Posts tagged ‘Manchester United’

20/12/2012

Matar ou morrer

O sorteio para as oitavas da Champions é por si só um espetáculo.

Quando então ficou decretado que Real e United se cruzariam numa das partidas, sim, tudo tornou-se mais espetacular ainda. Eles jogarão por um torneio europeu após 9 anos, já que o último confronto ocorreu em 2003, também pela Liga, mas na ocasião o embate era pelas quartas. O tempo é distante, pois a equipe inglesa ainda tinha David Beckham e Ronaldo disputava sua primeira temporada pelos merengues. A classificação dos maiores vencedores da Europa veio após um revés por 4 a 3 em Old Trafford.

E o jogo que está por vir promete tanto quanto qualquer outro gigantesco confronto que já presenciamos antes. Por mais que a equipe de José Mourinho esteja em crise forte – definitivamente a maior que já teve por lá, uma das maiores da sua carreira – e o United lidere a Premier League – é só perguntar a Ferguson se ele gostaria de pegar de cara no mata-mata a equipe eneacampeã continental. Ninguém quer. Mas foi mesmo o próprio Real Madrid que se colocou em tanto perigo, além obviamente do tremendo Borussia Dortmund, que apesar de estar 12 pontos atrás do líder Bayern na Bundesliga, levou o grupo D da Champions League com mão forte, não perdendo jogo algum para a esquadra de Mourinho. E aí os espanhóis se colocaram no pote 2.

Se fossem tempos atrás, aliás, o Madrid decerto seria favorito. E também o seria por jogar a primeira partida em casa, onde na temporada passada padeceu apenas por uma vez, na derrota para o arquirrival catalão nos 3 a 1 de 10 de dezembro – a eliminação da UCL, afinal, veio nos pênaltis e não com revés no tempo normal. O Bernabeu não é uma tão grande arma dessa vez para os blancos. Mas a equipe de Mou tem nomes estratosféricos que assustam a todos, até mesmo aos líderes do nacional inglês. A questão pontual é que, se o Madrid de fato se acertar, ao menos para um jogo, pode derrotar o United pelo menos na primeira metade do confronto. Em Old Trafford, o Manchester virá babando e será favorito.
Ainda que conturbado o ambiente madridista, com Mou e Florentino Pérez se enfrentando internamente, e com o apoio dos jogadores ao técnico perdendo força, tanto pelas declarações que Mou concede à imprensa espanhola como pelo que deve fazer dentro de seu grupo, o Real Madrid tem algumas chances de jogar muito e derrotar o time de Sir Alex. Mas é delicado pensar como jogar tanto numa única partida apenas após uma temporada até agora excepcionalmente decepcionante. Talvez Cristiano Ronaldo possa se inspirar em Trafford. Ou talvez possa selar o destino madridista para o inferno. Pois, após algum tempo, a equipe não apresenta perspectiva para a temporada, e se for eliminada nessa etapa da Liga, deve muito bem rastejar por uma vaga na Champions da temporada seguinte, e só – o Madrid está 13 pontos atrás do Barça, e isso deixa quase impossível o bicampeonato de La Liga.

Passando ao lado vermelho, protagonismo do confronto pode ser para a dupla Wayne Rooney-van Persie, que tem funcionado esplendorosamente. Com o holandês em forma, a preocupação de Mou em marcá-lo será ainda maior do que o normal, além do mais para uma defesa tão insegura como se apresenta a do Real Madrid. Para Cristiano Ronaldo, é o reencontro com a equipe que lhe consagrou, lhe deu as maiores vitórias de sua carreira e o maior sucesso como futebolista com a conquista de 2008 do prêmio de melhor do mundo.

Aliás, certamente para os madridistas o jogo vale mais. Por mais que Mourinho não continue no comando da equipe para a temporada 2013/14, o que vale é a chance de seu terceiro título da Liga, e também a dignidade para uma temporada até agora que representa apenas o perfeito fracasso. Para o Real Madrid, muito mais do que para o United, o jogo vale a vida, o vigor da temporada, ainda que uma eliminação da Champions seja muito doída para qualquer clube – e isso para o Manchester afetaria significativamente a confiança do time. Se qualquer um dos times pode morrer nessa oitava, morrer tem um significado altamente mais comprometedor para os merengues. Afinal, do jeito que as coisas estão pelo lado do reino de Madrid, nem mesmo se sabe se Mou continua até o embate com os Devils, que ocorrerá em fevereiro.

Mas por si só esse jogo é um espetáculo.

Mou – logo após ver o resultado do sorteio

08/01/2012

Sorte e revés

A rivalidade entre Manchester City e United parece ter atingido um começo de ápice no âmbito nacional após um conflito muito batalhado na vitória deste domingo dos ‘Devils’. E foi na casa dos adversários.

Mais importante do que compensar os 6 a 1 sofridos em meados de outubro do ano passado, o importante para o time de Alex Ferguson era recuperar a confiança que havia perdido e não achava há algum tempo. A derrota diante o Newcastle em St’ James Park deixou isso evidente, mas também expôs os frágeis pontos da equipe vermelha da cidade.

Mas Sir Alex pouco mudou a esquadra. Até pela falta de opções, Scholes, ex-aposentado, retornou aos campos.

A opção por Valencia na lateral-direita cedeu, e Phil Jones iniciou ocupando a posição; os citizens vieram de 4-2-3-1, com Milner atuando mais profundo no campo, como um segundo-volante. Na linha do 3, David Silva e Nasri coordenavam as movimentações, já que Adam Johnson fica mais fixo na esquerda. A preocupação, pelo menos para mim, era no miolo do meio-de-campo do United: Carrick e Giggs; apesar do galês ser boa opção, há a ressalva por argumentar que sua condição para comandar um setor, vindo de trás, contra um adversário tão criativo e agressivo em campo, não é das mais elevadas. Carrick, porém, era o oposto: tinha de participar do jogo para o time de Ferguson ficar mais tempo com a bola e tentar se aproximar mais da meta de Pantilimon – qualidade que o dado jogador não possui.

O panorama estava desenhado, ao menos para mim: City vence pela qualidade maior de seus meias, todos, de fato, são ótimos jogadores ou excelentes.

A ‘sorte’ indevida que apareceu ao Manchester United em Etihad Stadium surgiu no 11º minuto da etapa inicial: Kompany, o bom zagueiro belga, é expulso injustamente por Chris Foy, árbitro oficial do confronto. A entrada foi na bola, finalizando de forma definitiva a discussão, sem mais ponderações e balanceamentos.
A lambança de Foy refletiu-se, tão devidamente quanto indevida foi sua marcação, no jogo. Naturalmente, como deveria ser.

O jogador-chave do City poderia ser Milner, que escapava sobre os volantes do United, criando mais desvantagens aos ‘Diabos Vermelhos’ em outros pontos do campo, também. Sem Kompany, Milner teve de recuar à lateral-direita para ajudar a composição da linha defensiva com Richards – que foi para a zaga central -, Lescott, que continuou na posição original, e Kolarov, que fez uma partida de altos e baixos momentos. Agora, o City era 4-1-3-1: sem Milner no meio-de-campo, Johnson e Nasri voltavam para sustentar De Jong em um ponto mais baixo do campo.

Curioso, porém, foi o aspecto comportamental do United em parte da partida: o desejo do contragolpe. A equipe naturalmente não é tão criativa quanto a do City, e então, necessitava de uma atenção reforçada para conter os avanços adversários. Basta falar que o lance do primeiro gol é de um momento totalmente reativo do United no jogo: Rooney conduz até dar para Valencia centrar a bola para o gol do próprio Rooney.

Com 3 a 0 contra no placar, no segundo tempo, Mancini, atraído por um azar tremendo vindo de Chris Foy, decidiu modificar o desenho: do 4-1-3-1 para o 3-4-1-1, com a entrada de Zabaleta e Savic. A equipe sustentou-se, já que defensivamente levava vantagem numérica sobre a dupla formada entre Rooney e Welbeck no ataque dos visitantes. Mas, outro aspecto importante era a equalização dos valores no meio-de-campo: Zabaleta, De Jong, Milner, Nasri e Kolarov compunham o setor, que ainda poderia ganhar Agüero com suas movimentações constantes. Nasri poderia se juntar ao argentino no ataque, também. E deu certo.

Kolarov fez de falta aos dois; Agüero fez o segundo aos 18. Os citizens estavam de volta. E, de repente, sabiam que podiam um pouco mais.

Mas o tamanho do erro foi maior por parte de Foy; o revés do City de Mancini estava consolidado. Até por isso, o confronto foi tão dramático e o City pôde correr atrás. Quase alcançou.

Para a rivalidade, a vista do crescimento da importância dos embates entre os dois, que renova o interesse no futebol inglês, em geral, – qualquer competição que for, de verdade – é a ocorrência da sorte do erro do árbitro do jogo para o United e o revés do favorito City no jogo, o que torna tudo mais emocionante. A pena é que se isso reforça a rivalidade, estraga com um jogo que poderia ter sido diferente. Só assim a análise seria mais coerente e não tão fixada num erro tão bobo. Apesar de tudo, pelos tons de dramaticidade, um belo jogo para o princípio de 2012. Viva City x United!

Chris Foy - o vilão do jogo que faz aumentar a rivalidade entre os rivais de Manchester

Por: Felipe Saturnino

21/12/2011

United domina os flancos; Giggs comanda meio-campo: 5 a 0 em Londres

Uma ótima atuação dos comandados de Ferguson, que derrotaram o Fulham por 5 a 0 em Craven Cottage, para dar continuidade ao time na perseguição ao rival City, que também venceu na rodada.

A equipe de Old Trafford optou pelo tradicional 4-4-2 que sofre desdobramento de acordo com o posicionamento de Wayne Rooney no campo. O número 10 dos Devils pode regredir ou progredir no campo, configurando as duas formações. Ryan Giggs, o galês de 37 anos, meia, atuou como segundo-volante para qualificar a saída dos visitantes. O trunfo de Ferguson.

Diferentemente de como ocorreu na final da Champions, Giggs poderia jogar aberto em um dos flancos, fazendo trocas para vir jogar por dentro. Hoje, ocorreu com o português Nani. Em alguns momentos do jogo, Giggs poderia se tornar meia-esquerda e, esporadicamente, momentos depois, poderia voltar a ser volante pelo lado esquerdo do meio-campo central. Mais uma vez, fica comprovada a qualidade de Giggs tecnicamente. As mudanças foram bem raras, mas ocorriam.

E o que tornou o jogo mais simples foi como os meias periféricos lidavam com a marcação que recebiam. Nani, em seu primeiro lance no jogo, arrancou pela esquerda, passou por Ruiz e Baird para, no clímax da jogada, dar a bola ao avante Welbeck fazer o primeiro de 5 tentos, aos 4 minutos.

O que também tornou o jogo mais fácil para o United também se relaciona com o trabalho dos volantes do Fulham, que atuava em um 4-2-3-1 com mudanças na ‘linha do 3’. Murphy e Etuhu são muito pouco produtivos, o que faz com que a equipe agrida menos, já que a qualidade na saída é baixíssima. Isto também motiva Giggs a ter feito o que fez, aparecendo no campo adversário, fazendo passes em profundidade para atacantes e meias.

A atuação de hoje, que consta da 4ª maior atuação com passes feitos do United na Premier League desta temporada – com 591 -, tendo 83,7% de aproveitamento desses passes, mostra o quão Giggs pode ser útil em alguns momentos. O galês deu duas assistências, totalizando aproveitamento de 82% nesse fundamento no dia de hoje.

O que, mais uma vez, nos mostra que o 11 do United é, ainda, muito bom jogador, apesar da idade. É opção num time que apesar de eliminado da Champions, é muito forte no Inglês. O único problema do momento é o City. Simples assim.

A versatilidade de Giggs que pode ser um volante ou meia, e o movimento de Nani e Valencia que trucidou um Fulham frágil, que mesmo com movimentação na linha ofensiva, não tinha outro suporte ofensivo e era pobre tecnicamente

Por: Felipe Saturnino

23/10/2011

Histórico


O City, com o dinheiro, com seus jogadores, e, por conseguinte, com seu elenco, ainda assim, não era considerado um time grande.

Mas a história do futebol marca grandes times e potências por vitórias em grandes jogos contra outras grandes potências. E a importância desses jogos, no caso, é gigantesca.

O Manchester City fez algo histórico que pode delimitar em que era estamos. A vitória sobre o United com superioridade e predominância, hoje, em Old Trafford, é a maior no dérbi. E uma das maiores da história.

A equipe de Mancini começou recuada, e os mandantes iniciaram a partida tendo o domínio da bola predominantemente. Porém, nenhuma chance de gols clara, por um motivo muito simples: Mancini colou seus volantes – Yaya e Barry – na sua área, para sempre ter o rebote defensivo. Se havia espaço para Anderson aparecer – pois deduzimos que não havia marcação sobre o mesmo – tudo era compensado com uma defesa quase intransponível. No meio-campo adversário, Fletcher centrava-se pela direita, tentando auxiliar Smalling sobre David Silva – o organizador do City ao lado de Milner. A surpresa de Mancini, porém, foi escalar Balotelli e não Dzeko.
Se o United chegou a capitalizar seus 62% de posse de bola nos 15 minutos iniciais, o City, de forma natural e bem planejada, começou a se impor. Com a força de David Silva e Clichy pela esquerda, da mesma forma com que Milner e Richards no lado oposto.

Balotteli faz o primeiro

A grande ideia de Mancini foi ‘colar‘ seus volantes na sua área. O United, com a bola, não passava pela muralha. Os citizens, porém, sem o mesmo empecilho, iam executando seu plano com perfeição. Estratégia adequada, proposta de jogo sempre muito centrada. A chave foi explorar a deficiência do miolo de zaga do United, que era pouco protegido por Anderson, no lado esquerdo, o mesmo que Evans, beque do United, atuava. Sua expulsão não foi de todo acaso. Há de se destacar também, de forma negativa, a forma com que Young e Nani não se adequam à combatividade. Os dois meias são ótimos, mas quando são exigidos, compõem um desastre. O primeiro gol, de Balotelli, saiu aos 21 minutos da primeira etapa.

Nesse ponto, a estratégia já estava mudada. Agora, Yaya e Barry avançavam sobre Fletcher e Anderson, respectivamente. Após a expulsão de Evans, na segunda etapa, o jogo ficou mais simples ainda.

Balotelli – de novo ele – fez o segundo – após jogada espetacular do craque David Silva, que deu um passe de maestro para Milner cruzar.

Pelo mesmo lado direito do segundo tento, Richards apareceu e cruzou para Agüero fazer a goleada. E no panorama, o United já jogava com Smalling e Ferdinand na posição dos beques. Rooney já havia recuado para ser o médio-volante para fazer a transição do United.

Mas o City era fatal. Mesmo com a pintura de Darren Fletcher, aos 33, Dzeko, onze minutos depois, após um escanteio, fez um gol de joelho. E o dono do jogo, David Silva, fez o seu no 45º minuto. O mesmo Silva deu outro passe para gol – também espetacular -, aogra para Dzeko fazer o sexto.

O resultado histórico mostra um princípio de nova era. Se vivíamos num mundo inglês com United e Chelsea se alternando no posto de maior da Premier League, hoje o City, com um investimento pesado, teve um resultado espetacular para sua história. História que, compartilhada para o mundo, apresenta-nos um novo grande para o futebol mundial. Este é o City.

Mario após primeiro gol - Por que sempre ele?

Por: Felipe Saturnino

25/08/2011

Na fase de grupos, nenhuma morte declarada

A UEFA sorteou os grupos para a primeira fase dentro da Champions League 2011/2012.

No grupo A o anfitrião da final encabeça a lista do grupo mais difícil, mas que não é o da morte: Bayern de Munique, Villareal, Manchester City e Napoli. O time alemão e os bilionários de Manchester são os favoritos para as oitavas. Napoli e Villareal podem incomodar, mas, ainda assim, estão em um patamar de disputa mais baixo que os dos dois figurões do grupo.

Palpite: Manchester City
2º Bayern de Munique
3º Napoli
4º Villareal

Pois sim, o City pode ficar por cima no primeiro grupo. Com o time que tem, reunindo peças de valor mais do que qualificadas, a equipe de Mancini pode levar a primeiro posição. E pra mim, leva. Os anfitriões bávaros ficam com o vice no grupo. Napoli vai para a Liga Europa.

Pelo B, a Inter de Milão não poderia esperar melhor resultado no sorteio. Afinal, além de encabeçar, caiu em um grupo folgado, com times facilmente “batíveis”. CSKA, Lille e o Trabzonspor, substituindo o Fenerbahçe, envolvido em escândalo na Turquia, completam a lista no grupo B.

Palpite: Inter de Milão
2º Lille
3º CSKA
4º Trabzonspor

O time francês do tão bem avaliado Eden Hazard se classifica para as oitavas; os interistas passam facilmente pela fase inicial; CSKA vai para a Liga Europa.

A chave C reúne dois campeões europeus: os ingleses do Manchester United – tricampeões, com títulos em 1968, 1999 e 2008 – e os portugueses do Benfica, bicampeões na década de 60 – 1961 e 1962. São os favoritos no grupo, que é completado pelo time da terra de Federer, o Basel, e pelo atual campeão romeno, o Otelul Galati, time que tem apenas 47 anos de existência.

Palpite: Manchester United
2º Benfica
3º Basel
4º Otelul Galati

Os Devils do United liderarão o grupo – pois são mesmo melhores que os portugueses -; o Benfica é segundo. O time suíço, predileto por Federer, vai à Liga Europa. Os romenos comemoram o quarto lugar, simplesmente por habitarem a Champions League.

O D é o grupo com mais títulos – 9 do supercampeão Real Madrid e 4 do Ajax, hoje de Frank de Boer. Pois, assim sendo, os dois são favoritos. Não, no caso, apenas o time de Mou é; o Olympique de Lyon vai brigar com o tetra Ajax, e ainda reencontrará os madridistas – serão 6 encontros em 3 edições de Liga dos Campeões.

Palpite: Real Madrid
2º Ajax
3º Lyon
4º Dinamo Zagreb

Os croatas ficam com a quarta posição no grupo D; os holandeses se classificarão e os franceses passam para a antiga Copa da UEFA, hoje Liga Europa; os madridistas passam com relativa tranquilidade.

O grupo E é equilibrado: Chelsea – ainda em montagem com André Villas-Boas -, Valencia, que perdeu Juan Mata para o próprio time londrino, e o Leverkusen, de destaques como Schurrle, Kiesling e um vicecampeonato na Bundesliga. Ainda assim, o cabeça-de-chave é o favorito para avançar como primeiro; o Valencia briga com os alemães. Os belgas do Genk terão que jogar o que podem, o que não podem, o que nunca imaginaram e o que nunca pensaram em imaginar para ir avante na Liga dos Campeões.

Palpite: Chelsea
2º Bayer Leverkusen
3º Valencia
4º Genk

Os ingleses são líderes; o time alemão, idealizado por Jupp Heynckes, hoje no time de Munique que recebe a final do evento, fica em segundo lugar, brigando até a morte com o Valencia, este que fica em terceiro; os belgas não jogam o impossível e ficam na última posição na chave.

O F tem um Arsenal perigando com as primeiras colocações, e um Olympique de Marselha vicecampeão com Didier Deschamps na Ligue 1, na última temporada, e ainda campeã da Supercopa da França, em tempos mais recentes. Porém, o destaque fica com um ótimo Borussia Dortmund que tem tudo para avançar como primeiro no grupo F.

Palpite: Borussia Dortmund
2º Arsenal
3º Olympique de Marselha
4º Olympiacos

O time de Jurgen Klopp, sensação na última temporada, passa para as oitavas sendo a primeira no grupo; o time de Wenger sofre mas também vai em frente; Deschamps leva o Marseille à Liga Europa; Olympiacos pode roubar pontos dos figurões do grupo.

O Porto encabeça o grupo G, completado pelo Shakhtar da Ucrânia e pelo Zenit de São Petesburgo, time russo. O Apoel do Chipre também figura.
A sensação é que os portugueses avançam, ainda com os ucranianos. O Porto pode sim perder pontos com a equipe campeão da Liga Europa – então Copa da UEFA – em 2009, falo do Shakhtar. O Zenit vai à Liga Europa.

Palpite: Porto
2º Shakhtar Donetsk
3º Zenit
4º Apoel

Mesmo sendo teorizado como o primeiro da chave, o Porto tem que ter cuidado com o jogo diante o time de Donetsk, na Ucrânia. No mais, a ordem será a do palpite.

No grupo H, Barcelona, Milan, Bate Borisov e Viktoria Plzen. Ponto.

Palpite: Barcelona
2º Milan
3º Bate Borisov
4º Viktoria Plzen

Com tudo considerado, nenhum grupo da morte declarado. Assim sendo, o sorteio da Champions deixou a desejar. Ao menos, nenhum figurão terá óbito, então, teremos ótimas oitavas-de-final – assim espero.

Por: Felipe Saturnino

12/08/2011

Os figurões na Premier League

Como no Velho Mundo as ligas estão começando a se movimentar – na Alemanha, já se movimentou – nada melhor do que apresentar previas do times figurões ao título no torneio da Terra da Rainha.

Fiz algumas análises sobre transferências, pontos fortes da equipe e alguns carmas das esquadras favoritas no campeonato.

Manchester United

Nas compras:
Ashley Young (meia)- Aston Villa – 18 mi £
David de Gea (goleiro) – Atlético de Madrid – 16 mi £
Tom Cleverley (meia) – Wigan – 3 mi £

Nas vendas:
John O’Shea (lateral-direito) – Sunderland – 4 mi £
Wes Brown – (zagueiro) – Sunderland – 1 mi £
Owen Hargreaves (volante) – sem time

Em Old Trafford, agora na terra do maior campeão inglês de todos os tempos, o United vem forte como sempre deve ser. Sir Ferguson deve permanecer no 4-4-1-1 proposto no ano passado para a Champions League e também para o decorrer da temporada nacional. Com os meias Nani e Young, a faixa intermediária do campo fica melhor preenchida e mais qualificada nas jogadas laterais – já que Young é um nato condutor de bola, tal qual Nani. Os volantes Carrick e Anderson – a possível dupla inicial – tem qualidade suficiente para executar uma saída de bola eficiente, mesmo ambos sabendo de suas limitações. Carrick, como primeiro volante, não tem uma saída meio/ataque tão boa, mas o brasileiro Anderson pode facilitar um pouco mais o trabalho de ligação aos meias. Rooney cumpre uma função mais especial, sendo o jogador mais ‘flutuante’ em campo, surgindo ao lado de Chicharito, este mais fixo, e ao mesmo tempo aparecendo no meio-de-campo, concedendo suporte aos meias, Nani e Young.

Pontos principais: Evrá apoia bem pelo lado canhoto, apesar de não ser o mesmo lateral que foi titular na conquista da Champions de 2008; Young e Nani vão abusar da velocidade e farão diferença em jogadas laterais, atuando da ponta para dentro. O craque é Wayne Rooney, com esperança de uma função importante, mesmo tendo ‘válvulas’ pelos lados.

Meta: o título é muito possível, por todos os motivos apresentados pela equipe de Ferguson, mais acima.

Chelsea

Nas compras:
Lucas Piazón (meia) – São Paulo – 6,5 mi £
Oriol Romeu (volante) – Barcelona – 4 mi £
Romelu Lukaku (atacante) – Anderlecht – 19 mi £

Nas vendas:
Nemanja Matic (volante) – Benfica – 4 mi £
Michael Mancienne (zagueiro) – Hamburgo – 2 mi £
Yuri Zhirkov (meio-campista) – Anzhi Makhachkala – 13 mi £
Jeffrey Bruma (zagueiro) – Hamburgo – 440 mil £

No Chelsea, que também fechou com André Vilas-Boas para esta temporada, as coisas não se modificaram tanto. O elenco é competitivo na mesma medida em que era o ano passado, porém, Ancelotti não conseguiu formar um time que fosse bom o bastante para desbancar o figurão inglês, o Manchester United. Na equipe do italiano, muitas vezes se usava o 4-3-3, ou havia uma mudança com Anelka mais trequartista, sendo o vértice adiantado do losango. O time sempre teve bons nomes, mas não emplacou na temporada. Mesmo com Fernando Torres, um ótimo atacante, que mesmo depois de fazer jogos fracos para seu nível, continua sendo um atacante de altíssimo nível. A boa saída com os volantes, Ramires, Essien e Mikel pode funcionar. Esta é apenas uma ideia para a formação inicial. Pode não ser a escolhida pelo português Vilas-Boas para a estreia diante do Stoke City.

Pontos principais: Ashley Cole é fundamental no apoio pela esquerda, com Ramires dando sustentação por aquele ponto do campo. Com Mikel e Essien, o Chelsea tem uma proteção sólida para a zaga, que deve ter o brasileiro David Luiz ou até mesmo Ivanovic, com Bosingwa fazendo a lateral-direita, no caso. Aliás, pelo lado direito, Vilas-Boas encontra problemas. Desde os tempos de Mourinho no Chelsea, a equipe não consegue consolidar um bom lateral pelo lado. Paulo Ferreira, em seus bons tempos, fazia um apoio um pouco qualificado ao ataque. Bem, mas era Paulo Ferreira em seus bons tempos.
Recordemos também que Didier Drogba, com situação indefinida no Chelsea, pode sair ou pode ficar. A equipe diante da situação contratou Romelu Lukaku para uma função de centroavante.

Meta: o título é possível, mas os fatores contribuintes como a montagem do time de Vilas-Boas e a própria adaptação do treinador ao ambiente da equipe londrina podem pesar na hora decisiva. Mesmo assim, é interessante almejar planos grandes para o Chelsea da temporada 2011/2012. Jogadores a equipe tem, falta um técnico que una todos estes como um time.

Liverpool

Nas compras:
Charlie Adam (meio-campista) – Blackpool – 7 mi £
José Enrique (lateral-esquerdo) – Newcastle – 7 mi £
Jordan Henderson (meia) – Sunderland – 15 mi £
Stewart Downing (meia) – Aston Villa – 20 mi £

Nas vendas:
Milan Jovanovic (atacante) – Anderlecht – 704 mil £
Paul Konchesky (lateral-esquerdo) – Leicester City – 1,5 mi £

O Liverpool, do ídolo Kenny Dalglish como técnico, tem bastante time para ameaçar Chelsea e Manchester na ponta do campeonato. A equipe de Luis Suárez, Andy Carroll, Meirelles e Lucas – o brasileiro da seleção – funcionou no final do campeonato passado – vencendo jogos e levando a equipe até a Liga Europa. Neste ano, a tendência é melhorar e vencer a Premier League no formato atual pela primeira vez no clube.
Na zaga, a equipe de Dalgish tem Jamie Carragher, veterano da equipe, mas as outras posições não demonstram muita segurança. Glen Johnson fez uma temporada regular, mesmo sendo titular na Copa do Mundo com o desastre britânico. Fabio Aurélio é bom jogador, mas tem suas limitações defensivas. Do mesmo sofre Emiliano Insúa, o argentino. Mesmo assim, o time tem tudo para ganhar jogos importantes e brigar lá em cima.

Pontos principais: Dalglish deve usar o time com uma linha de quatro. Digo isso pois no ano passado fez experiências com três zagueiros. Deram resultados, mas a equipe tem elenco para jogar em um 4-4-2. Se Glen Johnson emendar uma boa sequência de jogos, a equipe tem apoio qualificado pela direita. José Enrique foi contratado para suprir a necessidade na lateral-esquerda, enquanto na zaga Carragher e Skrtel devem atuar. O time tem saída boa com Lucas e Meirelles, mas pode faltar ligação sem Gerrard atuando. O ataque tem Suárez e Carroll. Sim, os avantes são bons o bastante para um time como o Liverpool. Kuyt pode aparecer como titular, assim como Downing, na estreia diante o Sunderland.

Meta: pelo início, dou o Liverpool como um time para a zona da Champions League. Se a equipe se arrumar, pode arrancar para atrapalhar os ‘chefões’, United e Chelsea.

Arsenal

Nas compras:
Alex Chmaberlain (meia) – Southampton – 12 mi £
Gervinho (atacante) – Lille – 10 mi£

Nas vendas:
Gaël Clichy (lateral-esquerdo) – Manchester City – 6 mi £
Denílson (volante) – São Paulo – 600 mil £

Arsène Wenger terá mais uma temporada nos Gunners, a 16ª, aliás. O grande treinador francês tem problemas para armar o time no início da Premier League. Fàbregas ainda pode aparecer no Barcelona e, por isso, Wenger tem algumas dificuldades. John Wilshere e Song deverão compor a dupla principal de volantes na temporada. Com isso, Nasri pode passar para a meia-direita, sabendo que Gervinho pode atuar por aquele lado. Walcott pode jogar como um atacante pelo lado direito Van Persie centralizado. O elenco do time da capital inglesa é ótimo, mas com um esquema tão agressivo e incisivo, pode-se sofrer.

Pontos principais: no 4-3-3 proposto por Arsène Wenger, a equipe tem Song como volante protetor, tendo Wilshere, o bom volante gunner, pela esquerda do tripé de meio-de-campo. Porém, neste caso, Wilshere é um meia, dando suporte para as jogadas de criação, ao lado de Nasri, pela direita. Com Gervinho e Walcott, a promessa é de muita velocidade e muitas jogadas laterais, com participação de Sagna, pela direita. Centralizado, Van Persie funcionaria como um centroavante que circula livremente pelo campo, participando das jogadas que desenvolvem a evolução do Arsenal. O problema é na proteção, com Song atuando antes dos zagueiros, agindo na marcação. Mas que o time é bom, sim, é, de fato.

Meta: o título não começa sendo disputado pelo Arsenal. A equipe começa almejando uma vaga na Champions. Mas tem chances de título, basta evoluir como um time que agride e não deixa ser agredido.

Manchester City

Nas compras:
Gaël Clichy (lateral-esquerdo) – Arsenal – 7 mi £
Stefan Savic (zagueiro) – Partizan Belgrado – 10 mi £
Sergio Agüero (atacante) – Atlético de Madrid – 39 mi £

Nas vendas:
Shay Given (goleiro) – Aston Villa – 3 mi £
Felipe Caicedo (atacante) – Levante – 800 mil £
Jérôme Boateng (defensor) – Bayern de Munique – 11 mi £

O City promete fazer uma temporada melhor do que a anterior. A equipe foi terceira o ano passado, mas hoje briga até mesmo pelo título. Com os nomes que possui, o time de Mancini é bom. O problema continua sendo a atitude diferente que a equipe toma quando enfrenta um adversário figurão. Neste caso, o City já é um dos figurões ingleses, e pode vencer quem quiser. Mas é quase certo que o italiano comandante da equipe pode não ser o melhor indicado para o serviço de treinador.
O time do Manchester pode e deve atuar no 4-4-2 para o início da temporada: a equipe deve ter David Silva, Touré, De Jong e Milner no meio-de-campo, ainda com opções como Adam Johnson, e no ataque há Agüero e Carlos Tévez. Com um time desses, pode-se vencer qualquer outra equipe. O problema é formar uma equipe coesa, com tantos investimentos e bons resultados, mas que ainda poderia ser melhor.

Pontos principais: com Clichy pela esquerda, o City tem apoio e suporte para David Silva. As jogadas podem acontecer com Kun Agüero, também. Os dois avantes da equipe de Manchester podem se alternar como primeiro e segundo atacantes. James Milner atua mais periférico, porém afunila mais o jogo. Importante também é o trabalho de Yaya Touré, segundo volante que participa tanto da marcação quanto da criação no meio-de-campo, ajudando De Jong em tarefas mais defensivas.

Meta: o título é possível, sim. E com a melhor – e maior – contratação desta janela, a de Agüero, o City se credencia como candidato ao título. O problema é administrar tantas opções como Dzëko, Barry, Kolarov, Balotelli e Adebayor. Mas time forte e elenco, o City tem mais do que suficiente para brigar com Chelsea e United.

Tottenham

Nas compras:
Não contratou

Nas vendas:
Jamie O’Hara (meio-campista) – Wolverhampton – 3,5 mi £
Jonathan Woodgate (zagueiro) – Stoke City – agente livre

O time de Redknapp jogou a Champions no último ano, mas não conseguiu se manter lá nesta temporada que passou. A equipe é boa, mas não tem tanto calão para brigar com os figurões United e Chelsea, com o City surgindo por trás.
Mesmo assim, há nomes interessantes na equipe. O galês Gareth Bale, meia que joga pela esquerda e também pode executar função de lateral-esquerdo, é habilidosíssimo, veloz e técnico demais para sua função. Van der Vaart, mesmo não jogando em seu auge, pode fazer estragos quando joga em nível alto. Aaron Lennon é o outro winger, assim como Bale é, que joga pela direita, dando sustentação ao ataque e suporte para a defesa.
O problema no começo será a contusão de Sandro. Huddlestone deve atuar nos jogos iniciais. Mas o brasileiro fará falta.

Pontos principais: o apoio de Hutton pela direita é bom, mas Lennon é bastante efetivo nas jogadas por aquele lado. Bale é muito bom jogador, como já dito, e participa ofensivamente e defensivamente, cobrindo a posição de Assou-Ekotto, camaronês que tem deficiências o homem-a-homem para o combate. Luka Modric é o destaque como segundo volante. O croata é muito bom jogador e dá suporte para a ligação, ao lado de Rafael Van der Vaart. Mas os problemas nas laterais são muito prejudiciais ao Hotspur.

Meta: a vaga na Champions League será mais do que uma conquista ao Tottenham. A equipe é boa mas tem seus limites.

Com as análises feitas, agora vou dar meus palpites para os primeiros da tabela:

Chelsea – campeão
United – vice-campeão
City – 3º lugar
Liverpool – 4º lugar
Arsenal – 5º lugar
Tottenham – 6º lugar

Por: Felipe Saturnino

29/05/2011

Simplesmente, Barcelona

O Barcelona não é um clube de futebol. É uma escola do esporte bretão, que une filosofia de jogo à execução mais categórica e elegante que já tenhamos visto deste mesmo esporte. Unir finesse, exuberância, elegância e alguns outros atributos que posso citar é algo que o faz ser o que de fato hoje é: o melhor time do mundo. Talvez, da história.

Messi é um dos maestros. Mas de fato, quando pega na bola, é o que quer ditar o ritmo por si só. Xavi e Iniesta são os outros dois que comandam o meio-de-campo com mais maestria ainda. Mas eles são jogadores de menor ” arrogância”. Geralmente, não fazem isso. E verdade seja dita, a arrogância no termo aqui colocado não é em um mau sentido. É no dos melhores da palavra.

Porque para definir Messi, não tem muita coisa. Não tenham medo se ele vir a ganhar mais uma Champions League no ano que virá. Não temam se por acaso, marcar mais 50 gols na temporada 2011/2012. Messi é craque, é gênio. Ou melhor, parece entrar nesse estágio.

O United me decepcionou. Começou o jogo de uma boa forma: marcando forte e consistentemente o Barça no seu campo de defesa. Pouco resultou. Em 5 minutos, se deu ao Barça o direito de tocar a bola de cá pra lá, virar daqui pra acolá. O United tomou um baile. E foi de uma forma bem pior. A equipe deu muito espaço ao time de Pep Guardiola. Xavi, Iniesta e Messi atuaram como sempre. Dessa vez, porém, tinham mais espaço na confusa marcação dos Devils, que hoje não assustaram em nada o Barça. Acho que Ferguson deveria ter começado com Fletcher. Pois, não o fez. Teve a audácia de não colocá-lo, mostrando confiança. O Barça fez o primeiro, e o United empatou. O Barça manteve o nível enquanto o United nem almejou um lampejo de perigo de gol. Um dos times mais frios da Europa hoje conseguiu se complicar no jeito de marcar. E o United é bom, aliás, muito bom time. Somente atuava contra um dos melhores esquadrões da história. O maior time que eu já vi jogar em toda minha vida.

Alguns jogadores do United puderam somente ver o ao Barcelona. Park e Valencia foram dois deles. Dois que não viram a bola hoje, lá em Wembley. Dois dos muitos do United que não conseguiram deter o Barça. Aliás, um time que dificilmente pode ser batido.

Mas, é claro que o United merece ser vice. Cito novamente aqui: é muito bom time. Porém, o Barcelona foi simplesmente, o Barcelona.

Um pouco do jogo: O United começou bem, mas não pôde para o esquadrão de Guardiola. Depois de começar em pressão, o Barça se propôs a jogar em seu tradicional estilo de jogo. Deu certo. Pedro fez o primeiro em Wembley, após um passe magnífico de Xavi Hernández. E cabia mais ao Barcelona, que jogava com espaços e muitas brechas no Manchester Unnited displicente na marcação. Confusão entre Park e Giggs, que se alternavam na esquerda, era um dos pontos que o Barcelona jogava ao seu favor no jogo. Até que Rooney foi lá e deixou sua marca de tento. Depois de boa jogada entre ele e Giggs, que estava impedido, o inglês chutou e marcou. 1 a 1. Nada que impedisse o gol de Messi na segunda etapa. Bonito. Lindo foi o de Villa, que tirou a bola do alcance do seu adversário à frente e ainda tirara de Van Der Sar. Brilhante.

Messi incorpora o sentido do Barcelona. É mais que um time, é mais que um craque.

Por: Felipe Saturnino

27/05/2011

A divindade do futebol arte e o pragmatismo do futebol circunstancial: Barcelona e Manchester são opostos na final de amanhã

Era 14 de setembro do ano que passou. O Manchester United, com um time de pouco brilho e sem grandes estrelas, fez uma estreia medíocre diante de um Rangers que nada amedronta os figurões europeus há tempos, no jogo de abertura da primeira rodada da fase de grupos da Liga do Campeões da Europa. O 0 a 0 digno de time médio jogando em casa contra o Rangers não deveria deixar os torcedores dos “Devils” tão pessimistas, mas poderia deixá-los de cabisbaixo, com o realismo diante das perspectivas que o time de Ferguson apresentava. Também no mesmo dia, o Barcelona, mais favorito do que nunca para levantar a taça da maior competição do mundo, estreara e vencera o Panathinaikos em apresentação que não deixou dúvida alguma sobre a equipe de Guardiola. Mesmo estando atrás do Real Madrid na Liga espanhola, o Barcelona ainda tinha de fato, o futebol mais divino do mundo.

Aconteceu que o Manchester evoluiu. Ou melhor, o Manchester evoluiu para um patamar de regularidade, para não falhar mais em jogo algum. O time se encaixou para atingir o ápice da meia temporada, na partida diante do Blackburn, que a equipe de Manchester levou por 7 a 1. Depois desse jogo, o time entrou na liderança do campeonato britânico, e de lá não saiu nunca mais. Bastou ao Chelsea chegar bem para disputar novamente o título da Premier League. Aconteceu de o United elevar o seu jogo ao máximo e derrotar o Chelsea por 2 a 1. A equipe de Ferguson começou a temporada de forma questionável. Mas, a equipe se acertou para ser campeã do inglês e disputar a final da Champions League. Seu jogo é circunstancial. Se precisa da bola, faz de tudo para tê-la. Se joga com um time de maior apego para com a mesma, deixa a equipe adversária ficar com ela e sai rápido para armar seus contragolpes. Se joga com um time de mais valores individuais, aumenta o nível do jogo para se tornar no conjunto que sabe jogar um futebol de primeira. Marca bem, tem seus jogadores notáveis e atua com frieza quando precisa.
O Barcelona tem estilo eterno. Precisa da bola, joga com ela, toca com ela, corre com ela, cruza com ela, dribla com ela, corta com ela. O jogo mais bem jogado é o da equipe catalã. O esporte bretão talvez jamais tenha visto algo como um time desse. Praticar o futebol com tanta maestria, sutileza e elegância só o Barça é capaz de praticar. O único time que conseguiu atacá-lo, jogando de igual pra igual por certo tempo foi o Madrid, utilizando a tática de ocupação de espaços e marcação avançada aos meias do Barça. Foi o único time que conseguiu atacar e inibir um pouco o que é o futebol barcelonista. Serviu para a Copa do Rei. Para a Champions League, não. A fórmula tática ruiu ao que Messi pegou na bola. E pegou duas vezes. E fez dois gols.

Ao que de um lado pode se ver o melhor futebol da história do esporte, talvez o Manchester United mesmo vencendo o Barça, esteja sempre marcado por atuar no tempo de um dos maiores esquadrões que já tivemos a chance de ver jogar. Mas, o que ressaltaria mais a história brilhante que o time de Ferguson já possui seria de fato vencer o Barcelona do toque de bola e movimentação, numa final de Champions League, atuando com um jogo de pragmatismo e de sem tanto renome que o de origem catalã. Ao Barcelona, seria a consolidação da temporada de futebol mais vistoso que já se viu. Talvez tenha sido. Messi, Iniesta, Xavi, Villa, Pedro, Daniel Alves são alguns dos nomes que compõem a melhor equipe do mundo.

O pragmatismo vs. o futebol arte. O jogo de amanhã será o jogo de muitos anos, que vai ser lembrado com a manchete de “O Manchester que conseguiu vencer o time de Messi” ou a de “O time de Messi que ditou as regras em Wembley“.

Amanhã é dia de final de Liga dos Campeões. Não perca, de jeito algum.

Guardiola comanda o time que pratica o futebol mais vistoso e lindo no mundo

Ferguson é dono do time que aplica o futebol mais pragmático e inteligente da Europa

Por: Felipe Saturnino

26/04/2011

Sir Alex Ferguson e a consistência: Manchester United e a sua sina

Sir Alex Ferguson é a imagem do Manchester, e o mesmo é a sua semelhança. Como se transformar em chefe máximo de uma entidade que abrange tantas diferentes visões como um clube? Ferguson lhe ensina.

Sir Alex Ferguson é o Manchester incorporado. O jeito de se comportar, o jeito de jogar, a maneira como dá de ombros se os outros não se encantam com seu futebol.

Hoje, a consistência do United ficou de lado. Na verdade, não ficou de lado. Somente foi incorporada por um futebol “mais convincente”. A equipe de Alex Ferguson é uma das de respeito. É aquela que você sabe que vai dar trabalho, nem que seja mínimo. É aquela que do “velhinho” que consegue, mesmo mascando um chiclete todo jogo, usando um óculos e desfilando elegantemente pelos estádios ao redor da Europa, formar todo ano um time de respeito. Com ou sem Cristiano. Com ou sem Tévez.

Tudo isso acima foi para dizer que o Manchester está na final da Champions League, mesmo sem a segunda semifinal ter sido jogada. A vitória digna de aplausos contra o Schalke 04 em Gelsenkirchen deixou mais do que clara a capacidade o Manchester United. Um time de Giggs, de Chicharito, de Park, de Carrick, de Vidic, de Ferdinand, de Rooney, de Van der Sar e de Sir Alex Ferguson exigem respeito. E muito.

O jogo de hoje foi um verdadeiro massacre. O Manchester só não goleou porque Manuel Neuer tem um dom para defender bolas. E pegou tudo. Aliás, ressalvo o nome do goleiro no jogo. Foi chave para o Schalke não tomar mais bola na rede.
A formação proposta por Ferguson, tendo Giggs como titular foi efetivamente ofensiva. O escocês não queria segurar jogo, ou conseguir um placarzinho qualquer na Veltins Arena, ele queria vencer. Vencer era o que importava. Ter ainda Rooney e Chicharito só consolidou a proposta. A vitória veio, e foi merecida. O Schalke não conseguiu ter a chance. Não teve jogadas, Jurado não atuou bem, Farfán também não e Raúl não teve chance. Passar pela defesa do time vermelho, ou ainda penetrar no território defendido por Carrick, Vidic e Ferdinand, é algo difícil, digno para times que podem fazer isso pois tem jogadores e criação para tal.

Agora, após um dois a zero merecido, com Rooney fazendo uma partidaça, assim como todo o resto do time do Manchester, com uma ressalva para Giggs, – que ainda joga barbaridades – Sir Alex Ferguson deve estar sorrindo até agora. O escocês deve estar jogando conversa fora e mostra que ainda tem tudo para ganhar uma Champions. E mais outras, se continuar a montar times bons com essa consistência. Essa é a sina do Manchester. Ferguson. Há 24 anos tem sido assim. Não estou criticando, estou elogiando. 24 anos no cargo não é para qualquer um. É para Sir Alex Ferguson.

Smile, Alex Ferguson!

Sir Alex Ferguson - rindo à toa

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Por: Felipe Saturnino

13/04/2011

Barça e Real será a atração óbvia das semi. Mas United e Schalke vai ser interessante.

É claro, agora com as semifinais da UEFA Champions League, que os holofotes estarão (quase) todos direcionados à Espanha, com os dois clássicos entre Real Madrid e Barcelona. O clássico é o de maior impacto na imprensa internacional e abrange as visões de todas as diferentes partes do globo. Claramente, tendo dito tudo isso, Barça-Madrid é a atração da Champions nesta fase mata-mata.
Porém, podemos ver que na outra semifinal também temos um jogo interessante de se assistir, o de Manchester Utd. e Schalke 04. Tem todo um clima de jogo diferente. O Schalke não é como muitos pensam. Não é fraco, não é “timinho”. Não está nas semi somente porque a Inter não jogou tudo o que podia. O Schalke aproveitou a chance, feito isso, adquiriu mais respeito na Champions. Agora tem pela frente o time que joga o futebol mais não-bonito da Europa porém, mesmo assim, é o time mais consistente: o United. Venceu os dois jogos contra o Chelsea, jogando um futebol pesado, mas pouco importa. Duas vitórias em dois confrontos contra um rival poderoso que é o Chelsea transcendem o fato de não poder se mostrar um futebol bonito. O Manchester é forte em todas as partes do campo e está em nível de Real Madrid. Schalke está um degrau abaixo dos dois e, obviamente, o Barcelona, reina soberano na escala imaginária de qualidade dos times. É o time a ser batido.

Vou deixar um aviso por aqui: pelo que conheço – e também pelo que todos conhecem – de Mourinho, ele não vai ser eliminado sem tentar fazer algo diferente. Isto é, podem esperar, pois provavelmente José fará algo para impedir que o Barcelona chegue à final passando pelo Madrid. O Real vai preparar alguma, e mesmo estando em um outro nível, o Barcelona que se cuide, o português vai tentar o quase impossível: parar os catalães.

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Por: Felipe Saturnino