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14/12/2012

A confusão, o ídolo e o título

Tricolores, os paulistas, ansiavam pela volta da glória. Há mais de quatro anos, ela não regressava. A chance, que no ano poderia ter sido concretizada, ter se tornado realidade em três ocasiões – no Paulistão, na Copa do Brasil e no Brasileirão -, calhou de ter se efetivado numa última tentativa para um São Paulo faminto, dono de alguma garra, disposição e juventude, e com Ceni voltando à meta para celebrar mais um triunfo para o curriculum vitae já muito célebre, brilhante por suas fantásticas vitórias como arqueiro artilheiro, o maior de todos, há de se falar. A Copa Sulamericana apresentou-se como vencível, e vencida (aparentemente) foi.

O São Paulo merece o título pois, oras, ganhou a final. Sim, ganhou. Nem que tenha sido a metade da mesma, mas o fez com serenidade, não em plenitude, porque iniciou o jogo um pouco afoito; perdeu o medo com o gol de Lucas, que acelerava a partida com suas arrancadas ferozes, características de um “hambriento” meia que esperava por seu próprio tento, para tornar perfeita para si próprio a já incrível noite. Era, afinal, sua última como são-paulino. E tratou, depois do gol, de prosseguir com seu jogo tomado à minúcia, ao detalhe, pois estava mesmo com vontade de jogar, e jogar pra fazer história – que ainda lhe faltava propriamente, mas agora não mais; algum tempo, não muito, após o gol, o 7 das três cores do Cícero Pompeu serviu Osvaldo que, por mais que estivesse alguns milímetros impedido, nem que tenha sido por seu calcanhar, marcou e anotou o dois a zero. Mas o jogo era tenso.

O Tigre, pois, não era admiravelmente fabuloso; nem era, afinal, fabuloso. Não jogava bonito. Jogava forte, joga forte. Derrotou o Millonarios com gol de cabeça, em momentos finais do jogo. Os colombianos puderam empatar. Ontem, os argentinos partiram para um jogo muito forte, agressivo. De fato, o São Paulo deu bola. A tensão de final não atesta óbito, mas dá motivo pra pensar em agressão; e o jogo era tão nervoso por causa da natural pressão existente em ambos os lados, que foi lapidada pelos times que, no final, acabaram por trocar sopapos para a saída do primeiro tempo, o “entretiempo”, como diriam os albicelestes. Futebolisticamente, é deveras congruente com a verdade que o Tigre não seria capaz de vencer o São Paulo com um jogo solto, sem faltas, sem paradas; seria muito simples, posto a velocidade notável, e que vai fazer falta, de Lucas, mas também pelas ousadas investidas de Osvaldo, um ponta no 4-2-3-1 de Ney Franco que adquiriu confiança ao longo do ano, ganhou a posição e começou a partir pras bolas. No sweat, no glory. O Tigre, sem dúvida, como é de natureza, deveria empurrar o São Paulo à timidez. Limitá-lo a poucos lances livres, bloquear tantos espaços quanto pudessem, e também quando pudessem. Quando Lucas tinha a bola, no final das contas, quase nunca alguém conseguia pará-lo. Realmente, poucos podem fazê-lo.

Surgiu então a milonga. Depois, no final do caso, talvez não seja milonga, pois os argentinos falam em agressão por parte dos seguranças tricolores. Para o São Paulo, este seria o literal desastre. Por mais que os argentinos tenham brigado em campo – e como brigaram, a ponto de Lucas ter sangrado deliberadamente após ter tomado uma cotovelada -, esse não seria o caso. Se, no fim, tudo é uma ilusão, e não pode-se arcar com o inferno em que se meteram, os argentinos do Tigre, de Nestor Gorosito, não estão apoiados, pois não estão certos. A confusão poderia ter se generalizado, ou melhor, factualmente generalizou-se quando os times desceram para os vestiários, num túnel que une ambos vestiários de mandante e visitante.
A tensão a que me referi no parágrafo segundo, porém, se iniciou com o apedrejamento do ônibus dos jogadores do Tigre pela torcida do São Paulo – um absurdo, por mais que usual pelo continente. Algo que não poderia acontecer, pois sim, aí a segurança ameaça pela sua falta, pois ela não existiu no caso; a pilha continuou com o trato do aquecimento. O São Paulo não teria permitido, e o Tigre foi, por isso, impedido. Destratá-los para não ser feito o aquecimento em campo alegando que o gramado pode ser mais danificado, após um show de Madonna, bem, isso sim é curioso. Enfim, fato é que, pilhados por isso, e talvez sabendo que o São Paulo não disponibilizou o gramado para o aquecimento – pois os argentinos subiram a campo para ficarem aquecidos -, o Tigre conseguiu driblar a segurança, e se aqueceu.

No jogo, tudo poderia ter sido amenizado pelo juiz chileno, Enrique Osses, que talvez tenha sido muito, muito mão fina, suave para o tratamento que o jogo requisitava. Lucas, como já dito, levou uma bela cotovelada para seu álbum de deslealdade dos adversários. Lucas que, bem, é ídolo.

O título é do São Paulo. Bem, o vice da Conmebol voltou atrás e ainda não o deu por certo, mas seu merecimento pertence ao São Paulo. Jogou mais jogo, tem mais time, é mais leal. Mas a história da confusão, que se envolve e se confunde com a história do título, e ainda mais importante, com a história do ídolo jovem, Lucas, que obteve a honra sagrada concedida pelo ídolo mor da torcida, Rogério Ceni, requer investigação mais certeira. Apenas com testemunhos, pouco pode se avançar em esclarecimento. Um fato é que não há certeza no que se tem, e para um time, por mais que milongueiro e argentino, não volte a campo para continuar a pancadaria pra cima dos paulistas, bem, talvez tenha havido algo mais forte no intervalo. A questão que resta é a respeito de quem ter iniciado o confronto. E os seguranças tricolores, por mais que sejam “desarmados” – pelo que disse João Paulo de Jesus Lopes, de fato são -, hão de ser investigados, posto o que os argentinos afirmaram. A razão reside em algum lugar, imperceptível e ininterruptamente transitório, pelo que foi dito por ambas as partes, pois, como não poderia deixar de ser, não existe consenso.

De certidão, nada certo há. Apenas que Lucas é ídolo. Pois, bem verdade é, a Conmebol é tão inexata, errada e confusa que dá o troféu ao campeão num dia, e tem um de seus homens fortes dizendo que o torneio não acabou. Isso sim, afinal, é confusão.

Por: Felipe Saturnino

19/07/2012

Ai, Juvenal!

O São Paulo amarga o inferno astral que vive, e que nada parece ter de passageiro ou esporádico, não essencialmente por causa de JJ no comando da equipe, mas, sim, por causa das escolhas que Juvenal preferiu dar ao seu mandato no clube.

Juvenal ‘endeusou’ o Sampa, tornou-o único, ímpar, diferente. Soberano. Fabuloso – na verdade, o nickname Fabuloso é de LF, mas, de fato, as conquistas vívidas de Juvêncio no triênio 06/07/08 são isso e mais um pouco. São formidáveis. E JJ não errou nesse tempo ao manter Muricy – porém, sabíamos que Muriçoca nunca fora tão íntimo do presidente tricolor nesse período que os do Morumbi acumularam um dos feitos mais incríveis que já se viu em toda a história do futebol brasileiro, quiçá o mais. Ele apostou no atual técnico santista, e assumiu um risco. Confiara nele, com absoluta razão. Confiara pois, anteriormente, Muricy cumprira as expectativas. Superou-as ao final, afinal, por mais que não tenha vencido a Libertadores – quase o fazia, caso não existisse o Inter em 2006-, logrou êxito no tricampeonato – e quanto. E acabou demitido em 2009 após mais uma eliminação para um brasileño na Liberta – o Cruzeiro venceu a ida por 2 a 1 no Mineirão, e aqui também obteve vitória como marcador final, por 2 a 0.

De lá pra cá, muitas coisas mudaram.

Certamente, o São Paulo nunca mais conseguiu ser o mesmo. Seja pelas escolhas que JJ fez, no período Muricy e pós-Muricy, seja pela capacidade superestimada de times que o São Paulo formou e que não vingaram, seja por evidenciarem-se as superioridades doutros paulistas, como Corinthians e Palmeiras – talvez o Santos também, pelo bicampeonato do Paulistão, apesar desse não ser lá tão bem valorizado por aqui, e pela recentemente conquista Copa Libertadores -, que no tempo em que tudo era dourado lá para os grandes – ou ex-grandes – tricolores paulistanos, não obtinham tanto sucesso assim nas competições.

Em 2009, quando Gomes assumiu, ele o fez com um futuro promissor, otimista. O time era bom, mesmo tendo padecido ao Goiás na penúltima rodada do Brasileirão, e teve no seu desfecho de Brasileirão um terceiro lugar – válido para o momento – e foi à Libertadores. A equipe que (ainda) continha nomes como Hernanes, Jean, Washington, Jorge Wágner – todos esses, aliás, ex-jogadores do Tricolor, com um dele, o terceiro, já aposentado -, e claro, Rogério Ceni, naquele momento, fortaleceu-se para 2010. Todavia, o panorama, apesar de modificado após uma vitória muito bem construída no agregado com a equipe eliminando o Cruzeiro nas quartas da Libertadores por dois 2 a 0, voltou ao comum após uma derrota para o Inter nas semifinais. O São Paulo certamente não voltaria para a Libertadores naquele ano. E essa sentença não tardou.

Assim como no ano seguinte, que também eles (tricolores) não voltariam à maior competição sulamericana da… bem, da América do Sul, o São Paulo passaria por uma série de mudanças, num período de transição que Juvenal não soube manusear.

Parte-se de 2010, com a sucessão no comando de Gomes: Sergio Baresi (Juvenal esnobou todos numa entrevista em que pusera a fogo o tamanho do salário que pagava a Sergio).
Na ocasião, o time não engrenou. Carpegiani foi o escolhido.

Outro erro. JJ deixou a transição delicadíssima nas mãos de Baresi, que saiu da equipe após quatro meses de trabalho – parece pouco, mas foi um terço de trabalho do ano exercido pelo antes treinador dos juniores. Lucas, entretanto, foi lançado as ares do Pompeu de Toledo – hoje, sua fama espalha-se e atrai até os olhares de Sir Ferguson, num tema paralelo, mas extremamente recorrente aos dos problemas que são-paulinos vivenciam.

E Carpegiani, bem, foi contratado em outubro, com algum tempo para o fim da temporada, com alguma ideia para o ano seguinte. E nada para 2011, no final das contas – o Avaí derrotou o São Paulo, o que ao final da temporada contribuíra para a insanidade de alguns, pois os catarinenses foram rebaixados. A cartada triunfal e impiedosa de Mr. Juvenal foi escolher Leão para se apoiar. Sem tampão, pois decerto houvera a repercussão anterior sobre uma possível – talvez até provável – contratação de técnico temporária.

A penúltima cartada, porém, fora Adilson. E essa era uma boa – para a situação, Batista parecia ter talento, já que havia obtido algumas experiências significativas no comando do Cruzeiro, com o vice da Liberta em 2009. Ele sucumbiu aos 3 a 0 diante do Atlético Goianiense.

O que falta ao São Paulo também é um presidente que assuma com total segurança riscos que antes assumia. Com Muricy, somente com ele, é bem verdade. A administração JJ, apesar de seus títulos, e da alcunha ‘Soberano’, e também do própria elevação de nível do tricolor, devidamente atribuída por JJ, precisa de seriedade.

O time, é bem verdade, precisa de raça.

E isso é tarefa de Ney Franco, o novo escolhido de Juvenal. Franco – e não Fraco – já cambiou o panorama, taticamente, optando por um 4-3-1-2, que claramente sofre pela falta de Lucas. A opção da meia principal, que concedida ao ex-Shaktar Jadson foi, aparenta desapontar a todos também pela falta de atuações ríspidas e contundentes.

Quanto a Juvenal, bem, tem que parar de ferir os sentimentos engrandecidos dos são-paulinos. Isso só piora a situação.

Sem esquecer de falar que, no último ano, Juvêncio feriu mesmo o estatuto tricolor e modificou o mesmo. Para reeleger-se.
Talvez ali o mandato recomeçasse para Juvenal. O tempo de conquistas são-paulinas, no entanto, está longe de fazer o mesmo.

Por: Felipe Saturnino

27/04/2012

As ‘tragédias’, os penais e a despedida

A semana, futebolisticamente, entrou para a história.

E não só por ocorridos tão óbvios por suas grandiosas repercussões – claro que me refiro às penalidades perdidas por Lionel e Cristiano -, e sim por um contexto mais amplo de todos os eventos, todos mesmo.

Os dois penais representam, separadamente, as eliminações dos poderosos Barcelona e Real Madrid. Mas as próprias eliminações do maior torneio do mundo – perdendo ainda para a Copa do Mundo, mas não por tanto quanto se pensa – são relacionadas, de forma única, quando visa-se a figura mor de ambos os clubes. E ambas desapontaram-nos de forma impactante. Mesmo que uma delas tenha feito dois tentos, e ainda que um deles tenha sido gerado partindo do ponto de batida de penal.

Mas Messi e Ronaldo, que já estão presentes na história do esporte e são protagonistas de seus esquadrões, por mais que tudo – e para mais que tudo – protagonizaram – como não poderia deixar de ocorrer – seus respectivos entraves, diante dos azarões ‘Blues’ e dos bávaros. Nada, porém, como o pensado. Foram os fundamentais no enredo por motivos impensáveis, inimagináveis, dignos de vilões da melhor classe. E quando se vêem as batidas de pênaltis, fica claro o ponto aqui defendido.

E o Barcelona, assim como o Real Madrid, obteve a vantagem de dois gols no embate disputado em casa, contra o Chelsea – que é o único não-vencedor da competição entre os quatro semifinalistas. O problema mesmo foi em momentos posteriores ao do segundo gol, momentos brevemente posteriores, aliás: Lampard, em escapada pela direita, deu boa bola para o volante brasileiro Ramires, que teve frieza à suficiência para abater Valdés com um belo gol de cobertura. A vitória barcelonista constituía, agora, uma derrota no agregado.
E o Real Madrid abriu o placar bem cedo – diferentemente da equipe de Josep Guardiola. Di María arriscou, Alaba pôs a grande mão na bola e tudo se seguiu em penal.

Ah, o penal.

Mas aquele, do início do jogo no Santiago Bernabeu, Cristiano converteu. Teve, naquela hora, a eficiência que Messi não teve para bater o ainda excelente Petr Cech. O tão bom, Manuel Neuer, viria a brilhar em momentos mais afunilantes e ainda mais decisivos. Afinal, não tínhamos uma semifinal decidida em prorrogação há algum tempo.

Ronaldo, que é um fenômeno mas não o ‘Fenômeno’, fez mais um para o Madrid, e concedia o poder de passagem à final em Munique ao time de Mourinho, que atuava com seriedade.

Ah, o Pepe.

O beque madridista fez pênalti em Gómez, que convertido foi por Arjen Robber – que deve ter tido uma semana dificílima visto o que foi especulado sobre sua briga com Ribéry.
O Barcelona, com 2 a 1 contado a pró, sofreu com a retração das linhas do Chelsea, que fora adaptado a um 4-4-1 – na verdade, era falso, pois Drogba fazia um trabalho fundamentado na recomposição de setores mais defensivos.

Ah, Fernando Torres.

O jogo em Madrid prosseguiu à beira da tensão prevista, e foi para uma prorrogação tensa de dignidade de Champions League.

Em Barcelona, porém, atentem: Messi cobrará um pênalti. E pode – deveria – dar a classificação aos ‘culés’ para a próxima fase – deveria ter dado, já prevendo o que ocorreu. Atentem, porém, para um fato mais exuberante do que a própria figura do gênio da 10 ‘blaugrana’: Messi já perdeu um penal no ano – dois aliás, mas um no Camp Nou diante o Sevilla. Fixação ocorre mesmo no período posterior à batida de penal do argentino: ele perdeu, pela terceira vez no ano, um pênalti.

Afinal, o argentino é humano. Por mais que custe acreditar. Pois custa, muito. Messi contrasta diversificadamente com sua própria figura, composta por seus magníficos feitos, feitos em tão pouco tempo de forma tão fenomenal, elegante e clássica.

Ah, Cristiano.

Assim como o argentino, o luso é fenomenal. Ah, é humano também – mais que Messi. Ronaldo é menos elegante e clássico, mas é mais explosivo, mais deslumbrado, e, ainda assim, extremamente qualificado tecnicamente.

Ainda assim, é um humano tal qual Messi é, e permite-se, daí, um penal mal batido. Enquanto Lionel tirou muito de Cech, e arrematou com relativa força sua batida, Cristiano, que já havia feito o seu de pênalti, tirou pouco de Neuer, o que não o torna um goleiro de menor excelência que Cech.

Para tornar ainda mais irônico, o maior brilho foi de Fernando Torres (estátua de 50 milhões de libras). O Barcelona tomou um contragolpe que sacramentou sua vida na Copa dos Campeões. O Madrid simplesmente foi inapto à conversão de penais.

Duas noites distintas, que paralelas, são bem comparáveis. Pelo menos da visão dos penais. Contudo, é claro que as noites tiveram outros fatos que elevaram a tensão de ambas equipes, que terminaram suas participações com legítimas tragédias, em Camp Nou e em Santiago Bernabeu.

Por tudo que envolve a rivalidade Barça-Madrid, desde o cunho político avaliado e discutido de forma contínua, tanto quanto o atual, que coloca paralelamente figuras das equipes para rivalizarem, compondo mini-confrontos, a semana ficou para a história por uma talvez esperada, mas ainda assim surpreendente coletiva do reservado Pep Guardiola, que determinou o fim de sua estadia no ainda maior time do mundo.

A figura de Josep, por mais que tudo – e para mais que tudo – era o símbolo da elegância, plasticidade, pacificidade, exuberância e diversos outros aspectos que representavam, justamente, a figura do time do Barcelona fora do campo de trabalho. Esses únicos aspectos que compõem o melhor time do mundo e o treinador são transportados à história e fazem parte dela na história do esporte. E fazem uma grande parte nessa história.

Por todos e a Pep, agradecemos por tudo que nos foi mostrado até o dado momento, de forma tão ímpar quanto o caráter do maior time que vi jogar até hoje.

Pois sim, Guardiola disse adeus aos ‘blaugranas’. Mas ainda mantém o mesmo panorama da sua figura, requentada com todos os aspectos introduzidos à equipe catalã.

Ah, Pep. A semana, futebolisticamente, entrou para a história.

Guardiola - a característica vestimenta

Por: Felipe Saturnino

27/03/2012

“Metamorfose”

O São Paulo conseguiu a liderança na rodada-chave para fugir do Corinthians. Sim, fugir; de fato, a palavra é esta mesma. E o senso é o comum. A equipe dos ares de Cícero Pompeu de Toledo necessita ‘escapar’ dos autores da já ‘extensa’ freguesia – apesar de ter acabado, ela continua.

Mudança no posicionamento praticamente não afeta Lucas

E ela continua por esse bloqueio psicológico que impede os tricolores de se medirem, de igual para igual, com a equipe alvinegra. Oras, a pilha antecede o próprio clássico. Complementa o ardor na raiz dos nervos que se dá naturalmente ao atuar no – talvez – maior clássico de SP. Mas fica óbvio que Corinthians e Palmeiras ainda causam estrago – sem querer fazer conexão com o literal estrago causado pela Mancha e a Gaviões.

O time são-paulino conseguiu escapar no ano passado, também, dessa ameaça. Não conseguiu passar do Santos, porém. Esta situação é mais confortável do que enfrentar os atuais campeões brasileiros. O ‘mental’ são-paulino deve ficar mais livre da pilha. E como o jogo diante do Santos seria no Morumbi – na possível semifinal -, e em confronto único, as chances crescem.

Pois, também, o time de Leão vai se moldando. Apesar de não ter feito progressos ainda tão significativos, o técnico adotou um padrão, e o definiu bem. Agora é adequar os jogadores a esse molde. E Lucas tem feito apresentações mais seguras, na legítima ponta-direita que vem compondo pelo São Paulo. Uma mudança não só tão voltada somente à pura tática, mas à sua postura. Ele modificou-se. Refletiu. Nem que tenha sido um pouquinho, e sua ‘metamorfose’ seja ainda, invariavelmente, tímida, como sua figura fora de campo.

Não. Não remeta à faceta do lendário Gregor Samsa – da novela também lendária do também lendário Franz Kafka. No livro do tcheco natural de Praga, o protagonista transforma-se em um inseto – que brilhantemente, durante a narrativa, Kafka descreve suas características sem conceder uma face final do inseto pensado.

Lucas é o ponta-direita do 4-2-3-1 de Leão. A proposta do são-paulino já foi visada aos três beques, mas sem muita repercussão. Ele trouxe o esquema para ser seguro e sucinto. Apesar de uma fase óbvia e entediante de Paulistão, está funcionando.
É um fato, porém, que o comportamento tático do 7 são-paulino – que cobre o seu flanco marcando o lateral-esquerdo adversário – não se diferenciou tanto com a mudança do comandante desde Adilson Batista. Muito pois, se aqui ele é ponta-direita, lá, com Batista, ele compunha esse flanco de forma mais avançada – a proposta que tornou-se fracasso de Adilson era o 4-3-1-2 -, como um lídimo atacante.

Puramente, a mudança do destaque mor do São Paulo, ainda sem descartar Luís Fabiano mas já o fazendo brevemente, aqui, relaciona-se com sua mudança de postura: menos individualização e mais cooperação. Apesar de sua qualidade indiscutível e notável, Lucas precisa da cabeça para ‘metamorfosear-se’ no craque que o São Paulo tanto precisa após já há mais de 3 anos sem nenhuma conquista. A Copa do Brasil parece um belo lugar para terminar esse jejum.

Se essa mudança continuar em Lucas, assim, talvez, o São Paulo moldará-se no time ideal de Leão de forma mais rápida e pontual. Ainda sem Luís Fabiano, a equipe precisa de um ‘algo mais’ para desbancar outros ‘cachorrões’ – brigando pela Copa do Brasil e pelo Paulistão. O mal da falta de Ceni, todavia, é insubstituível e algo que o jovem não pode ainda dar conta. Nesse caso talvez fosse mesmo preciso uma metamorfose digna das hipérboles de Kafka.

Por: Felipe Saturnino

12/02/2012

Tendências

A derrota são-paulina de hoje no Pacaembu era o segundo resultado mais plausível – pelo menos do meu ponto de vista. O empate era o mais normal de acontecer, anotando o palpite puro na charada do segundo domingo de fevereiro.

Para o Corinthians a conquista inicial sobre os eternos rivais é importante após um ano tão bipolarizado – a vitória tricolor com o 100º de Ceni e quebra de tabu, o massacre histórico dos alvinegros e um empate insosso na disputa de primeiro lugar no Brasileirão -, renovando as esperanças de um bom ano quando fala-se de clássicos. A tendência para o time de Tite em clássicos, tratando de ganhar, é grande. O São Paulo sofre com os adversários apesar do resultado histórico no Paulistão do ano passado, mas compreende o significado da derrota de hoje se expusermos um jogo de várias faces distintas.

As tendências do esquadrão de direção leonina ainda não possuem base. O São Paulo se forma e está em um estágio primário de formulação de equipe. A derrota para, talvez, o maior rival, apenas reforça a tese no pensar de um time forte em completa fase de formação e um aparente bom time em estágios pré-formação.

Mas chega a ser fato que o momento mais assustador aos corintianos hoje foi no pós-expulsão de um João Filipe absolutamente patético em campo. Ponderando por seu posicionamento, mais aberto, na lateral-direita, em um ponto mais alto do campo, chega a ser quase aceitável. A atuação irregular e tensa do camisa 21 nos dá outra conclusão. A pegada em Jorge Henrique – que também não é o que parece ser – somente prova o ponto aqui mostrado.

Danilo - o destaque do Corinthians no jogo

João Filipe havia sido um quarto-zagueiro irresponsável no ano passado, com a técnica de um jogador que podia fazer um pouco mais do que sua posição lhe permitia. Ele finalizou o ano em baixa, assim como todo o São Paulo – mesmo com a goleada sobre o Santos em última rodada de campeonato nacional -, e por esse motivo Leão pregou Paulo Miranda em seu lugar, tendo a opção de Édson Silva, ainda.

E quando você reúne tudo isso, num clássico, a tendência não é muito agradável.

Leão bancou o risco de mantê-lo em campo, apesar da frequente exploração de Fábio Santos, que atuava em suas costas, e da incidência de Jorge Henrique, que dava corda para o beque se enforcar. Com Fernandinho, Osvaldo e Maicon em campo, no minuto seguinte, João é expulso.

Justo.

O plano de Leão era agredir mais, mantendo Wellington na cabeça-de-área, Maicon como segundo-volante, Cícero aparecendo na meia-central, Osvaldo pela ponta-esquerda e Lucas pela direita. O jogo era ‘espelhar’ o Corinthians – 4-2-3-1 x 4-2-3-1.

As tendências de agredir o Corinthians apareceram, e o São Paulo partiu para as bolas. Fernandinho chutou até uma perigosa para Julio Cesar defender, a 15 minutos do fim.

O destacado do jogo é Danilo. A sua tendência de sair do time com Douglas pode até permanecer ilesa, mas o técnico gaúcho do atual campeão brasileiro sabe que enfrentará um dilema. O mais sonolento conseguiu ser, ao menos por hoje, um pouco mais empolgante, fazendo até gol contra o time que já havia lhe dado seus melhores momentos como profissional.

Se o São Paulo ficou solto e não conseguiu empatar, o Corinthians segurou pragmaticamente e administrou mais um triunfo no campeonato paulista. As tendências, porém, são relevantes.

No momento pós-penal, que Jadson desperdiçou, pensei comigo mesmo que seria difícil recuperar a confiança e o Corinthians poderia matar o jogo na segunda etapa. Repensei quando vi as ousadas, e ao mesmo tempo doidas, substituições de Leão. Esqueci para o quê tendia João Filipe. Se o técnico tricolor assumiu o risco e não modificou a estrutura física na lateral-direita, o zagueiro cedeu a Jorge Henrique. Que a derrota do São Paulo não seja culpa de Leão, mas que as tendências de assumir risco do treinador e a de João sejam resolutas com o passar do tempo.

Afinal, tendência agora mesmo é o Corinthians ser favorito nos clássicos contra o Tricolor. A não ser que o time em formação tenda a se transformar em um time formado com mais velocidade que o normal.

Por: Felipe Saturnino

23/01/2012

Posturas

O jogo de hoje era aquele do ‘nhem-nhem-nhem‘: o São Paulo tendia, no mínimo, a uns 90% de chance de vitória. Na certa, a equipe deveria levar pra casa os três pontos – tamanha a disparidade técnica entre os times.

A minha atenção se voltou a outros fatos do jogo, mais chamativos e mais interessantes do que a própria vitória do tricolor paulista.

Leão editou um 4-3-2-1 que não havia funcionado com Adilson no 2º semestre do ano passado. Para começar, a equipe pode variar ao 4-3-1-2, com Jadson se postando como o vértice-avançado do losango de meio-de-campo. Nada de disposição com três beques – por ora, pelo menos.

O comandante do São Paulo também elogiou a vontade dos jogadores, que aparentavam desmotivação no que se refere ao fim da última temporada. A maior questão em relação ao time, agora, é sobre Nilmar, o segundo-atacante que poderia fazer a dupla com Luís Fabiano tranquilamente, compondo, no caso, o 4-2-3-1, a moda do momento.

A postura que Leão frisou é a chave para um ano melhor da equipe, pelo menos num comparativo a 2011. Com mais disposição, mais ação, mais empenho. A qualidade pode se expandir e a confiança pode surgir. O mesmo vale para o jovem Lucas.

Ás jogadas de hoje com mais do que se deveria ter deve-se a falta de confiança em que Lucas se afundou no últimos meses do ano passado. O meia tem recursos técnicos suficientes para ser um dos 5 melhores do país com mais holofotes do que se pode ter hoje – num país em que reina Neymar. A postura do garoto é de se ressaltar, na mesma medida em que se torna perigoso o risco de driblar e de se frustrar com um erro infantil. Lucas, porém, tem de aceitar o risco para recuperar a confiança que uma vez já teve. O time são-paulino se baseará muito na sua velocidade pela ponta-direita.

São posturas que modificam times com mais ‘violência’ do que se deveria. É dever do São Paulo mudar sua vontade assim como era dever estrear bem como fez hoje, nos 4 a 0 diante o Botafogo de Ribeirão Preto.

São Paulo e Lucas - recuperando a disposição e a confiança

Por: Felipe Saturnino

05/12/2011

Lições de um campeonato – Parte 1

Da mesma forma com que Jonathan Wilson introduziu seu texto pós-mundial da África do Sul no ano passado, devo atestar que o Brasileirão foi o campeonato do 4-2-3-1 – de um ponto tático, claro. O esquema da moda simplesmente dominou os times daqui, constatando a dinâmica tão bem-sucedida nos tempos atuais do futebol.

Mas também deve-se falar que a sequência mais estonteante de um time no campeonato, e bem possivelmente a de um time em um campeonato em algum tempo de pontos corridos, ocorreu muito além do fato de o esquema estar sincronizado, mas sim ao fato de os jogadores estarem confortáveis com o estado parcial em que a equipe se encontrava. Falo do Corinthians – nas primeiras 10 rodadas fez 28 pontos. Depois, o pragmatismo se tornou um grande vilão – muito pelo esquema previsível. Mas isto é tema para outro post.

O campeonato atestou também, entre outras coisas, um uso razoável de disposição 4 e 4 – mais normalmente 4-3-1-2. Podemos falar que um legítimo 4-4-2 deve estar extinto, sabendo que o nosso campeão da Libertadores, o Santos, atuou o primeiro semestre quase que inteiramente em um 4-3-1-2. O São Paulo de Adilson também jogava assim. Depois, apenas para constatação, migrou para o 4-2-3-1. O uso do esquema foi mais explícito nos jogos diante o Cruzeiro e o Inter – o primeiro foi animado e o segundo foi de dormir.
Aliás, no jogo contra o Inter, a equipe hoje de Leão foi “espelhada” pela equipe colorada. Para evidenciar o tamanho pragmatismo de alguns jogos.

É verdade também que, de um ponto de exposição mais crítico e amplo, o equilíbrio existe por natureza em nosso campeonato. Não temos equipes extraordinárias que terão tanta facilidade para se desvencilharem nos blocos da frente – como Real e Barça fazem na Espanha -, mas se repararmos que times de pelotões da frente todos optaram por esquemas idênticos, no mínimo uma vez na competição, veremos certamente um outro “equilíbrio”, ou mais uma vez, o pragmatismo de que tanto falo. O problema do uso mais frequente dos mesmos esquemas, do mesmos alineamentos táticos.

É claro que também há as variações, as surpresas que sempre são bem-vindas. Um dos melhores times do segundo turno no Brasileirão foi o Figueirense, com direção do ex-lateral Jorginho. No entrave diante o Corinthians, a equipe apresentou transição para o 4-2-3-1, “imitando” o alvinegro. Contudo, o melhor futebol do returno jogava em um 4-3-1-2 tradicionalmente; tinha força no ataque, com Wellington Nem e Júlio César, contenção e reposição rápida no meio-campo central, e ainda articulação – todos atributos de jogadores como Ygor, Coutinho e Elias, normalmente. Os resultados dos catarinenses foram surpreendentes no torneio, em geral. E os números também: a equipe venceu acumulou 50% dos pontos jogados fora de casa – vencendo times como Corinthians, Botafogo, Palmeiras, Santos e Grêmio; dentro de seus domínios, o desempenho vai para 52%, e, apesar de parecerem números pouco espetaculares, para um time recém-promovido à série A, são incríveis, absolutamente incríveis. Checando de uma forma mais ampla, o Figueirense é apenas a terceira equipe do últimos quatro campeonatos que, recém-chegadas, alcançaram o pelotão dos 10 primeiros – as outras equipes foram o Coritiba em 2008 e o Corinthians em 2009. Porém, o time de Jorginho é o primeiro recém-chegado, de 2008 para cá, a ficar no grupo dos oito do torneio.

Times como o Figueirense e o Fluminense, notoriamente, atuaram em um 4-3-1-2 em parte da campanha – fato atribuído em maior escala aos catarinenses. Mas o Flu modificou o seu jeito de jogar, transitando para o 4-2-3-1 em algumas situações. Contra o próprio Figueirense, aliás, a equipe de Abel merecia uma análise mais específica, já que podemos ponderar o resultado de 4 a 0 dos visitantes – os tricolores – com o fato de os catarinenses terem tido mais a bola em sues pés e, também, por eles terem arriscado mais. Muito se resumiu pela atuação excepcional de Fred, e pelo trunfo do 4-2-3-1: o trabalho versátil dos meias na linha ofensiva.

Com isso, o pragmatismo pode ser esquecido, mas, a exemplo do que aconteceu com o Brasil no jogo contra a Costa Rica, em que os jogadores dessa linha ficaram praticamente imóveis por toda a partida, o grande momento de um time na competição ocorreu em 10 jogos, e no pós desse momento, se deu a crise que poderia ter tirado a equipe da briga. Por este fato, uma análise do momento específico do Corinthians no tempo falado exige um outro post – mostrando que a equipe também tinha uma linhagem ao 4-2-3-1, escolhido por Tite, e que fracassou no jogo diante o Tolima.

O possível legado do campeonato nacional - 4-2-3-1

Por: Felipe Saturnino

24/10/2011

Leão e as possibilidades

Leão chegou para ser uma certa indefinição. Assinou até o fim da temporada, porém, sua permanência terá algumas variáveis. E todos sabemos por quais motivos.

O técnico tentará se reerguer e se ativar no mercado – isto é, mais que um simples trabalho, no São Paulo Leão tem a chance de fazer algo relevante. E para isso, o ribeirão-pretano terá que ponderar algumas de suas possibilidades táticas na equipe paulistana.

Adilson Batista falhou usando o losango, um 4-4-2 com maior variação, sem tanto pragmatismo do 4-4-2 das duas linhas britânicas. Porém, sem ser demodé, o técnico resolveu fazer uma transição: usar o 4-2-3-1. Contra Cruzeiro e Inter foi assim. Contra o Atlético-GO, com Lucas de volta, Batista foi de 4-3-2-1, e tornou Cícero um dos compositores da linha do 3 no meio-campo. O Tricolor não venceu uma partida sequer das três citadas.

O declínio de Adilson Batista pode ter se devido à transição do esquema. Passar do losango para um esquema mais ‘retílineo’, com uma linha bem definida no meio-campo, pode ter sido um trauma. Tudo isso pela mudança necessária por Luís Fabiano.

E era necessária. E a variação a que a necessidade é exercida é que Leão vai ter que ponderar. O losango está descartado – creio eu. As possibilidades do novo comandando do Tricolor se restringirão ao 4-2-3-1 e ao 4-3-2-1. No primeiro, ele seguiria o plano mais lógico do contexto atual – é o que Milton Cruz tem executado. No segundo, o plano tático deixado por Adilson após sua série negativa em mais uma passagem traumática por mais um clube de São Paulo seria o predominante. No caso atual, se Leão quiser ter vida longa, terá que optar no uso mais prático de um sistema que vem sendo usado por Milton Cruz e que já havia sido posto em campo com Adilson. Seria o 4-2-3-1. E deverá ser o 4-2-3-1.

Leão - pensando em sua carreira e no 4-2-3-1

Por: Felipe Saturnino

22/09/2011

No pragmatismo e na marcação, o 0x0 decepcionante

No Morumbi, nesta quarta-feira, esperávamos, todos, um bom jogo de futebol. Aquele clássico que fosse eletrizante, tanto um ótimo jogo técnico como um interessante duelo tático no xadrez.

O 4-2-3-1 do Corinthians no clássico: Willian recompondo, pela direita ou esquerda; Alex recuado para auxiliar a compactação; Émerson flutuante; na prática, um 4-4-2 com dois meias abertos

Não valeu por nada. O São Paulo no 4-4-2 com duas linhas de quatro não fez um bom jogo. O Corinthians, com Alex super recuado auxiliando na recomposição, foi de 4-2-3-1 que, alternadamente, permitia a um dos jogadores extremos – Willian e Émerson – a aproximação ao centroavante Liédson.

O São Paulo do 4-4-2 no clássico: Casemiro pela direita, Wellington e Paraíba centrais, com Cícero à esquerda; erro foi não forçar jogo em cima de Ralf, o que tornou o São Paulo pragmático nas suas investidas

Já havia sido dito que o Corinthians é um time previsível até um ponto. Num 4-2-3-1 versátil, a equipe “encaixou” a sequência avassaladora do início de campeonato – com 28 pontos em 30 disputados. O problema começou a surgir quando os desfalques se deram e, de uma forma, o rendimento de alguns jogadores não era o mesmo de antes. Depois da vitória sobre o então líder São Paulo, o Corinthians venceu mais alguns jogos. Diante o Inter, por exemplo. Mas a contundência dos jogos iniciais já tinha ido embora.

O Corinthians do sensacional início de campeonato: 4-2-3-1 prático que tem suporte de Paulinho pelo lado direito, com Jorge Henrique recompondo pela esquerda; ataque pela direita com a ótima fase de Willian, e Danilo fazendo a ligação; apoio de Fábio Santos pela esquerda

A equipe hoje de Adilson Batista, depois do massacre sofrido para o Corinthians na goleada do clássico, começou a achar um conjunto na vitória diante o Coritiba, no Couto Pereira. Venceu por 4 a 3 depois de marcar 4 gols e ter tempo suficiente para construir uma goleada histórica.

O São Paulo que começou a se desenhar nas mãos de Adilson: 4-3-1-2, com Rivaldo como vértice avançado, Paraíba e Wellington nos flancos do losango do meio-campo; Lucas e Dagoberto, afunilando e abrindo espaços na defesa adversária

Ontem, ambos os times pouco fizeram de relevante. O São Paulo conseguiu imprimir um ritmo forte nos primeiros momentos. Após recuperação de Juan – que ia ser incisivo e agressivo em cima de Alessandro – Dagoberto pegou a bola e arriscou, já dentro da área. Júlio César espalmou para lateral. Isso foi aos 5 da primeira etapa.

O jogo ficou pragmático demais. O Corinthians, agora já em um 4-4-2 que liberava Willian e jogava Émerson para o flanco direito, permaneceu improdutivo e muito respeitoso ao São Paulo. E para o time de Adilson faltou aceitar um risco maior. Faltou mexer com a cabeça do Corinthians – que vivia um dos piores momentos desde que Andrés Sanchez se tornou presidente.

Ainda assim, com as exigências do jogo, o São Paulo não conseguiu ser imprevisível. Com Cícero atuando à esquerda, na linha com Carlinhos e Wellington mais centralizados, e Casemiro aberto pela direita, o São Paulo não conseguiu atacar os volantes corintianos. Cícero se tornou bastante periférico para o jogo, e os avanços eram impedidos pelas recomposições de Willian e Émerson. Forçar o jogo com um vértice avançado seria recomendado – jogando Cícero para a meia central e tornando-o o marcável para Ralf, que cobria o lado de Fábio Santos, substituto de Castán no entrave.

Um outro motivo de decepção foi a atuação de Lucas – decorrente também por um pragmatismo do São Paulo. O camisa 7 da equipe do Morumbi jogou em cima de Paulo André – que fez partida muito segura ao lado de Wallace.

O Corinthians tinha Paulinho, como segundo volante, ocupando espaço para impedir os avanços de Carlinhos Paraíba. Alex voltava mais para recompor o jogo. Em alguns momentos, até mesmo Liédson ocupava espaço para marcar o volante Wellington, do São Paulo. Quebrar o primeiro passe da saída era fundamental.
E a equipe de Tite jogava pela bola. Que apareceu, aliás. Duas, mais exatamente. A primeira com Émerson, aparecendo na área e cabeceando para fora. A segunda se originou pela mudança de Piris por Rodrigo Caio, que perdeu a bola após um erro ridículo e deu a chance ao Corinthians, agora com Willian. O chute foi em um dos beques são-paulinos. Neste momento, o São Paulo tinha um meio-campo com Rodrigo Caio – primeiro volante -, Carlinhos Paraíba – à esquerda -, Casemiro – à direita – e Rivaldo, que substituiu Cícero. Wellington foi para a lateral-direita.

Em nenhum momento, porém, o São Paulo assumiu um maior risco. Em ao menos 80 minutos de jogo, o time atuou com a linha de quatro, sem modificação. O Corinthians, brigando por um empate que amenizaria o mau momento, saiu do Morumbi com o resultado que queria. O São Paulo arriscou pouco e pecou pelo que seu rival no momento não tinha enquanto atravessou um momento de derrota: imprevisibilidade.

Por: Felipe Saturnino

25/08/2011

A importância de um bom passe e de uma referência

Há tempos insisto que algumas situações em equipes que não conseguem atuar bem são denominados problemas de “articulação”. Pois é, acontece muito nos times mas é algo que pode virar clichê.

No São Paulo de ontem, não faltou evolução de jogo e desenvolvimento no campo adversário, mas sim, um passe qualificado – a falta que um Rivaldo, mesmo com seus trinta e tantos anos, faz. Sim, o passe qualificado, com um tripé de volantes que parece ter recursos para fazer uma transição com qualidade suficiente.
Mas a falta de um jogador mais refinado consiste. Lucas é um condutor de bola, que tem muitos recursos. Dagoberto e Fernandinho são atacantes, mas nenhum deles é referência.

E ontem, no 4-3-1-2, o São Paulo idealizado por Adilson Batista só conseguiu se encontrar no segundo tempo, sabendo que não ameaçou a equipe do Ceará na etapa inicial. O time de Vágner Mancini clamava por uma jogada de maior velocidade, para encaixotar a equipe paulista. No 4-4-2 que libera os laterais e persiste com Edmílson aprofundando a posição de um volante, o Ceará nada conseguiu. Osvaldo caiu pelos lados, flutuando por trás de Marcelo Nicácio, preso entre os zagueiros. Egídio, um lateral apoiador mas pouco combativo, perdeu quase todos seus confrontos com Iván Piris, sempre atento à marcação.

No segundo tempo, com um passe mais qualificado, o time do Morumbi achou três gols. O primeiro demonstra a falta de um meia central avançado com mais recursos do que Lucas e uma referência, que foi executada por Cícero em um belo gol de domínio e chute.
Depois, as jogadas dos gols basearam-se em velocidade, uma marca deste São Paulo nos últimos confrontos.

O time ideal de Adilson Batista precisa de uma qualificação no passe e uma referência. Há de se dizer que um time pode funcionar sim, sem uma referência. Mas sem um bom passe, não, a transição meio/ataque não é executada.

Dagoberto - autor de um dos gols no jogo


Wellington fez jogo seguro como primeiro-volante e tem de se falar que o bom zagueiro João Filipe fez uma atuação digna de um 7,5. Como Ceni disse ao final do entrave, “jogou muito bem”.

Botafogo x Atlético-MG: no 4-2-3-1, Caio Júnior deu ao Botafogo uma cara. O time de MG foi de 4-3-1-2, com Fillipe Souto fazendo o volante primário, mas distribuindo bem o jogo. Richarlyson simplesmente fez um jogo muito esforçado mas pouco produtivo. O time de mineiro precisa se achar, caso contrário, amargará seriamente a ideia do rebaixamento. Os botafoguenses avançaram jogando em um nível mais baixo em relação a entraves anteriores, mas, mesmo assim, com um pênalti marcado de forma equivocada, foram superiores aos atleticanos. De olho no time de Caio Júnior, com jogos promissores. Com exceção desse, é claro.

Por: Felipe Saturnino