Posts tagged ‘Mundial Interclubes 2011’

19/12/2011

Com ponta ou sem ponta?

O Barcelona não apenas me chama atenção pela beleza de seu futebol, pela essência do ‘tiki-taka’ ou por nomes antológicos como Xavi Hernández, Andrés Iniesta ou Lionel Messi. E também não é algo que passa pela figura tão sutil e suave como a de Josep Guardiola, treinador dos blaugranas.

É algo a mais que só o que é.

O Barcelona do jogo contra o Real Madrid: 4-3-3 para o 3-4-3 do diagrama

Das atuações do ano, a que mais me chamou a atenção do Barça não foi a destruição total diante o Santos, e sim a aulinha pra cima do Real Madrid de Mourinho. E não foi por motivos óbvios – como os que apresentei lá no início do post.

Foi pela mudança tática.

Guardiola, com novas peças, como Thiago e Cesc Fàbregas, soube como renovar o espírito filosófico barcelonista, que por mais pragmático que seja, é mais do que vencedor. Afinal, mudar um desenho tático mais do que consolidado é um tarefa difícil de fazer.

Josep o fez. Melhor, o faz. Com excelência.

O primeiro jogo em que eu presenciei a mudança consolidada, isto é, sem variações num mesmo jogo, foi no embate contra o Villarreal, em agosto. Em Camp Nou, os mandantes fizeram 5 a 0.

Guardiola improvisou e armou a defesa com ‘dois’ volantes: Sergio Busquets e Javier Mascherano. Abidal jogou pelo flanco esquerdo da defesa; na linha da frente do meio-campo, Iniesta, Fàbregas e Thiago foram os atuantes. Os avantes foram Sánchez, Messi e ‘Pedrito’. Mesmo sem laterais, ou melhor, alas, os meias abertos, isto é, Ini e Thiago, provaram a qualidade que possuem e deram suporte aos atacantes. A equipe tinha dois pontas – Sánchez e Pedro -, que clareavam o jogo, tanto quanto centralizavam. Fàbregas infiltrava-se para ocupar o lugar de Messi que, como sempre, flutuava em campo.

Foi uma grande atuação pelo trabalho dos meias.

Contra o Real Madrid, algo mais violento e intenso. Mais variação.

Nesse jogo, o Barça foi de 4-3-3 para 3-4-3, até mesmo 4-4-2, com Busquets se aprofundando em momentos do jogo para formar uma linha de 4 homens na defesa. Guardiola, pela primeira vez, de fato, pôde vencer Mou no ‘braço’, na tática do jogo, enfim. Uma das melhores exibições que, certamente, já vi em minha vida. Sánchez jogou como ponta, porém, sua movimentação era constante: poderia centralizar-se ou, até mesmo permanecer no flanco em que estava. Iniesta, no momento, era algo entre um meia-esquerda e um ponta-esquerda, aprofundando o jogo sobre Fábio Coentrão. Fàbregas e Xavi eram os atuantes mais evidentes da linha de meio-campo, visto que Daniel Alves também aparecia muito forte pelo flanco direito, agredindo o lado de Marcelo, podendo ser dado como ponta-direita.

Contra o Santos, algo mais evidente que pode ser o que o Barcelona está atingindo: o 3-1-4-2.
Daniel Alves foi meia-direita, Xavi e Iniesta meias-centrais originais, Thiago meia-esquerda, e Messi e Fàbregas eram avantes que, mesmo assim, saíam para movimentar-se e provocar mais confusão na defesa adversária. O esquema no jogo de domingo, então, constou sem pontas. Mas, como sempre, o time foi funcional no meio-campo.

E devem ser dados a Pep Guardiola os créditos à tamanha variação que o Barça atingiu neste final de ano. Para renovar uma filosofia, não devemos nos pegar ao novo, mas fazer o velho e bom se tornar o novo e bom. Guardiola está usando a variação a seu favor. Com um ponta ou sem um ponta, o Barcelona pode usar o 4-3-3, o 3-4-3, o 4-4-2 ou o 3-1-4-2. Excelência tática no momento.

O Barcelona do jogo contra o Santos: o 3-1-4-2 para a 'renovação', sem um 'ponta'

Por: Felipe Saturnino

19/12/2011

Diferença

“Não sei se é imbatível, mas é o melhor time do mundo. Hoje aprendemos a jogar. O Barcelona foi muito superior, tem jogadores fantásticos. Serviu de lição para nós. O Barcelona ensinou a jogar futebol.”

O garoto Neymar ainda é craque. É o melhor brasileiro na atualidade do mundo futebolístico que, na sua totalidade, é dominado por um esquadrão azul-grená.

A ‘lição’ a que Neymar se referiu em sua coletiva após a derrota para o Barcelona pode se generalizar e ser amplificada em seu significado. O futebol jogado no campo, ou a filosofia que tanto invejamos e, mesmo assim, ainda nem implementamos no futebol brasileiro.

O placar de 4 a 0 não é vexame. É um fato. Outros times como Real Madrid e Manchester United também sofreram reveses assim.
O problema, porém, é analisarmos o contexto mais amplo do significado do placar.

A derrota não nos evidencia ‘decadência’ do futebol brasileiro, pois sabemos que a equipe de Guardiola é algo fora do comum. Nos mostra, porém, como um trabalho vindo de anos pode dar resultados aos nossos clubes.

A equipe barcelonista surgiu diferente em Yokohama: Thiago entrara para fazer o trabalho que Iniesta fez no entrave diante o Real Madrid.

Barça no 3-1-4-2, encurralando o Santos no 3-4-1-2

Porém, mais uma variação da equipe de Pep ficou evidenciada: o 3-1-4-2. E bastaram 16 minutos para os favoritos abrirem o marcador. Pintura de Messi.

Há de se dizer que, ficando no próprio significado do jogo, o Santos foi muito pouco ativo no primeiro tempo. O time de Muricy Ramalho veio de 3-4-1-2, já que os alas ficaram em um ponto mais baixo do campo para enfrentar Daniel Alves – o meia-direita do Barça no jogo – e Thiago Alcântara, que atuava no flanco esquerdo. O que se percebia de distinto, também, era o posicionamento de Neymar que modificava o lado do campo, ora sobre Puyol ora sobre Abidal.

No meio-campo central, os duelos de Arouca e Henrique ficaram mais delicados quando Fàbregas começou a rodar naquele setor do campo, comprovando mais uma diferença de vantagem dos catalães. A bola que naturalmente seria, em maior parte do tempo, do Barcelona, agora, ficaria ainda mais nos pés de jogadores como Xavi, Iniesta, Fàbregas e Messi.

Danilo era uma possibilidade santista pelo flanco direito, para aprofundar sobre Abidal e, daquele lugar, criar para o Santos. O que foi visto foi algo bem pior: ao invés de dar combate à Thiago, Danilo deixava-o avançar sobre o zagueiro do lado direito santista, Bruno Rodrigo. Mais do que nunca, os zagueiros estavam marcados para morrer, já que cada um dos ‘atacantes’ tinha uma possibilidade de atacar.

O resto é bobeira e muita obviedade.

Aos 23, Daniel Alves avançou pela direita e viu Xavi se infiltrando por dentro da área, com um Santos todo abafado e afundado em campo: 2 a 0. Depois, veio o passe magistral de Messi, com o calcanhar, para Daniel Alves cruzar, até a bola sobrar para Fàbregas fazer o seu: 3 a 0. E ainda, aos 36, Messi fez mais um para sacramentar a diferença existente entre o melhor do mundo e o campeão da Libertadores: 4 a 0.

O jogo em si, de um lado, nos deu a visão que o Santos não teve a ousadia para agredir. O Barcelona – como mostra-se no diagrama – encurralou o Santos com sua linha de 4 homens no meio-campo central dos brasileiros.

Mas a diferença de futebol, hoje, fica exposta por duas razões: pelo Barcelona ser o que é, e pelo porquê do Barcelona ser o que é. Talvez seja hora de pensarmos um pouco mais.

Afinal, a diferença de um time para o outro pode ser tão grande quanto de Messi para Neymar. Ao menos por hoje.

Vitória num contexto geral: Barcelona campeão e Messi, melhor do mundial e gênio do momento

Por: Felipe Saturnino

17/12/2011

Derrotando o melhor do mundo

O Barcelona se impõe contra qualquer time do mundo, não importam as adversidades. Pode-se considerar estádio, clima, pressão ou outra coisa que for, o time de Josep Guardiola sempre é o grande ditador de ritmo num jogo de futebol que o envolve.

Inter de Milão 3 - 1 Barcelona: Sneijder regredindo na altura do campo para pegar Xavi, Maicon em forma esplendorosa sobre Keita, Pandev marcando Alves e Motta e Cambiasso no cerco à Messi

Mas é óbvio que, há alguns jogos históricos que também estão aí para serem recordados pela importância que possuem. Me refiro aos jogos que o Barça perdeu e que vivem em nossa memória. Afinal, não é um dia comum quando um Golias é derrubado.

É óbvio, também, que nenhum time é imbatível, mas o catalães já atingiram um nível absurdo de futebol apresentado que chegar neste ponto não pode ser considerado impossível. Se eu lhes falar que, considerando a fase de grupos da Champions League, em 38 jogos, o Barcelona perdeu somente 4 vezes, isso se torna ainda mais possível. (Números baseados na equipe com Guardiola como técnico.)

O que quero tornar real aqui – e perfeitamente possível – é que o Barcelona perdeu alguns jogos que ficarão em nossa memória como aprendizado. Como lidar com um 4-3-3 polivalente que toca a bola com tanta classe e paciência, sempre procurando o melhor ‘timing’ de seus avantes para infiltrações?

Duas derrotas, rapidamente, surgem em minha mente. Ambas para o mesmo técnico adversário, que, recentemente, tornou-se freguês dos blaugranas – o que não diminui seus feitos como treinador.

A derrota com o melhor nível técnico do adversário foi, certamente, aquela para a Internazionale na Champions League da temporada 2009/10. Ocorreu pelas semifinais.

Os gols daquele histórico 3 a 1 foram marcados por Sneijder, Maicon e Diego Milito, num jogo absolutamente perfeito. Ou quase.

Mourinho, não por coincidência e sim por uso comum, começou no 4-2-3-1 para espelhar um Barça desfalcado, sem Iniesta. A tarefa tornara-se mais ‘simples’, já que por natureza, a equipe espanhola perderia um pouco da progressão com a bola que Iniesta forneceria primordialmente.

Mais que simplesmente a tática e a atuação espetacular de seus jogadores, o time de Mou teve garra e vontade de sobra para derrotar os já considerados melhores do mundo na oportunidade.

O placar foi justo, visto que os nerazzuri fizeram de tudo e mais um pouco para derrotar o Barça. Foi a maior derrota do Barça de Guardiola, e foi o melhor jogo de um time que José Mourinho já montou em sua carreira. Simplesmente histórico.

E foi bem mais vistoso do que o 4-1-4-1 que o Real de José, também, apresentou na Copa do Rei em abril deste ano. Não que eu queira desvalorizar uma vitória também tão espetacular, talvez a pior do Barça de Pep. Afinal, perder do rival é sempre pior.

Real Madrid 1 - 0 Barcelona: o 4-1-4-1 de Mourinho que consistia em acompanhamento de Xavi e Ini por volantes particulares, Xabi Alonso na primeira bola de transição, e contragolpes de Di María seguidos de boas combinações pela esquerda, sobre Daniel Alves, que levaram ao tão clamado gol.

O placar de 1 a 0 representou um jogo parelho, muito disputado, ganho no legítimo detalhe. O antagonismo comprovou-se também taticamente: o 4-1-4-1 era um 4-3-3 com desdobramento tático obrigatório devido ao adversário. Di María e Özil abertos, recompondo para ocupar espaços importantes; Xabi Alonso acompanhando Messi, mas, ainda assim, com o Madrid marcando por zona; Cristiano Ronaldo, decidindo.

O lance ocorreu, aliás, num dos pontos mais fortes do Barça: o lado direito de Dani Alves. Di María e Marcelo tabelaram pelo flanco esquerdo para C. Ronaldo abrir o placar, de cabeça. No detalhe, de verdade.
E foi uma boa atuação, apesar de menos vistosa do que a primeira aqui discutida, que impediu o Barça de atacar como queria, e que agredia a equipe com contragolpes e jogadas aéreas. Mas havia imposição dos madridistas. Outro bom plano de Mourinho que, hoje, porém, não consegue inventar mais coisas para abater o ‘touro’ Barcelona.

Prévia

No duelo de amanhã, para mim, o Santos deve vir no 4-3-1-2, ou 4-2-3-1 ‘torto’, como Dunga fez com o Brasil de 2007 à 2010, no seu período regencial. Os espanhóis vão de 4-3-3, 3-4-3 ou até mesmo 4-4-2, com desdobramento em 4-4-1-1, isto é, vão com polivalência tática. A supremacia, porém, não tem relação ao assunto. Os catalães são favoritos em qualquer ocasião de jogo. Mas é óbvio que a análise será muito importante, até pelo fato de o Santos poder modificar seu diagrama amanhã, jogo das 8h30. Na teoria, Muricy optará pelo 4-3-1-2/4-2-3-1.
Como demonstrado, Neymar, craque, é a chave do Santos pelo lado de Alves. Se por ali souber como passar, pode levar vantagem sobre Puyol. Piqué deve constar na sobra.

Palpite: Barcelona 2 x 0 Santos

Por: Felipe Saturnino

16/12/2011

Help!

Neymar é craque e o melhor brasileiro atualmente. Isto é consenso e óbvio. Em falar que o sujeito tem apenas 19 anos.
Seu talento é absurdo, e o usa com maestria. E, aliás, o menino que no futuro pode fazer história, certamente, neste domingo, terá o jogo mais importante de sua história até o momento.

Pois enfrentar um dos 5 melhores esquadrões da história é algo muito complexo. Exige um amontoado de técnica, disposição tática, física e mental. Deseje, ainda, um pouco de sorte na hora de vencer – pois você precisará de muita, mesmo.

O Barça, aliás, venceu o Al Saad sem mais problemas. A nota de destaque se refere à David Villa, que fraturou sua tíbia da perna esquerda. Neste caso, Guardiola pode fazer Muricy pensar ainda mais no esquema blaugrana.

Para quem se lembra, no ‘Clásico’, o Barça variou claramente entre 4-3-3 e o 3-4-3, encaixotando o rival. Assim, Josep pode usar Fàbregas como um atacante, ao lado de Messi e o chileno Sánchez. Há ainda a opção de Pedrito Rodríguez. O meio-campo será formado por Xavi, Iniesta e Sergio Busquets.

Porém, se o Santos preocupa-se com o Barcelona por completo, Puyol concedeu uma coletiva muito curiosa nesta quinta, falando um pouco de Neymar. Em resumo, o zagueiro pediu por uma ‘ajuda’ no que diz respeito à marcação do 11 do alvinegro praiano.

Pois, se o Santos tem que aturar um esquadrão histórico e, também, deve arrumar um mecanismo para marcar Lionel Messi por zona, os barcelonistas devem se preocupar com Neymar. Teoricamente, o primeiro a dar combate deve ser Puyol, visto que Dani Alves é liberado para dar suporte à criação no lado direito catalão.

O santista é craque e pode – e deve – decidir. Por isso, Carles tem razão. Muita razão.

Os Beatles na capa de 'Help'...

...e Puyol pedindo por 'ajuda'.

Por: Felipe Saturnino