Archive for ‘Internacional’

06/04/2012

O problema do Santos: Neymar e o volume

A questão vai afunilar nos próximos momentos de Libertadores, mas a opinião é válida desde agora: o Santos é o melhor time da competição. Mas não é o melhor NA competição!

O panorama: Inter mais móvel, mas Santos agressivo - principalmente na segunda etapa - com Neymar e o volume de jogo crescendo

A mudança na preposição, apesar de ser muito breve e quase não dizer nada – ou não mostrar nada ao leitor – diz muito – e mostra muito. Pois, dentre todos os brasileiros no maior torneio das Américas, o Fluminense é o ‘melhor’. Mas não o é legitimamente. É parcialmente, momentaneamente; circunstancialmente.

E são motivos bem simples que compõem e retocam a situação.

Neymar, o ponta-esquerda do 4-2-3-1 santista, é a máquina de absurdo talento e sobrenatural precisão que rege o resto do time. Seu trabalho é o mais fundamental, por ser o mais fundamental; é claro que se posta muito no questionamento de seu tamanho repertório e de sua capacidade acima da média, mas o garoto tem de arcar com as consequências defensivas – ele também compõe o corredor com o seu companheiro no flanco canhoto.

Além de tudo, decide num lance com a ligeira fintada e pode também levar um beque para a barca do inferno – Moledo que o diga. A pegada no santista no minuto 43 do segundo tempo de jogo foi feia. Até possivelmente para expulsão direta com vermelho. Não foi o caso.

A temática central, todavia, é a dificuldade em dar conta do 11 e do resto do time: por isso o considerar o mais qualificado de todos os nacionais na Liberta. O volume do jogo do Santos é intenso também, apesar de um Inter ‘envolvente’ com frequentes modificações na linha média-ofensiva de três atuantes – Dátolo, Dagoberto e Tinga jogaram por ali. E, também, apesar do gol rapidíssimo de Nei. Rafael nada fez: apenas admirou a magistral cobrança – que não condiz com a qualidade do lateral por completo, certamente.

Ainda assim, o Santos, por ter mais qualidade, envolveu e absorveu o Inter em questão de tempo. A compactação de Damião foi importante no período de vantagem: ele retornava para sustentar uma posição mais profunda no campo, formando uma linha ofensiva de quatro homens. É essa compactação tão fundamental que consiste a marcação.

E o jogo foi muito pouco atraente da vista tática: dos 4-2-3-1s, o mesmo dialeto, ambos conhecendo-se e utilizando o mesmo panorama sistemático. A diferença era que Ibson recuava um pouco no flanco direito, compondo um setor mais fundo no campo e gerando a ‘variação’ do 4-2-3-1 ‘torto’. O colorado era mais ‘reto’.

O Santos empatou aos 26, com Kardec – sem piada espírita. Gol de cabeça, após Juan cruzar. O uso do flanco direito da defesa do Inter foi o trunfo. Basicamente por Neymar.

Não tivesse sido Muriel, o Santos teria vencido. Na certa.

O ponto é que, mesmo diante de desvantagem, os paulistas souberam lidar com a situação, e foram guiados progressivamente pelas atitudes do melhor brasileiro que há em atividade – que partiu para as bolas, como é do feitio.

Com a presença de qualidade no meio-de-campo (a conexão Ganso-Neymar-Arouca) e presença forte nos flancos (principalmente o esquerdo) a equipe santista tende ao favoritismo nos confrontos seguintes para a Libertadores. Apenas cessará a participação se for possível neutralizar Neymar, primeiramente; a equipe cairia muito sem o craque mor, mas ainda assim seria razoavelmente perigosa.

Mas com ambas as razões para apontá-lo como melhor brasileiro DA competição atuando em conjunto, será difícil deter a equipe de Muricy. Neymar e o volume de jogo crescem, em dependência, mas auxiliam-se mutuamente.

E quem dera aquela espetacular bola do garoto entrasse: o mais espetacular ainda, Muriel, pegou.

Neymar - partindo para as bolas

Por: Felipe Saturnino

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13/06/2011

Algum Palmeiras, alguma direção

O empate no jogo de ontem não foi justo, mas aconteceu porque o Palmeiras não soube se defender no último minuto da partida. Simplesmente errou, tomou o empate de um Internacional apático e bem medíocre, deixando o jogo em 2 a 2.

E o Palmeiras jogou bem. Jogar contra o Internacional é difícil. Apesar deste Inter ser bem apático. Mas, fato é que o Palmeiras foi bem. Armou-se bem no seu 4-2-3-1 que Felipão impôs ao time verde diante do colorado gaúcho, que Falcão arriscou no 4-4-2 com um Oscar e D’ale alternando os lados do campo.
O Palmeiras foi bem por marcar os meias do Inter – anulados por falta de movimentação e forte marcação nas laterais proposta pelo Palmeiras – e conseguir explorar pontos fracos da equipe. O lado de Nei, pela direita, o mais fraco, foi a origem do gol de Luan. Por falar em Luan, este foi uma peça-chave no jogo de Scolari. Ocupou os espaços para que não houvesse infiltração do lado esquerdo palmeirense. No outro lado, Adriano “Jackson” cumpria uma função semelhante, sem tanto sucesso em jogadas ofensivas. Mas a ocupação de espaços barrando Oscar e Kléber encaixotou o Internacional, perdido, sem rumo.
Com Oscar e D’ale periféricos, ao centro Tinga tentou se aventurar na criação. Nada conseguiu. Um Palmeiras forte na reestruturação, com Patrik, Araújo e Assunção recompondo uma linha importante na faixa intermediária da equipe.
Mesmo assim, o Palmeiras peca ainda por falta de um meia mais meia do que Patrik, que se limitou a recompor o jogo. Com alguns ajustes, com um meia, neste esquema, o Palmeiras parece se achar. No jogo diante do Inter, fez boa exibição, errou no último lance, que foi capital na história do entrave.

Mas, em alguma direção, o time de Scolari, que se baseia em solidez defensiva e marcação forte, com recomposição de jogo rápido, parece estar indo. Diferente do Inter, que nem caminho achado por Falcão ainda tem.

Por: Felipe Saturnino