Posts tagged ‘Paulistão’

06/05/2012

Neymar na história. Mas modificando-a

“Ele vai fazer história” – foi o que pensei antes de falar para meu pai durante o jogo primo das finais do campeonato paulista. “Ele já está fazendo” – meu pai respondeu.

E corrigiu-me.

Neymar está na história, por, mais que tudo, fazê-la nova. Dos tempos épicos de Pelé, já sabemos as mágicas. Mas o que os santistas vivem no momento é algo não tão épico quanto ver o ‘maior da história’ jogar bola, e sim algo simplesmente épico. Cá não existe compreensão para comparação. Neymar já é histórico.

A recuperação da hegemonia santista no estadual voltou mais brilhante e eficaz do que a da era Luxemburgo nos anos de 2006 e 2007 permitia pensar. Hoje, o time encanta-nos. E não dá brecha. Naquele tempo, o São Paulo ainda incomodara um pouco na liderança, no primeiro ano de supremacia. Nos tempos de hoje, o time que mais incomodou foi o Santo André, nas finais acirradas de 2010.

Pois, ano passado, os corintianos não foram páreo. Uma vitória seca, branda, e emblemática, também, para levar o bi. O tri encaminhou-se hoje.

Os 3 a 0 de hoje não remetem especificamente à genialidade de Neymar, que surgira no jogo passado do Paulistão, porém, sim, remetem ao time que o Santos possui, que constroi vitórias significativas de forma efetiva. Óbvio que há o agregado dos talentos Neymar e Ganso.

Esses, aliás, que não deixaram de ser protagonistas no enredo do jogo.

Porém, mais que tudo, o que a vitória de hoje significa, mesmo que signifique um prático e merecido primeiro título de centenário ao Santos, significa também a colocação de Neymar em outro estágio na sua carreira no Santos. Isso era de se esperar. Mas os 104 gols são louváveis, e os transformam no maior artilheiro do período sem Pelé.

Ou seja, Neymar não ‘vai fazer história’ – a Copa de 2014 é secundário aqui -, e sim, já a faz. E a modifica.

Bem como meu pai disse.

Por: Felipe Saturnino

12/02/2012

Tendências

A derrota são-paulina de hoje no Pacaembu era o segundo resultado mais plausível – pelo menos do meu ponto de vista. O empate era o mais normal de acontecer, anotando o palpite puro na charada do segundo domingo de fevereiro.

Para o Corinthians a conquista inicial sobre os eternos rivais é importante após um ano tão bipolarizado – a vitória tricolor com o 100º de Ceni e quebra de tabu, o massacre histórico dos alvinegros e um empate insosso na disputa de primeiro lugar no Brasileirão -, renovando as esperanças de um bom ano quando fala-se de clássicos. A tendência para o time de Tite em clássicos, tratando de ganhar, é grande. O São Paulo sofre com os adversários apesar do resultado histórico no Paulistão do ano passado, mas compreende o significado da derrota de hoje se expusermos um jogo de várias faces distintas.

As tendências do esquadrão de direção leonina ainda não possuem base. O São Paulo se forma e está em um estágio primário de formulação de equipe. A derrota para, talvez, o maior rival, apenas reforça a tese no pensar de um time forte em completa fase de formação e um aparente bom time em estágios pré-formação.

Mas chega a ser fato que o momento mais assustador aos corintianos hoje foi no pós-expulsão de um João Filipe absolutamente patético em campo. Ponderando por seu posicionamento, mais aberto, na lateral-direita, em um ponto mais alto do campo, chega a ser quase aceitável. A atuação irregular e tensa do camisa 21 nos dá outra conclusão. A pegada em Jorge Henrique – que também não é o que parece ser – somente prova o ponto aqui mostrado.

Danilo - o destaque do Corinthians no jogo

João Filipe havia sido um quarto-zagueiro irresponsável no ano passado, com a técnica de um jogador que podia fazer um pouco mais do que sua posição lhe permitia. Ele finalizou o ano em baixa, assim como todo o São Paulo – mesmo com a goleada sobre o Santos em última rodada de campeonato nacional -, e por esse motivo Leão pregou Paulo Miranda em seu lugar, tendo a opção de Édson Silva, ainda.

E quando você reúne tudo isso, num clássico, a tendência não é muito agradável.

Leão bancou o risco de mantê-lo em campo, apesar da frequente exploração de Fábio Santos, que atuava em suas costas, e da incidência de Jorge Henrique, que dava corda para o beque se enforcar. Com Fernandinho, Osvaldo e Maicon em campo, no minuto seguinte, João é expulso.

Justo.

O plano de Leão era agredir mais, mantendo Wellington na cabeça-de-área, Maicon como segundo-volante, Cícero aparecendo na meia-central, Osvaldo pela ponta-esquerda e Lucas pela direita. O jogo era ‘espelhar’ o Corinthians – 4-2-3-1 x 4-2-3-1.

As tendências de agredir o Corinthians apareceram, e o São Paulo partiu para as bolas. Fernandinho chutou até uma perigosa para Julio Cesar defender, a 15 minutos do fim.

O destacado do jogo é Danilo. A sua tendência de sair do time com Douglas pode até permanecer ilesa, mas o técnico gaúcho do atual campeão brasileiro sabe que enfrentará um dilema. O mais sonolento conseguiu ser, ao menos por hoje, um pouco mais empolgante, fazendo até gol contra o time que já havia lhe dado seus melhores momentos como profissional.

Se o São Paulo ficou solto e não conseguiu empatar, o Corinthians segurou pragmaticamente e administrou mais um triunfo no campeonato paulista. As tendências, porém, são relevantes.

No momento pós-penal, que Jadson desperdiçou, pensei comigo mesmo que seria difícil recuperar a confiança e o Corinthians poderia matar o jogo na segunda etapa. Repensei quando vi as ousadas, e ao mesmo tempo doidas, substituições de Leão. Esqueci para o quê tendia João Filipe. Se o técnico tricolor assumiu o risco e não modificou a estrutura física na lateral-direita, o zagueiro cedeu a Jorge Henrique. Que a derrota do São Paulo não seja culpa de Leão, mas que as tendências de assumir risco do treinador e a de João sejam resolutas com o passar do tempo.

Afinal, tendência agora mesmo é o Corinthians ser favorito nos clássicos contra o Tricolor. A não ser que o time em formação tenda a se transformar em um time formado com mais velocidade que o normal.

Por: Felipe Saturnino

23/01/2012

Posturas

O jogo de hoje era aquele do ‘nhem-nhem-nhem‘: o São Paulo tendia, no mínimo, a uns 90% de chance de vitória. Na certa, a equipe deveria levar pra casa os três pontos – tamanha a disparidade técnica entre os times.

A minha atenção se voltou a outros fatos do jogo, mais chamativos e mais interessantes do que a própria vitória do tricolor paulista.

Leão editou um 4-3-2-1 que não havia funcionado com Adilson no 2º semestre do ano passado. Para começar, a equipe pode variar ao 4-3-1-2, com Jadson se postando como o vértice-avançado do losango de meio-de-campo. Nada de disposição com três beques – por ora, pelo menos.

O comandante do São Paulo também elogiou a vontade dos jogadores, que aparentavam desmotivação no que se refere ao fim da última temporada. A maior questão em relação ao time, agora, é sobre Nilmar, o segundo-atacante que poderia fazer a dupla com Luís Fabiano tranquilamente, compondo, no caso, o 4-2-3-1, a moda do momento.

A postura que Leão frisou é a chave para um ano melhor da equipe, pelo menos num comparativo a 2011. Com mais disposição, mais ação, mais empenho. A qualidade pode se expandir e a confiança pode surgir. O mesmo vale para o jovem Lucas.

Ás jogadas de hoje com mais do que se deveria ter deve-se a falta de confiança em que Lucas se afundou no últimos meses do ano passado. O meia tem recursos técnicos suficientes para ser um dos 5 melhores do país com mais holofotes do que se pode ter hoje – num país em que reina Neymar. A postura do garoto é de se ressaltar, na mesma medida em que se torna perigoso o risco de driblar e de se frustrar com um erro infantil. Lucas, porém, tem de aceitar o risco para recuperar a confiança que uma vez já teve. O time são-paulino se baseará muito na sua velocidade pela ponta-direita.

São posturas que modificam times com mais ‘violência’ do que se deveria. É dever do São Paulo mudar sua vontade assim como era dever estrear bem como fez hoje, nos 4 a 0 diante o Botafogo de Ribeirão Preto.

São Paulo e Lucas - recuperando a disposição e a confiança

Por: Felipe Saturnino

16/05/2011

Liberta e Paulistão são do Santos; e os paulistanos?

O Santos é bicampeão paulista. Ou é dezenove vezes campeão. De qualquer maneira, o Santos venceu de forma merecida o Corinthians de Tite, esse que jogava com extrema apatia.
Mas com exceção feita ao Santos, que antes era dado por mim mesmo como um time ainda não-pronto, quais outros times do estado de SP são compatíveis com o caráter de campeão de algum torneio neste momento?
Pois é, nenhum. De sólido, é fato, só há o Santos. E de quebra, o time do litoral não é paulistano. É paulista.

Difícil o que acontece nos times paulistanos. Fazer de tudo para justificar taticamente é a resposta. Porém, no caso do São Paulo, é clara a crise interna que o clube vive. E isso, coincidência ou não, acontece desde o momento em que Juvenal corrompeu o Estatuto Oficial da equipe. E desde então, a equipe vem sendo rotulada merecidamente com a etiqueta de “não-confiável”. Venceu o Corinthians, em uma das melhores atuações de seus zagueiros e perdeu para o Avaí, em jogo que tinha a absoluta vantagem na mão. Pois é, perdeu a vaga na Copa do Brasil. Talvez seja o reflexo da “desorganização” que ocorre quando falamos da parte administrativa. Também há a crise de Carpegiani com seus comandados. Ou nem tão comandados assim. Nem a pau, Juvenal!

O Palmeiras é um caso diferente. Pelo menos parece ser. O objetivo aqui é arrumar justificativas táticas. Com o São Paulo, por exemplo, posso citar as falhas que vêm se tornando frequentes dos zagueiros são-paulinos. Melhor, as falhas de Alex Silva. E tem jogado pouco mesmo. Talvez o nome tenha chegado até a cabeça e o confundiu. Fato é que o conjunto não consegue funcionar quando um jogador falha tanto. E além dele, o meio-de-campo da equipe também foi engolido pelo Avaí. Mas, vamos mudar de muro. No CT palmeirense, o caso parece ser consistentemente tático. Perder de 6 a 0 não é muito caso de falha psicológica. Pode ter se tornado após levar o quarto ou o quinto. Mas enquanto há a igualdade, nula é a vantagem. Talvez a falta evidente de um articulador seja o centro do problema. E o que chama a atenção também foram os erros de marcação de volantes no Palmeiras. O que, em teoria, é o que um volante deve fazer. Pois os volantes não fizeram. Massacre curitibano. Merecido. E também, outra coisa: há mal-estar no clube. De dirigente a técnico. Vida difícil.

Talvez o Corinthians seja o time que tenha chegado mais perto. Mas passou longe de jogar bem. Com muita apatia e pouca criatividade, a equipe corintiana venceu o Oeste, o Palmeiras – jogo que, de fato, não conseguiu inibir as ações do adversário atuando com um homem a menos – e perdeu na volta contra o Santos. Pois na ida havia jogado bem. Empatou, e faltou pontaria. Mas o articulador e no mínimo seu atacante, Liédson, jogaram bem. Aqui, adendo nas atuações de Ralf e Paulinho, que pouco jogaram na ida. Deixavam espaços, e não davam combate a Neymar no caso. Ralf ficava estático ao ficar posicionado na frente de Alan Patrick. Na volta, do lado santista, o diferencial foi Arouca. Se Danilo não aparecia bem a frente, Arouca fez o que fez. E o Corinthians sabe que tem que mudar. Assim como Palmeiras e São Paulo, que parecem possuir casos transcendentes do campo de futebol. Ainda no alvinegro paulista ou paulistano, como pontos fracos temos os poucos combates de Paulinho e Ralf que inibem uma posição mais avançada de Alessandro e Fábio Santos. Porém, também há apatia dos mesmos laterais que apoiam deficitariamente.

No final puro e bruto, os paulistanos se saíram mal no primeiro semestre. Para Palmeiras e São Paulo, há a Cop Sul-Americana que agora dá vaga na Liberta e o Brasileirão. Mas desse jeito, os times não vão se sair bem. Ao Corinthians, a preocupação única e ânsia de ir ao torneio de maior importância na América do Sul. Enfim, agora só resta metade do bolo para os três paulistanos. Ao time do litoral, méritos à Muricy que deu tom ao padrão tático de 4-4-2, com Alan Patrick como meia articulador centralizado agora. E ainda, exaltações ao jovem Neymar, mais brilhante e completo que nunca. O diferencial, além dos dois, é o conjunto que joga bem. Maior comprometimento, com ou sem a bola, rege as regras no Santos de Muriçoca. Quarta tem mais uma decisão, de Peixe ao molho das Onze Caldas.
Não é consenso que o Santos vá ser campeão, mas agora a Libertadores é de Neymar. É do Santos. Que Muricy, Neymar, Elano e cia. saiam vitorisos. Desde que façam com competência e com disciplina. E, de fato, é o que tem acontecido.

Trio de ferro em chamas - agora só restam Brasileirão e Sul-Americana aos "paulistanos"

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Por: Felipe Saturnino

09/05/2011

Foi bom? Foi morno

Depois de cada um dos dois presentes na final terem jogado 21 vezes, o que mais valeu, de fato, foram as últimas duas vezes que cada um duelou. Em preciso, a última. O Santos venceu o São Paulo e o Corinthians, em jogo movimentado mas de baixo nível técnico, derrotou o Palmeiras nos pênaltis.

E para aqueles que pensam que a final é o jogo de maior nível técnico, se engana. É um dos jogos mais travados. O Santos jogou muito na semifinal contra o São Paulo. Ganso foi meia-que-Muricy-pediu-a-Deus. Isso finaliza o assunto. A respeito do Corinthians, contra o Palmeiras, ficou devendo…

Mas enfim. Chegamos à decisão, tão esperada. Santos e Corinthians. Os últimos dois campeões paulistas, na respectiva ordem: Santos no ano passado e Corinthians em 2009.
No jogo em si, todos sabíamos que o Santos era superior tecnicamente. Nada que organização faça o que deve fazer. O Corinthians, ontem, jogou bem. Se organizou e fez um melhor primeiro tempo, com mais volume. Mesmo com Neymar finalizando na trave após boa jogada, a equipe alvinegra paulista não jogou mal.
Em um esquema que se caracterizava em um 4-3-3 em parte do jogo, o Corinthians conseguia ter mais a bola. O problema era finalizar.

O jogo corintiano poderia ser dado como 4-3-3 ou até mesmo como 4-2-3-1. Em vezes, até como 4-4-2, com efetividade tática de Jorge Henrique no meio-de-campo da equipe alvinegra. Liédson, em momentos, voltava para buscar jogo e atuar no lado esquerdo de seu ataque. Talvez tenha sido reflexo de poucos oportunidades que teve na primeira etapa. A bola não chegou e Liédson não teve a finalização, o seu forte. No lado do Santos, as coisas se resumiam a um 4-4-2. Houveram horas em que Ganso se posicionou ao lado direito, e a equipe parecia atuar em um 4-3-3. Neymar, indo da ponta esquerda para dentro tentava abrir espaços. Ele não apareceu muito nos primeiros 10, 15 minutos de jogo. Depois, porém, disso para a segunda etapa, ele jogou o que podia e ainda mais um pouco. Fez um bom jogo.
O que, talvez o corintiano devesse temer, seria a atuação de Wallace. Tomou um amarelo e depois não apareceu muito. Que me lembro, apoiou uma vez na lateral e foi só. Não pode se esperar muito de um zagueiro-lateral. Mas, no agregado, fez um de médio para bom jogo.
Ganso foi o problema. Jogou muito pouco para um cara de seu potencial. E a marcação nele nem era tão individual como por exemplo, era com Bruno César. Adriano, mesmo não estando em todos os lugares, “batia” com ele no posicionamento tático. Ainda com isso, Bruno César teve “A” chance do Corinthians no primeiro tempo.

No segundo tempo o jogo se contém ao que se deve falar de Neymar. Após um jogo abaixo do normal de Ganso que, nos meados finais da primeira etapa, se lesionou, Neymar começou a circular livremente no segundo tempo nas costas dos volantes. Ralf ficava com Alan Patrick e Paulinho tinha, a frente, o segundo volante santista, Danilo. Neymar jogava como queria. Do lado de Wallace, onde criou a melhor chance do Santos no segundo tempo. Acertou a bola no travessão. Foram três minutos que o Santos jogou muito: o 9, o 10 e o 11. Pois aos 9, Danilo encobriu Júlio César. E ainda aos dez, Neymar chutou no mesmo defensor da meta corintiana que matou os 30 milhões do coração.
Em teoria, Elano teria que aparecer mais, para dar aquele passe decisivo. Foi algo que aconteceu na bela sequência de três minutos santista. E foi isso.
No Corinthians, agora a equipe se parecia mais um o 4-5-1 do início do ano. E daí? E daí nada, mesmo. Após jogo parelho na primeira etapa, o Corinthians teve duas chances concretas: a de Liédson e a de Paulinho. Tite resolveu cortar Bruno César colocando Morais e também mandou para fora Dentinho com a entrada de Willian. O mesmo Dentinho que fez mais um jogo fraco. Muito pouco para o corintiano.
Outra coisa que chamo atenção aqui: Neymar jogou como jogador completo. Conseguiu armar as jogadas, e também finalizar em chances concretas.

Se Ganso jogou pouco, Willian não fez aquele tento salvador, e Neymar não fez o gol dele, mesmo após fazer uma das partidas mais completas em termos táticos, o jogo foi bom? Foi. Mas foi um pouco morno. Depois da tríplice sequência santista, o Corinthians foi construir chance concreta no final do jogo. Faltou alguma coisa, para ambos. E isso vai além de pontaria. Talvez um lampejo de alguém para dar mais brilho ao clássico. Ficou pra Vila.

*Amanhã devo falar um pouco do Palmeiras. Depois de 6 gols, a equipe está, ou parece estar, enfim, destruída.
*São Paulo, São Paulo. Se não se cuidar, vai pro saco o sonho da conquista da Copa do Brasil. Avaí é organizado. Por via das dúvidas, creio em empate. Mas vai ter que jogar mais.

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Por: Felipe Saturnino

02/05/2011

Parâmetro?

Flamengo, sem brilho, mereceu. É suficiente para o Brasileirão? Questão de parâmetro.

Para alguns, isso nem se discute. Para alguns, os fatos que ocorrem no momento não se ligam. Por isso, todos dizem que não há parâmetro de medição entre congruência para estadual e campeonato brasileiro.

Fato mesmo, é que, em lógica, não há.
Em princípio, digamos que um time não se acerte ao decorrer de um estadual. O mesmo pode, muito bem, vencer o nacional. Foi o que aconteceu com o São Paulo em 2006, 2007 e 2008. No Paulistão dos respectivos anos, em 2006 foi vice-campeão, em 2007 foi eliminado pelo São Caetano, em jogo histórico para o time do ABC, com vitória no Morumbi. No ano seguinte, falhou no jogo contra o Palmeiras na volta, após vitória 2 a 1 em casa, e derrota por 2 a 0 no Palestra Itália, no fatídico dia da confusão generalizada dos vestiários da equipe tricolor.

Pois é, vemos que não há parâmetro. O São Paulo, desde 2005, não ganha um campeonato paulista. Porém, em 5 anos, conquistou 3 brasileirões.
Isso tudo que aqui é dito pode ser imposto ao Flamengo, que conquistou seu 32º estadual, o quinto sem sofrer alguma derrota. No período da década que já se foi, o Flamengo conquistou 5 vezes o estadual – 2001, 2004, 2007, 2008, 2009 – e no Brasileirão, nos anos de 2001, ficou em 24º, num campeonato de 28 clubes; em 2004, foi 17º, já nos pontos corridos; no ano de 2007, conseguiu uma das melhores posições, com o terceiro; em 2008, 5º, e só em 2009 que ocorreu “O título da década” para o Flamengo, com a conquista do Brasileirão. Nos anos anteriores a esse, exceção feita ao de 2007, a equipe ficou em segundo plano, com times de outros Estados ganhando forma no campeonato nacional. Talvez o apreço imenso do carioca ao seu estadual seja algo que não estamos aptos a ver. Quando digo isso, me refiro ao paulista. Não digo para todos, mas para alguns que conheço e desprezam o estadual.
Não é parâmetro. O time pode florescer no meio de uma temporada, após péssimo estadual e mesmo assim, tentar algo no Brasileirão. Por muitas vezes, conseguiu. No ano que passou, o Fluminense não chegou a uma final de Carioca, sendo eliminado na Guanabara e na Taça Rio por Vasco e Botafogo, respectivamente. Foi campeão brasileiro.

Nada disso importa, porém, se você venceu. O recado é para o Flamengo, que fez, talvez, a melhor apresentação do ano contra o Horizonte de Ceará.

Pouco interessa se você venceu seu maior rival, como Santos e Corinthians.
Palmeiras e São Paulo, após ótima primeira fase, caíram com detalhes, que jogaram para o ralo os primeiros 19 jogos do Paulistão.

O jogo que posso dizer que foi emocionante, Palmeiras e Corinthians, foi travadíssimo. Expulsão palmeirense logo na primeira etapa, após entrada faltosa de Danilo, me deixa na dúvida da interpretação do juiz. O palmeirense, ao primeiro momento, me pareceu o único a entrar violentamente, mesmo que tenha tocado na bola. Isso pouco importa, já que você faz ato faltoso. A questão foi se Liédson, também não fez falta. Ainda pensante, a expulsão foi válida. A questão é se Liédson não deveria ter sido mandado para fora.
No jogo em si, Valdívia foi brincar e se lesionou. O Palmeiras, com um a menos, foi melhor que a equipe corintiana. A equipe de Scolari conseguiu se acertar no jogo com a linha de 4 jogadores e somente Kléber a frente. O Corinthians, na base da pressão, chegava, sem poder de finalização. Após o gol de Leandro Amaro, a equipe de Tite resolveu ir para cima, com Willian, Liédson e JH. Este último cruzou no escanteio para o primeiro citado fazer o tento. 1 a 1.
A vitória corintiano nos pênaltis, foi merecida, pois a equipe foi melhor na disputa de penais. No jogo duro e puro, exalto o Palmeiras que jogou bem para um time com dez.
A respeito de Felipão, o argumento usado pelo árbitro é válido também. Ele expulsou somente porque o técnico do time alviverde fez um gesto com significado de roubo. Se não fosse isso, tivera Felipão ficado no banco. Mesmo se fosse isso, estivera eu apitando o confronto, expulsaria os dois. Ambos se agrediram verbalmente, mesmo com Felipão voltando às antigas e mostando seu velho lado, Tite também deu as suas.

Felipão reclamou, xingou, gritou, e foi embora. Depois, viu seu time ficar em vantagem com um a menos, e tomar gol de Willian. Nos penais, o Corinthians foi melhor

Agora, Santos e Corinthians disputam a final. E deu chance pro Corinthians, é difícil parar. Mesmo pensando que jogando dessa forma com a displicência, sem a criatividade e sem o poder de fogo apurado o campeão se resultará em Santos pela questão Ganso-Neymar-Elano, o Corinthians pode muito bem se acertar e “surpreender” na final. Esperemos até lá.

Ao Sampa, que seus torcedores não se aborreçam. A equipe tem time e bom jogo a evoluir para o ano inteiro. Que não seja uma simples eliminação a causa da demissão de Carpegiani. E que ele também se comporte melhor e fique menos ansioso quando as decisões da temporada estejam à flor da pele. E quarta tem confronto diante do Avaí, no Morumbi. Também esperemos até lá.

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Por: Felipe Saturnino

24/04/2011

Dispondo as ideias

Com as quartas de finais do Paulistão já finalizadas, melhor começar agora a dispor minhas ideias sobre o que pode vir a ser o Paulistão desde este momento:

São Paulo

A equipe das três cores dificultou o jogo, levando alcunha de clássico – mesmo achando que nos dias atuais, não seja – e mostrando uma apatia grande em partes do entrave. A equipe fugiu das suas características normais, ou melhor, inibiu-se de seu jogo natural. Considerando o jogo em si, o time de Carpegiani jogou sem aproximação de seus meias e laterais, sem jogadas de ultrapassagem de Jean ou de Juan. Quando ocorreu a tabela, surgiu o gol. Porém, na segunda etapa, Carpegiani inibiu mais ainda o Sampa de seu poderio ofensivo. Colocou Luiz Eduardo, jovem zagueiro, no calor da partida, em um entrave um tanto quanto complicado até o momento. Foi a hora em que Ilsinho recebeu em um rápido contra-ataque para enfim decretar a vitória do São Paulo. Não foi o que esperava, além da Portuguesa se fechar em tempos e atacar em outros tempos, o São Paulo é mais time. Como ouvi por aí, a equipe estava esquisita inicialmente, e depois se achou, até fazer o gol. Pra mim, uma nota 7, comparado ao que pode fazer.

Santos

A equipe de Muricy enfrentou a dureza da Ponte Preta. Neymar deixou mais um gol na sua conta, levando o Santos à semi. Parece que Muricy achou o Santos e arrumou a equipe pelo menos por ora. O difícil é manter o foco na Libertadores e mais tarde, dividir atenção com o Paulistão, onde encontrará o São Paulo. Se antes discordávamos do Santos, hoje, pelo menos eu, não seria bobo de não apostar na equipe, mesmo achando que não será o campeão de 2011. Contudo, Neymar, Ganso, Arouca, Elano e principalmente, Muricy, parecem ter entrado em harmonia. Nota 8 para os praianos.

Corinthians

Como sempre, foi sofrido. O jogo contra o Oeste foi difícil, tendo sido decretado óbito da equipe de Itápolis após o gol do bom atacante William. A equipe de Tite, mesmo com um elenco pouco “rico”, pode muito bem ser declarado campeão, já que o Paulistão é torneio de tiro curto, que pode ser vencido em apenas poucos jogos. Entretanto, a equipe tem que resolver algumas deficiências que podem ser resolvidas já na próxima partida contra o Palmeiras. Se isso não acontecer, o time alviverde pode aproveitar a chance, já que vive das mesmas. Ressaltando, o Corinthians vem forte, e mesmo não tão pronto, pode vencer o Estadual e conquistar um título no semestre. Vou de 7,5 para 8 com os alvinegros.

Palmeiras

Talvez o time mais pronto do Estado de São Paulo seja o Palmeiras. A sua consistência não me deixou dúvidas contra o Mirassol. Mesmo com um erro no gol da equipe do interior, o Palmeiras vive de chances, nem que essas sejam convertidas por seus volantes. Márcio Araújo foi o cara que teve a bola e fez gol. 2 a 1 e classificação assegurada, onde terá o Corinthians como rival. Dou um 7,5 para a atuação dos palmeirenses, deixando claro o duelo entre as defesas em uma das pernas do torneio.

Palmeiras x Corinthians – PALPITE: Palmeiras. A consistência da equipe de Felipão deve achar uma forma de vencer o time alvinegro paulista. Puro palpite seco, ressaltando o ponto já citado. Pode dar Corinthians, se jogar o que pode, acertando tabelas, jogo rápido e permitindo a não-marcação dos palmeirenses.

São Paulo x Santos – PALPITE: São Paulo. Outro seco na minha conta. No mais, por causa do território a ser disputado e a maior efetividade do Tricolor nos setores do campo. O Santos pode me provar que é mais time que o Sampa, veremos. E ressaltemos: o Sampa, pelo menos hoje, é “arrogante” e não é tão confiável. Outro aspecto que pode contar aqui é o embate do Santos na Libertadores. Toda bobeira é grande coisa.

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Por: Felipe Saturnino

17/04/2011

Enfim, o que importa

Depois de 19 rodadas sem tantas emoções – a não ser o jogo entre São Paulo e Corinthians – o Paulistão iniciará a sua fase mata-mata. Ou apenas mata, já que das quartas até as semi haverá apenas um jogo.

É garantia de emoção? Bem, é bom olhar para todos. Acho que pode haver alguma surpresa nos quatro jogos. Por isso, cuidado para São Paulo, Palmeiras, Corinthians e Santos, se esses vacilarem, não poderão comemorar seu passaporte para as semi e vão dizer ‘tchau’ de mão fechada pro Paulistão. Então, ressaltando, deve haver um pouco de emoção. Nem que seja um pouquinho, de nada que seja.

Os confrontos são os seguintes: São Paulo x Portuguesa, Palmeiras x Mirassol, Corinthians x Oeste e Santos x Ponte Preta.

Para mim, uma zebra pode acontecer, já que se, por um acaso, qualquer um dos times grandes jogarem seus tipos de futebol no pior de seus níveis, vai ser difícil continuar na competição, pelo fato de termos somente um jogo nas quartas.
Porém, o palpite seco e certeiro iria, sem dúvidas, em classificações dos grandes.
No entanto, se fosse para escolher o jogo de mais dificuldade para um dos times, escolheria o entrave entre Santos x Ponte Preta, que empataram em 2 a 2 no Moisés Lucarelli no turno único.
O jogo teoricamente mais simples é o do Corinthians, que pega o Oeste de Itápolis.
O São Paulo deve vencer, mas não com tanta facilidade assim.
O Palmeiras, ao menos para mim, terá a segunda pior partida. Pega o Mirassol que é um time acertado. Mesmo vindo de derrota, o Palmeiras tem um time muito consistente que se, não joga bonito, vence. Hoje, não foi o que ocorreu.

Com ressalvas, para mim os grandes passam. Porém, é melhor ter cuidado, porque de bobos, a Lusa, o Mirassol, o Oeste e a Ponte não tem nada, nada mesmo.

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Por: Felipe Saturnino

27/03/2011

Rogerio é centenário e São Paulo quebra tabu quase histórico

Os temperos fizeram com que o Majestoso desse Paulistão seja o melhor jogo do ano até agora.

Tudo aconteceu. Gol de fora da área, gente expulsa, defesa sensacional, chapéu, elástico e o mais importante: um centenário.
E Rogério tem que realmente entrar para história. Cem gols como goleiro é uma marca espetacular, para um goleiro.
Podemos dizer que, sejam 100 para um goleiro equivalente a 1000 para um atacante.
E hoje Rogério é centenário.

E o mais importante de tudo: tudo isso quebrou um tabu quase que histórico. A marca iria passar outra do São Paulo. Pois é. E Ceni não deixou. Não só porque fez o centésimo, mas sim porque defendeu umas duas bolas decisivas para o jogo. Uma foi com dois minutos da segunda etapa, mostrando o seu reflexo, mesmo quase sem cabelo. A outra, no finalzinho, com 2 a 1 no placar, em uma bicicleta de Liédson.

O fim do tabu foi mais emblemático do que o tabu em si. O centésimo gol de Ceni fala por si só.
Em 11 jogos sem perder do São Paulo, agora a equipe alvinegra será lembrada por tomar o centésimo gol de Ceni. Isso o que tornará essa rivalidade maior e maior até mesmo se consolidar a maior do Estado de São Paulo.

Parabéns São Paulo e Corinthians pelo ótimo jogo. Não gostei do pontapé de Dagoberto e do outro pior ainda de Dentinho – que perdeu a cabeça em hora totalmente errada.
Parabéns São Paulo por quebrar o tabu. E, especialmente, parabenizamos Rogério Ceni, por 100 gols.

Rogério Cem

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Por: Felipe Saturnino

27/03/2011

100º de Ceni, tabu e a rivalidade: clássico de hoje tem tempero

No Majetoso de hoje teremos mais do que apenas um clássico entre os dois melhores paulistas atualmente no estadual. Hoje teremos um jogo cheio de tempero, o que pode – e deve – representar promessa de um ótimo jogo.

O centésimo gol de Rogério Ceni com a camisa são-paulina é um dos temperos do jogo. E você, são-paulino, já pensou em ter seu ídolo marcando seu gol 100 no maior rival? E você corintiano, já pensou em ser lembrado pelos são-paulinos por terem levado o 100º gol de Ceni?
Na verdade, pouco isso importa se o Corinthians ganhar.
E ainda tem o tabu. Há 4 anos o Corinthians não perde do São Paulo. O tabu anterior havia sido do São Paulo, de 2003 à 2007.

Além de tudo isso, tem a óbvia rivalidade e a competição. Vai ser um bom jogo.

O São Paulo não terá Lucas, uma perda de muita falta para os são-paulinos. Porém, pode ter Rivaldo, que pode mudar o meio-de-campo e cadenciar o jogo. O que hoje caracteriza o jogo do São Paulo é essa velocidade que integra o jogo em geral. É um ponto a se destacar.
O Corinthians vem forte e tem Liédson. É um time mais “pesado” que o Sampa, é um time de mais marcação, porém vem embalado.

Com tudo isso, não vou palpitar. Se palpitasse iria de empate.

Enfim, vai ser um bom programa para a tarde. Não perca.

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Por: Felipe Saturnino