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04/02/2012

Tite e seus três meias

O início de ano no futebol aqui, em terras tupiniquins, nunca é contagiante. Sempre leva um tempo para engrenar até os jogos entre os figurões, que ocorrem lá para frente na competição. É a questão debatida já há algum tempo sobre o valor dos estaduais.

O 4-2-3-1 corintiano com apenas um meia original: Douglas dinamiza, por dentro, com os pontas; Paulinho avança espontaneamente, como de praxe

O Corinthians começou o ano, do começo sempre debatido, de forma eficaz: batendo seus quatro primeiros rivais, todos por um gol de diferença, apenas. Da mesma forma com que finalizou o ano passado. E Tite, como não poderia deixar de ser, manteve o esquema da moda que exerce no alvinegro desde sua entrada no clube. Por este dado motivo, a conquista corintiana no Brasileirão do último ano foi a da perseverança, da convicção por parte de Tite. Pois chances para mudar, bem, deveras ele tinha.

Faltavam opções para o gaúcho – que ele simplesmente resolveu com o revezamento entre Alex e Danilo. Apesar da regularidade de Paulinho, o mais exaltado da esquadra no final do ano que já passou, e de seu companheiro de setor, Ralf, o que faltava aos alvinegros era mais um meia que pudesse dinamizar mais facilmente com os outros dois ‘pontas’ – fossem Willian, Emerson ou Jorge Henrique.

Ao contratar o velho conhecido Douglas – que teve uma passagem com ótimos momentos em 2009, na conquista do Paulistão e da Copa do Brasil -, o Corinthians ganha em qualidade – evidentemente – num setor em que as opções eram devidamente limitadas para exercer a função de meia central. O ex-Grêmio tem recursos apurados para ser uma outra boa opção, mas sabe que, certamente, será uma de suas últimas chances para jogar razoavelmente bem num time de alto escalão em âmbito nacional. O canhoto é bom, mas carrega desconfiança aos ares de Parque São Jorge.

Com o catarinense figurando dentre as possíveis escolhas de Tite, o dilema surge, bem objetivamente, voltando as atenções aos três meias principais do time: Alex, Danilo e o próprio Douglas.

De forma sucinta, Tite deve consistir com os dois primeiros atuando de forma mais espontânea e natural, mas, cedo ou tarde, Douglas, já candidato a ser nº 10, se sucederá a um posto de titular. A questão será mais afunilada quando o assunto for a Libertadores, e o técnico terá de fazer escolhas mais certeiras. Opções, porém, ele tem.

Para modificar um jogo contra um ‘cachorrão’ na competição que os torcedores corintianos mais ambicionam, Douglas pode figurar consideravelmente nas relações de convocados. A chave para ele será assimilar a importância de jogar onde se precisa de uma opção após uma passagem irregular no Grêmio. Suspeitar do ex-10 do Corinthians nos anos de 2008 e 2009, hoje, é algo muito aceitável. Tite agradece por uma saída alternativa, apesar de todos os poréns muito existentes do meia.

Douglas - voltando para tentar voltar

Por: Felipe Saturnino

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04/09/2011

A falta que um meia (jogando bem) faz

Tcheco e Danilo - o corintiano fez jogo fraco; o coritibano atuou bem no jogo 'espelhado'

Espelhar: gíria técnica dos técnicos sobre implantar mesmo sistema tático de seu adversário e, assim, estabelecer confrontos táticos idênticos no campo

Quando no Couto Pereira Coritiba e Corinthians começaram a jogar, logo seu viu que a previsibilidade dos sistemas táticos definiria o jogo. Ou melhor, quem fosse imprevisível ao seu mais alto ponto, venceria o jogo.

No 4-2-3-1, os dois times espelhados estabeleceram confrontos táticos importantes no jogo. O Corinthians havia desistido de Danilo e Alex num mesmo esquadrão e foi com Willian, Jorge Henrique e Danilo, este último centralizado. No Coritiba, os meias ofensivos eram Marcos Aurélio – escapando pela direita e vindo por dentro -, Tcheco, como meia central, e Rafinha, indo pra cima de Alessandro no lado esquerdo curitibano.
Pela ideia lógica, o time que melhor aproveitasse a linha dos meias ofensivos, jogando-os para cima de um volante e dos laterais, venceria o jogo. Sim, quem fosse mais incisivo, ofensivo e intenso venceria o jogo do “espelho”. Pois pelo sistema estabelecido, prende-se o volante adversário para marcar o meia central, e joga-se o meia pela esquerda ou pela direita para cima de um dos laterais.

E o Corinthians não conseguiu produzir nada tão relevante. Apenas amedrontou o Couto Pereira em dois lances de Alex, um com o gol mais que claro, e outro em chute de longa distância. O outro momento perigoso foi de Willian, nos segundos finais. O 7 corintiano voltou a jogar em um nível aceitável, porém, mesmo assim, não conseguiu resolver a vida dos comandados de Tite.

Os 4-2-3-1s da perspectiva do meio-de-campo: Coritiba forte com Rafinha e Corinthians sem 'prender' Donizete

Pois sim, o meia central é importante no confronto. Danilo pouco produziu e assim não atraiu o volante coritibano, Leandro Donizete. E quando o fez, nada fez com a pelota nos pés.
Enquanto Tcheco, Rafinha e Marcos Aurélio faziam uma boa partida na linha dos meias do Coritiba. E uma hora, pela ofensividade de Rafinha, pela cadencia de Tcheco – que, aliás, sofreu uma luxação em um de seus dedos – e pelas investidas de Marcos, o gol sairia. Sim, o gol estava maduro. O Corinthians não produzia nada e era atacado. Constantemente.
Moradei é limitado demais para jogar no Corinthians, e sofreu muito depois que Marcos Aurélio foi jogar centralizado, com Éverton Costa entrando no lado esquerdo – substituição ousada e boa que Marcelo Oliveira executou

Até que, aos 28 minutos da etapa complementar, o Coritiba fez o tento. Merecido.

Mais uma vez, Tite pecava em insistir em um Danilo apagado, e também por não tentar tornar o sistema mais imprevisível. Tanto que Alex entrou bem no jogo.

Mais que tudo, agora, o Corinthians tende a mudar o sistema. Pois pela falta de um meia central que seja efetivo, mude por suportar mais pontos de criação. Um 4-4-2 pode funcionar. Mas vai por Tite, óbvio – que hoje, aliás, não teve a ousadia do treinador dos coritibanos.

Ainda assim, o Corinthians é líder. Mas sem a mesma força que antes tinha.

Por: Felipe Saturnino