ter. É claro que ainda assim poderia ter abocanhado o ouro ineditamente. Todavia, sabemos que, quando o momento do ouro chegar, será com uma equipe mais completa do que esta. Afinal, do que falamos de falta de segurança que é um problema da seleção olímpica, o problema é da seleção principal, também. A resposta que Mano, em situação difícil, pode dar-nos, é criando um time seguro, jovem, mas ao mesmo tempo maduro, pois existe pouco mais de 1 ano para o Mundial em nossas terras e lá, sim, é o inferno em pressão.

Por: Felipe Saturnino

19/07/2012

Ai, Juvenal!

O São Paulo amarga o inferno astral que vive, e que nada parece ter de passageiro ou esporádico, não essencialmente por causa de JJ no comando da equipe, mas, sim, por causa das escolhas que Juvenal preferiu dar ao seu mandato no clube.

Juvenal ‘endeusou’ o Sampa, tornou-o único, ímpar, diferente. Soberano. Fabuloso – na verdade, o nickname Fabuloso é de LF, mas, de fato, as conquistas vívidas de Juvêncio no triênio 06/07/08 são isso e mais um pouco. São formidáveis. E JJ não errou nesse tempo ao manter Muricy – porém, sabíamos que Muriçoca nunca fora tão íntimo do presidente tricolor nesse período que os do Morumbi acumularam um dos feitos mais incríveis que já se viu em toda a história do futebol brasileiro, quiçá o mais. Ele apostou no atual técnico santista, e assumiu um risco. Confiara nele, com absoluta razão. Confiara pois, anteriormente, Muricy cumprira as expectativas. Superou-as ao final, afinal, por mais que não tenha vencido a Libertadores – quase o fazia, caso não existisse o Inter em 2006-, logrou êxito no tricampeonato – e quanto. E acabou demitido em 2009 após mais uma eliminação para um brasileño na Liberta – o Cruzeiro venceu a ida por 2 a 1 no Mineirão, e aqui também obteve vitória como marcador final, por 2 a 0.

De lá pra cá, muitas coisas mudaram.

Certamente, o São Paulo nunca mais conseguiu ser o mesmo. Seja pelas escolhas que JJ fez, no período Muricy e pós-Muricy, seja pela capacidade superestimada de times que o São Paulo formou e que não vingaram, seja por evidenciarem-se as superioridades doutros paulistas, como Corinthians e Palmeiras – talvez o Santos também, pelo bicampeonato do Paulistão, apesar desse não ser lá tão bem valorizado por aqui, e pela recentemente conquista Copa Libertadores -, que no tempo em que tudo era dourado lá para os grandes – ou ex-grandes – tricolores paulistanos, não obtinham tanto sucesso assim nas competições.

Em 2009, quando Gomes assumiu, ele o fez com um futuro promissor, otimista. O time era bom, mesmo tendo padecido ao Goiás na penúltima rodada do Brasileirão, e teve no seu desfecho de Brasileirão um terceiro lugar – válido para o momento – e foi à Libertadores. A equipe que (ainda) continha nomes como Hernanes, Jean, Washington, Jorge Wágner – todos esses, aliás, ex-jogadores do Tricolor, com um dele, o terceiro, já aposentado -, e claro, Rogério Ceni, naquele momento, fortaleceu-se para 2010. Todavia, o panorama, apesar de modificado após uma vitória muito bem construída no agregado com a equipe eliminando o Cruzeiro nas quartas da Libertadores por dois 2 a 0, voltou ao comum após uma derrota para o Inter nas semifinais. O São Paulo certamente não voltaria para a Libertadores naquele ano. E essa sentença não tardou.

Assim como no ano seguinte, que também eles (tricolores) não voltariam à maior competição sulamericana da… bem, da América do Sul, o São Paulo passaria por uma série de mudanças, num período de transição que Juvenal não soube manusear.

Parte-se de 2010, com a sucessão no comando de Gomes: Sergio Baresi (Juvenal esnobou todos numa entrevista em que pusera a fogo o tamanho do salário que pagava a Sergio).
Na ocasião, o time não engrenou. Carpegiani foi o escolhido.

Outro erro. JJ deixou a transição delicadíssima nas mãos de Baresi, que saiu da equipe após quatro meses de trabalho – parece pouco, mas foi um terço de trabalho do ano exercido pelo antes treinador dos juniores. Lucas, entretanto, foi lançado as ares do Pompeu de Toledo – hoje, sua fama espalha-se e atrai até os olhares de Sir Ferguson, num tema paralelo, mas extremamente recorrente aos dos problemas que são-paulinos vivenciam.

E Carpegiani, bem, foi contratado em outubro, com algum tempo para o fim da temporada, com alguma ideia para o ano seguinte. E nada para 2011, no final das contas – o Avaí derrotou o São Paulo, o que ao final da temporada contribuíra para a insanidade de alguns, pois os catarinenses foram rebaixados. A cartada triunfal e impiedosa de Mr. Juvenal foi escolher Leão para se apoiar. Sem tampão, pois decerto houvera a repercussão anterior sobre uma possível – talvez até provável – contratação de técnico temporária.

A penúltima cartada, porém, fora Adilson. E essa era uma boa – para a situação, Batista parecia ter talento, já que havia obtido algumas experiências significativas no comando do Cruzeiro, com o vice da Liberta em 2009. Ele sucumbiu aos 3 a 0 diante do Atlético Goianiense.

O que falta ao São Paulo também é um presidente que assuma com total segurança riscos que antes assumia. Com Muricy, somente com ele, é bem verdade. A administração JJ, apesar de seus títulos, e da alcunha ‘Soberano’, e também do própria elevação de nível do tricolor, devidamente atribuída por JJ, precisa de seriedade.

O time, é bem verdade, precisa de raça.

E isso é tarefa de Ney Franco, o novo escolhido de Juvenal. Franco – e não Fraco – já cambiou o panorama, taticamente, optando por um 4-3-1-2, que claramente sofre pela falta de Lucas. A opção da meia principal, que concedida ao ex-Shaktar Jadson foi, aparenta desapontar a todos também pela falta de atuações ríspidas e contundentes.

Quanto a Juvenal, bem, tem que parar de ferir os sentimentos engrandecidos dos são-paulinos. Isso só piora a situação.

Sem esquecer de falar que, no último ano, Juvêncio feriu mesmo o estatuto tricolor e modificou o mesmo. Para reeleger-se.
Talvez ali o mandato recomeçasse para Juvenal. O tempo de conquistas são-paulinas, no entanto, está longe de fazer o mesmo.

Por: Felipe Saturnino

13/07/2012

Gansou.

Paulo Henrique Ganso há tempos não faz o que pode fazer. Ou até mesmo o que pensamos que ele minimamente pode fazer. Dono de um estilo clássico, o armador do time de Pelé já não ostenta aquele brilho que uma vez tivera com a camisa do praiano. PH vive uma fase de recesso de futebol – por mais que ainda o pratique, é como se não o fizesse.

O ‘craque’ fez uma apresentação satisfatória na final diante do Guarani, no jogo de ida da final do Paulistão que permaneceu com 3 a 0 favorecendo o Peixe ao final; pareceu ter sido tudo e só.

Ganso teve seu devido ápice com o Santos nas finais do campeonato paulista de 2010, naquele jogo contra o Santo André que acabou com 3 a 2 no marcador; PH ditou o ritmo, variando a velocidade do jogo com maestria. Deu passe de letra para gol de Neymar, cobrou escanteio pra ninguém, chapelou – bem, abriu a caixa de ferramentas e deu uma amostra grátis, que só custou ao Ramalhão, de quão completo ele era.

A confiança de Ganso caiu, mudou, foi modificada. Ele, que viajava num transe que só o Santos lhe permitiu, com campanhas ótimas em estadual e Copa do Brasil, simplesmente nunca mais conseguiu ser aquele Ganso novamente. O Ganso que o Santos queria, e que o Brasil precisava. Parece que acharam Oscar, afinal.
As tentativas de um Santos que tinha interesse em seu futebol, muito valorizado na época, de renovação mesmo após a contusão no Brasileirão, num jogo no Olímpico fazendo frente ao Grêmio – o mesmo Grêmio que ele enfiara um petardo na volta das semifinais da Copa do Brasil – aconteceram. Somente não vingaram.

Quiçá as constantes comparações com Neymar não merecessem tanta valorização assim de Paulo Henrique. Ou talvez ele nem mesmo as considerasse, talvez não as ouvisse e, então, não as conhecesse. Mas fato é que Ganso entrou num problema do qual ainda não escapou – ele não renovou com o Santos na época, e hoje a história repete-se.

As conversas que consideraram sua indecisão para com a continuação de seu futuro aqui, no futebol brasileiro, mais precisamente no Santos, aparentemente, não tiveram avanços. Delcyr Sonda anunciara no começo da semana que faria de tudo para que PH não ficasse no alvinegro litorâneo, e sim que rumasse ao Internacional do Rio Grande do Sul, pois Delcyr é colorado.

Ganso parece estar satisfeito com a condição de ‘marginalizado’. Tornou-se ‘reivindicador’ de ‘direitos’ nas seguintes oportunidades de renovação que o Santos lhe concedeu, entretanto, simplesmente deu de ombros, para todos os santistas. Não estava feliz, e deixou isso claro com a mais recente proposta que santistas lhe ofereceram – Ganso fez tudo mais claro quando disse que esperava mais na proposta. Não há erro em querer mais no contrato, mas sim constantemente negar-se da posição de atleta santista, e recorrer a mais e mais do com que se pode lidar. Luis Álvaro, presidente santista – ‘a.k.a.‘ LAOR -, estagnou-se de forma sensata. Sabe que tem um limite para proposições a seu 10, e não o ultrapassará. E Ganso sabe que essas reivindicações apenas prejudicam-lhe do ponto de vista pessoal. A imagem de Paulo Henrique, factualmente, está muito abalada.

A saída dessa ‘gansada’ de PH não parece ser mais óbvia: o Santos não é, não pode ser, de modo algum, em qualquer desfecho, pelo menos. Ganso tem que sair, pois pode não ter mais ‘ambiente’. Ou melhor, pode ficar, mas só se recorrer a um recomeço, com tal ímpeto que apenas sua casa – que, no final das contas, é mesmo o Santos – poderá admitir tamanhos imbróglios já passados.

Mas não parece que é o que ocorrerá.
A saída de fato deve ser o fora do Santos.

Na reunião – mais uma para PH – que acumulava como assunto único e principal o futuro da carreira de Ganso, reunião realizada ontem, asseguraram-se as posições fatais dos envolvidos no caso. Luis Álvaro confirmou afirmação de Ganso, que, segundo o presidente, não quer mais atuar pelo Santos. Delcyr Sonda não conseguiu ‘comprar todo o Ganso’ – mas, não seja por isso, Ganso pode ir ao Colorado ainda. E o Santos parece admitir deixar o Ganso voar. Afinal, nos praianos ele pode se afogar.

Enfim, Ganso ‘gansou’. Apenas ele – se ele sabe quais -, deve notar seus erros nessa curta empreitada que carrega com convicção sobre as suas próprias reivindicações. Somente ele conseguirá rotular os princípios que se utilizou para tamanhos conflitos gerados com o time que o criou. De forma conclusiva, ele, apenas ele pode conhecer os próprios enganos que aparentemente ele próprio cometeu. Tomara que ele os encontre, mas não que se arrepende. Afinal, se ele se arrepender, é porque sua carreira não deu certo. Não que ele mereça, porém, no que é um péssimo carisma, Ganso é um grande talento.

Ganso – não é o verdadeiro, mas serve para a foto

Por: Felipe Saturnino

06/05/2012

Neymar na história. Mas modificando-a

“Ele vai fazer história” – foi o que pensei antes de falar para meu pai durante o jogo primo das finais do campeonato paulista. “Ele já está fazendo” – meu pai respondeu.

E corrigiu-me.

Neymar está na história, por, mais que tudo, fazê-la nova. Dos tempos épicos de Pelé, já sabemos as mágicas. Mas o que os santistas vivem no momento é algo não tão épico quanto ver o ‘maior da história’ jogar bola, e sim algo simplesmente épico. Cá não existe compreensão para comparação. Neymar já é histórico.

A recuperação da hegemonia santista no estadual voltou mais brilhante e eficaz do que a da era Luxemburgo nos anos de 2006 e 2007 permitia pensar. Hoje, o time encanta-nos. E não dá brecha. Naquele tempo, o São Paulo ainda incomodara um pouco na liderança, no primeiro ano de supremacia. Nos tempos de hoje, o time que mais incomodou foi o Santo André, nas finais acirradas de 2010.

Pois, ano passado, os corintianos não foram páreo. Uma vitória seca, branda, e emblemática, também, para levar o bi. O tri encaminhou-se hoje.

Os 3 a 0 de hoje não remetem especificamente à genialidade de Neymar, que surgira no jogo passado do Paulistão, porém, sim, remetem ao time que o Santos possui, que constroi vitórias significativas de forma efetiva. Óbvio que há o agregado dos talentos Neymar e Ganso.

Esses, aliás, que não deixaram de ser protagonistas no enredo do jogo.

Porém, mais que tudo, o que a vitória de hoje significa, mesmo que signifique um prático e merecido primeiro título de centenário ao Santos, significa também a colocação de Neymar em outro estágio na sua carreira no Santos. Isso era de se esperar. Mas os 104 gols são louváveis, e os transformam no maior artilheiro do período sem Pelé.

Ou seja, Neymar não ‘vai fazer história’ – a Copa de 2014 é secundário aqui -, e sim, já a faz. E a modifica.

Bem como meu pai disse.

Por: Felipe Saturnino