Posts tagged ‘Uruguai’

24/07/2011

Copa América XX – Uruguai 3 x 0 Paraguai: Proposta e contraproposta

Os uruguaios venceram o Paraguai mostrando a melhor exibição da Copa América 2011. Um jogo de imposição de uma seleção que renasceu e subiu do lugar que jamais deveria ter estado, porém, frequentou.

A seleção bicampeã mundial bateu o Paraguai que chegou à final empatando todos seus jogos, – feito incrível – vencendo um figurão nos pênaltis, e derrotando a Venezuela no mesmo enredo. Contra o Brasil, uma proposta defensiva, também imposta pela superioridade brasileira, mas a displicência em não converter gols. A equipe tinha talento suficiente para tentar algo diferente. Estigarribia jogou, mesmo assim foi pouco contra o Brasil. Mesmo assim, os paraguaios passaram. Na semi-final, vitória paraguaia contra a Venezuela. A mesma proposta, cedendo a bola, hesitando em atacar e ser agressivo. O que, de fato, é válido no futebol.

Uruguaios campeões - contraproposta eficiente

A proposta paraguaia se baseia em bloquear avanços adversários por meio de marcação imposta por seus volantes, barrando demais subidas de laterais e meias adversários. Ao adversário, resta atacar e se impôr. Porém, também requer cuidado na retaguarda, já que um contragolpe pode ser mortal. A única saída qualificada que se viu no Paraguai nesta Copa América surgiu de Marcelo Estigarribia, que fez bons jogos na competição.

Para vencer os paraguaios, era preciso um avanço mais “preparado”, de fato. Precisava-se de participação de volantes, algum avanço de lateral, e etc.
Seus atacantes precisavam definir como poucos, e não poderiam perder chances como muitos. O Uruguai teve um pouco disso, que bastou para derrotar o Paraguai em Buenos Aires.

Ambas as equipes jogaram no 4-4-2: o Uruguai teve um desdobramento – 4-4-1-1 -, pois Forlán é o enganche que faz a ligação meio/ataque. Álvaro González jogava pela direita e, do lado oposto, Álvaro Pereira se postava mais defensivamente para proteger o lado de Cáceres, o lateral-esquerdo uruguaio. Arévalo e Pérez eram os volantes. Nenhum desses dois tem recursos para participar da criação do jogo pela frente. Era preciso que Forlán, mais preso aos volantes adversários, fizesse a ligação da transição meio e ataque.

O Paraguai, também no 4-4-2, foi na proposta defensiva: Ortigoza e Víctor Cáceres eram volantes, com Riveros e Vera como jogadores mais periféricos. Em suma, todos eram volantes, de fato. Nenhum destes, ao contrário do Uruguai – que tem Forlán – poderia carregar a bola ou ligar o meio/ataque. Riveros era o que tinha um pouco mais de “operância” no ataque, pela esquerda; pela direita, Vera protegia mais do que avançava. No ataque, Váldez e Zeballos tentavam algo que resultasse em gol. Nada.

Até pelo fato de o Uruguai ter pressionado desde o primeiro momento – mesmo fazendo parte da devida proposta do Paraguai. E teve chance logo com dois minutos de jogo, após boa cabeçada de Lugano – Ortigoza pegou a bola com a mão, e foi pênalti não-marcado. O Uruguai já monopolizava as ações, mas dessa vez não faltaria competência aos finalizadores. Suárez, sucinto, fez seu lindo gol aos 11 min, após ter limpado Verón com sutil toque do pé direito para o canhoto.

Já era notável a superioridade uruguaia. E, finalmente, foi mostrada em gol. Muito se deve à inoperância paraguaia, que não conseguiu articular seu jogo. Com Forlán flutuando pelo campo, mais precisamente jogando por trás dos volantes adversários, o Uruguai era sublime. Jogava com autoridade, mesmo com um Paraguai que ia ascendendo no jogo, aos poucos, claro.
Bastou um erro na saída de bola para o melhor volante da Copa América – Arévalo Ríos – passar a bola para Diego Forlán faze seu tento e praticamente sacramentar uma vitória que representava o 15º título das Américas para o Uruguai.

No segundo tempo, o panorama começou com um Uruguai exercendo um “pouco” da proposta paraguaia, cedendo a bola ao adversário e o esperando em seu campo. Os paraguaios resolveram atacar, e avançaram seu lateral, Piris, para liberá-lo ao apoio, e colocaram Estigarribia em campo para dar mais uma opção de jogo – ou melhor, dar ao menos uma opção de jogo. Uma proposta defensiva paraguaia que não funcionou em nada e era quebrada, com a entrada ainda de Pérez, atacante, e ainda com Barrios.

Nada funcionou. Os paraguaios mantiveram o esquema 4-4-2, com Estigarribia pela esquerda e Pérez pela direita. A equipe de Martino já estava quebrada o suficiente para o Uruguai se autoproclamar campeão das Américas. Com Cavani, os uruguaios foram atuar no 4-3-3 que não funcionou nas primeiras partidas, mas que pouco influenciaria neste entrave. Forlán fez sua melhor partida na competição, assim como Luis Suárez. O Uruguai, também.

A contraproposta campeã apresentou o domínio evidente das ações do jogo, com proteção, ligação, finalização qualificada, segurança, consciência e responsabilidade. Foi brilhante o jogo que os uruguaios fizeram no dia de hoje. Pode-se afirmar até mesmo que deve-se pela covardia paraguaia, mas os uruguaios fizeram os invictos e convictos de sua estratégia, os paraguaios, derrotados por três a zero.

Assim sendo, algumas coisas devem ser constatadas ao final da Copa América:

– O melhor time da América do Sul é sim o Uruguai, e é também o que possui mais tempo de trabalho sob o mesmo comando (6 anos e 4 meses);

– O Paraguai é bom time, porém desfrutou de uma proposta defensiva em excesso, o que o fez ter atitudes discutivelmente “covardes”;

– Argentinos e brasileiros sofrem de problemas de reformulação e renovação, o que faz o trabalho mais cadenciado. Mesmo assim, pode-se exigir maior competência e atuações melhores de seus jogadores;

– A surpresa maior da Copa América, para mim, foi a Venezuela; em segundo, vem o Peru;

– Ao meu ver, mesmo não estando no mesmo nível de futebol, o Uruguai habita o 1º escalão do futebol mundial, que é constituído, hoje, por Espanha, Holanda e Alemanha.

NOTAS:

Uruguai

O melhor da final e da Copa América - Suárez triturou a defesa uruguaia ao lado de Forlán


Muslera 6,5
M. Pereira 6,5
Lugano 6,5
Coates 6,5
Cáceres 6
Arévalo Ríos 7
Pérez 6,5
A. González 6,5
A. Pereira 6,5
Forlán 8
Suárez 8
Cavani 7
Eguren 6
Godín sem nota

Paraguai

Villar 6
Piris 6,5
Da Silva 6
Verón 5,5
Marecos 5,5
Vera 5,5
Víctor Cáceres 5,5
Ortigoza 6
Riveros 6
Zeballos 6
Haedo Váldez 6,5
Estigarribia 6
Pérez 6
Barrios sem nota

Por: Felipe Saturnino

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23/07/2011

Copa América XIX – Os 11 e os palpites

Depois de 22 dias de jogos, – decepcionantes, há de ser dito – estamos chegando ao fim da Copa América. Hoje Peru e Venezuela duelam pelo 3º lugar e amanhã teremos uruguaios e paraguaios fazendo a final.

O nível da competição é relevante, de ser dito, obviamente. Não sei se leva o motivo de considerar o final da temporada europeia e os jogadores, possivelmente, estarem esgotados. Ou de fato o futebol está nivelando, ou, também, pode ser que os figurões de sempre, brasileiros e argentinos, tenham suas seleções ainda em reformulação e renovação. Os argentinos tem mais nomes veteranos no elenco, o que os brasileiros tem como quase igual. Porém, há de se falar que carregamos em alguns jovens nossa esperança, o que torna a seleção mais vulnerável a golpes. Não evoluímos, em nada.
Porém, os uruguaios e paraguaios se afirmaram. Seja por isso, estão na final. Ambos os dois derrotaram argentinos e brasileiros, respectivamente.

Os finalistas se afirmaram pois, de fato, trabalham há mais tempo juntos. Os uruguaios chegaram na final com maior merecimento – o que não pode se discutir em relação aos paraguaios. Mas, há de se falar que os paraguaios fizeram uma Copa América um pouco abaixo do esperado. Os empates refletem o nível técnico, de uma equipe pouco produtiva da seleção de Gerardo Martino.

Estamos aqui, então, para selecionar os melhores da Copa América. Para mim, estes são os 11 melhores.

Fernando Muslera – goleiro do Uruguai: sua atuação diante os anfitriões foi a melhor de um jogador na Copa América, quando analisado a fio. Fez defesas brilhantes e decisivas no jogo, e jogou regularmente na Copa América inteira – salve o lance diante o Peru, em que quase resultou numa falha. Nota: 7,5

Maximiliano Pereira – lateral-direito do Uruguai: não é brilhante, nem foi, mas de fato foi seguro nas suas atuações, mesmo sendo “atazanado” um pouco por Agüero nas quartas. Foi protegido por volantes, é claro, mas isso não tira o seu méritos em um bom apoio. A vaga teria ficado com o brasileiro Maicon, porém, teria que se manter em um nível regular. Maxi Pereira conseguiu, mesmo não sendo brilhante e eficiente em nenhum jogo do Uruguai. Nota: 6,5

Paulo da Silva – zagueiro do Paraguai: foi bem na competição, sendo o melhor defensor de uma zaga paraguaia um pouco insegura em alguns momentos. Fez par com Alcaraz, e também com Verón, nas vezes que este não foi lateral. Da Silva cometeu apenas uma falta na Copa América – acredite – e realizou 29 desarmes em 5 partidas disputadas. Não é o mais técnico da Copa, mas foi o que teve atuações mais regulares e interessantes. Por estes motivos já citados, ele ganha a vaga na seleção. Nota: 7

Oswaldo Vizcarrondo – zagueiro da Venezuela: foi bem em seus jogos, dando estabilidade para a defesa. Realizou 15 desarme – mias da metade que seu companheiro de seleção da Copa América – e fez 5 faltas. Compreensível para uma defesa que foi vulnerável para a competição e sairá com boa imagem, certamente. Nota: 6,5

Pablo Armero – lateral-esquerdo da Colômbia: mesmo com o fracasso dos colombianos na competição, a equipe mostrou peças interessantes e notáveis. Como os “portugueses” Falcao e Guarín, e também, destaco aqui, logicamente, o lateral Armero. Fez boa temporada na Udinese, fazendo dois gols em seus jogos. Apoia bem, aparece no ataque, havendo tempo para recompor a defesa colombiana. O colombiano de 24 anos fica com a vaga por se destacar no apoio qualificado e ser protegido por bons zagueiros colombianos. Nota: 7

Arévalo Ríos – volante do Uruguai: o ótimo volante uruguaio fez ótimas atuações na Copa América. Sua melhor, para mim, foi diante a Argentina, quando teve de se cuidar com Messi jogando pelo seu setor. Soube lidar e por isso está na seleção da Copa América. É mais um jogador que manteve-se regular em um Uruguai que começou com deficiências em articular jogadas pela frente, mas sempre obteve êxito em jogadas defensivas, mesmo com Lugano não sendo o de sempre na zaga central. Arévalo tem poder de marcação, e comanda os cabeças de área uruguaios. Nota: 7

Seleção da Copa América no 4-2-3-1: força pela esquerda com Armero e Estigarribia; pela direita, Messi com liberdade para flutuar pelo campo, tendo cobertura de Ríos; Guarín sai sendo segundo-volante para dar suporte a Forlán, o enganche da articulação

Fredy Guarín – volante da Colômbia: outro que destacou-se apesar do fracasso colombiano. Sua temporada em um forte Porto de Villas-Boas o trouxe para a Copa América como um dos melhores segundo-volantes que existem, um jogador com boa presença pela frente, que passa bem a bola e consegue compor o meio-de-campo. Está na seleção por apresentar isso em seus jogos, superando neste quesito o brasileiro Ramires, outro que decepcionou muito na seleção brasileira, que poderia estar aqui também. Guarín merece a vaga aqui. Nota: 6,5

Marcelo Estigarribia – meia do Paraguai: o bom canhoto paraguaio fez ótima competição até aqui, sendo a arma paraguaia nas saídas de jogo. Foi bem no empate contra o Brasil, ainda na primeira fase, participando dos dois gols. Sendo a opção do jogo paraguaio, reagiu bem e foi o melhor na posição, com boa velocidade em suas jogadas. Por isso, ganha a vaga até aqui. Nota: 7

Lionel Messi – meia/atacante da Argentina: o melhor do mundo não fez tudo o que podia, mas jogou muito bem nas últimas duas partidas. Por este motivo, ganha a posição, até pelo fato de nenhum ganhar a sua posição na seleção da Copa América. Messi fez suas melhores atuações atuando do lado direito para dentro, e por isso foi bem contra a Costa Rica e o Uruguai. No final da era Rjikaard no Barça, era o que ele fazia. Justamente, foi o que Batista fez. Deu certo, mas não bastou. Mesmo assim, ele ganha a vaga. Nota: 7

Diego Forlán – meia/atacante do Uruguai: jogou as últimas duas partidas bem, e por isso, ganha a vaga na seleção. Sua atuação contra o Peru foi boa, e isso o faz entrar aqui neste time. Como enganche, ele fez o jogo uruguaio fluir interessantemente, mesmo estando apagado nos primeiros dois jogos. Merece a posição por isso, e pelo que ainda está por vir – me refiro à final. Nota: 7,5

Luis Suárez – atacante do Uruguai: fez boas apresentações na Copa América, como diante o Peru e contra a Argentina, também. Mesmo estando apagado no início, ele também fez o time fluir e marcou gols fundamentais para classificação do Uruguai até a final. Merece a posição por isso e pelo que pode fazer na decisão. Nota: 7,5

Palpites:

Peru 0 x 1 Venezuela

Uruguai 2 x 1 Paraguai

Por: Felipe Saturnino

20/07/2011

Copa América XVIII – Peru 0 x 2 Uruguai: Quando seu craque e seu artilheiro jogam

Para se ter um futebol qualificado em um time, deve-se possuir, primordialmente, um elo para criação, com um jogador ou um conjunto que pode criar chances para serem concluídas finalmente em gol. Este é o setor mais importante de um time de futebol.
Tão importante quanto este elo de ligação é o setor ofensivo de conclusão de chances, para enfim, converter-se em gol.

Quando os setores funcionam em alguma harmonia, algum resultado convincente se tem também. Hoje, foi o Uruguai que finalmente fez uma apresentação convincente, sem descartar o jogo diante a Argentina. Mas aquele foi uma exceção – sabendo que os uruguaios jogaram com um a menos por 50 minutos ou pouco menos que isso. Hoje, Forlán jogou bem, e Suárez aproveitou seu oportunismo, dando uma aula de conclusão e finalização em gol.
No 4-4-2 de Oscar Tabárez, Diego Forlán jogou mais recuado, como um enganche para criação de jogadas, desdobrando o esquema em 4-4-1-1. Álvaro Pereira atuou pelo lado esquerdo, dando suporte à marcação e tentando carregar a bola e abrir o jogo por aquele lado. Assim, mas mais ofensivo, Álvaro González o fez pelo lado oposto.

Com Forlán fazendo a ligação tão devida e necessária, fazendo bons passes em um Uruguai bem arrumado, a vitória apareceu. O Peru tinha no lado esquerdo o seu maior trunfo, com Vargas. No lado direito, Advíncula aparecia, mas com menos eficiência, mesmo dando trabalho para Álvaro Pereira e Cáceres. Sérgio Maskarían optou por um tipo de 4-1-3-2, com Balbín fazendo a proteção e confrontando Forlán, Cruzado e Yotún variando as posições e Advíncula, já citado, fazendo o lado direito.

Talvez uma variação que tenha finalizado mais opções peruanas do que apenas e somente jogar com Vargas, o ótimo canhoto que foi expulso justamente, foi a mudança de posicionamento de Advíncula, indo do lado direito para atuar mais pela esquerda. Por lá, o lado forte do Peru, um espaço foi deixado por ambos, fazendo com que Maxi Pereira chegasse batendo de frente com Vilchez, um prático

Luis Suárez - o melhor do jogo fez dois

zagueiro peruano da linha de quatro jogadores ultra defensivos.
Por conseguinte, Forlán tomou conta no confronto do meio-de-campo, contra um Peru possuindo apenas um “lado bom“. Assim, deu-se a todo momento do embate um tempo para Luis Suárez e Diego Forlán brilharem. E brilharam, quando mais precisaram.

Quando seu craque e seu artilheiro jogam bem, ambos saem satisfeitos. Aliás, ajudam o time também, por serem muito importantes no desempenho. Forlán vai evoluindo quando os uruguaios mais precisam, assim como Suárez, o melhor do jogo de hoje.

Por: Felipe Saturnino

17/07/2011

Copa América XVI – Argentina 1 x 1 Uruguai – 4 x 5 nos pênaltis: Inóspito

É notório que o Uruguai não teme anfitriões. Resgate o exemplo clássico – o Brasil falhou ao perder a Copa de 1950 para os uruguaios, no Maracanã.

Os uruguaios se superam como poucos. Remetem heróis, dos mais valentes, com mais garra, que chegam até mesmo se exceder. Mas, de fato, eles têm doses de heroísmo no sangue que poucos possuem. Poucos mesmo.

A Argentina de Batista manteve o 4-3-3, e valorizou a bola mais do que tudo. Há de se ressaltar que no 4-4-2 uruguaio, não havia um jogador que conseguisse, em momento algum, segurar a bola e administrar o jogo, fazendo a ligação. Forlán estava comprometido em jogar pela frente, ao lado de Suárez. Enquanto isso, Messi dava problemas a Álvaro Pereira e Cáceres, no lado esquerdo uruguaio. Messi jogava da direita para dentro. Criou chances, costurou adversários, deu passe pra gol, – e outros que simplesmente não foram convertidos – driblou, fez tabela, chutou…
Simplesmente, quando houve a chance, Muslera estava lá para barrar o atacante que estava para converter a bola, tornando-a um tento constatado. E nisso, o jogo estava 1 a 1, na prorrogação. Pérez fez o primeiro – erro total da defesa argentina – e Higuaín empatou – com passe brilhante de Messi.

No segundo tempo normal, Tévez entrou para fazer a meia esquerda argentina, substituindo Agüero, que fez uma partida pobre. Enquanto isso, já na prorrogação, Lionel tentava fazer o seu. Pastore já havia entrado também, e estava compondo o meio-de-campo com Tévez e Biglia na prorrogação.

Muslera - fez a melhor partida da carreira

Voltamos a Messi. Que jogou bem. Então como os uruguaios passaram dos argentinos? Simples. Como já citei acima, em quaisquer das linhas, os uruguaios conseguem se superar como poucos. Foi assim em 1950, no ano passado – diante Gana – e ontem, bem, ontem também foi deste jeito. Muito se deve a Muslera, – que fez uma defesa brilhante e outra sensacional – Lugano, Arévalo Ríos, Forlán, e outros.

Quando houveram os pênaltis, os uruguaios foram mais fortes: venceram. Fortes, não desperdiçaram chance alguma, jogaram com um a menos quase a partida inteira, se seguraram bem e se fecharam em um 4-3-2; seguraram Messi, Agüero, Higuaín, Tévez, e qualquer um que for.

E não foi culpa do Tévez, nem de Messi. Os argentinos tiveram chances para vencer os uruguaios; porém, quando não foram incompetentes para converter a chance em gol, encontraram Muslera, que fez a melhor partida da sua vida.

Assim como Muslera, inspirados estavam Lugano, Scotti, Ríos, Forlán…

Muslera foi brilhante. O Uruguai, inóspito, foi sublime. Venceu a maior rival, e está nas semis.

Por: Felipe Saturnino

16/07/2011

Copa América XV – Crônicas argentinas e uruguaias

Bastou para a Argentina jogar necessariamente bem para se classificar. Messi conseguiu jogar um pouco do que pode, só pondero em relação à Costa Rica – que mesmo com um time sub-23 conseguiu levar três pontos para casa. Agüero fez um bom jogo atuando pela esquerda, Di María compôs o meio-de-campo ao lado de Gago, outro que apareceu bem no jogo. Higuaín talvez tenha sido o pior desses, sabendo que não fez seu trabalho de finalizar eficientemente – neste quesito, foi displicente.
Ao Uruguai, bastou também jogar bem. Uma vitória simples, também sobre um time sem configuração consistente – falo do México. Com tento de Álvaro Pereira, os uruguaios passaram para a próxima fase. Este, aliás, deverá jogar pela esquerda hoje – pela lógica, baterá com Messi no posicionamento. Cristian Rodríguez também entrou, foi bem. Ajudou a equipe pela esquerda, atacando e compondo a linha de 4 homens do 4-4-2 de Tabárez. Forlán e Suárez foram pela frente. O primeiro, aliás, não marca gols pelo Uruguai desde a Copa do Mundo, quando fez dois contra a Alemanha na decisão de terceiro lugar. Mudando de setor, Álvaro González pode ser mantido no meio-de-campo, se aproximando dos atacantes pela direita – mantendo o 4-4-2. Arévalo Ríos e Pérez terão de estar bem na marcação para desarmar e barrar os avanços argentinos apresentados diante a Costa Rica. Com Di María fazendo uma boa aproximação, ajudando Messi para fazer a bola trafegar com sucesso no time argentino, e ainda com Fernando Gago para fazer a bola sair um pouco melhor dos pés dos volantes, Arévalo e Pérez terão de jogar bem.
Num outro lado, é notória a falta de confiança na defesa argentina. Suárez e Forlán não terão facilidade, muito menos os zagueiros argentinos. Os laterais – Zabaleta e Zanetti – terão de ter cuidado com as saídas periféricas e, provavelmente, terão jogadores em suas marcações – os wingers uruguaios.

Com tudo isso em plano de jogo, enfim, vamos ver quem é quem na Copa América.

Meu Palpite: Argentina 2 x 0 Uruguai

Por: Felipe Saturnino

08/07/2011

Copa América IX – Uruguai 1 x 1 Chile: Equipe chilena joga melhor e Uruguai declara defeito

O Chile, reeditado por Borghi, tem quase a mesma forma e disposição tática que a do antecessor ‘Loco Bielsa’. Uma equipe que se baseia em toque de bola vertical, com movimentação de laterais e a presença de Alexis Sánchez, ótimo atacante da Udinese, que é pretendido pelo Barcelona. A equipe intimida um pouco. De fato é boa. Jogaram num 3-4-1-2 diante o México, e tivera vencido a equipe adversária. No jogo contra o Uruguai, porém, esperava que o Chile caísse, perdesse diante uma equipe que tem tudo – ou tinha – para ganhar, e não para demonstrar o que brevemente descreverei nas linhas abaixo.

O jogo de hoje foi muito bom, na realidade, o melhor que vi em uma pobre e carente Copa América. O Uruguai, com Forlán, Cavani e Suárez, intimida, e muito seus adversários. O meio-de-campo deixa a desejar – por ora. O Chile foi com um esquema um pouco distinto. Borghi usufruiu do 3-4-2-1, com Jiménez no lugar de Fernández e Sánchez atuando na linha de dois jogadores. Assim sendo, Suazo cumpriria a função de acordo com a ordem expressa por Claudio Borghi.

Eu diria que, naturalmente e, estranhamente, o Chile dominou as ações do jogo, sempre, sempre. Quando perdeu o rumo, Sánchez tratou de colocar o Chile de volta no caminho. Logo quando o Uruguai estava um pouco superior no jogo.
Muito do domínio das ações se dá pelo choque tático que um esquema de três zagueiros sofre quando atua diante um esquema mais “tradicional”, como o Uruguai. O Chile, claramente, levava vantagem no meio-de-campo, com praticamente 4 jogadores, diante os três uruguaios – o Uruguai jogava em um 4-3-3. Ainda havia uma ajuda de Sánchez e Jimenez, ou seja, somavam-se seis. Todavia, há de se citar que, por contraponto, no combate homem-a-homem, o Uruguai levava vantagem, por três atacantes conflitarem com três zagueiros – em tese, claro.

Um pouco disso aconteceu – o Chile tomou conta do Uruguai. O confronto direto, não. Quando ficou mais claro, o Uruguai tratou de fazer o gol. Mas, o Chile mostrou-se mais time no entrave. O domínio merecia uma vitória aos chilenos. O Uruguai, muito pelo fato de atuar com um meio-de-campo em que Forlán é o vértice, que chega mais ao ataque, pouco produziu. As linhas uruguaias, há de citar, também estavam distantes uma das outras. Muito pelo fato de a linha de quatro chilena se sobrepôr ao Uruguai. Mais uma, tem de se falar: Forlán não tem jogado bem. Quando volta para buscar jogo, seu futebol tem se mostrado pouco efetivo. Talvez seja passageiro. Afinal, o melhor da Copa do Mundo tem sempre algo mais, algo mais para provar, algo mais para jogar. E também tem de se falar que o dianteiro Cavani, fundamental no Napoli para a classificação à Champions League, vem fazendo jogos horrorosos. Outro que pode e deve provar mais ao longo do tempo.

Sánchez - chileno é o homem do jogo


Borghi, técnico do Chile, na segunda etapa, mostrou um pouco de sua ousadia: sacou um zagueiro para entrada de Valdívia – que foi importante no lance do gol chileno e no funcionamento do meio-de-campo. Colocou ainda Paredes no lugar de Suazo e recuou Vidal ao lugar do zagueiro descartado, Jara. Com isso, o Chile terminou o jogo em um tipo de 3-3-3-1, com Paredes ao ataque, antecedido por Sánchez, Valdívia e Jimenez. O Uruguai terminou em um 4-3-1-2, com Forlán e Suárez no ataque; Alvaro González entrou para compensar a falta de um meia que atuasse na posição com efetividade. Lodeiro também entrou em momentos finais do confronto, que deixou clara a deficiência uruguaia – a falta de criatividade, com Forlán jogando pela frente e voltando para buscar jogo sem muita eficiência – e claro o melhor futebol da Copa América que, por ora, é chileno. Pode não ter vencido, mas jogou com superioridade e foi melhor que um Uruguai confuso em campo.

Por: Felipe Saturnino

05/07/2011

Copa América VI – Chile 2 x 1 México: Justo!

O Chile de Bielsa se manteve intacto. Quer dizer, quase. Mudou um pouco. Hoje, aliás, não é mais de El Loco. É de Claudio Borghi. Que não perde os méritos de manter a mesma estrutura do Chile que foi até as oitavas na Copa do Mundo.

E o Chile de Claudio Borghi, mantendo a ideia de Bielsa – com alguma diferença – venceu o México em um jogo de ineficácia na primeira etapa e oportunidade na segunda.
Mesmo tendo perdido chances na etapa inicial, o Chile começou bem. Monopolizou as ações por movimentação de laterais – Isla pela direita -, toques rápido, sendo incisivo. Parou um pouco nisso. Aliás, há de se citar que a seleção chilena teve chance de abrir o placar: Sánchez perdeu o gol. Tudo isso proporcionado pela superioridade do Chile jogando contra um México muito pouco apurado. Pois é. Deu-se que o gol não saiu.

Foi o México abriu o marcador, no fim da primeira etapa. Armado praticamente com 5 zagueiros intactos e que atuavam contra um bom ataque chileno, – ineficaz, tem de se falar – o time mexicano levou de vencida a primeira etapa. O Chile, armado no 3-5-2, reeditando um pouco das ideias de Bielsa – mudando que o 3-3-1-3 de Bielsa hoje muda para uma linha de quatro jogadores na faixa intermediária do Chile – pressionou no primeiro tempo, pecou por, após perder chances de gol, não conseguir furar a defesa mexicana. Matías Fernández, um compositor da linha de 5 no meio-de-campo, não fez lá das melhores etapas. A pendência de gol não poderia ser creditada a este homem, mas sim ao abuso de erros de passes chilenos – mesmo sabendo que Fernández fez oito passes errados dos 42 totais do Chile. Mas o Chile era melhor.
E era mais time. Não por falta de chances, estava perdendo o jogo. Virou na segunda etapa, com um gol de Paredes – entrando no lugar de Beasejour – e outro de Vidal. Ambos surgiram de bola parada, mais precisamente escanteio.

Justiça feita, o Chile venceu pois é mais time que o México. Certamente. Teve algumas dificuldades na primeira etapa, abusando de alguns erros e por um jogo médio de Fernández. O México também se aproveitou para fechar-se. Na segunda etapa, não faltou eficácia. Paredes deixou sua marca e Vidal também. E Bielsa, hoje não mais treinador do Chile, ainda deixa sua marca no esquema idealizado pelo mesmo.

Uruguai 1 x 1 Peru — Mais um favorito que começa a Copa América de um jeito inconvincente. O Uruguai sofreu o primeiro gol após contragolpe e erro da própria defesa. A equipe ainda edita o 4-3-3, ou 4-3-1-2 que deu certo na Copa do Mundo. Suárez fez o gol de empate. Forlán fez um jogo abaixo do que pode. O Peru jogou num 4-1-4-1, e mereceu o empate pelo que fez. Soube explorar algumas jogadas e ainda teve chance de gol no 1º tempo. Ao Uruguai, resta enfrentar um Chile que saiu vitorioso com justiça diante o México.

Por: Felipe Saturnino