Posts tagged ‘Messi’

02/11/2012

O que mais um Ballon D’Or significaria para Messi?

Lionel Messi está à evidência do seu quarto título de melhor futebolista do planeta. O azulgrana detentor da camisa 10, absoluto e absurdo no trono de rei do maior esporte que há, parece querer perpetuar seu monarcado para tornar-se definitivamente uma divindade, mais do que “somente” um gênio que é.
E sobre isso, creio eu, não existem muitas dúvidas. Messi continua a ser o melhor, Ronaldo o segundo – e nisso há uma mera grande vantagem. Iniesta ou Xavi podem ser terceiros – para a FIFA, pode até pintar Pirlo ou Falcao como um terceiro, mas esta seria uma autêntica agradável surpresa por parte da mesma.

Entretanto, é de se reparar que o Barcelona não vivenciou seu melhor momento em três anos com Josep Guardiola, nem ao menos de longe. Na temporada passada, a equipe padeceu diante do Real na Catalunha na liga espanhola, apesar de ter vencido na ida em Bernabeu. O time que era de Pep na ocasião derrotou o Madrid por 3 a 1, desintegrando parcialmente o Real de Mou – que voltou a demonstrar vida quando goleou o Sevilla em Sevilha, logo no entrave seguinte de La Liga. Foi eliminado pelo Chelsea em uma drmática semifinal, em que Messi cometeu o seu único erro no ano: o penal desperdiçado diante do enorme tcheco Cech. Ainda assim, conseguiram vencer a Copa do Rei sobre um Bilbao forte com Bielsa. E foram estas ocasiões de baixa que mostraram o quão grande foi (é) Messi, marcador de 82 gols na temporada 11/12; o Lio que, enfim, jogou num de seus melhores patamares pela seleção albiceleste. O Messi que comanda o time de Sabella, numa espécie de 4-2-3-1 que o deixa livre para ditar ritmo, variar e inverter e ligar os wingers que aceleram o jogo (Di María e Aguero) verticalmente. A fórmula mágica que funcionou no seu melhor ano, indubitavelmente, pela Argentina, e que deu a Leo gols fantásticos como os contra o Brasil (nos 4 a 3 de New Jersey, com a magistral pintura do último tento), gols precursores, como os do hat-trick contra a Suíça (3 a 1, o primeiro jogo em que marcou três com a camisa da Argentina), e gols demonstrativos do quanto Messi conseguiu crescer para o cenário nacional, nos jogos contra Uruguai e Chile, os últimos dois confrontos pelas eliminatórias. E tudo isso ocorreu como promessa – o termo mais válido aqui seria, porém, aviso: quando venceu sua terceira Bola de Ouro, Lionel disse que queria ser maior, mais superlativo e dominante no que envolve o contexto tão delicado da seleção argentina. E isso aconteceu em janeiro. Pouco menos de 10 meses depois, Messi venceu obstáculos e se consolidou definitivamente como o maestro da seleção – talvez não tão grande como Dieguito na popularidade, mas, decerto, aproximando-se de El Pibe na técnica de seu mágico e fenomenal estilo de jogo.

Messi merece, e tem de ganhar mais uma Bola de Ouro pelo que faz por suas equipes, pelos gols de cobertura que marca, pelas fintas sucintas, precisas e minuciosamente calculadas com que rege o jogo na Catalunha, e pela figura que é – apesar disso ser posto seguramente e acertadamente em segundo plano para decidir o prêmio de melhor do mundo. Mas o quão isso verdadeiramente importante lhe é?

Messi, o único tricampeão do prêmio em toda a história, já escreveu seu nome para o infinito sempre de todo o âmbito futebolístico. E isso o coloca entre os maiores da história, talvez o maior do século XXI, de tal forma que nos parece incontestável essa tese. Refutá-la é uma tarefa árdua, e dificilmente alguém conseguirá desbancar todo o envoltório que há ao redor de Messi por causa de seus exacerbados méritos no seu período, tanto quanto breve – que são oito anos – em atividade. Mais um título da FIFA para o argentino significa credenciá-lo a um reinado jamais antes visto, ou talvez até já presenciado, mas há muito. O que se iniciará seguidamente, e novamente, é bem verdade, será sua posição com relação a Pelé. E a posição de melhor da história é sempre digna de muita discussão, e obviamente de um invariável cuidado nas opiniões.
Se o mais significativo é colocar Messi em algum lugar na história ao final de sua brilhante carreira, esperaremos. Mas, agora, já Messi parece estar completamente apto a assumir o posto de melhor da história do jogo. O quarto título de melhor do planeta, que lhe é evidente, mais que apenas e meramente esperado, lhe colocará num estágio numérico, ao menos numérico, sobre geniais Ronaldo e Zidane.

E de fato isso significa muito para La Pulga. E significa por ser mais próximo e comparável à sua realidade que Puskas, Pelé, Cruyff e Maradona são. O que se torna corriqueiro é a constante conexão, que totalmente válida é, entre tempos distintos do futebol que não permitem uma análise coerente, e justa. Mas seria injusto dizer que Messi é o melhor de todos?

O mais coerente e menos assustador, pelo menos agora, é dizê-lo como um excepcional argentino e blaugrana, que está entre os 15 maiores jogadores da história do esporte, e que é o maior deste século. Porém, será evidente que, no gran finale da sua carreira, necessário se tornará falar nele como o maior de todos ou não.

E seria justo considerá-lo o melhor de todos apenas ao final de seu tempo como futebolista? Bem, aí o fim do monarca não representaria o fim da sua monarquia, porém, simplesmente um período de pausa, pois, certamente, Messi já estaria eternizado, seria infinito: um Deus e não só gênio mortal. Mas bem melhor seria poder considerá-lo como o melhor no seu período de atividade, pois assim poderia fruir de seu futebol como o melhor da história.

Messi – o melhor de todos os tempos? No fim, (talvez) saberemos

Por: Felipe Saturnino

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07/03/2012

Orgasmo cósmico

A melhor atuação – pelo menos pela parte da minha memória afetiva – que já vi de um único jogador num jogo de futebol foi a de Lionel Messi, pelas quartas-de-final da Champions League da temporada 2009/10; sim, a mesma temporada em que o todo poderoso sucumbiu para a Internazionale. Mas vale a lembrança para o deleite de quem se recorda puramente do momento mágico que vivemos naquele dia.

Um por, magistralmente, o Barcelona ser o Barcelona. Dois por vermos Messi. E claro que as constelações Ini e Xavi surgem posteriormente – na ocasião, todavia, o marcador do tento que deu à Espanha a primeira conquista mundial estava lesionado.

Foi fantástico observar Messi fazer todos os gols daquela goleada estarrecedora sobre o ‘melhor’ Arsenal de Wenger, ao menos no que diz respeito às últimas temporadas do francês no comando do esquadrão londrino. E também a maneira como foi constituída a goleada, constando de Nicklas Bendtner como abridor de placar no Camp Nou.

O primeiro de Messi foi após uma rebatida na entrada da área do Arsenal, proveniente de Silvestre – o lateral/zagueiro francês -, empatando com um chute certeiro no ângulo. O segundo de Lionel – bem como o do Barça – foi após uma jogada estilística, com entradas periféricas na área adversária, até o passe de ‘Pedrito’ para o 10 do maior do mundo chutar e fazer com a perna direita. E os outros dois foram pintura.

A primeira obra foi por cobertura, após passe de cabeça do malinês Keita. A segunda foi algo mais. Pois, Messi costurou até adentrar a área do Arsenal e, mesmo permitindo o rebote de Almunia no primeiro chute, não podia se culpar o arqueiro pela atuação assustadora do argentino, que guardou o quarto tento. Um monstro. Um gênio. Impiedoso.

Uma atuação digna para ressaltar o nível de um orgasmo cósmico por parte do argentino, aquele nível que, raramente, jogadores raríssimos são permitidos de explorar, e conhecê-lo. Repetir é algo mais complicado. Não impossível, porém.

Uma atuação que se transformou na minha predileta. Apesar de sempre reparar os jogos de Messi como um fenômeno quase inalcançável no esporte, aquele foi de nível muito, muito alto. Quatro tentos em uma disputa de quartas com o Arsenal pela Champions League pode te fazer pensar no nível utópico que Leo atingiu. Quase inalcançável.

O orgasmo de gala desta quarta-feira só faz-nos pensar ainda mais sobre esses fenômenos, invariavelmente, dados como raros. Tal qual, analogamente, o Barcelona como um esquadrão alcançou um nível cósmico diante o maior rival, em novembro de 2010 – os 5 a 0 do Camp Nou. Porque Messi superou a minha preferida atuação dele – a mais afetiva que tenho, ao menos. Genialmente, o argentino alcançou o seu 228º gol com a camisa do Barça, pronto para se tornar, mais do que oficialmente, o maior da história do maior do mundo.

Sim, Messi fez 5 gols contra o Leverkusen, no mesmo estádio em que fizera os 4 diante o Arsenal, naquela atuação cósmica. Mas hoje ele superou-se. Provando que pode explorar mais de uma vez um nível absurdo.

E incrível acreditar que, em jogos comuns, ele atinge esse nível com frequência.

Messi - explorando níveis cósmicos dentro do futebol

Por: Felipe Saturnino

01/03/2012

Dique

Logo após sua terceira conquista do prêmio de melhor do mundo – e a terceira consecutiva – no FIFA Ballon D’or (fusão do prêmio FIFA com a revista France Football) referente ao ano passado, Lionel Messi disse o que pretendia explorar mais no caminho da sua carreira para dar a outros outra vista da mesma: o sucesso na seleção argentina.
As críticas em relação ao argentino jogando na representação de seu país sempre foram um tanto injustas em alguns pontos – apesar de em momentos, pouquíssimos, é verdade, fazerem sentidos.

Nunca se pôde mensurar o nível de Messi como o ‘padrão-Barcelona’ na Argentina por, na equipe catalã, ter-se um esquadrão histórico que se desenhou em circunstâncias específicas, também históricas, o que só torna o fato ainda menos constante e comum. Até para um gênio como Messi.

A atuação mais desapontante do argentino que me recordo em tempos recentes foi aquela diante a Colômbia, pela segunda rodada da Copa América do último ano. Naquele jogo, até direito a uma falta no outro lado da arquibancada Leo teve. A frustração de não jogar bem com consistência na seleção argentina, porém, não foi o fator que derrubou-os nas quartas-de-final, contra o Uruguai – naquela ocasião, Messi fez ótima participação em campo.

O que simplesmente sempre pareceu-me um pouco muito injusto foram as críticas para cima de ‘La Pulga’.

Mas como recorri à declaração de Leo no início do texto, ficava claro que o objetivo dele era ter um cuidado mais especial com os seus passos na esquadra argentina.

E no fundo, sabemos que ‘Messias’ – pois ‘Dios’ é o outro canhoto dono da dez na conquista de 86 -, de um jeito ou de outro, nunca faz um jogo ‘ruim’. Confundimo-nos, enganamo-nos pelo que – agora sim – ‘Deus’ faz no Barcelona, com tão incrível sutileza, elegância, facilidade e normalidade. Por esta razão ‘crucificamos’ o dez com tanta facilidade, sem nos dar conta que estamos na presença de divindades quando se trata do melhor time do mundo. E de ‘divindade’ – ainda mor que outras – quando tratamos de seleção argentina.

No fundo, contudo, sabíamos que Messi, já como dissera no começo do ano em Zurique, tentaria desgarrar com a seleção, tentaria fazer algo mais ‘marcante’ com a seleção. Como se soubéssemos que, em um momento randômico, um gênio viria com uma ‘pequena solução’ para um problema que quase todos indicam ser ‘quase insolúvel’.

Em Berna, na Suíça, tivemos o predito. O dique de Messi se abriu. Melhor, aliás, o dique se abriu para Messi. Pelo menos na seleção. Ainda que seja um jogo ‘pequeno’, e o problema, consistentemente, grande, respostas progridem. E o dique se arrebentou pela primeira vez na direção de hoje. Para Messi, hat-trick, com a camisa argentina, nunca antes ocorrera. Sim, o dique se abriu. Respostas progridem. E Messi é o melhor do mundo. E gênios precisam dar respostas. Não que seja necessário.

Mas se é o que querem, sim.

Messi - com o dique aberto e partindo para as respostas

Por: Felipe Saturnino

10/01/2012

Limite

Comparar épocas é um trabalho difícil. Árduo. Quase impossível de ser feito com eficiência e coerência. Além de tudo, você tem que ser muito cuidadoso para não cair no perigo de cometer um homicídio à devida época do esporte em questão.

É um trabalho difícil porque é carente de qualquer parâmetro para um estabelecimento de uma equação, que seja fria e que julgue sem pensar em nada. Por isso, o fator de equivalência deve ser ligado a uma época comum, com o menor número de distinções que existirem.

O fato de Lionel Messi ter ganho a sua terceira Bola de Ouro, e, ainda, a terceira consecutiva – o que torna o feito ainda mais exuberante -, pode-nos fazer traçar parâmetros entre lendas do futebol, ou, no mínimo, nos faz pensar nisso com mais seriedade a cada dia que passa. O problema é cometer uma ‘violação’ nas regras sagradas de colocação de um jogador na frente de outro na história do jogo.

Já foi falado há um tempo que, na sua idade, Messi é o maior ‘papão’ de títulos em comparação a outros lendários futebolistas. O número frio é comparável, mas ainda assim não é exato.

E não é por causa da Copa do Mundo, que Messi ainda não ganhou. Que vá ao lixo esta questão – assim como seleções que nunca venceram uma, como a Holanda-74 e o Brasil-82, e ainda assim são lembradas como vencedoras de tal. Todos os outros feitos do blaugrana são transcendentes.

Se um mínimo traço de comparação, de equivalência, não pode ocorrer por um cuidado mor com as maiores figuras do futebol, podemos pensar até onde Messi pode chegar com o nível de quase perfeição de seu futebol. Podemos pensar no seu limite.

Aparentemente, o argentino não tem um.

Pensar em ser o maior jogador do Barcelona, o seu maior artilheiro, o maior artilheiro da Champions League em sua história e em competições europeias também, e, possivelmente, vencer mais duas ou três vezes o Ballon D’or da FIFA não está muito longe. É algo real.

Como o gênio do momento no esporte disse, o objetivo de evolução na carreira, no momento, é ganhar coisas com a Argentina.

E pouco importa se ele não fazê-lo, não acham?

Afinal, podemos nos deliciar com o ilimitado arsenal de habilidade, técnica, agilidade e sutileza do argentino que parece também não ter limite para arrecadar prêmios e mais prêmios. A discussão para seu lugar na história se torna mais conveniente se for feita ao final de sua carreira. Por ora, vamos apreciá-la.

Messi - sem limites

Por: Felipe Saturnino

19/12/2011

Diferença

“Não sei se é imbatível, mas é o melhor time do mundo. Hoje aprendemos a jogar. O Barcelona foi muito superior, tem jogadores fantásticos. Serviu de lição para nós. O Barcelona ensinou a jogar futebol.”

O garoto Neymar ainda é craque. É o melhor brasileiro na atualidade do mundo futebolístico que, na sua totalidade, é dominado por um esquadrão azul-grená.

A ‘lição’ a que Neymar se referiu em sua coletiva após a derrota para o Barcelona pode se generalizar e ser amplificada em seu significado. O futebol jogado no campo, ou a filosofia que tanto invejamos e, mesmo assim, ainda nem implementamos no futebol brasileiro.

O placar de 4 a 0 não é vexame. É um fato. Outros times como Real Madrid e Manchester United também sofreram reveses assim.
O problema, porém, é analisarmos o contexto mais amplo do significado do placar.

A derrota não nos evidencia ‘decadência’ do futebol brasileiro, pois sabemos que a equipe de Guardiola é algo fora do comum. Nos mostra, porém, como um trabalho vindo de anos pode dar resultados aos nossos clubes.

A equipe barcelonista surgiu diferente em Yokohama: Thiago entrara para fazer o trabalho que Iniesta fez no entrave diante o Real Madrid.

Barça no 3-1-4-2, encurralando o Santos no 3-4-1-2

Porém, mais uma variação da equipe de Pep ficou evidenciada: o 3-1-4-2. E bastaram 16 minutos para os favoritos abrirem o marcador. Pintura de Messi.

Há de se dizer que, ficando no próprio significado do jogo, o Santos foi muito pouco ativo no primeiro tempo. O time de Muricy Ramalho veio de 3-4-1-2, já que os alas ficaram em um ponto mais baixo do campo para enfrentar Daniel Alves – o meia-direita do Barça no jogo – e Thiago Alcântara, que atuava no flanco esquerdo. O que se percebia de distinto, também, era o posicionamento de Neymar que modificava o lado do campo, ora sobre Puyol ora sobre Abidal.

No meio-campo central, os duelos de Arouca e Henrique ficaram mais delicados quando Fàbregas começou a rodar naquele setor do campo, comprovando mais uma diferença de vantagem dos catalães. A bola que naturalmente seria, em maior parte do tempo, do Barcelona, agora, ficaria ainda mais nos pés de jogadores como Xavi, Iniesta, Fàbregas e Messi.

Danilo era uma possibilidade santista pelo flanco direito, para aprofundar sobre Abidal e, daquele lugar, criar para o Santos. O que foi visto foi algo bem pior: ao invés de dar combate à Thiago, Danilo deixava-o avançar sobre o zagueiro do lado direito santista, Bruno Rodrigo. Mais do que nunca, os zagueiros estavam marcados para morrer, já que cada um dos ‘atacantes’ tinha uma possibilidade de atacar.

O resto é bobeira e muita obviedade.

Aos 23, Daniel Alves avançou pela direita e viu Xavi se infiltrando por dentro da área, com um Santos todo abafado e afundado em campo: 2 a 0. Depois, veio o passe magistral de Messi, com o calcanhar, para Daniel Alves cruzar, até a bola sobrar para Fàbregas fazer o seu: 3 a 0. E ainda, aos 36, Messi fez mais um para sacramentar a diferença existente entre o melhor do mundo e o campeão da Libertadores: 4 a 0.

O jogo em si, de um lado, nos deu a visão que o Santos não teve a ousadia para agredir. O Barcelona – como mostra-se no diagrama – encurralou o Santos com sua linha de 4 homens no meio-campo central dos brasileiros.

Mas a diferença de futebol, hoje, fica exposta por duas razões: pelo Barcelona ser o que é, e pelo porquê do Barcelona ser o que é. Talvez seja hora de pensarmos um pouco mais.

Afinal, a diferença de um time para o outro pode ser tão grande quanto de Messi para Neymar. Ao menos por hoje.

Vitória num contexto geral: Barcelona campeão e Messi, melhor do mundial e gênio do momento

Por: Felipe Saturnino

23/07/2011

Copa América XIX – Os 11 e os palpites

Depois de 22 dias de jogos, – decepcionantes, há de ser dito – estamos chegando ao fim da Copa América. Hoje Peru e Venezuela duelam pelo 3º lugar e amanhã teremos uruguaios e paraguaios fazendo a final.

O nível da competição é relevante, de ser dito, obviamente. Não sei se leva o motivo de considerar o final da temporada europeia e os jogadores, possivelmente, estarem esgotados. Ou de fato o futebol está nivelando, ou, também, pode ser que os figurões de sempre, brasileiros e argentinos, tenham suas seleções ainda em reformulação e renovação. Os argentinos tem mais nomes veteranos no elenco, o que os brasileiros tem como quase igual. Porém, há de se falar que carregamos em alguns jovens nossa esperança, o que torna a seleção mais vulnerável a golpes. Não evoluímos, em nada.
Porém, os uruguaios e paraguaios se afirmaram. Seja por isso, estão na final. Ambos os dois derrotaram argentinos e brasileiros, respectivamente.

Os finalistas se afirmaram pois, de fato, trabalham há mais tempo juntos. Os uruguaios chegaram na final com maior merecimento – o que não pode se discutir em relação aos paraguaios. Mas, há de se falar que os paraguaios fizeram uma Copa América um pouco abaixo do esperado. Os empates refletem o nível técnico, de uma equipe pouco produtiva da seleção de Gerardo Martino.

Estamos aqui, então, para selecionar os melhores da Copa América. Para mim, estes são os 11 melhores.

Fernando Muslera – goleiro do Uruguai: sua atuação diante os anfitriões foi a melhor de um jogador na Copa América, quando analisado a fio. Fez defesas brilhantes e decisivas no jogo, e jogou regularmente na Copa América inteira – salve o lance diante o Peru, em que quase resultou numa falha. Nota: 7,5

Maximiliano Pereira – lateral-direito do Uruguai: não é brilhante, nem foi, mas de fato foi seguro nas suas atuações, mesmo sendo “atazanado” um pouco por Agüero nas quartas. Foi protegido por volantes, é claro, mas isso não tira o seu méritos em um bom apoio. A vaga teria ficado com o brasileiro Maicon, porém, teria que se manter em um nível regular. Maxi Pereira conseguiu, mesmo não sendo brilhante e eficiente em nenhum jogo do Uruguai. Nota: 6,5

Paulo da Silva – zagueiro do Paraguai: foi bem na competição, sendo o melhor defensor de uma zaga paraguaia um pouco insegura em alguns momentos. Fez par com Alcaraz, e também com Verón, nas vezes que este não foi lateral. Da Silva cometeu apenas uma falta na Copa América – acredite – e realizou 29 desarmes em 5 partidas disputadas. Não é o mais técnico da Copa, mas foi o que teve atuações mais regulares e interessantes. Por estes motivos já citados, ele ganha a vaga na seleção. Nota: 7

Oswaldo Vizcarrondo – zagueiro da Venezuela: foi bem em seus jogos, dando estabilidade para a defesa. Realizou 15 desarme – mias da metade que seu companheiro de seleção da Copa América – e fez 5 faltas. Compreensível para uma defesa que foi vulnerável para a competição e sairá com boa imagem, certamente. Nota: 6,5

Pablo Armero – lateral-esquerdo da Colômbia: mesmo com o fracasso dos colombianos na competição, a equipe mostrou peças interessantes e notáveis. Como os “portugueses” Falcao e Guarín, e também, destaco aqui, logicamente, o lateral Armero. Fez boa temporada na Udinese, fazendo dois gols em seus jogos. Apoia bem, aparece no ataque, havendo tempo para recompor a defesa colombiana. O colombiano de 24 anos fica com a vaga por se destacar no apoio qualificado e ser protegido por bons zagueiros colombianos. Nota: 7

Arévalo Ríos – volante do Uruguai: o ótimo volante uruguaio fez ótimas atuações na Copa América. Sua melhor, para mim, foi diante a Argentina, quando teve de se cuidar com Messi jogando pelo seu setor. Soube lidar e por isso está na seleção da Copa América. É mais um jogador que manteve-se regular em um Uruguai que começou com deficiências em articular jogadas pela frente, mas sempre obteve êxito em jogadas defensivas, mesmo com Lugano não sendo o de sempre na zaga central. Arévalo tem poder de marcação, e comanda os cabeças de área uruguaios. Nota: 7

Seleção da Copa América no 4-2-3-1: força pela esquerda com Armero e Estigarribia; pela direita, Messi com liberdade para flutuar pelo campo, tendo cobertura de Ríos; Guarín sai sendo segundo-volante para dar suporte a Forlán, o enganche da articulação

Fredy Guarín – volante da Colômbia: outro que destacou-se apesar do fracasso colombiano. Sua temporada em um forte Porto de Villas-Boas o trouxe para a Copa América como um dos melhores segundo-volantes que existem, um jogador com boa presença pela frente, que passa bem a bola e consegue compor o meio-de-campo. Está na seleção por apresentar isso em seus jogos, superando neste quesito o brasileiro Ramires, outro que decepcionou muito na seleção brasileira, que poderia estar aqui também. Guarín merece a vaga aqui. Nota: 6,5

Marcelo Estigarribia – meia do Paraguai: o bom canhoto paraguaio fez ótima competição até aqui, sendo a arma paraguaia nas saídas de jogo. Foi bem no empate contra o Brasil, ainda na primeira fase, participando dos dois gols. Sendo a opção do jogo paraguaio, reagiu bem e foi o melhor na posição, com boa velocidade em suas jogadas. Por isso, ganha a vaga até aqui. Nota: 7

Lionel Messi – meia/atacante da Argentina: o melhor do mundo não fez tudo o que podia, mas jogou muito bem nas últimas duas partidas. Por este motivo, ganha a posição, até pelo fato de nenhum ganhar a sua posição na seleção da Copa América. Messi fez suas melhores atuações atuando do lado direito para dentro, e por isso foi bem contra a Costa Rica e o Uruguai. No final da era Rjikaard no Barça, era o que ele fazia. Justamente, foi o que Batista fez. Deu certo, mas não bastou. Mesmo assim, ele ganha a vaga. Nota: 7

Diego Forlán – meia/atacante do Uruguai: jogou as últimas duas partidas bem, e por isso, ganha a vaga na seleção. Sua atuação contra o Peru foi boa, e isso o faz entrar aqui neste time. Como enganche, ele fez o jogo uruguaio fluir interessantemente, mesmo estando apagado nos primeiros dois jogos. Merece a posição por isso, e pelo que ainda está por vir – me refiro à final. Nota: 7,5

Luis Suárez – atacante do Uruguai: fez boas apresentações na Copa América, como diante o Peru e contra a Argentina, também. Mesmo estando apagado no início, ele também fez o time fluir e marcou gols fundamentais para classificação do Uruguai até a final. Merece a posição por isso e pelo que pode fazer na decisão. Nota: 7,5

Palpites:

Peru 0 x 1 Venezuela

Uruguai 2 x 1 Paraguai

Por: Felipe Saturnino

17/07/2011

Copa América XVI – Argentina 1 x 1 Uruguai – 4 x 5 nos pênaltis: Inóspito

É notório que o Uruguai não teme anfitriões. Resgate o exemplo clássico – o Brasil falhou ao perder a Copa de 1950 para os uruguaios, no Maracanã.

Os uruguaios se superam como poucos. Remetem heróis, dos mais valentes, com mais garra, que chegam até mesmo se exceder. Mas, de fato, eles têm doses de heroísmo no sangue que poucos possuem. Poucos mesmo.

A Argentina de Batista manteve o 4-3-3, e valorizou a bola mais do que tudo. Há de se ressaltar que no 4-4-2 uruguaio, não havia um jogador que conseguisse, em momento algum, segurar a bola e administrar o jogo, fazendo a ligação. Forlán estava comprometido em jogar pela frente, ao lado de Suárez. Enquanto isso, Messi dava problemas a Álvaro Pereira e Cáceres, no lado esquerdo uruguaio. Messi jogava da direita para dentro. Criou chances, costurou adversários, deu passe pra gol, – e outros que simplesmente não foram convertidos – driblou, fez tabela, chutou…
Simplesmente, quando houve a chance, Muslera estava lá para barrar o atacante que estava para converter a bola, tornando-a um tento constatado. E nisso, o jogo estava 1 a 1, na prorrogação. Pérez fez o primeiro – erro total da defesa argentina – e Higuaín empatou – com passe brilhante de Messi.

No segundo tempo normal, Tévez entrou para fazer a meia esquerda argentina, substituindo Agüero, que fez uma partida pobre. Enquanto isso, já na prorrogação, Lionel tentava fazer o seu. Pastore já havia entrado também, e estava compondo o meio-de-campo com Tévez e Biglia na prorrogação.

Muslera - fez a melhor partida da carreira

Voltamos a Messi. Que jogou bem. Então como os uruguaios passaram dos argentinos? Simples. Como já citei acima, em quaisquer das linhas, os uruguaios conseguem se superar como poucos. Foi assim em 1950, no ano passado – diante Gana – e ontem, bem, ontem também foi deste jeito. Muito se deve a Muslera, – que fez uma defesa brilhante e outra sensacional – Lugano, Arévalo Ríos, Forlán, e outros.

Quando houveram os pênaltis, os uruguaios foram mais fortes: venceram. Fortes, não desperdiçaram chance alguma, jogaram com um a menos quase a partida inteira, se seguraram bem e se fecharam em um 4-3-2; seguraram Messi, Agüero, Higuaín, Tévez, e qualquer um que for.

E não foi culpa do Tévez, nem de Messi. Os argentinos tiveram chances para vencer os uruguaios; porém, quando não foram incompetentes para converter a chance em gol, encontraram Muslera, que fez a melhor partida da sua vida.

Assim como Muslera, inspirados estavam Lugano, Scotti, Ríos, Forlán…

Muslera foi brilhante. O Uruguai, inóspito, foi sublime. Venceu a maior rival, e está nas semis.

Por: Felipe Saturnino

12/07/2011

Copa América XII – Argentina 3 x 0 Costa Rica: Première albiceleste

A Argentina está feliz; não pelo fato de ter ganho – jogando bem – mas por Messi ter jogado muito. Não é tudo o que sabe, mas Messi deu suas caras para as Américas.

Se esperava muito do dez argentino, e hoje a atuação foi de gala. Claro que foi contra a Costa Rica, mas deve-se falar que é a mesma equipe que derrotou a Bolívia – time que empatou com a Argentina.
Assim também, esperava-se muito da Argentina, e hoje, bem, a atuação do time foi de gala. Se Messi jogou muito, o time ficou na mesma, também. Lio foi fundamental para o première argentino, com os três a zero bem constatados em Córdoba. Foram dois de Kun Agüero e um de Di María.

E Messi jogou muita bola. Batista insistiu em três homens de meio e três ao ataque; 4-3-3, com Di María se postando ao lado de Gago, mas avançado para frente por dentro. Messi começou o jogo pela direita, partindo para dentro. Agüero, da esquerda para dentro. Higuaín centralizado. Os costarriquenhos seguraram bem, se postavam de forma interessante, com praticamente 5 jogadores atrás; a saída de jogo pelo meio ocorria com as investidas pela esquerda de Elizondo, apoiado por Leal, o lateral. Na direita, Salvatierra ficou mais preso à Agüero, que fez uma ótima partida.

Chegando aonde quero chegar, Messi jogou bola demais. Há de se ponderar que a Costa Rica foi bem por todo o primeiro tempo – salvo o lance de gol argentino. Mas, de qualquer jeito, com Messi solto para flutuar, mas agora fazendo a criação com Di María e ainda com a participação eficiente de Fernando Gago, a Argentina iria vencer. E venceu, e venceu bem.

O melhor foi Messi, claro. Deixou umas 5 vezes um argentino na cara do gol para marcar o tento. Depois, pelos gols e sua importância, vem Agüero. Di María foi o terceiro melhor do confronto, por conseguir administrar o jogo com Lionel Messi, atuando da esquerda do meio, avançando para dentro.

Estas três atuações citadas, somadas ao conjunto que atuou como um bom conjunto no jogo de hoje, deram a Argentina uma vitória convincente. Resta saber se Batista manterá o esquema ou vai querer mudar para um 4-2-3-1, ou algo do tipo. Hoje funcionou bem. Aliás, hoje a Argentina fez um première de exibição. Pena que foi apenas na última partida da fase inicial de grupos. Tivera feito isso com a Bolívia, por exemplo, as críticas sobre Lio teriam sido menos impactantes.

Messi, Kun e Di María - o comando do première albiceleste

Cadenciemos e veremos então se Messi conseguirá manter o nível para a fase decisiva. Se ocorrer de fato, a concorrência que se cuide – isto inclui uruguaios, paraguaios, chilenos e claro, nós, brasileiros. Os argentinos não jogaram o melhor futebol da Copa América – este foi o Chile. Mas, com os jogadores que tem, ou melhor, com o Messi que tem, bem, fica difícil.
Que seja uma amostra, há o première albiceleste. Esperamos por mais, e por mais Messi.

Por: Felipe Saturnino

11/07/2011

Copa América XI – Falta Messi ou conjunto? Ambos

A Argentina vai jogar a vida hoje, contra a Costa Rica. Os comandados de Batista são favoritos, mas os dois primeiros jogos sempre nos deixam mais conservadores em relação à vitória argentina no dia de hoje.

Esse desempenho ruim – ou péssimo, ou horroroso, ou ridículo, tanto faz – argentino se dá por qual motivo?

Bem, é bem óbvio que falta Messi. O pequeno argentino também, para mim, é um pequeno gênio. Vê-lo jogar é um prazer, e também, por conseguinte, torna-se uma honra. Falar que Messi depende de Xavi, Iniesta, Barcelona, ao menos para mim, é mentira. Num time ele faz uma coisa, noutro, faz outra, óbvio. Ficou claro que Batista montou o time ao redor de Messi; somente o montou em cima do Barça, mas não o fez com precisão. Neste caso, Messi precisa de um suporte na criação – que não há – para liberá-lo de uma responsabilidade maior que possui hoje. Com Javier Pastore, – jogador que não foi usado na Copa América até o momento – Messi ficaria mais disposto ao jogo.
Este tipo de jogo desfavorece um gênio – na minha visão, claro. Messi é tão talentoso que precisa de maior expansão. Não pode ficar tão preso quanto de fato fica na Argentina atual.
E ninguém quer saber disso. Criticá-lo é válido, muito, demais. É muito pouco para melhor do mundo, muito, muito pouco. Até para um gênio – para mim, ressalto novamente. Mas critique ponderando, sendo razoável até certo ponto.

A Argentina, se vir diferente, com mais um meia, compartilhando a criação, – pode ser até mesmo Di María – terá Messi mais “solto”. A necessidade é gritante.

Por isso, quando quiser tirar um sarro de algum argentino, ou até mesmo quiser fazer graça de Messi, saiba que os nossos vizinhos não sofrem somente pela falta de Messi. Eles sofrem por não ter um pilar que segure e “banque” as ações de maior valor de Lio. Quando a Argentina achar um equilíbrio entre um meia dando suporte a Messi, e Messi atuar em quase nível de Barcelona, eles serão ótimos adversários. Por hoje, bem, a Argentina é um time que tem bons e ótimos jogadores. E um gênio.

Por: Felipe Saturnino

07/07/2011

Copa América VIII – Argentina 0 x 0 Colômbia: Frustração

Como bom degustador de futebol que sou, sempre penso no que pode, na melhor das hipóteses, ser melhor ao futebol. E como gosto deste esporte, não posso deixar de afirmar que a feição de Messi na partida de hoje me deixou um pouco preocupado. O grande craque simplesmente não consegue emendar bons jogos pela seleção albiceleste. Isto, em suma, pode o fazer longe de atingir seu ápice vencendo um Mundial, tendo atuações memoráveis pela Argentina. Talvez a diferença crucial entre este e Maradona seja a do improviso na hora em que se veste a camisa da Seleção. O que não reduz os méritos dele no Barça, mas não atribui mais referentes à Argentina.

A Argentina, hoje, sofreu dos mesmos problemas da estreia, simplesmente encontrando uma equipe melhor que a Bolívia. A Colômbia poderia incomodar, e, de fato, incomodou. Moreno fizesse o gol na primeira etapa, após trabalhada fatal de Gabi Milito na zaga, estaríamos, aqui, fazendo comentários e críticas mais incisivas à Argentina.
O 4-1-4-1 colombiano que encaixotou a Argentina, por manter o time bem marcado e inapto para armação de jogo, bastou. A Argentina já tivera se matado entrando com o mesmo time da estreia, com o mesmo 4-3-3 que, sem um meia para desafogar Messi, dependia do mesmo a armação do jogo. A presa fácil Messi bastou ao olhar colombiano. O jogo foi decidido o aspecto do engache defensivo da Colômbia, com Sánchez fazendo a defensiva, protegendo a defesa de, principalmente, Messi.
Batista simplesmente deu de ombros a possibilidade de usar Javier Pastore ou Di María. Para mim, não fez nada-com-nada ao substituir Cambiasso por Gago na etapa complementar, tornando mais longinqua a ideia de uma ligação meio-ataque com qualidade. Diante disso, o papel de Messi, aqui neste caso, é mais fundamental do que tudo que está implícito no jogo. A Colômbia por muito pouco não venceu o embate, errou. Falcão perdeu chance. Dayro Moreno, claro, perdeu a mais clara de todas. Aquela, para mim, seguisse o jogo o mesmo rumo, decidiria o jogo. E foi perdida.

Messi - frustrado

Mas, mais que tudo, ficou evidente, mais que fator tático e estratégico, a frustração de Lionel Messi. Fico triste e abertamente digo aqui que, torci para Messi neste jogo. É um prazer ver o argentino jogar. Só sinto que, ao garoto, restaram as dúvidas e incertezas diante do desafio que se torna jogar com a camisa da Argentina. Preocupa-me também o futebol que, de uma forma, pode perder um talento, simplesmente por não conseguir atuar com a equipe nacional. Já disse que o que gosto no rapaz é seu futebol, apenas parece que ele não desabrocha na seleção nacional. Isso faz a história um pouco mais preocupante, tamanho talento que o atacante de 24 anos possui. Mais que tudo, a um jogador que tanto aprecio, me preocupa sua frustração. Triste.

Por: Felipe Saturnino