Posts tagged ‘Santos’

13/07/2012

Gansou.

Paulo Henrique Ganso há tempos não faz o que pode fazer. Ou até mesmo o que pensamos que ele minimamente pode fazer. Dono de um estilo clássico, o armador do time de Pelé já não ostenta aquele brilho que uma vez tivera com a camisa do praiano. PH vive uma fase de recesso de futebol – por mais que ainda o pratique, é como se não o fizesse.

O ‘craque’ fez uma apresentação satisfatória na final diante do Guarani, no jogo de ida da final do Paulistão que permaneceu com 3 a 0 favorecendo o Peixe ao final; pareceu ter sido tudo e só.

Ganso teve seu devido ápice com o Santos nas finais do campeonato paulista de 2010, naquele jogo contra o Santo André que acabou com 3 a 2 no marcador; PH ditou o ritmo, variando a velocidade do jogo com maestria. Deu passe de letra para gol de Neymar, cobrou escanteio pra ninguém, chapelou – bem, abriu a caixa de ferramentas e deu uma amostra grátis, que só custou ao Ramalhão, de quão completo ele era.

A confiança de Ganso caiu, mudou, foi modificada. Ele, que viajava num transe que só o Santos lhe permitiu, com campanhas ótimas em estadual e Copa do Brasil, simplesmente nunca mais conseguiu ser aquele Ganso novamente. O Ganso que o Santos queria, e que o Brasil precisava. Parece que acharam Oscar, afinal.
As tentativas de um Santos que tinha interesse em seu futebol, muito valorizado na época, de renovação mesmo após a contusão no Brasileirão, num jogo no Olímpico fazendo frente ao Grêmio – o mesmo Grêmio que ele enfiara um petardo na volta das semifinais da Copa do Brasil – aconteceram. Somente não vingaram.

Quiçá as constantes comparações com Neymar não merecessem tanta valorização assim de Paulo Henrique. Ou talvez ele nem mesmo as considerasse, talvez não as ouvisse e, então, não as conhecesse. Mas fato é que Ganso entrou num problema do qual ainda não escapou – ele não renovou com o Santos na época, e hoje a história repete-se.

As conversas que consideraram sua indecisão para com a continuação de seu futuro aqui, no futebol brasileiro, mais precisamente no Santos, aparentemente, não tiveram avanços. Delcyr Sonda anunciara no começo da semana que faria de tudo para que PH não ficasse no alvinegro litorâneo, e sim que rumasse ao Internacional do Rio Grande do Sul, pois Delcyr é colorado.

Ganso parece estar satisfeito com a condição de ‘marginalizado’. Tornou-se ‘reivindicador’ de ‘direitos’ nas seguintes oportunidades de renovação que o Santos lhe concedeu, entretanto, simplesmente deu de ombros, para todos os santistas. Não estava feliz, e deixou isso claro com a mais recente proposta que santistas lhe ofereceram – Ganso fez tudo mais claro quando disse que esperava mais na proposta. Não há erro em querer mais no contrato, mas sim constantemente negar-se da posição de atleta santista, e recorrer a mais e mais do com que se pode lidar. Luis Álvaro, presidente santista – ‘a.k.a.‘ LAOR -, estagnou-se de forma sensata. Sabe que tem um limite para proposições a seu 10, e não o ultrapassará. E Ganso sabe que essas reivindicações apenas prejudicam-lhe do ponto de vista pessoal. A imagem de Paulo Henrique, factualmente, está muito abalada.

A saída dessa ‘gansada’ de PH não parece ser mais óbvia: o Santos não é, não pode ser, de modo algum, em qualquer desfecho, pelo menos. Ganso tem que sair, pois pode não ter mais ‘ambiente’. Ou melhor, pode ficar, mas só se recorrer a um recomeço, com tal ímpeto que apenas sua casa – que, no final das contas, é mesmo o Santos – poderá admitir tamanhos imbróglios já passados.

Mas não parece que é o que ocorrerá.
A saída de fato deve ser o fora do Santos.

Na reunião – mais uma para PH – que acumulava como assunto único e principal o futuro da carreira de Ganso, reunião realizada ontem, asseguraram-se as posições fatais dos envolvidos no caso. Luis Álvaro confirmou afirmação de Ganso, que, segundo o presidente, não quer mais atuar pelo Santos. Delcyr Sonda não conseguiu ‘comprar todo o Ganso’ – mas, não seja por isso, Ganso pode ir ao Colorado ainda. E o Santos parece admitir deixar o Ganso voar. Afinal, nos praianos ele pode se afogar.

Enfim, Ganso ‘gansou’. Apenas ele – se ele sabe quais -, deve notar seus erros nessa curta empreitada que carrega com convicção sobre as suas próprias reivindicações. Somente ele conseguirá rotular os princípios que se utilizou para tamanhos conflitos gerados com o time que o criou. De forma conclusiva, ele, apenas ele pode conhecer os próprios enganos que aparentemente ele próprio cometeu. Tomara que ele os encontre, mas não que se arrepende. Afinal, se ele se arrepender, é porque sua carreira não deu certo. Não que ele mereça, porém, no que é um péssimo carisma, Ganso é um grande talento.

Ganso – não é o verdadeiro, mas serve para a foto

Por: Felipe Saturnino

06/05/2012

Neymar na história. Mas modificando-a

“Ele vai fazer história” – foi o que pensei antes de falar para meu pai durante o jogo primo das finais do campeonato paulista. “Ele já está fazendo” – meu pai respondeu.

E corrigiu-me.

Neymar está na história, por, mais que tudo, fazê-la nova. Dos tempos épicos de Pelé, já sabemos as mágicas. Mas o que os santistas vivem no momento é algo não tão épico quanto ver o ‘maior da história’ jogar bola, e sim algo simplesmente épico. Cá não existe compreensão para comparação. Neymar já é histórico.

A recuperação da hegemonia santista no estadual voltou mais brilhante e eficaz do que a da era Luxemburgo nos anos de 2006 e 2007 permitia pensar. Hoje, o time encanta-nos. E não dá brecha. Naquele tempo, o São Paulo ainda incomodara um pouco na liderança, no primeiro ano de supremacia. Nos tempos de hoje, o time que mais incomodou foi o Santo André, nas finais acirradas de 2010.

Pois, ano passado, os corintianos não foram páreo. Uma vitória seca, branda, e emblemática, também, para levar o bi. O tri encaminhou-se hoje.

Os 3 a 0 de hoje não remetem especificamente à genialidade de Neymar, que surgira no jogo passado do Paulistão, porém, sim, remetem ao time que o Santos possui, que constroi vitórias significativas de forma efetiva. Óbvio que há o agregado dos talentos Neymar e Ganso.

Esses, aliás, que não deixaram de ser protagonistas no enredo do jogo.

Porém, mais que tudo, o que a vitória de hoje significa, mesmo que signifique um prático e merecido primeiro título de centenário ao Santos, significa também a colocação de Neymar em outro estágio na sua carreira no Santos. Isso era de se esperar. Mas os 104 gols são louváveis, e os transformam no maior artilheiro do período sem Pelé.

Ou seja, Neymar não ‘vai fazer história’ – a Copa de 2014 é secundário aqui -, e sim, já a faz. E a modifica.

Bem como meu pai disse.

Por: Felipe Saturnino

06/04/2012

O problema do Santos: Neymar e o volume

A questão vai afunilar nos próximos momentos de Libertadores, mas a opinião é válida desde agora: o Santos é o melhor time da competição. Mas não é o melhor NA competição!

O panorama: Inter mais móvel, mas Santos agressivo - principalmente na segunda etapa - com Neymar e o volume de jogo crescendo

A mudança na preposição, apesar de ser muito breve e quase não dizer nada – ou não mostrar nada ao leitor – diz muito – e mostra muito. Pois, dentre todos os brasileiros no maior torneio das Américas, o Fluminense é o ‘melhor’. Mas não o é legitimamente. É parcialmente, momentaneamente; circunstancialmente.

E são motivos bem simples que compõem e retocam a situação.

Neymar, o ponta-esquerda do 4-2-3-1 santista, é a máquina de absurdo talento e sobrenatural precisão que rege o resto do time. Seu trabalho é o mais fundamental, por ser o mais fundamental; é claro que se posta muito no questionamento de seu tamanho repertório e de sua capacidade acima da média, mas o garoto tem de arcar com as consequências defensivas – ele também compõe o corredor com o seu companheiro no flanco canhoto.

Além de tudo, decide num lance com a ligeira fintada e pode também levar um beque para a barca do inferno – Moledo que o diga. A pegada no santista no minuto 43 do segundo tempo de jogo foi feia. Até possivelmente para expulsão direta com vermelho. Não foi o caso.

A temática central, todavia, é a dificuldade em dar conta do 11 e do resto do time: por isso o considerar o mais qualificado de todos os nacionais na Liberta. O volume do jogo do Santos é intenso também, apesar de um Inter ‘envolvente’ com frequentes modificações na linha média-ofensiva de três atuantes – Dátolo, Dagoberto e Tinga jogaram por ali. E, também, apesar do gol rapidíssimo de Nei. Rafael nada fez: apenas admirou a magistral cobrança – que não condiz com a qualidade do lateral por completo, certamente.

Ainda assim, o Santos, por ter mais qualidade, envolveu e absorveu o Inter em questão de tempo. A compactação de Damião foi importante no período de vantagem: ele retornava para sustentar uma posição mais profunda no campo, formando uma linha ofensiva de quatro homens. É essa compactação tão fundamental que consiste a marcação.

E o jogo foi muito pouco atraente da vista tática: dos 4-2-3-1s, o mesmo dialeto, ambos conhecendo-se e utilizando o mesmo panorama sistemático. A diferença era que Ibson recuava um pouco no flanco direito, compondo um setor mais fundo no campo e gerando a ‘variação’ do 4-2-3-1 ‘torto’. O colorado era mais ‘reto’.

O Santos empatou aos 26, com Kardec – sem piada espírita. Gol de cabeça, após Juan cruzar. O uso do flanco direito da defesa do Inter foi o trunfo. Basicamente por Neymar.

Não tivesse sido Muriel, o Santos teria vencido. Na certa.

O ponto é que, mesmo diante de desvantagem, os paulistas souberam lidar com a situação, e foram guiados progressivamente pelas atitudes do melhor brasileiro que há em atividade – que partiu para as bolas, como é do feitio.

Com a presença de qualidade no meio-de-campo (a conexão Ganso-Neymar-Arouca) e presença forte nos flancos (principalmente o esquerdo) a equipe santista tende ao favoritismo nos confrontos seguintes para a Libertadores. Apenas cessará a participação se for possível neutralizar Neymar, primeiramente; a equipe cairia muito sem o craque mor, mas ainda assim seria razoavelmente perigosa.

Mas com ambas as razões para apontá-lo como melhor brasileiro DA competição atuando em conjunto, será difícil deter a equipe de Muricy. Neymar e o volume de jogo crescem, em dependência, mas auxiliam-se mutuamente.

E quem dera aquela espetacular bola do garoto entrasse: o mais espetacular ainda, Muriel, pegou.

Neymar - partindo para as bolas

Por: Felipe Saturnino

19/12/2011

Diferença

“Não sei se é imbatível, mas é o melhor time do mundo. Hoje aprendemos a jogar. O Barcelona foi muito superior, tem jogadores fantásticos. Serviu de lição para nós. O Barcelona ensinou a jogar futebol.”

O garoto Neymar ainda é craque. É o melhor brasileiro na atualidade do mundo futebolístico que, na sua totalidade, é dominado por um esquadrão azul-grená.

A ‘lição’ a que Neymar se referiu em sua coletiva após a derrota para o Barcelona pode se generalizar e ser amplificada em seu significado. O futebol jogado no campo, ou a filosofia que tanto invejamos e, mesmo assim, ainda nem implementamos no futebol brasileiro.

O placar de 4 a 0 não é vexame. É um fato. Outros times como Real Madrid e Manchester United também sofreram reveses assim.
O problema, porém, é analisarmos o contexto mais amplo do significado do placar.

A derrota não nos evidencia ‘decadência’ do futebol brasileiro, pois sabemos que a equipe de Guardiola é algo fora do comum. Nos mostra, porém, como um trabalho vindo de anos pode dar resultados aos nossos clubes.

A equipe barcelonista surgiu diferente em Yokohama: Thiago entrara para fazer o trabalho que Iniesta fez no entrave diante o Real Madrid.

Barça no 3-1-4-2, encurralando o Santos no 3-4-1-2

Porém, mais uma variação da equipe de Pep ficou evidenciada: o 3-1-4-2. E bastaram 16 minutos para os favoritos abrirem o marcador. Pintura de Messi.

Há de se dizer que, ficando no próprio significado do jogo, o Santos foi muito pouco ativo no primeiro tempo. O time de Muricy Ramalho veio de 3-4-1-2, já que os alas ficaram em um ponto mais baixo do campo para enfrentar Daniel Alves – o meia-direita do Barça no jogo – e Thiago Alcântara, que atuava no flanco esquerdo. O que se percebia de distinto, também, era o posicionamento de Neymar que modificava o lado do campo, ora sobre Puyol ora sobre Abidal.

No meio-campo central, os duelos de Arouca e Henrique ficaram mais delicados quando Fàbregas começou a rodar naquele setor do campo, comprovando mais uma diferença de vantagem dos catalães. A bola que naturalmente seria, em maior parte do tempo, do Barcelona, agora, ficaria ainda mais nos pés de jogadores como Xavi, Iniesta, Fàbregas e Messi.

Danilo era uma possibilidade santista pelo flanco direito, para aprofundar sobre Abidal e, daquele lugar, criar para o Santos. O que foi visto foi algo bem pior: ao invés de dar combate à Thiago, Danilo deixava-o avançar sobre o zagueiro do lado direito santista, Bruno Rodrigo. Mais do que nunca, os zagueiros estavam marcados para morrer, já que cada um dos ‘atacantes’ tinha uma possibilidade de atacar.

O resto é bobeira e muita obviedade.

Aos 23, Daniel Alves avançou pela direita e viu Xavi se infiltrando por dentro da área, com um Santos todo abafado e afundado em campo: 2 a 0. Depois, veio o passe magistral de Messi, com o calcanhar, para Daniel Alves cruzar, até a bola sobrar para Fàbregas fazer o seu: 3 a 0. E ainda, aos 36, Messi fez mais um para sacramentar a diferença existente entre o melhor do mundo e o campeão da Libertadores: 4 a 0.

O jogo em si, de um lado, nos deu a visão que o Santos não teve a ousadia para agredir. O Barcelona – como mostra-se no diagrama – encurralou o Santos com sua linha de 4 homens no meio-campo central dos brasileiros.

Mas a diferença de futebol, hoje, fica exposta por duas razões: pelo Barcelona ser o que é, e pelo porquê do Barcelona ser o que é. Talvez seja hora de pensarmos um pouco mais.

Afinal, a diferença de um time para o outro pode ser tão grande quanto de Messi para Neymar. Ao menos por hoje.

Vitória num contexto geral: Barcelona campeão e Messi, melhor do mundial e gênio do momento

Por: Felipe Saturnino

17/12/2011

Derrotando o melhor do mundo

O Barcelona se impõe contra qualquer time do mundo, não importam as adversidades. Pode-se considerar estádio, clima, pressão ou outra coisa que for, o time de Josep Guardiola sempre é o grande ditador de ritmo num jogo de futebol que o envolve.

Inter de Milão 3 - 1 Barcelona: Sneijder regredindo na altura do campo para pegar Xavi, Maicon em forma esplendorosa sobre Keita, Pandev marcando Alves e Motta e Cambiasso no cerco à Messi

Mas é óbvio que, há alguns jogos históricos que também estão aí para serem recordados pela importância que possuem. Me refiro aos jogos que o Barça perdeu e que vivem em nossa memória. Afinal, não é um dia comum quando um Golias é derrubado.

É óbvio, também, que nenhum time é imbatível, mas o catalães já atingiram um nível absurdo de futebol apresentado que chegar neste ponto não pode ser considerado impossível. Se eu lhes falar que, considerando a fase de grupos da Champions League, em 38 jogos, o Barcelona perdeu somente 4 vezes, isso se torna ainda mais possível. (Números baseados na equipe com Guardiola como técnico.)

O que quero tornar real aqui – e perfeitamente possível – é que o Barcelona perdeu alguns jogos que ficarão em nossa memória como aprendizado. Como lidar com um 4-3-3 polivalente que toca a bola com tanta classe e paciência, sempre procurando o melhor ‘timing’ de seus avantes para infiltrações?

Duas derrotas, rapidamente, surgem em minha mente. Ambas para o mesmo técnico adversário, que, recentemente, tornou-se freguês dos blaugranas – o que não diminui seus feitos como treinador.

A derrota com o melhor nível técnico do adversário foi, certamente, aquela para a Internazionale na Champions League da temporada 2009/10. Ocorreu pelas semifinais.

Os gols daquele histórico 3 a 1 foram marcados por Sneijder, Maicon e Diego Milito, num jogo absolutamente perfeito. Ou quase.

Mourinho, não por coincidência e sim por uso comum, começou no 4-2-3-1 para espelhar um Barça desfalcado, sem Iniesta. A tarefa tornara-se mais ‘simples’, já que por natureza, a equipe espanhola perderia um pouco da progressão com a bola que Iniesta forneceria primordialmente.

Mais que simplesmente a tática e a atuação espetacular de seus jogadores, o time de Mou teve garra e vontade de sobra para derrotar os já considerados melhores do mundo na oportunidade.

O placar foi justo, visto que os nerazzuri fizeram de tudo e mais um pouco para derrotar o Barça. Foi a maior derrota do Barça de Guardiola, e foi o melhor jogo de um time que José Mourinho já montou em sua carreira. Simplesmente histórico.

E foi bem mais vistoso do que o 4-1-4-1 que o Real de José, também, apresentou na Copa do Rei em abril deste ano. Não que eu queira desvalorizar uma vitória também tão espetacular, talvez a pior do Barça de Pep. Afinal, perder do rival é sempre pior.

Real Madrid 1 - 0 Barcelona: o 4-1-4-1 de Mourinho que consistia em acompanhamento de Xavi e Ini por volantes particulares, Xabi Alonso na primeira bola de transição, e contragolpes de Di María seguidos de boas combinações pela esquerda, sobre Daniel Alves, que levaram ao tão clamado gol.

O placar de 1 a 0 representou um jogo parelho, muito disputado, ganho no legítimo detalhe. O antagonismo comprovou-se também taticamente: o 4-1-4-1 era um 4-3-3 com desdobramento tático obrigatório devido ao adversário. Di María e Özil abertos, recompondo para ocupar espaços importantes; Xabi Alonso acompanhando Messi, mas, ainda assim, com o Madrid marcando por zona; Cristiano Ronaldo, decidindo.

O lance ocorreu, aliás, num dos pontos mais fortes do Barça: o lado direito de Dani Alves. Di María e Marcelo tabelaram pelo flanco esquerdo para C. Ronaldo abrir o placar, de cabeça. No detalhe, de verdade.
E foi uma boa atuação, apesar de menos vistosa do que a primeira aqui discutida, que impediu o Barça de atacar como queria, e que agredia a equipe com contragolpes e jogadas aéreas. Mas havia imposição dos madridistas. Outro bom plano de Mourinho que, hoje, porém, não consegue inventar mais coisas para abater o ‘touro’ Barcelona.

Prévia

No duelo de amanhã, para mim, o Santos deve vir no 4-3-1-2, ou 4-2-3-1 ‘torto’, como Dunga fez com o Brasil de 2007 à 2010, no seu período regencial. Os espanhóis vão de 4-3-3, 3-4-3 ou até mesmo 4-4-2, com desdobramento em 4-4-1-1, isto é, vão com polivalência tática. A supremacia, porém, não tem relação ao assunto. Os catalães são favoritos em qualquer ocasião de jogo. Mas é óbvio que a análise será muito importante, até pelo fato de o Santos poder modificar seu diagrama amanhã, jogo das 8h30. Na teoria, Muricy optará pelo 4-3-1-2/4-2-3-1.
Como demonstrado, Neymar, craque, é a chave do Santos pelo lado de Alves. Se por ali souber como passar, pode levar vantagem sobre Puyol. Piqué deve constar na sobra.

Palpite: Barcelona 2 x 0 Santos

Por: Felipe Saturnino

16/12/2011

Help!

Neymar é craque e o melhor brasileiro atualmente. Isto é consenso e óbvio. Em falar que o sujeito tem apenas 19 anos.
Seu talento é absurdo, e o usa com maestria. E, aliás, o menino que no futuro pode fazer história, certamente, neste domingo, terá o jogo mais importante de sua história até o momento.

Pois enfrentar um dos 5 melhores esquadrões da história é algo muito complexo. Exige um amontoado de técnica, disposição tática, física e mental. Deseje, ainda, um pouco de sorte na hora de vencer – pois você precisará de muita, mesmo.

O Barça, aliás, venceu o Al Saad sem mais problemas. A nota de destaque se refere à David Villa, que fraturou sua tíbia da perna esquerda. Neste caso, Guardiola pode fazer Muricy pensar ainda mais no esquema blaugrana.

Para quem se lembra, no ‘Clásico’, o Barça variou claramente entre 4-3-3 e o 3-4-3, encaixotando o rival. Assim, Josep pode usar Fàbregas como um atacante, ao lado de Messi e o chileno Sánchez. Há ainda a opção de Pedrito Rodríguez. O meio-campo será formado por Xavi, Iniesta e Sergio Busquets.

Porém, se o Santos preocupa-se com o Barcelona por completo, Puyol concedeu uma coletiva muito curiosa nesta quinta, falando um pouco de Neymar. Em resumo, o zagueiro pediu por uma ‘ajuda’ no que diz respeito à marcação do 11 do alvinegro praiano.

Pois, se o Santos tem que aturar um esquadrão histórico e, também, deve arrumar um mecanismo para marcar Lionel Messi por zona, os barcelonistas devem se preocupar com Neymar. Teoricamente, o primeiro a dar combate deve ser Puyol, visto que Dani Alves é liberado para dar suporte à criação no lado direito catalão.

O santista é craque e pode – e deve – decidir. Por isso, Carles tem razão. Muita razão.

Os Beatles na capa de 'Help'...

...e Puyol pedindo por 'ajuda'.

Por: Felipe Saturnino

05/12/2011

Lições de um campeonato – Parte 1

Da mesma forma com que Jonathan Wilson introduziu seu texto pós-mundial da África do Sul no ano passado, devo atestar que o Brasileirão foi o campeonato do 4-2-3-1 – de um ponto tático, claro. O esquema da moda simplesmente dominou os times daqui, constatando a dinâmica tão bem-sucedida nos tempos atuais do futebol.

Mas também deve-se falar que a sequência mais estonteante de um time no campeonato, e bem possivelmente a de um time em um campeonato em algum tempo de pontos corridos, ocorreu muito além do fato de o esquema estar sincronizado, mas sim ao fato de os jogadores estarem confortáveis com o estado parcial em que a equipe se encontrava. Falo do Corinthians – nas primeiras 10 rodadas fez 28 pontos. Depois, o pragmatismo se tornou um grande vilão – muito pelo esquema previsível. Mas isto é tema para outro post.

O campeonato atestou também, entre outras coisas, um uso razoável de disposição 4 e 4 – mais normalmente 4-3-1-2. Podemos falar que um legítimo 4-4-2 deve estar extinto, sabendo que o nosso campeão da Libertadores, o Santos, atuou o primeiro semestre quase que inteiramente em um 4-3-1-2. O São Paulo de Adilson também jogava assim. Depois, apenas para constatação, migrou para o 4-2-3-1. O uso do esquema foi mais explícito nos jogos diante o Cruzeiro e o Inter – o primeiro foi animado e o segundo foi de dormir.
Aliás, no jogo contra o Inter, a equipe hoje de Leão foi “espelhada” pela equipe colorada. Para evidenciar o tamanho pragmatismo de alguns jogos.

É verdade também que, de um ponto de exposição mais crítico e amplo, o equilíbrio existe por natureza em nosso campeonato. Não temos equipes extraordinárias que terão tanta facilidade para se desvencilharem nos blocos da frente – como Real e Barça fazem na Espanha -, mas se repararmos que times de pelotões da frente todos optaram por esquemas idênticos, no mínimo uma vez na competição, veremos certamente um outro “equilíbrio”, ou mais uma vez, o pragmatismo de que tanto falo. O problema do uso mais frequente dos mesmos esquemas, do mesmos alineamentos táticos.

É claro que também há as variações, as surpresas que sempre são bem-vindas. Um dos melhores times do segundo turno no Brasileirão foi o Figueirense, com direção do ex-lateral Jorginho. No entrave diante o Corinthians, a equipe apresentou transição para o 4-2-3-1, “imitando” o alvinegro. Contudo, o melhor futebol do returno jogava em um 4-3-1-2 tradicionalmente; tinha força no ataque, com Wellington Nem e Júlio César, contenção e reposição rápida no meio-campo central, e ainda articulação – todos atributos de jogadores como Ygor, Coutinho e Elias, normalmente. Os resultados dos catarinenses foram surpreendentes no torneio, em geral. E os números também: a equipe venceu acumulou 50% dos pontos jogados fora de casa – vencendo times como Corinthians, Botafogo, Palmeiras, Santos e Grêmio; dentro de seus domínios, o desempenho vai para 52%, e, apesar de parecerem números pouco espetaculares, para um time recém-promovido à série A, são incríveis, absolutamente incríveis. Checando de uma forma mais ampla, o Figueirense é apenas a terceira equipe do últimos quatro campeonatos que, recém-chegadas, alcançaram o pelotão dos 10 primeiros – as outras equipes foram o Coritiba em 2008 e o Corinthians em 2009. Porém, o time de Jorginho é o primeiro recém-chegado, de 2008 para cá, a ficar no grupo dos oito do torneio.

Times como o Figueirense e o Fluminense, notoriamente, atuaram em um 4-3-1-2 em parte da campanha – fato atribuído em maior escala aos catarinenses. Mas o Flu modificou o seu jeito de jogar, transitando para o 4-2-3-1 em algumas situações. Contra o próprio Figueirense, aliás, a equipe de Abel merecia uma análise mais específica, já que podemos ponderar o resultado de 4 a 0 dos visitantes – os tricolores – com o fato de os catarinenses terem tido mais a bola em sues pés e, também, por eles terem arriscado mais. Muito se resumiu pela atuação excepcional de Fred, e pelo trunfo do 4-2-3-1: o trabalho versátil dos meias na linha ofensiva.

Com isso, o pragmatismo pode ser esquecido, mas, a exemplo do que aconteceu com o Brasil no jogo contra a Costa Rica, em que os jogadores dessa linha ficaram praticamente imóveis por toda a partida, o grande momento de um time na competição ocorreu em 10 jogos, e no pós desse momento, se deu a crise que poderia ter tirado a equipe da briga. Por este fato, uma análise do momento específico do Corinthians no tempo falado exige um outro post – mostrando que a equipe também tinha uma linhagem ao 4-2-3-1, escolhido por Tite, e que fracassou no jogo diante o Tolima.

O possível legado do campeonato nacional - 4-2-3-1

Por: Felipe Saturnino

31/07/2011

As causas para a derrota de um líder

O Corinthians sem dúvida ainda é o melhor time do campeonato no geral. Que não se questione, por isso ainda é líder.

Mas é de se ressaltar a virada que sofreu diante o Avaí, hoje, em SC.

Até pelo fato de o Corinthians não errar tanto e, talvez até mais importante, pelo fato de o Avaí ser um dos piores da competição.

Deu-se que o Corinthians enfrentasse uma equipe que lhe garantiria alguns pontos importantes na Ressacada. E é muito mais time.

Pois é. Quando o 4-2-3-1 de Tite enfrentou a espécie de 4-4-2 de Gallo – desdobrado em 4-3-1-2 ou algo do gênero – sabia-se que veríamos um confronto tático interessante. Até pelo fato de os corintianos levarem vantagem no meio-de-campo e, de outra forma, também serem mais incisivos e efetivos no ataque, com William aparecendo pelo lado direito. Ah, e tem de se falar que Danilo vinha fazendo uma partida muito boa.
O meia central corintiano atraía para si o volante avaiano, Marcos Paulo, o que fazia da equipe catarinense mais vulnerável, sem mais proteção. Pois bem se sabe que os zagueiros da equipe de Alexandre Gallo não são dos mais confiáveis.
O problema para Tite começou quando Danilo se retirou por lesão. Isto é, a principal arma técnica e tática no momento do jogo estava se retirando.
Quando Alex entrou em campo, esperava-se um nível de jogo semelhante ou melhor ao de Danilo. Errado.

O camisa 12 do Corinthians – sim, Alex é o 12 – entrou para confrontar Marcos Paulo, mas encontrou um Avaí diferente no campo de batalha. Com Diogo Orlando e Cléverson, a equipe de Gallo poderia chegar melhor ao ataque e, da mesma forma, ter mais ajuda no combate. E Alex atraiu Marcos Paulo para si. Porém, simplesmente ele fez um jogo horroroso e os meias mais defensivos do Avaí fizeram uma segunda etapa segura.

O erro maior do Avaí na etapa inicial foi atuar com um volante saindo no combate direto a Danilo, dando mais vulnerabilidade para a defesa, possibilitando infiltrações – vide subidas de Fábio Santos pela esquerda. Mas, Gallo reparou o erro e compôs seu meio-de-campo com maior responsabilidade. E isso se mesclou com o fato de Alex ter feito um jogo muito fraco.
Os volantes corintianos também pouco fizeram no ataque e também sofreram com o Avaí, nas investidas mais centralizadas de jogo – o Corinthians desarmou pouco para seu normal.

Com isso, o campeonato ganha mais vida. Um time que parecia imbatível, hoje, mostrou algumas deficiências. O Corinthians depende muito de seus volantes, e também de uma atuação razoável de seu meia central. Por isso Danilo é fundamental no esquema.
Pelo menos, temos um campeonato mais nivelado nesta 13ª rodada. O Corinthians é seguido de perto por Flamengo – que derrotou o Grêmio com ótima atuação de Ronaldinho – e São Paulo – que perdeu em casa para o Vasco, e não pôde se aproximar da equipe alvinegra.

Agora que entraremos em agosto, os corintianos compensarão um jogo chave diante o Santos, que perdeu do Atlético-PR nos minutos finais, em partida fraca de PH Ganso. Borges se destacou.

Agora, a briga pelo título se afunila entre corintianos, flamenguistas e são-paulinos, seguidos por palmeirenses e vascaínos. Os três primeiros se matarão até o fim. Os últimos dois vão segui-los de perto.

Por: Felipe Saturnino

28/07/2011

Controle e hesitação

A rodada foi a melhor do campeonato, basicamente por dois jogos. Um deles, falarei brevemente, nas próximas linhas. O outro, bem, este gostaria de ter visto.

O São Paulo de Adilson Batista já tem uma cara. Joga em losango no meio-de-campo, um 4-3-1-2. Fez um ótimo jogo em uma vitória que, por muito pouco, não virou uma tragédia.
Com este losango no meio-de-campo, Adilson permite uma versatilidade na participação direta de seus volantes na criação do jogo. Com Denílson, Wellington e Carlinhos Paraíba dando suporte a Rivaldo na criação, o São Paulo andou muito bem na primeira etapa, com infiltrações e chegadas de trás bem eficientes. Carlinhos, super vaiado pelos coritibanos, fez ótimo jogo pelo lado esquerdo do meio-de-campo são-paulino, – enquanto por lá esteve, já que iria atuar pela lateral-esquerda no segundo tempo – marcando seu tento após uma boa trama são-paulina, aos 18. O Coritiba pressionou, mas pecou por dar espaço para infiltrações, por permitir participação dos volantes são-paulinos, e ainda por não ter criado demais chances claras de gol e também por não manter o ritmo inicial que havia neutralizado o São Paulo por alguns minutos no princípio.
Depois do primeiro gol veio o segundo gol, feito por Juan, e ainda o tento de Dagoberto, após uma jogada brilhantemente construída, por Wellington, Lucas e Rivaldo. Rivaldo que, aliás, centralizado, foi vértice adiantado no losango de meio-de-campo proposto por Batista.
Um time seguro na primeira etapa, marcando três gols em um Coritiba que deu chance para o adversário, mas havia pressionado no princípio.

No segundo tempo, Lucas fez o seu – golaço, que se diga, de fato. Um golaço mesmo. Encobriu o goleiro Edson Bastos, após erro na saída.
Com 4 a 0, a proposta mais do que sabida era recuar e espera para um contra-ataque. Ficou evidente quando Marlos entrou no lugar de Rivaldo.
Que se diga, o Coritiba, desde o final do segundo, estava jogando com 10 – perdera Davi, com vermelho direto, após reclamação acintosa. A expulsão não foi injusta, mas não entendi pelo vermelho direto. O mais sensato eram dois amarelos. Mesmo assim, o Coritiba, com um a menos, seria valente, com coragem suicida e invejável. Armou-se em um 3-3-3, com saída pela esquerda com Éverton e Aquino. Mas foi pela direita que o carnaval aconteceu. Rafinha triturou Carlinhos Paraíba por aquele setor – deixando clara a qualidade do meia coritibano.

O Coritiba, então, foi para cima; fez o primeiro com Rafinha, o segundo e o terceiro foram com Bill. Tudo pelo fato de o São Paulo, a princípio, ter tido o controle do jogo e, após disso, ter hesitado. A proposta do contra-ataque substituindo Rivaldo por Marlos foi clara; e certa. Marlos era o jogador para fazer a ligação e ao lado de Lucas e Dagoberto, seria fundamental para puxar contragolpes. O Sampa hesitou tanto em atacar que desperdiçou seus contagolpes, e ainda teve um prejuízo para o próximo jogo, com Denílson sendo expulso ao final do jogo.

A proposta de Adilson é clara: seguir o trabalho proposto com o 4-3-1-2, mantendo o losango no meio-de-campo, monopolizando as ações por meio de criação partindo desde os seus volantes até o meia vértice-avançado do losango. Com isso, os volantes dão suporte a ligação do jogo, e ainda podem marcar com qualidade. O São Paulo toma o controle do jogo com isso, e hoje poderia ter saído do Couto Pereira com uma goleada histórica. Porém, hesitou e se desesperou. Um pouco mais de paciência em armar contra-ataques pode garantir um resultado mais contundente do que o de hoje. Pode funcionar com Adilson.

São Paulo fez primeiro tempo sublime, mas hesitou e cedeu a bola ao Coritiba na segunda etapa

Este foi o jogo que vi, e foi um jogão, de verdade. Muito pelo descuido do São Paulo e pela coragem do Coxa. Agora, o jogo que eu queria ver e o jogo mais relevante foi o 5 a 4 do Flamengo sobre o Santos na Vila. Neymar fez um golaço, e Ronaldinho decidiu como decidia na época de Barça. Hoje, além da vitória chorada do São Paulo, outra coisa relevante é a vitória mais importante do campeonato para um time: a do Flamengo.

Por: Felipe Saturnino

22/06/2011

Panoramas e caminhos

O Santos da quarta-feira passada apresentou uma retração de produtividade, quando se relaciona e se compara o mesmo time que abateu o Once Caldas e o Cerro Porteño. Há, mesmo assim, de se ressaltar que, um jogo de final é algo mais complexo que todos os entraves anteriores no torneio; a tensão, os erros, o nervosismo é muito maior do que tudo que ocorrera antes.

O panorama de hoje vai depender de tudo isso citado. E um pouco mais. Afinal, como você vai prever um panorama?

Não quero fazer fazer previsão, não tenho habilidades suficientes para o mesmo. Mas, não seria um risco pressupor alguns caminhos que o jogo pode tomar.

Santos no 4-3-1-2 com Ganso e Peñarol tentando se postar em um defensivo 4-4-1-1. Neste caso o jogo se torna mais favorável, circunstancialmente, ao Santos, por monopolizar as ações na faixa intermediária de campo, ditando o ritmo com alternâncias de velocidade – com infiltração de volantes – e cadencia de jogo, com Ganso comandando a troca de passes fluente pelo setor. No caso, o Peñarol se posta defensivamente. Nada que não possa ser dramático. Com o uso dos espaços supostamente deixados por laterais e volantes, se pode tirar vantagem de um esquema como este. Os pontos fortes seriam o contragolpe fluente pelos lados, com incidência de Mier e Corujo, com Martinuccio atuando centralizado, voltando e buscando bolas, e a marcação que deixaria ainda menos espaços à Neymar e aos volantes santistas. Para isso, há Ganso. Dependendo do encaixe tático, o meia santista baterá de frente com Freitas ou Aguiar. Na teoria, os dois vão se alternar na marcação ao articulador clássico.

Santos sem Ganso inicialmente e Peñarol bem postado, jogo mais parelho. O jogo seria mais parelho, já que o Santos do Uruguai, no Centenario, sem Ganso, foi um time com Arouca comandando as ações centrais, Elano postado à direita e Danilo pela esquerda. A equipe pecou na finalização e pouco criou na primeira etapa. Na segunda etapa, a mesma disposição tática propiciou mais chances de gol, graças à infiltração de Alex Sandro, apoiador canhoto, que fez um bom jogo. Zé Eduardo desperdiçou duas chances de gol. Neymar pouco fez. Muito se deve à marcação dos uruguaios ‘carboneros’ que se postarão da mesma forma que se postaram, definitivamente. O jogo tende a ficar mais parelho, o Peñarol teria quase o mesmo tipo de situação com a qual se deu de frente em seus domínios, há sete dias. Como na ida, olho em Martinuccio. Destaque e avisos, novamente, aos “wingers” Mier e Corujo, que atiçam o Peñarol com jogadas laterais, que são perigosas.

Santos da ida, sem Ganso, Peñarol com Estoyanoff. Uma possibilidade mais remota. Todavia, é uma possibilidade. Se Aguirre realmente quer um time com maior presença, dando mais calafrios aos santistas, a opção de Estoyanoff seria aconselhável. O meia-atacante, que entra bem em jogos, na última semana, no jogo de ida, entrou, e deu certo trabalho a um Alex Sandro que apoia bem e deixa espaços; hoje ele teria pela frente Léo. O lateral jogará. Estoyanoff, também?

Mini-jogos

Léo/Alex Sandro x Corujo/Estoyanoff – Corujo é menos atuador no campo ofensivo adversário, mas não deixa de ser perigoso. Pelo menos, o Peñarol é ideal com ele. Estoyanoff, em contraponto, é mais incisivo, agressivo, persistente, características notáveis em um atacante de média qualidade. Ou boa. Fato dado e constatado é que atrapalharia a vida de Léo. E também de Alex Sandro. Dois laterais que podem ter carências em marcação – apesar de achar Léo um ótimo lateral, em marcação e apoio.

Adriano x Martinuccio – Martinuccio é o jogador mais talentoso do time uruguaio. Porém, há de se ressaltar também que, mesmo sendo a esperança de desafogo do jogo do time uruguaio, o meia não tem características de cadencia, e sim características de mantimento do ritmo de velocidade, a que se impõe o Peñarol. Adriano, volante santista, marcara bem o meia camisa 10 dos ‘carboneros’. Agora é hora de ver o tira-teima final. Martinuccio terá de mudar, se desprender, ser mais jogador do que é. Claro que ressalto mais opções para jogo são fundamentais no caso. Mas, o camisa dez, em um time que repete-se com o da ida, seria ou será a maior esperança de talento de jogo.

Pará x Mier – Um embate interessante. Pará é bom lateral, melhorou com o decorrer do tempo. Não é o melhor da posição, mas sabe apoiar e no quesito de marcação vai bem no combate individual. Mier é robusto, forte, leva as bolas ao fundo e as cruza ou arruma um jeito de jogar mais eficientemente. O entrave é equilibrado. Aqui, tudo pode acontecer. O que se sabe é que Mier não terá vida fácil. Pará, para levar a bola à linha de fundo, se for a situação, terá de atravessar o meia esquerda do Peñarol e ainda, o lateral/zagueiro Dario Rodriguez.

Ganso/Arouca x Freitas e/ou Aguiar – Se Ganso confrontá-los – sim, a marcação se alternar entre os dois volantes – o Peñarol terá que se preocupar. Porém, mais um volante terá espaço numérico para se infiltrar. No caso, Arouca e/ou Elano. Na outra suposição de Arouca atuar como meia centralizador, o Santos sofrerá mais, já que todos sabem quem é esse tal de PH Ganso. Seus passes e suas jogadas sempre gerarão grandes chances ao definidores-chave, ou, até mesmo, aos citados volantes, que teriam mais comodidade ao avançarem no campo do Peñarol, sabendo do que podem receber.

Chave do jogo. Marcação pressão e, especialmente, movimentação e ocupação de espaços por Neymar, já que terá de procurar mais espaços para se movimentar, sabendo da marcação que terá pelo lado direito da defesa carbonera. Talvez, atuando por de trás do volantes, vindo partindo com a bola, costurando jogadores, o jogador dê liga. O seu jogo da ida representou-se por muito pouco perto do potencial de Neymar. E, desta vez, terá ao seu lado Ganso.

Por: Felipe Saturnino